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	<title>argumentistas.org &#187; Análise</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 23 Jul 2010 17:36:56 +0000</lastBuildDate>
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		<title>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:37:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[The Day the Earth Stood Still]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma interessante análise comparativa entre as duas versões do filme "The Day the Earth Stood Still" (1951 e 2008).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>por Ricardo Oliveira<br />
<span style="font-size: smaller;">(<em>Ricardo Oliveira &eacute; argumentista formado pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Argumentista e realizador de duas curtas metragens prepara agora uma terceira. J&aacute; trabalhou no Departamento Criativo da Utopia Filmes e de momento desenvolve projectos na Uzi Filmes.)</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><img width="317" height="461" class="alignnone size-full wp-image-438" title="day_the_earth_stood_still_1951" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/day_the_earth_stood_still_1951.jpg" alt="day_the_earth_stood_still_1951" /></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>THE DAY THE EARTH STOOD STILL</strong> <br />
1951: Robert Wise (R), Edmund H. North (A) <br />
2008: Scott Derrickson (R), David Scarpa (A)</p>
<h2>Tema e Mensagem<strong><br />
</strong></h2>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">O original de 1951, produzido no in&iacute;cio do McCartismo, usa o seu subtexto como explora&ccedil;&atilde;o do clima de tens&atilde;o, suspeita e persegui&ccedil;&atilde;o vivido durante a <em>Ca&ccedil;a &agrave;s Bruxas</em> de que os comunistas nos Estados Unidos da Am&eacute;rica eram v&iacute;timas. No fim encontramos uma moral de reconcilia&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do reconhecimento de que a suspeita &eacute; indevidamente formada numa tens&atilde;o aparente, o que torna a persegui&ccedil;&atilde;o uma ac&ccedil;&atilde;o desadequada e censur&aacute;vel.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">O remake de 2008 surge no contexto actual de preocupa&ccedil;&atilde;o face &agrave; polui&ccedil;&atilde;o criada pela ra&ccedil;a humana e consequente destrui&ccedil;&atilde;o do planeta, que s&oacute; poder&aacute; ser evitada face &agrave; consciencializa&ccedil;&atilde;o e ac&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica e imediata de toda a ra&ccedil;a humana. O conflito dram&aacute;tico surge com a dificuldade da natureza humana lidar de forma racional e conscienciosa com um problema at&eacute; ao momento em que a nossa exist&ecirc;ncia &eacute; afectada por esse problema.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">&nbsp;</p>
<h2>An&aacute;lise Estrutural<strong><br />
</strong></h2>
<p class="western" style="padding: 0in 0in 0.01in; margin-bottom: 0.14in;">1&ordm; ACTO</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>VERS&Atilde;O 1951:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Os primeiros minutos n&atilde;o nos apresentam um protagonista mas sim uma vis&atilde;o generalizada de um acontecimento, atrav&eacute;s de uma montage que nos mostra a reac&ccedil;&atilde;o a esse acontecimento em v&aacute;rios locais do mundo atrav&eacute;s dos &oacute;rg&atilde;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (r&aacute;dio, jornais, televis&atilde;o), que ser&atilde;o recorrentes noutros momentos da narrativa, j&aacute; que ser&aacute; atrav&eacute;s deles que a tens&atilde;o e a suspeita s&atilde;o &ldquo;transportados&rdquo; como se fossem um v&iacute;rus. A tens&atilde;o &eacute; o tom em que &eacute; constru&iacute;do o primeiro acto, presente nas express&otilde;es de todos os figurantes da montage inicial e materializada nas palavras do comentador de TV que acompanha os directos do local onde a nave espacial aterrou. O poder militar surge em for&ccedil;a, cercando o OVNI e assumindo a sua posi&ccedil;&atilde;o defensiva instantaneamente e de forma precipitada. O tiro medroso do soldado que fere Klaatu &eacute; um reflexo disso &#8211; o erro causado pela tens&atilde;o previamente estabelecida face ao acontecimento.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Sendo a chegada da nave espacial, que acontece nos primeiros minutos de filme, o Inciting Incident da B storyline, o elemento que vem perturbar o equil&iacute;brio do mundo terrestre, o tiro que atinge Klaatu surge na altura em que o Inciting habitualmente acontece, por volta dos quinze minutos de filme. Surge da necessidade de haver um plot point evidente que, ao destabilizar a chegada de Klaatu, sirva de Inciting para o arco da personagem alien&iacute;gena. Perceberemos mais &agrave; frente que &eacute; um falso plot point, j&aacute; que, independentemente do tiro, o desejo de Klaatu em reunir-se com os presidentes das na&ccedil;&otilde;es lhe seria inevitavelmente negado, como nos explica no hospital o secret&aacute;rio do presidente, Harley. Apesar de ser inconsequente para a progress&atilde;o da narrativa, fortalece o subtexto mencionado no par&aacute;grafo anterior, e exp&otilde;e posteriormente as capacidades regeneradoras de Klaatu, reafirmando a origem extra-terrestre da personagem.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">A impossibilidade de Klaatu se reunir com os l&iacute;deres mundiais leva-o a fugir do hospital militar onde est&aacute; praticamente aprisionado, motivado pelo desejo de perceber melhor a natureza humana.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>VERS&Atilde;O 2008:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">O protagonista nesta vers&atilde;o &eacute; Helen Benson. &Eacute; feito um set up para a sua personagem e &eacute; do ponto de vista dela que ao longo do 1&ordm; acto nos &eacute; apresentada a situa&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a sobre o planeta Terra. O 1&ordm; acto lida maioritariamente com a atitude defensiva da ra&ccedil;a humana frente a um evento que n&atilde;o compreende. &Eacute; com base nesta faceta da natureza humana que Klaatu adopta a forma de um homem, para que os humanos n&atilde;o reajam a medo. Helen evidencia-se enquanto protagonista pela sua tomada de posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao alien&iacute;gena. &Eacute; ela que, contra as ordens da secret&aacute;ria de defesa Jackson, injecta Klaatu com uma solu&ccedil;&atilde;o salina inofensiva.</p>
