argumentistas.org

Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos

A Greve em Detalhe

Editado por Daniel Ribas • 5 Mai 2008 • Categoria: , Actualidade, Notícias

A greve em detalhe, por Daniel Ribas
(artigo baseado no texto da Wikipedia sobre a greve)

A greve dos argumentistas – que paralisou a indústria de entretenimento durante 100 dias – foi a segunda greve mais importante do sector, causando prejuízos no valor de 1,5 Biliões de Dólares (numa das estimativas feita pela National Public Radio). Foi também uma greve que teve uma repercussão sem precedentes a nível mundial, algo que tornou relevante o papel do argumentista na cadeia de valor de um projecto audiovisual. O meio que mais sofreu com esta greve foi a televisão, com diversas séries atrasadas ou mesmo canceladas, algo que, a certa altura pôs em causa os propósitos da própria greve, já que levara diversos guionistas para situações pessoais dramáticas.

Um pouco de história
Cada três anos, a WGA (Writers Guild of America, que está dividida em duas organizações – a West e a East) negoceia com a AMPTP (Alliance of Motion Picture and Television Producers) um contrato-base, sobre o qual todos os guionistas são contratados (o contrato chama-se Minimum Basic Agreement – MBA). Em 2007, as negociações para o novo contrato entraram num impasse durante o mês de Outubro (as negociações finais ocorreram durante os dias 25 a 31 de Outubro, quando as partes romperam), o que levou cada uma das duas associações a pedir autorização para convocar uma greve. Algo que aconteceu no dia 2 de Novembro, com a greve a iniciar no dia 5.

Apesar de ter havido uma nova tentativa em Dezembro (entre os dias 4 e 7), foi apenas no dia 19 de Janeiro que as partes voltaram à  mesa de negociações. No inicio de Fevereiro, começam a ouvir-se rumores de que finalmente a WGA e a AMPTP tinham chegado a um princípio de acordo. No dia 10 de Fevereiro, as duas organizações da WGA iniciam uma votação para o fim da greve e os guionistas respondem com uns 92,5 % de opiniões favoráveis. A greve acabaria oficialmente no dia 12 de Fevereiro.

No dia 26 de Fevereiro, os guionistas da WGA votam, de novo, o acordo a que tinham chegado com a AMPTP, com uns expressivos 93 % favoráveis. O novo acordo vigorará¡ até 1 de Maio de 2011.

O que esteve em causa
Os guionistas da WGA negociaram, no início da década de 90, com o começo do mercado de vídeo, um valor – chamado residual – que ganhariam sobre cada cassete de VHS (ou Betamax e Laser Disc). Esse valor, no acordo firmado em 1988, fixou em 0,3 %. Na altura, os grandes estúdios argumentaram – para chegar a este valor – que o mercado de vídeo era emergente: não se sabia se era lucrativo e os custos de produção eram altos. Com a chegada do DVD, em meados da década de 90, o custo de produção baixou e o potencial de mercado cresceu exponencialmente. Contudo, os produtores continuaram a oferecer apenas o residual de 0,3 % (note-se, neste caso, que o mercado de DVD é neste momento muito mais lucrativo que as salas de cinema).

Tendo este histórico, a WGA aproximou-se da negociação com a vontade de negociar um residual mais alto (inicialmente a proposta previa o dobro), mas, numa atitude para evitar a greve, decidiu abdicar da alteração desses valores.

Esta abdicação tinha um motivo mais amplo: a discussão premente dos conteúdos distribuídos pelos «novos media» (downloads da Internet, IPTV, streaming, smartphone, video-on-demand e televisão por cabo). Uma das principais reivindicaçõees era a jurisdiçãoo da WGA sobre os conteúdos escritos para estes média. E essa foi, provavelmente, a vitória mais clara da WGA, já que o acordo previa remuneraçõees para originais escritos para esses suportes e também a aplicação de residuais.

A greve e o acordo incidiram também sobre a jurisdição sobre outros dois «géneros»: a animação e os reality shows. Os dois são casos diferentes, mas em ambos a WGA pretendia que o acordo conjunto (o MBA) fosse aplicado.

implicações da greve
A greve durou 100 dias e, como vimos, teve implicações económicas grandes a ponto do Governador da Califórnia, Arnold schwarzenegger ter intervido, no sentido de mediar as negociações (já que a greve afectara, sobretudo, o seu estado). Para além disso, os dois principais candidatos democratas – Hillary Clinton e Barack Obama – posicionaram-se a favor da WGA, tomando uma posição clara no conflito.

Contudo, a fase mais visível do impacto da greve esteve no cancelamento e repetição de diversas séries. Os programas de Late Night foram também dos mais afectados e os seus apresentadores colocados entre a espada e a parede. Mas o culminar da greve esteve no cancelamento da cerimónia dos Globos de Ouro. Este cancelamento tornou-se inevitável devido à greve (já não havia guionistas para escrever os textos da cerimónia), e sobretudo, devido à  posição da SAG (Screen Actors Guild) que aconselhou todos os seus membros a não participar na cerimónia. Para além de textos, os Globos iriam ficar sem a audiência e os vencedores dos prémios.

Também a cerimónia dos Óscares esteve por um fio, até que a greve foi interrompida e um acordo alcançado. A cerimónia, contudo, foi algo afectada, já que os argumentistas tiveram pouco tempo para trabalhar sobre ela.

Classificado como:

Leave a Reply