No passado dia 8 de Fevereiro, foi transmitida uma entrega de prémios na RTP.  A apresentadora era Catarina Furtado e, atrás de si e para não haver enganos sobre quem era o organizador da iniciativa, estava um enorme símbolo onde se lia ‘Sociedade Portuguesa de Autores’.

Várias áreas da nossa cultura foram honradas com nomeações para os prémios e diplomas que seriam entregues: Cinema, Música, Dança, Teatro, Literatura e Televisão, entre outras. Cada categoria estava subdividida. Na sétima arte, por exemplo, nomeou-se o Melhor Filme, o Melhor Actor e a Melhor Actriz. O mesmo se passou no Teatro: Melhor Peça, Melhor Actor e Melhor Actriz. Quanto à ficção televisiva, elegeu-se a melhor série.

Em nenhuma destas três últimas áreas se falou sequer da palavra ‘escritor’.

Durante a gala, muitas pessoas de mérito passaram por aquele palco do Centro Cultural de Belém, deram dois beijinhos à apresentadora, agradeceram a quem acharam que deviam agradecer. Também houve quem louvasse a iniciativa ao dizer algo como “que se repita, é importante divulgar o trabalho dos artistas portugueses, premiar a qualidade e apoiar aqueles que criam”.

O problema é que, como muitas vezes acontece em Portugal, as intenções ficam pelas aparências. Todos sabemos que, aqui ou lá fora, a atribuição de prémios se confunde quase sempre com a procura de mediatismo por parte dos organizadores. Mas aquele novo símbolo da SPA à frente do qual todos tinham que passar, e considerando que o ‘A’ deveria significar ‘Autores’, dava uma acrescida responsabilidade ao evento.

Uma obrigação que foi ignorada por completo no que diz respeito aos Guionistas e Dramaturgos.

Talvez pensem que somos um grupo de pessoas feias, barbudas, ligeiramente mal educados e com tendência para o vernáculo alcoolizado cuja presença num evento televisivo em directo seja de evitar a todo o custo. Ou é possível que a SPA esteja convencida que os actores de cinema, televisão ou teatro inventem as suas próprias conversas e que os realizadores e encenadores decidam qual é a história em que vão trabalhar no mesmo momento em que começam a ensaiar ou a filmar.

Seja qual for a razão, a verdade é que a SPA decidiu ignorar a existência de qualquer profissional que escreva cinema, televisão ou teatro. Um desrespeito que não pode passar em claro. Dedos devem ser apontados e a SPA tem que ser exposta ao ridículo.

Podem criar os novos logótipos que quiserem e até pintar o símbolo a ouro, mas nada vai esconder o facto de que algo se passa de muito errado numa Sociedade que se diz ‘dos Autores’ e depois os despreza.

A DIRECÇÃO DA APAD

Assine aqui uma petição online de protesto contra a SPA.

Confira aqui a lista dos autores premiados – se encontrar algum argumentista ou dramaturgo damos-lhe um prémio.

Confira aqui a notícia a anunciar os prémios – é verdade, chamam-se mesmo Prémio Autores SPA/RTP 

 

Leia aqui o Manifesto da FSE – Federação dos Guionistas Europeus