<p class="western" style="padding: 0in 0in 0.01in; margin-bottom: 0.14in;">2&ordm; ACTO</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>1951:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Na passagem do 1&ordm; para o 2&ordm; acto, voltamos a assistir a uma montage de not&iacute;cias. O homem do espa&ccedil;o escapou, est&aacute; &agrave; solta e &eacute; descrito como uma amea&ccedil;a. Este &eacute; o problema dram&aacute;tico, vivido pelo ponto de vista do perseguido. Na primeira vez que encontramos o grupo de personagens que v&atilde;o interagir na pens&atilde;o com Klaatu ao longo do segundo acto, est&atilde;o tamb&eacute;m como as personagens que vimos no inicio do filme, deixando-se influenciar pela propaganda anti-alien&iacute;gena que lhes &eacute; comunicada atrav&eacute;s da r&aacute;dio e dos jornais. Vemos isso materializado na conversa ao pequeno-almo&ccedil;o. Esta cena mostra-nos de forma literal como o elemento estranho (Extra-terrestre/Comunista) que suscita desconforto, suspeita e atitudes agressivas no cidad&atilde;o comum, &eacute; no fundo algu&eacute;m que se senta &agrave; mesa connosco e que &eacute; for&ccedil;ado a esconder a sua verdadeira natureza pois sabe &agrave; partida que ser&aacute; v&iacute;tima de preconceito.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">O 2&ordm; acto mostra-nos paralelamente o descobrir da personalidade pac&iacute;fica de Klaatu, atrav&eacute;s da empatia criada entre ele e o mi&uacute;do Bobby, o filho de Helen que vive na pens&atilde;o onde Klaatu est&aacute; hospedado, ao mesmo tempo que o clima de suspeita generalizada e exagerada (relatos contradit&oacute;rios sobre a apar&ecirc;ncia do extra-terrestre que ridicularizam essa suspeita) cresce. A suspeita sobre Klaatu surge na forma de Helen e Tom que avisam Bobby a manter-se afastado de &ldquo;Mr. Carpenter&rdquo;, depois deste receber a visita de um agente governamental que o escolta at&eacute; casa do Prof. Barnhadt.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Na conversa com o Prof. Bardhardt &eacute; discutido um outro medo generalizado e muito popular da altura: a amea&ccedil;a nuclear. No fundo, toda a tens&atilde;o criada entre as duas novas super-pot&ecirc;ncias no p&oacute;s 2&ordf; Guerra Mundial (EUA e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica), nasce da demonstra&ccedil;&atilde;o do poder nuclear que marcou o final do conflito.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Quando Helen e Tom descobrem quem Mr. Carpenter &eacute; na realidade e depois da demonstra&ccedil;&atilde;o do poder do alien&iacute;gena que neutraliza toda a electricidade do planeta, &eacute;-nos apresentado um conflito entre o casal humano que eventualmente os separar&aacute;. A atitude de Tom, prontamente decidido a revelar a localiza&ccedil;&atilde;o do alien&iacute;gena aos militares, &eacute; outro elemento que espelha algo comum na sociedade americana da altura quando, de forma muitas vezes oportunista, um nome era dado e um comunista exposto. &Eacute; o plot point que transforma a suspeita na persegui&ccedil;&atilde;o e abre o terceiro acto.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>2008:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Tal como no original, o 2&ordm; acto come&ccedil;a com a fuga de Klaatu e a sua entrada no mundo dos humanos. O primeiro contacto &eacute; violento. Assiste a um assassinato e roubo numa esta&ccedil;&atilde;o de comboios. Aos olhos do alien&iacute;gena esse &eacute; um exemplo da natureza violenta e destrutiva dos Homens. No entanto a confian&ccedil;a de Helen Benson demonstrada anteriormente &eacute; suficiente para Klaatu pedir ajuda a esta.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Durante o 2&ordm; acto as televis&otilde;es mostram-nos o colapso da ra&ccedil;a humana motivado pelo p&acirc;nico de uma eminente invas&atilde;o alien&iacute;gena. Nas ruas v&ecirc;-se vandalismo e viol&ecirc;ncia. Jacob, o filho adoptivo de Helen, reage tamb&eacute;m de forma agressiva sugerindo que o alien&iacute;gena deveria ser morto.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Percebemos o plano de Klaatu e a raz&atilde;o das esferas que surgem em todo o planeta, arcas de No&eacute;, que &ldquo;chamam&rdquo; para si esp&eacute;cimes de todas as ra&ccedil;as animais do planeta excepto a humana.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Um major turning point surge quando Helen percebe que Klaatu, ao reanimar um pol&iacute;cia que havia morto momentos antes, tem o poder para impedir o que parece ser a inevit&aacute;vel aniquila&ccedil;&atilde;o da ra&ccedil;a humana. Prop&otilde;e-se a mostrar ao extra-terrestre a capacidade humana de mudan&ccedil;a. A cena com o Prof. Bardhardt exp&otilde;e essa capacidade, por vezes dif&iacute;cil, de tomada de consci&ecirc;ncia face a um problema e a consequente resolu&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Quando Helen &eacute; levada pelos helic&oacute;pteros militares, impossibilitando-a de continuar a convencer Klaatu, esse problema e, acima de tudo, a desfragmenta&ccedil;&atilde;o do robot Gort para uma nova entidade antag&oacute;nica indestrut&iacute;vel pelo poder militar, transportam-nos para o 3&ordm; acto.</p>
