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Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos

O que é um argumentista – 2

Editado por João Nunes • 14 Fev 2009 • Categoria: APAD, Destaque

Depois de recolhidas várias respostas de leitores ao artigo anterior, que pedia uma definição de argumentista/guionista para integrar na Classificação Nacional de Profissões, resolvemos avançar com uma proposta para discussão pública.

Argumentista ou guionista é o autor que cria e escreve, a partir de uma ideia original ou da adaptação de obra pré-existente, sua ou de terceiros, o argumento ou guião de uma obra audiovisual, incluindo as descrições de personagens, cenários, acções,  sons, diálogos e outros elementos necessários e suficientes para a sua produção e realização.

Aguardamos os vossos comentários e sugestões para a tornar melhor e mais representativa da realidade da nossa profissão.

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12 Responses »

  1. A definição parece-me boa (simples e eficaz). Faço apenas uma ressalva em relação à não inclusão de “audiovisual” na definição, já que grande parte do trabalho dos argumentistas é para televisão. Será que não valerá a pena incluir essa parcela na definição?

  2. Daniel: já corrigi a tua ressalva. Esperamos outras sugestões e contribuições.

  3. A definição também me parece ser boa e bastante completa, merecendo-me apenas 2 reparos: O primeiro é a parte final. Se mencionam as descrições de acção, personagens e diálogos, deviam também incluir indicações de locais ou décors, também necessárias. O 2º reparo é uma questão existencial. Escrevi um guião para uma longa metragem cinematográfica, registei-o no I.G.A.C. e enviei-o para algumas produtores há mais de meio ano, sem ter tido qualquer resposta ou comentário até ao momento. Pela definição, sou guionista, mas apesar de tudo não é ainda assim que me sinto. Acho que na definição devia ser explicito se se tem de ser autor de obra produzida ou não. É a modesta opinião de um aspirante a guionista.

  4. Pedro: já acrescentei a sua sugestão quanto ao primeiro ponto – cenários.
    Deixo para discussão a forma e vantagem de referir se é ou não autor de obra produzida. Recordo que estamos num contexto de uma definição de profissão, donde há o pressuposto de que a pessoa é paga ou conta vir a sê-lo ao desenvolver o seu trabalho.

  5. Caro João, antes de mais, obrigado por ter aceite a sugestão de um guionista amador (sim, também respondeu à minha dúvida existencial). Penso que aquilo que está na definição tem apenas a ver com a actividade (independentemente de ser executada de forma amadora ou profissional). Para definir a profissão, e uma vez que só há renumeração e subsistência se a obra for produzida, penso que será essencial referir esse facto. Só assim se poderá diferenciar a actividade amadora da profissão.

  6. Peço desculpa pela insistência, mas acabei de cometer um lapso no comentário anterior. Havendo casos em que a obra não é produzida, mas o guionista é pago pelo trabalho efectuado (independentemente deste dar origem ao produto final ou não) também se enquadra no estatuto de profissão. Sendo assim, penso que a questão essencial em falta tem a ver apenas com renumeração. Peço desculpa também pela minha falha.

  7. Parece-me uma boa definição. Ressalvo apenas o possível acrescento:
    Dado que o cinema, actualmente, se mune de uma interacção entre imagens em movimento e articulação de sons e temas musicais, não será também papel do guionista elaborar uma descrição de elementos sonoros pertinentes na narração da sua história? Sei que não será regra e tais decisões estarão mais intimamente relacionadas com os cargos de realização e /ou direcção de som/sonoplastia… Mas, para mim, um contador de histórias (ainda que em formato Final Draft) enriquece o seu trabalho quando ilustra previamente a totalidade do ambiente pretendido.

    Continuem com o bom trabalho. Pelo bem da nossa profissão? Paixão?

    E não deixem de visitar: royalcafe.wordpress.com

  8. argumentista – escreve para cinema . (argumento)
    guionista – escreve para televisão. (guião)

  9. Marco,
    sem querer entrar em polémica, esse entendimento da diferença entre argumentista e guionista não é partilhado pela maior parte das pessoas que eu conheço na área. De qualquer forma, também não tem tem influência neste caso, pois estamos a tentar estabelecer a definição do escritor de uma obra audiovisual, independentemente de ser cinema ou televisão.
    Fica no entanto aqui a promessa de que, quando esta questão estiver resolvida, introduziremos ao debate com os leitores qual a diferença, se é que existe, entre guionista e argumentista.

  10. Caro João,

    Concordo com a definição.
    No entanto, convém não esquecer que o trabalho do argumentista/guionista não acaba – muitas vezes! – antes da obra ser executada, ou seja produzida e realizada!
    Isso ainda entra na definição supra-citada? Por que é que muitos argumentistas/guionistas têm que acompanhar a produção do guião? E por que os que não acompanham, se sentem, na maioria, defraudados com o resultado?
    Não sei o que falta na definição para que os argumentistas/guionistas se sintam mais protegidos e salvaguardados destes factos.
    O que achas?

  11. Já agora não se devem de esquecer que o argumentista é o maior empregador porque dá dinheiro a ganhar a muita gente e a maior parte das vezes , senão todas, somos o que menos ganhão e somos monespresados mostrando assim falta de inteligencia por outrém.Fala-se de indústrias mas como querem que haja esta actividade económica pois se não pagam e t~em esta atitude?!Enfim não dá, mais é sociedade que temos . Bom trabalho pessoal.

  12. Jorge, achei a sua abordagem muito interessante, realmente parece que ninguém vê um argumentista (ou guionista, já agora aproveito para dizer que acho que a escolha do termo é apenas uma questão de gosto, mas confesso que nunca aprofundei o tema) como o desencadear fundamental de outras profissões associadas. Nunca tinha visto a profissão dessa perspectiva. Sempre achei fabulosa a parte da criação, mas realmente nunca tinha visto o argumentista como um empreendedor, de ideias claro, mas ainda assim a pedra basilar de uma indústria.
    Numa época em que tanto se fala de empreendorismo, se é do argumentista que sai a centelha mágica que inicia o processo, ficamos sem saber porque ainda tanto caminho falta fazer para uma maior consideração pela profissão.
    Claro que não vou resistir a comentar o “que menos ganhão e somos monespresados” :) )! Terá sido um grito de misericórdia de um argumentista zangado sob a forma de um ATAQUE AO PORTUGUÊS? ahahah
    um abraço

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