Os argumentistas nunca foram os mesmos, em Portugal, desde meados da década de 90, quando um grupo de autores decidiu criar uma empresa que coordenasse e tornasse viável a produção contínua de guiões. Nasciam as Produções Fictícias (PF). Foi a partir deste ponto de partida que procuramos ouvir alguns protagonistas de uma face mais empresariável dos argumentistas.

Escher hands

Esta evolução prova que, com uma organização profissional, podemos ser mais fortes e mais consistentes. Contudo, o elo mais importante desta transformação foi o reconhecimento que estes criativos trabalham juntos em regime de colaboração crítica. É aí, na nossa opinião, que se dá o salto, porque se prova a existência de uma massa crítica e de um embrião de autores com diferentes sensibilidades mas a trabalhar em conjunto. Nesse sentido, procuramos também ir um pouco mais além do que a simples organização empresarial.

Chegamos à conclusão que hoje em dia, estes "argumentistas-criativos" têm até a possibilidade de usufruir, duas vezes por mês, de massagens gratuitas (na Casa da Criação). Não significa, porém, que tudo esteja óptimo. Este é apenas um processo revolucionário em curso que demorará o seu tempo, até que seja possível o argumentista ser um valor em si mesmo.

Para este dossier, ouvimos: Nuno Artur Silva (sobre as PF); Adriano Luz (sobre a Casa da Criação, colectivo responsável por muita da ficção da TVI); e Nuno Bernardo (sobre a beActive, uma empresa de crescimento exponencial na área dos novos media). Preenchem esta edição outros artigos: um ponto de vista interior do célebre seminário Story, que Robert McKee ministrou em Lisboa (por Manuel Pureza), assim como uma análise do seu livro (por Jorge Palinhos); uma curiosa comparação de duas versões de  "The Day the Earth Stood Still" (por Ricardo Oliveira); um texto sobre "Italiano para Principiante" (por Maria João Cordeiro); e finalmente, fomos à Ópera ver "Faust" (por António Lourenço).

Daniel Ribas e Pedro Flores (editores da Revista APAD)