<p class="western" style="padding: 0in 0in 0.01in; margin-bottom: 0.14in;">3&ordm; ACTO</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>1951:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Apesar da ajuda de Helen, Klaatu acaba por ser morto pelos soldados. Helen reactiva o robot-guardi&atilde;o Gort segundo as instru&ccedil;&otilde;es de Klaatu transpondo para este o protagonismo. As palavras &ldquo;Klaatu Barada Nikto&rdquo; que passam de Klaatu para Helen e desta para Gort, ajudam nesse transporte dif&iacute;cil de protagonismo, sem tornar previs&iacute;vel para o espectador o desenvolvimento da hist&oacute;ria. Gort, apresentado no 1&ordm; acto e &ldquo;adormecido&rdquo; ao longo do 2&ordm;, &eacute; o elemento activo que possibilita o desfecho da narrativa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;"><strong>2008:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Quando Helen e Klaatu se voltam a reencontrar, a transforma&ccedil;&atilde;o dos objectivos personagem do alien&iacute;gena j&aacute; est&aacute; em curso, depois de ter assistido &agrave; mudan&ccedil;a de opini&atilde;o de Jacob em rela&ccedil;&atilde;o a si. O rapaz j&aacute; n&atilde;o o quer matar, mudou e provou a Klaatu que essa capacidade &eacute; real.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">A sequ&ecirc;ncia final mostra-nos o pre&ccedil;o da neutraliza&ccedil;&atilde;o dos micro-robots e da extin&ccedil;&atilde;o humana. Todas as energias foram eliminadas e a ra&ccedil;a humana tem agora a oportunidade de come&ccedil;ar de novo, atrav&eacute;s de uma segunda pr&eacute;-hist&oacute;ria.</p>
<h2>Resumo Cr&iacute;tico<strong><br />
</strong></h2>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.14in;">Enquanto a vers&atilde;o original de 1951 nos apresenta uma constru&ccedil;&atilde;o estrutural que reflecte subtextualmente a tem&aacute;tica central do filme (McCartismo e persegui&ccedil;&atilde;o aos comunistas) e explora dentro da maioria das cenas e da sua dramaturgia ramifica&ccedil;&otilde;es dessa tem&aacute;tica (a paran&oacute;ia nuclear, a propaganda pol&iacute;tica, a influ&ecirc;ncia dos <em>mass media</em> no cidad&atilde;o, o oportunismo humano), o remake &eacute; maioritariamente estruturado pela exposi&ccedil;&atilde;o superficial de conceitos ecol&oacute;gicos e de no&ccedil;&otilde;es condescendentes sobre a natureza humana, n&atilde;o as dramatizando quer num conceito estrutural, quer na dramaturgia das cenas e das personagens, tornando quase inconsequente a sua mensagem.</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:34:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Dogme 95]]></category>
		<category><![CDATA[Italiano para Principiantes]]></category>
		<category><![CDATA[Lone Scherfig]]></category>

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		<description><![CDATA[Maria João Cordeiro analisa uma das obras mais marcantes do movimento Dogme 95, "Italiano Para Principiantes", vendo no filme uma luminosa simplicidade narrativa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
por Maria Jo&atilde;o Cordeiro<br />
<em><span style="font-size: smaller;">(<span style="color: rgb(0, 0, 0);"><span style="font-family: Arial;"><span class="il">Maria</span> <span class="il">Jo&atilde;o</span> Cordeiro, doutorada em Cultura Alem&atilde; pela Universidade Nova de Lisboa, &eacute; docente do Instituto Polit&eacute;cnico de Beja e investigadora do Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. Os seus actuais interesses de investiga&ccedil;&atilde;o prendem-se, nomeadamente, com o cinema como&nbsp;fonte de reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a contemporaneidade.)</span></span></span></em></p>
<p><span><img width="241" height="309" alt="italianoposter" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/italianoposter.jpg" title="italianoposter" class="alignnone size-full wp-image-496" /></span></p>
<p><em>Italiano para Principiantes</em> de Lone Scherfig, vencedor de um Urso de Prata no Festival de Berlim de 2001, &eacute; o 12.&ordm; filme realizado &agrave; luz dos preceitos est&eacute;ticos proclamados em 1995 por Dogme 95, um grupo de cineastas dinamarqueses empenhados no retorno &agrave; castidade cinematogr&aacute;fica e &agrave; ren&uacute;ncia de artif&iacute;cios especiais que impliquem a distor&ccedil;&atilde;o da realidade.</p>
<p>O manifesto de Dogme 95 estipula, por exemplo, que as filmagens ocorram <em>in loco</em>, recorrendo a c&acirc;maras port&aacute;teis e utilizando apenas luz e som naturais. Este almejado regresso &agrave; &ldquo;inoc&ecirc;ncia e simplicidade cinematogr&aacute;ficas dos irm&atilde;os Lumi&egrave;re&rdquo;(1) tem por objectivo fulcral aproximar o cinema da sua ess&ecirc;ncia narrativa, isto &eacute;, &ldquo;for&ccedil;ar a verdade a sair das personagens e dos cen&aacute;rios&rdquo;(2).</p>
<p><em>Italiano para Principiantes, </em>realizado de acordo com as regras de uma dogm&aacute;tica austeridade art&iacute;stica e os meios mais rudimentares da produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica, &eacute;, com efeito, uma delicada obra de s&oacute;lida constru&ccedil;&atilde;o narrativa, assente no progressivo entrela&ccedil;ar de hist&oacute;rias de solid&atilde;o de pessoas comuns at&eacute; &agrave; feliz conclus&atilde;o do puzzle de pares rom&acirc;nticos.</p>
<p>Scherfig principia por apresentar o grupo de cora&ccedil;&otilde;es solit&aacute;rios: Andreas, pastor recentemente vi&uacute;vo, acaba de chegar &agrave; cidade para substituir o padre local, que perdeu a f&eacute; em Deus ap&oacute;s a morte da mulher, e encontra uma igreja vazia e espiritualmente abandonada; J&oslash;rgen Mortensen, o t&iacute;mido recepcionista de hotel, vive atormentado com a perda de pot&ecirc;ncia sexual que dura h&aacute; quatro anos; Halvfinn &eacute; um arisco e grosseiro empregado de restaurante, que acaba por ser despedido; Olympia &eacute; uma empregada de padaria incrivelmente desastrada (v&iacute;tima prov&aacute;vel de s&iacute;ndrome alco&oacute;lica fetal); j&aacute; vai no 47.&ordm; emprego e vive com o pai doente, rancoroso e agressivo. Giulia, a jovem empregada de restaurante apaixonada por J&oslash;rgen, espera que o milagre do amor aconte&ccedil;a e que ele repare nela; Karen, uma cabeleireira generosa e sens&iacute;vel, tem a cargo a m&atilde;e alco&oacute;lica, que, durante uma hospitaliza&ccedil;&atilde;o, a tenta persuadir a aumentar-lhe a dose de morfina; perante o insuport&aacute;vel sofrimento da m&atilde;e, Karen cede e acaba por contribuir para a sua morte.</p>
