
O novo filme de João Canijo, com argumento do realizador e de Celine Pouillon, «Mal Nascida", acaba de estrear nas salas de cinema portuguesas. O filme chega a Portugal com mais de um ano de atraso, depois da presença no festival de Veneza em 2007.
A sinopse do filme disponível no site oficial é:
"Lúcia é uma mal nascida, uma mal amada é a eterna viúva do seu pai. Um grito antes de ser um corpo, enlouquecida, maltratada e humilhada, sobrevive enlutada com a lembrança do crime e da traição da mãe, grita a sua dor inconsolável para não dar descanso nem paz aos assassinos do pai. Vive na esperança desesperada do regresso do irmão para cumprir a promessa de vingar o sangue do pai." O filme adapta o Mito de Electra a uma aldeia do Portugal profundo e é o segundo filme de uma trilogia inacabada (o primeiro fora «Noite Escura»). Mas a melhor forma de entender este projecto é ler as palavras do próprio realizador na sua nota de intenções: «A grosseria resulta do esforço e da impossibilidade de dar forma a um fundo visceral sem forma.» «O pior na grosseria, não é a ruína da forma, mas a arrogância em julgar-se forma : violência característica do burgesso.» José Gil «Portugal é um país de brandos costumes.» Afirmação falsa, porque não há nada de brando nos costumes da província profunda dos crimes mesquinhos. Nesse mundo distante e dissimulado reina o sórdido e a violência boçal. E é nesse mundo escondido de violência e situações limite que é revisitado o mito de Electra, o confronto de uma filha com a mãe que foi incapaz de a amar. Uma mãe que dá a vida devia dar ao mesmo tempo o amor incondicional, uma mãe devia dar a ilusão do amor absoluto. Se é a mãe a trair a confiança no amor o ressentimento torna-se desmedido, só resta o rancor que cresce na espera da vingança, o rancor e o desejo de vingança tornam-se necessidades de sobrevivência. João Canijo
O trailer está disponível aqui, bem como uma entrevista ao realizador.

