Depois de recolhidas várias respostas de leitores ao artigo anterior, que pedia uma definição de argumentista/guionista para integrar na Classificação Nacional de Profissões, resolvemos avançar com uma proposta para discussão pública.
Argumentista ou guionista é o autor que cria e escreve, a partir de uma ideia original ou da adaptação de obra pré-existente, sua ou de terceiros, o argumento ou guião de uma obra audiovisual, incluindo as descrições de personagens, cenários, acções, sons, diálogos e outros elementos necessários e suficientes para a sua produção e realização.
Aguardamos os vossos comentários e sugestões para a tornar melhor e mais representativa da realidade da nossa profissão.


12 comentários
Daniel Ribas says:
Fev 16, 2009
A definição parece-me boa (simples e eficaz). Faço apenas uma ressalva em relação à não inclusão de “audiovisual” na definição, já que grande parte do trabalho dos argumentistas é para televisão. Será que não valerá a pena incluir essa parcela na definição?
João Nunes says:
Fev 16, 2009
Daniel: já corrigi a tua ressalva. Esperamos outras sugestões e contribuições.
Pedro Afonso says:
Fev 17, 2009
A definição também me parece ser boa e bastante completa, merecendo-me apenas 2 reparos: O primeiro é a parte final. Se mencionam as descrições de acção, personagens e diálogos, deviam também incluir indicações de locais ou décors, também necessárias. O 2º reparo é uma questão existencial. Escrevi um guião para uma longa metragem cinematográfica, registei-o no I.G.A.C. e enviei-o para algumas produtores há mais de meio ano, sem ter tido qualquer resposta ou comentário até ao momento. Pela definição, sou guionista, mas apesar de tudo não é ainda assim que me sinto. Acho que na definição devia ser explicito se se tem de ser autor de obra produzida ou não. É a modesta opinião de um aspirante a guionista.
João Nunes says:
Fev 17, 2009
Pedro: já acrescentei a sua sugestão quanto ao primeiro ponto – cenários.
Deixo para discussão a forma e vantagem de referir se é ou não autor de obra produzida. Recordo que estamos num contexto de uma definição de profissão, donde há o pressuposto de que a pessoa é paga ou conta vir a sê-lo ao desenvolver o seu trabalho.
Pedro Afonso says:
Fev 17, 2009
Caro João, antes de mais, obrigado por ter aceite a sugestão de um guionista amador (sim, também respondeu à minha dúvida existencial). Penso que aquilo que está na definição tem apenas a ver com a actividade (independentemente de ser executada de forma amadora ou profissional). Para definir a profissão, e uma vez que só há renumeração e subsistência se a obra for produzida, penso que será essencial referir esse facto. Só assim se poderá diferenciar a actividade amadora da profissão.
Pedro Afonso says:
Fev 17, 2009
Peço desculpa pela insistência, mas acabei de cometer um lapso no comentário anterior. Havendo casos em que a obra não é produzida, mas o guionista é pago pelo trabalho efectuado (independentemente deste dar origem ao produto final ou não) também se enquadra no estatuto de profissão. Sendo assim, penso que a questão essencial em falta tem a ver apenas com renumeração. Peço desculpa também pela minha falha.
Luis Campos says:
Mar 2, 2009
Parece-me uma boa definição. Ressalvo apenas o possível acrescento:
Dado que o cinema, actualmente, se mune de uma interacção entre imagens em movimento e articulação de sons e temas musicais, não será também papel do guionista elaborar uma descrição de elementos sonoros pertinentes na narração da sua história? Sei que não será regra e tais decisões estarão mais intimamente relacionadas com os cargos de realização e /ou direcção de som/sonoplastia… Mas, para mim, um contador de histórias (ainda que em formato Final Draft) enriquece o seu trabalho quando ilustra previamente a totalidade do ambiente pretendido.
Continuem com o bom trabalho. Pelo bem da nossa profissão? Paixão?
E não deixem de visitar: royalcafe.wordpress.com
Marco Barbosa says:
Mar 6, 2009
argumentista – escreve para cinema . (argumento)
guionista – escreve para televisão. (guião)
João Nunes says:
Mar 6, 2009
Marco,
sem querer entrar em polémica, esse entendimento da diferença entre argumentista e guionista não é partilhado pela maior parte das pessoas que eu conheço na área. De qualquer forma, também não tem tem influência neste caso, pois estamos a tentar estabelecer a definição do escritor de uma obra audiovisual, independentemente de ser cinema ou televisão.
Fica no entanto aqui a promessa de que, quando esta questão estiver resolvida, introduziremos ao debate com os leitores qual a diferença, se é que existe, entre guionista e argumentista.
Isabel Costa says:
Mar 13, 2009
Caro João,
Concordo com a definição.
No entanto, convém não esquecer que o trabalho do argumentista/guionista não acaba – muitas vezes! – antes da obra ser executada, ou seja produzida e realizada!
Isso ainda entra na definição supra-citada? Por que é que muitos argumentistas/guionistas têm que acompanhar a produção do guião? E por que os que não acompanham, se sentem, na maioria, defraudados com o resultado?
Não sei o que falta na definição para que os argumentistas/guionistas se sintam mais protegidos e salvaguardados destes factos.
O que achas?
jorge arada says:
Mar 19, 2009
Já agora não se devem de esquecer que o argumentista é o maior empregador porque dá dinheiro a ganhar a muita gente e a maior parte das vezes , senão todas, somos o que menos ganhão e somos monespresados mostrando assim falta de inteligencia por outrém.Fala-se de indústrias mas como querem que haja esta actividade económica pois se não pagam e t~em esta atitude?!Enfim não dá, mais é sociedade que temos . Bom trabalho pessoal.
Rita Martins says:
Jul 13, 2009
Jorge, achei a sua abordagem muito interessante, realmente parece que ninguém vê um argumentista (ou guionista, já agora aproveito para dizer que acho que a escolha do termo é apenas uma questão de gosto, mas confesso que nunca aprofundei o tema) como o desencadear fundamental de outras profissões associadas. Nunca tinha visto a profissão dessa perspectiva. Sempre achei fabulosa a parte da criação, mas realmente nunca tinha visto o argumentista como um empreendedor, de ideias claro, mas ainda assim a pedra basilar de uma indústria.
)! Terá sido um grito de misericórdia de um argumentista zangado sob a forma de um ATAQUE AO PORTUGUÊS? ahahah
Numa época em que tanto se fala de empreendorismo, se é do argumentista que sai a centelha mágica que inicia o processo, ficamos sem saber porque ainda tanto caminho falta fazer para uma maior consideração pela profissão.
Claro que não vou resistir a comentar o “que menos ganhão e somos monespresados”
um abraço