<p>Esta constela&ccedil;&atilde;o de gente sofredora representa um multifacetado conjunto de problemas humanos de que se comp&otilde;e afinal o lado tr&aacute;gico da vida: morte, doen&ccedil;a, humilha&ccedil;&atilde;o, solid&atilde;o, alcoolismo, desemprego, eutan&aacute;sia, culpa, impot&ecirc;ncia s&atilde;o tratados sem f&oacute;rmulas simplistas ou exagero dram&aacute;tico, encaixando com naturalidade na realidade sombria de vidas banais. Como afirma Scherfig numa entrevista (3), o filme &eacute; uma esp&eacute;cie de &ldquo;caixa de Pandora&rdquo;, que revela muito do horror e da tristeza presentes no mundo e cujas personagens foram inspiradas em pessoas da vida real.</p>
<p><img width="300" height="194" alt="italianoframe" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/italianoframe.jpg" title="italianoframe" class="alignnone size-full wp-image-497" /></p>
<p>Estes temas s&atilde;o abordados com a complexidade e a problematiza&ccedil;&atilde;o &eacute;tica que lhes s&atilde;o devidas (a irresolu&ccedil;&atilde;o de J&oslash;rgen perante a ordem do chefe para que despe&ccedil;a o amigo Halvfinn; sentir&aacute; Olympia al&iacute;vio ou dor ao encontrar o pai cruel morto no sof&aacute;? O dilema interior de Karen perante a s&uacute;plica da m&atilde;e para lhe minorar o sofrimento e assim precipitar a sua morte; um pastor revoltado com Deus pela morte da mulher).</p>
<p><em>Italiano para Principiantes</em> n&atilde;o estagna, por&eacute;m, neste fundo cinzento e amoral da exist&ecirc;ncia humana, trabalhando sim sobre a fundamental dualidade que a caracteriza: a vida n&atilde;o implica s&oacute; carregar fardos pesados, tem tamb&eacute;m um lado risonho, bom e leve.</p>
<p>Scherfig retrata a insegura e por vezes inconsciente busca de amor de pessoas que aprendem lentamente a desenredar-se dos seus traumas e dores pessoais, abrindo o cora&ccedil;&atilde;o &agrave; descoberta. A aprendizagem inerente a cada novo come&ccedil;o &eacute; simbolizada pelo curso de Italiano, onde Halvfinn, J&oslash;rgen, Andreas, Karen, Giulia e Olympia acabam por encontrar-se. Aprender uma nova l&iacute;ngua &eacute; come&ccedil;ar verdadeiramente do zero, expor-se a outra latitude cultural, enveredar pelo desconhecido, superar inibi&ccedil;&otilde;es e vencer o medo de errar.</p>
<p>As personagens de <em>Italiano para Principiantes</em> aprendem a come&ccedil;ar uma nova vida ap&oacute;s a dor da perda que as verga. Sendo o italiano a l&iacute;ngua-mito da aventura e do romance, trata-se aqui de aprender a amar o outro: algo que n&atilde;o surge ca&iacute;do do c&eacute;u, mas pode ser a doce recompensa da iniciativa pessoal. Karen inscreve-se no curso para voltar a ver Halvfinn, que por tr&ecirc;s vezes a visitara (em v&atilde;o) para cortar o cabelo, desencadeando o jogo da atrac&ccedil;&atilde;o; Halvfinn tem de modificar o seu car&aacute;cter agreste se quiser reconquistar Karen; J&oslash;rgen supera a timidez e procura finalmente Giulia, que, apesar de italiana, se inscreve tamb&eacute;m no curso. Andreas decide assistir &agrave;s aulas e sair da solid&atilde;o em que mergulhou. Olympia &eacute;, por fim, a habilidosa patrocinadora da viagem do grupo a It&aacute;lia, financiando-a com dinheiro herdado do pai.</p>
<p>Partindo dos mundos claustrof&oacute;bicos das personagens (representados pelos espa&ccedil;os ex&iacute;guos como o quarto de hotel, o min&uacute;sculo sal&atilde;o de cabeleireiro, o restaurante, a padaria, onde as personagens parecem aprisionadas), o filme evolui progressivamente para o espa&ccedil;o amplo de possibilidades que &eacute; a sala de aula (enorme e em forma de anfiteatro), onde mesmo assim os poucos participantes se sentam afastados uns dos outros: as mulheres de um lado e os homens de outro. Por fim, chega-se &agrave;s cenas de rua em Veneza, com g&ocirc;ndolas e canais em pano de fundo: subitamente, em radical oposi&ccedil;&atilde;o ao sil&ecirc;ncio de todo o filme, ouve-se a melodia terna de um piano, e todos se juntam para uma fotografia de grupo. Todos, &agrave; sua maneira, conseguiram escapar ao rigor do Inverno da vida numa acabrunhada Escandin&aacute;via e encontrar a doce luz do amor em It&aacute;lia.</p>
<p>_____________________________________________________________</p>
<p><sup>1</sup> Peter Schepelern, &ldquo;Film According to Dogma &ndash; restrictions, obstructions and liberations&rdquo;, <span style="color: rgb(0, 0, 255);"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.dogme95.dk/news/interview/schepelern.htm">http://www.dogme95.dk/news/interview/schepelern.htm</a></span></span>.</p>
<p><sup>2</sup> Lars von Trier e Thomas Vinterberg, &ldquo;The Vow of Chastity&rdquo;, 13 de Mar&ccedil;o 1995. Dispon&iacute;vel em <span style="color: rgb(0, 0, 255);"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.dogme95.dk/the_vow/vow.html">http://www.dogme95.dk/the_vow/vow.html</a></span></span>.</p>
<p><sup>3 </sup>Stephanie Bunbury, &ldquo;Lessons in life &ndash; and Dogme&rdquo;, 16 Junho de 2002. Dispon&iacute;vel em <span style="color: rgb(0, 0, 255);"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.theage.com.au/articles/2002/06/15/1023864363264.html">www.theage.com.au/articles/2002/06/15/1023864363264.html</a></span></span>.</p>
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		<title>Faust</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:34:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[faust]]></category>
