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Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos

Manifesto dos argumentistas europeus – tradução

Editado por João Nunes • 21 Jul 2007 • Categoria:

Apresentamos aqui uma proposta de tradução do Manifesto dos Argumentistas Europeus. Gostaríamos que todos os interessados a lessem, comparassem com o texto origianl, e deixassem sugestões, críticas e comentários. Os nossos agradecimentos a João de Oliveira, Jorge Vaz Nande e Melissa Lyra pela colaboração na tradução.

MANIFESTO DOS ARGUMENTISTAS EUROPEUS

As estórias estão no âmago da Humanidade e são o repositório da diversidade da nossa herança cultural. São contadas, recontadas e reinterpretadas vezes sem conta por contadores de estórias; os argumentistas desempenham esse papel no nosso tempos.

O talento dos argumentistas europeus merece confiança, incentivo e apoio. As indústrias cinematográficas europeias têm de encontrar maneiras de atrair e manter os seus argumentistas no cinema e na sua actividade.

Afirmamos que:

  • O argumentista é um autor do filme, o criador primeiro do trabalho audiovisual.
  • O uso indiscriminado do crédito possessório é inaceitável.
  • Os direitos morais do argumentista, especialmente o direito de manter a integridade da obra e de o proteger de distorções ou uso indevido, devem ser inalienáveis e honrados integralmente.
  • O argumentista deverá receber a justa contrapartida por todas as formas de exploração do seu trabalho.
  • O argumentista, enquanto autor, tem direito a estar envolvido tanto na produção quanto na promoção do filme e ser pago por esse trabalho. Enquanto autor, o seu nome deverá constar em todas as publicações, inclusive catálogos de festivais, listas de programação televisiva e críticas.

Apelamos:

  • Aos governos nacionais e agências de financiamento, para que apoiem os argumentistas, aplicando mais energia e recursos, quer na forma de subsídios, benefícios fiscais ou esquemas de investimento, quer na fase de desenvolvimento da produção cinematográfica e televisiva, quer no financiamento directo da sua actividade.
  • Aos académicos e críticos de cinema, para que reconheçam o papel dos argumentistas, e às universidades, academias e programas de formação, para que eduquem as novas gerações em concordância com o espírito colaborativo do meio e com respeito para com a arte e o ofício da escrita de argumento.
  • Aos festivais, cinematecas e outras instituições, para que nomeiem os argumentistas nos seus programas e planeiem e projectem tributos a argumentistas, do mesmo modo que o fazem com realizadores, actores e países.
  • Aos legisladores nacionais e comunitários, para que reconheçam que o argumentista é um autor do filme.
  • Aos legisladores para que garantam, nas leis nacionais e europeias, que os argumentistas possam organizar-se, negociar e contratar colectivamente, de modo a incentivar a manutenção das identidades culturais distintas de cada país e a facilitar o livre trânsito de argumentistas entre as nações.

Comprometemo-nos:

  • A distribuir este manifesto aos membros da indústria cinematográfica e à imprensa nos nossos países de origem.
  • A fazer campanha pela implementação dos objectivos definidos por este manifesto.
  • A lutar pelas mudanças legislativas, nacionais e europeias, exigidas neste manifesto.

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