		<category><![CDATA[gounod]]></category>
		<category><![CDATA[ópera]]></category>

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		<description><![CDATA[António Lourenço explica a importância do texto de Faust no contexto contemporâneo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li>Faust</li></ol></div> <hr />
<p>por Ant&oacute;nio Louren&ccedil;o</p>
<p><img width="332" height="221" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/faustbig.jpg" alt="faustbig" title="faustbig" class="alignnone size-full wp-image-545" /></p>
<p>A &Oacute;PERA FAUSTO DE Charles GOUNOD voltou novamente no Teatro Nacional S.Carlos, passados mais de 20 anos. Esta &oacute;pera efectuou mais de 30 Produ&ccedil;&otilde;es, at&eacute; &agrave; transi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo, ap&oacute;s a sua estreia em 1 de Dezembro de 1865. Ao longo do s&eacute;culo XX o entusiasmo declinou, pelo que as &uacute;ltimas r&eacute;citas foram nas temporadas de 1965/66 e 1981/82.</p>
<p>Relativamente ao Libreto&nbsp; damos 2 exemplos, do in&iacute;cio da &Oacute;pera em 4 Actos:<br />
Libreto (ou seja as palavras que s&atilde;o cantadas, neste caso em franc&ecirc;s):</p>
<p>Libreto<br />
<u>Acto 1</u><br />
<strong>N&ordm;1-Introdu&ccedil;&atilde;o</strong><br />
I.O Gabinete de Fausto<br />
Cena 1<br />
Fausto,&nbsp; sozinho.</p>
<p><strong>n&ordm;2-Cena e coro</strong><br />
&Eacute; noite. Fausto est&aacute; sentado diante de uma mesa cheia de pergaminhos. O candeeiro esta prestes a apagar-se. &Agrave; sua frente um livro aberto.<br />
<em>FAUSTO(canta)<br />
Nada! Em v&atilde;o interrogo, na ardente vig&iacute;lia, A natureza e o Criador;<br />
Nenhuma voz&nbsp; sussurra ao meu ouvido, uma palavra consoladora! Triste e solit&aacute;rio&#8230;(fecha o livro e levanta-se; desponta o dia; abre a vidra&ccedil;a)<br />
&#8230;Morte quando vir&aacute;s tu abrigar-me sob a tua asa?&#8230;<br />
&#8230;Chego ao termo da viagem, e com esta po&ccedil;&atilde;o, serei o &uacute;nico dono do meu destino! (no momento em que leva a boca o frasco, ouvem-se l&aacute; fora vozes de raparigas).</em>Coro de mulheres.</p>
<p>Vejamos agora o resumo, em portugu&ecirc;s para que o espectador compreenda o que se passa em cena:<br />
<u>ActoI</u><br />
<em>Alemanha, s&eacute;culo XVI. Sozinho Faust medita sombriamente sobre a sua exist&ecirc;ncia passada, na busca da Sabedoria, questionando, Deus e o Homem. Deseja a morte. Mistura a bebida e prepara-se para beb&ecirc;-la. Mas, p&aacute;ra a sua ac&ccedil;&atilde;o ouvindo o canto das camponesas&#8230; Amaldi&ccedil;oa o Deus e invoca os poderes infernais. Aparece de repente M&eacute;phistoph&eacute;l&egrave;s trajando com eleg&acirc;ncia&#8230;</em></p>
<p>Os libretistas v&atilde;o buscar &agrave;s grandes obras liter&aacute;rias o assunto para elaborar o texto ou poema que ser&aacute; musicado, pelo compositor, com a orquestra em fun&ccedil;&atilde;o do Canto, entre recitativo e &Aacute;ria, numa interdepend&ecirc;ncia entre m&uacute;sica e texto, com postura j&aacute; n&atilde;o Italiana mas nacionalista (a partir do Romantismo, com o seu expoente m&aacute;ximo na Alemanha, que influencia a m&uacute;sica em todos os g&eacute;neros). Em Fran&ccedil;a o espirito racional dos Iluministas, limita a absor&ccedil;&atilde;o do Romantismo exacerbado alem&atilde;o. Numa uni&atilde;o de duas est&eacute;ticas e recupera&ccedil;&atilde;o de elementos da tradi&ccedil;&atilde;o cultural nacional, cria-se uma identidade nacional, do qual poderemos citar as chamadas &quot;M&eacute;lodies&quot;, a &quot;Grand &Oacute;pera&quot; e o Drama Lirico, este influenciado por Verdi. &Eacute; nesta categoria que podemos situar o Fausto.</p>
<p>A lenda do Dr. Fausto, no in&iacute;cio do s&eacute;c. XVI, encontra-se em fontes populares germ&acirc;nicas, em forma de conto e em forma dram&aacute;tica (&agrave;s vezes com Marionetes). A hist&oacute;ria do amargurado e insatisfeito Dr. Fausto, que pactua com o diabo na inten&ccedil;&atilde;o de recuperar a juventude e os seus prazeres, serviu de base &agrave;s obras de v&aacute;rios escritores: Christopher Marlowe (1564-1593) ou Thomas Man (1875-1955). Mas foi Johann von Goethe (1749-1832), que fica c&eacute;lebre desde a edi&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; das duas grandes partes, em 1808. Esta obra ir&aacute; influenciar todas as adapta&ccedil;&otilde;es quer liter&aacute;rias, quer musicais, ou ainda na Pintura e outros campos art&iacute;sticos. Goethe torna-o universal, pois Fausto procura a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia primordial da vida fazendo um pacto com o diabo para atingir a Felicidade (vendendo a sua alma, convicto que atingir a Juventude &eacute; imposs&iacute;vel). O diabo tamb&eacute;m lhe vai conceder&nbsp; uma paix&atilde;o exacerbada por Gretchen (Margarida na &Oacute;pera), jovem de cora&ccedil;&atilde;o puro, mas cuja rela&ccedil;&atilde;o far&aacute; a desgra&ccedil;a de ambos. Na&nbsp; 2&ordf; parte, editada em 1832, Fausto vai percorrer v&aacute;rias jornadas na procura da felicidade, em que haver&aacute; talvez momentos felizes.</p>
<p>A import&acirc;ncia desta obra-prima, na cultura Europeia &eacute; incomensur&aacute;vel, inspirando in&uacute;meras obras. Diversas foram as cria&ccedil;&otilde;es musicais e os libretistas que adaptaram o texto de Goethe: Louis Sphr (1784-1859), com a &oacute;pera &quot;Faust&quot;; Hector Berlioz, em 1846,&nbsp; com &quot;A Dana&ccedil;&atilde;o de Fausto&quot; entre &Oacute;pera e Cantata, baseadas na 1&ordm; Parte; Schumann, em 1853, com &quot;Cenas do Fausto&quot; &eacute; uma Orat&oacute;ria; Franzlitz, em 1857, com &quot;Sinfonia Fausto&quot;; com coro e as tr&ecirc;s personagens: Fausto, Gretchen e M&eacute;phistoph&eacute;les; Arriago Boito (1842-1918), em 1868, com a &Oacute;pera &quot;Mefistofele&quot;, cujo Libreto &eacute; o que se aproxima mais do texto original, tendo sido escrito pelo pr&oacute;prio compositor (o que &eacute; raro); outro compositor, Gustav Mahler, em 1910, com a sinfonia n&ordm;8 (dos Mil,) usou a 2&ordf; parte do texto; Ferruccio Busoni (1866-1924), numa adapta&ccedil;&atilde;o afastada de Goethe, com elementos da obra de Marlow; e Charles Gounod, em 1859, com Faust, que &eacute;, das suas &Oacute;peras, a que teve maior sucesso e foi a mais importante das suas composi&ccedil;&otilde;es, influenciando compositores franceses das gera&ccedil;&otilde;es seguintes e que se viria a enquadrar no &quot;Drame Lyrique&quot;; foi fulcral a utiliza&ccedil;&atilde;o da obra de Goethe no Romantismo europeu.</p>
<p>Faust &eacute;, assim, o percurso de um homem buscando a ess&ecirc;ncia da Felicidade, a luta entre o bem e o mal, confundindo-se as for&ccedil;as sobrenaturais e misticas, que provocam a irracionalidade do ser humano; &eacute; o encontro da salva&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da pureza.</p>
<p>Gounod iniciou&nbsp; a composi&ccedil;&atilde;o da &oacute;pera Faustem 1856, partindo da obra de Goethe trabalhada pelos libretistas Michel Carr&eacute; (1821-1872) e Jules Barbier (1825-1897). Mais tarde estes libretistas iriam colaborar, em outras &oacute;peras, com Gounod.</p>
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		<title>Dexter: o mundo ao contrário</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Dexter]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Daniel Ribas analisa "Dexter", série de sucesso que vira o mundo ao contrário tendo como protagonista um simpático "serial killer".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li>Dexter: o mundo ao contrário</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western"><i>por Daniel Ribas</i><i><span mce_style="&rdquo;font-size:x-small;&rdquo;" style=""> (</span></i><i><span mce_style="&rdquo;font-size:x-small;&rdquo;" style="">(Daniel Ribas &eacute; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&atilde;o Canijo. &Eacute; tamb&eacute;m professor do Instituto Polit&eacute;cnico de Bragan&ccedil;a.))</span></i></p>
<h2>O Mundo ao Contr&aacute;rio</h2>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western">Sobre &laquo;Dexter&raquo;<i><span mce_style="&rdquo;font-size:x-small;&rdquo;" style=""><br />
</span></i></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western">H&aacute; algo de surpreendente em &ldquo;Dexter&rdquo;. A s&eacute;rie, que caminha para a terceira temporada nos Estados Unidos (come&ccedil;ar&aacute; a emitir agora em Setembro), &eacute; um resultado da produtora americana ShowTime (respons&aacute;vel por outras s&eacute;ries de sucesso como &laquo;Erva/Weeds&raquo;, &laquo;Californication&raquo; e &laquo;L World&raquo;). &Eacute; certo que, no centro da estrutura dram&aacute;tica do gui&atilde;o, est&aacute; algo que at&eacute; &eacute; clich&eacute;: um <i id="b3001">vigilante</i> que decide fazer justi&ccedil;a pelas pr&oacute;prias m&atilde;os. Mas, apesar disso (ou at&eacute; por causa disso), a s&eacute;rie consegue sempre surpreender-nos, j&aacute; que, jogando com essas expectativas, &eacute; capaz de trazer muitos pormenores novos. O primeiro deles, que tem tudo a ver com o centro desta estrutura, &eacute; o seu her&oacute;i: Dexter &eacute; o nosso vigilante, mas &eacute; tamb&eacute;m a personagem que provoca mais compaix&atilde;o no espectador.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western">Assim dito, talvez seja importante esclarecer qual &eacute; a linha narrativa da s&eacute;rie: Dexter &eacute; um especialista de ci&ecirc;ncias forenses, que trabalha no departamento de homic&iacute;dios da pol&iacute;cia de Los Angeles. &Eacute; ele que trabalha sobre os vest&iacute;gios de sangue nas cenas de crime. Contudo, Dexter assassina criminosos &agrave; noite, depois do trabalho. Para ele (e para o c&oacute;digo do seu pai adoptivo, Harry), estes assass&iacute;nios t&ecirc;m que ser justificados e, por isso, Dexter investiga a fundo (por conta pr&oacute;pria) estes criminosos e s&oacute; os mata quando a investiga&ccedil;&atilde;o policial <i id="b3003">normal</i> n&atilde;o os consegue acusar. A grande justifica&ccedil;&atilde;o narrativa para este comportamento <i id="b3004">serial-killer</i> de Dexter &eacute; um epis&oacute;dio na sua inf&acirc;ncia: ele foi resgatado por Harry (o seu futuro pai adoptivo, portanto) numa cena de crime terr&iacute;vel, dentro de um vag&atilde;o, onde a m&atilde;e tinha sido morta e o sangue cobria Dexter de vermelho.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western">Para al&eacute;m deste comportamento desviante, Dexter tenta manter uma vida normal com a sua irm&atilde;, Debra e com Rita, a sua namorada. Este conjunto de personagens obriga Dexter a interagir e a fugir da sua aus&ecirc;ncia de sentimentos (&eacute; ele pr&oacute;prio que o repete, diversas vezes). A grande linha narrativa da primeira temporada &eacute; a investiga&ccedil;&atilde;o sobre um <i id="b3006">serial killer</i> que, descobrir-se-&aacute; mais tarde, tem uma liga&ccedil;&atilde;o afectiva com Dexter (n&atilde;o dizemos mais para n&atilde;o <i id="gogf">estragar</i> o visionamento a quem ainda n&atilde;o viu). Na segunda temporada, o departamento de homic&iacute;dios descobre o local onde as v&iacute;timas de Dexter eram abandonadas (no meio do mar). Uma ca&ccedil;a ao homem come&ccedil;a: a ca&ccedil;a a Dexter&hellip;</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western" id="b3007">A estrutura narrativa b&aacute;sica da s&eacute;rie &eacute;, portanto, a vida de um departamento de homic&iacute;dios. Contudo, ao contr&aacute;rio de outras s&eacute;ries semelhantes, em &laquo;Dexter&raquo; o cerne da ac&ccedil;&atilde;o policial est&aacute; na descoberta de <i id="b3008">serial-killers</i> em vez dos vulgares crimes passionais. Desta forma, a s&eacute;rie organiza-se atrav&eacute;s da sucessiva descoberta de provas que encontrem o assassino (um pouco &agrave; semelhan&ccedil;a de filmes que lidam com o mesmo tipo de criminosos). Na segunda temporada isso torna-se mais &oacute;bvio desde o primeiro epis&oacute;dio, o que leva mesmo &agrave; entrada em cena de uma nova personagem: o agente especial Frank Lundy, funcion&aacute;rio do FBI e destacado para criar uma <i id="li61">task-force</i> sobre o assassino.</p>
<p><a mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/dex1.jpg" href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/dex1.jpg"><img width="400" height="278" alt="" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/dex1.jpg" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/dex1.jpg" title="dex1" class="alignnone size-full wp-image-148" /></a></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western" id="b3009">Para al&eacute;m destas linhas narrativas, h&aacute; hist&oacute;rias secund&aacute;rias que multiplicam as <i id="b30010">vidas</i> de Dexter: os namorados de Debra (e a sua vida como investigadora no departamento), a vida de Rita (com os seus filhos e o seu ex-marido) e at&eacute; a vida social dos colegas de trabalho. Estas diversas linhas narrativas pretendem apenas servir a hist&oacute;ria e a personalidade de Dexter (esta &eacute; uma s&eacute;rie de uma personagem, ao contr&aacute;rio de outras que apostam em <i id="j48.">ensembles </i>de actores). &Eacute; por isso que cada epis&oacute;dio &eacute; estruturado como uma <i id="b30011">&ldquo;aprendizagem&rdquo;</i> de Dexter, as suas diversas mudan&ccedil;as e o impacto que o mundo &agrave; sua volta tem em si. Cada epis&oacute;dio &eacute;, por isso, bastante redondo, mesmo que haja uma linha narrativa comum a cada temporada (at&eacute; por causa disso, cada epis&oacute;dio come&ccedil;a com o resumo do que aconteceu at&eacute; ent&atilde;o). Para al&eacute;m disso, no fim dos epis&oacute;dios (por norma, embora nem sempre) um novo problema &eacute; lan&ccedil;ado, de forma a que a curiosidade se mantenha e a audi&ecirc;ncia deseje o pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western" id="b30012">Esta estrutura&ccedil;&atilde;o &eacute; acompanhada com uma constante sensa&ccedil;&atilde;o de perigo: que Dexter seja apanhado. Esta consci&ecirc;ncia leva-nos, provavelmente, &agrave; grande atrac&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie: cada espectador sofre de uma luta interior entre amar e odiar Dexter, em se sentir identificado e em repuls&aacute;-lo. Mesmo que seja &oacute;bvio um sentimento de identifica&ccedil;&atilde;o dominante, h&aacute; algumas vezes em que Dexter &eacute; caracterizado <i id="b30013">mesmo</i> como um <i id="b30014">serial-killer</i>. A&iacute; o equil&iacute;brio torna-se inst&aacute;vel e fica essa sensa&ccedil;&atilde;o de estranheza que &eacute; tamb&eacute;m a sensa&ccedil;&atilde;o que nos faz manter <i id="b30015">colados</i> ao desenvolvimento da s&eacute;rie.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western" id="b30016">Outra das caracter&iacute;sticas marcantes de &laquo;Dexter&raquo; &eacute; a sua voz-off, que acompanha todos os epis&oacute;dios e que pontua os diferentes momentos da narrativa. &Eacute; tamb&eacute;m a voz-off que nos permite, nos momentos mais delicados, estabelecer uma identifica&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de acentuar a import&acirc;ncia do nosso <i id="e:3e">one-man-show</i>. E, ao contr&aacute;rio do que poderia ser previs&iacute;vel, a voz-off funciona, j&aacute; que a s&eacute;rie serve para <i id="e:3e0">entrar</i> no interior dos pensamentos e da forma de actuar de Dexter.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western" id="b30018">&Eacute; neste sentido que &laquo;Dexter&raquo; nos parece uma das melhores s&eacute;ries que est&atilde;o actualmente em exibi&ccedil;&atilde;o, sobretudo pela capacidade de confrontar os dois lados da barricada (o bom e o mau) e atrav&eacute;s desse caos lan&ccedil;ar-nos no turbilh&atilde;o dos sentimentos paradoxais. Esta &eacute; a s&eacute;rie, tamb&eacute;m, que relan&ccedil;a um grande actor: Michael C. Hall, respons&aacute;vel por outra grande personagem (David Fisher), na s&eacute;rie &laquo;Sete Palmos de Terra&raquo;. Resta, por isso, a curiosidade de saber para onde vai a pr&oacute;xima temporada e para onde poder&atilde;o ir os argumentistas da s&eacute;rie&hellip;</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0.14in;" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western"><i><br />
</i></p>
<p><img width="486" height="412" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" src="../../../../../beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" class="mceItemFlash" title="&quot;name&quot;:&quot;flashObj&quot;,&quot;bgcolor&quot;:&quot;#FFFFFF&quot;,&quot;flashvars&quot;:&quot;videoId=1688292415&amp;playerId=271552642&amp;viewerSecureGatewayURL=https://console.brightcove.com/services/amfgateway&amp;servicesURL=http://services.brightcove.com/services&amp;cdnURL=http://admin.brightcove.com&amp;domain=embed&amp;autoStart=false&amp;&quot;,&quot;src&quot;:&quot;http://services.brightcove.com/services/viewer/federated_f8/271552642&quot;" alt="" /><br />
Trailer da Terceira &Eacute;poca de &laquo;Dexter&raquo;</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>My Blueberry Nights: o néon da paixão</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
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		<category><![CDATA[Lawrence Block]]></category>
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		<description><![CDATA[O filme "My Blueberry Nights", de Wong Kar Wai e Lawrence Block, merece uma análise a Pedro Flores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li>My Blueberry Nights: o néon da paixão</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Pedro Flores</i></p>
<p><a mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02.jpg" href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02.jpg"><img width="300" height="206" alt="" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02-300x206.jpg" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02-300x206.jpg" title="My Blueberry Nights" class="alignnone size-medium wp-image-190" /></a></p>
<h2>O N&eacute;on da Paix&atilde;o</h2>
<p>Sobre &quot;My Blueberry Nights&quot;, de Wong Kar-wai e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0088747/" linkindex="89" set="yes">Lawrence Block</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>A can&ccedil;&atilde;o de Norah Jones avisa-nos nos momentos iniciais: &ldquo;I don&rsquo;t know how to begin/ &lsquo;cause the story has been told before&rdquo;. E, de facto, desde Chungking Express que com Wong Kar-Wai &eacute; sempre a mesma cantiga: filmes nocturnos que descrevem os encontros e desencontros do amor com um travo a doce melancolia. Se 2046 era o negativo desencantado de In the Mood for Love numa atmosfera futurista, My Blueberry Nights &eacute; agora a transposi&ccedil;&atilde;o desse universo para o territ&oacute;rio da Am&eacute;rica. Ali&aacute;s, a passagem da melodia de In The Mood For Love a meio deste filme &eacute; a prova dessa memoria f&iacute;lmica que aqui retorna e assombra My Blueberry Nights como um fantasma.</p>
<p>A hist&oacute;ria &eacute; linear: Lizzie (Norah Jones), uma rapariga simples a quem acabaram de quebrar o cora&ccedil;&atilde;o, afoga as m&aacute;goas no caf&eacute; gerido por Jeremy (Jude Law). Para esquecer o amor de sua vida, resolve fazer uma viagem pela Am&eacute;rica &ndash; Nova Iorque, Memphis, Las Vegas &#8211; onde trabalha como empregada de mesa. A&iacute;, conhece Arnie (David Strathairn) &ndash; um policia que procura no &aacute;lcool esquecer a ex-mulher (Rachel Weisz) e Leslie (Natalie Portman), uma jogadora compulsiva que tem uma rela&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica com o pai. Ao mesmo tempo, come&ccedil;a a corresponder-se com Jeremy, a quem confidencia as suas aventuras e estados de alma.</p>
<p>&Agrave; superf&iacute;cie, estamos portanto no dom&iacute;nio do filme de g&eacute;nero, especificamente do road-movie. H&aacute; algo que falta ao her&oacute;i e &eacute; isso que o faz partir. Ao longo da viagem, ele tem encontros fortuitos e envolve-se em perip&eacute;cias que reflectem a sua demanda e funcionam como caixa de resson&acirc;ncia do seu conflito interior. Deste modo, a viagem geogr&aacute;fica tem paralelo numa viagem emocional, de crescimento ou perdi&ccedil;&atilde;o, que culmina na transforma&ccedil;&atilde;o do her&oacute;i. Em tra&ccedil;os gerais, esta &eacute; a f&oacute;rmula que consagrou filmes como Easy Rider ou Thelma and Louise.</p>
<p>Por&eacute;m, este &eacute; um &ldquo;road movie&rdquo; de paisagens interiores. Se tem certamente elementos que caracterizam o g&eacute;nero, a sua ac&ccedil;&atilde;o acontece no &iacute;ntimo dos caf&eacute;s em torno de conflitos privados. Al&eacute;m disso, ao contr&aacute;rio do que costuma suceder nos filmes de estrada, aqui as personagens vivem isoladas do seu momento hist&oacute;rico-cultural, sem liga&ccedil;&atilde;o ao real, sem exist&ecirc;ncia para l&aacute; destes &ldquo;coffee-shops&rdquo;. E se &eacute; verdade que a maior parte do filme foi filmado &ldquo;in location&rdquo;, esta &eacute; na sua ess&ecirc;ncia uma Am&eacute;rica de est&uacute;dio, colorida por luzes artificiais e encerrada em si mesma, sem fora de campo. Tal como a Paris de O Fabuloso Destino de Am&eacute;lie Poulain, o territ&oacute;rio deste filme &eacute; menos a Am&eacute;rica real do que a da tela, nas suas conven&ccedil;&otilde;es, lugares-comuns, e imagin&aacute;rio pop. Uma Am&eacute;rica feita de juke-boxes e descapot&aacute;veis, sonhada apenas pela s&eacute;tima arte, fic&ccedil;&atilde;o inspirada em outras fic&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>De facto, nesta viagem de Wong Kar Wai de Hong Kong para a Am&eacute;rica, h&aacute; algo que se perdeu na tradu&ccedil;&atilde;o. Onde antes predominava a ambival&ecirc;ncia do gesto e do n&atilde;o-dito proliferam agora di&aacute;logos melodram&aacute;ticos e banais. Onde antes havia o exotismo de Tony Leung ou Maggie Cheung h&aacute; agora a inverosimilhan&ccedil;a de Jude Law como empregado de caf&eacute;. Onde antes ponteava uma narra&ccedil;&atilde;o que servia de contraponto &agrave; imagem, surge agora uma &#8211; ali&aacute;s duas &#8211; voz-offs que apenas transmitem informa&ccedil;&atilde;o e explicam de modo redundante e redutor o que o espectador est&aacute; a ver. Ao menos para o olhar de um ocidental, o que se perdeu foi a cren&ccedil;a naquele universo feito de quartos de hotel e vestidos de cetim que nos transportava cegamente para a Hong Kong dos anos 60 ou a noite de Buenos Aires &#8211; mesmo que as suas anteriores recrea&ccedil;&otilde;es fossem j&aacute; historicamente irrealistas.</p>
<p>Esta hist&oacute;ria come&ccedil;a em Nova Iorque com uma premissa curiosa: uma jovem lan&ccedil;a-se em viagem pela Am&eacute;rica para esquecer as contrariedades do amor. Periodicamente, uma legenda avisa-nos que Lizzie est&aacute; cada vez mais distante do ponto de partida, e portanto, mais perto da reabilita&ccedil;&atilde;o &ndash; segundo a f&oacute;rmula &ldquo;longe da vista, longe do cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Por&eacute;m, de facto, o seu &uacute;nico objectivo declarado &eacute; amealhar dinheiro para comprar um carro. &Eacute; certo que Lizzie tamb&eacute;m se relaciona com os dramas de um par de outras personagens, mas permanece emocionalmente &agrave; dist&acirc;ncia como uma testemunha ou um frouxo adjuvante. Ou seja, Lizzie &eacute; uma protagonista passiva, de cora&ccedil;&atilde;o generoso &eacute; verdade, mas que pouco deseja e a nada se entrega.</p>
<p>Por isso, porque lhe faltam as expectativas de Lizzie para poder chorar e sorrir com ela, h&aacute; uma natural dificuldade do espectador em identificar-se com a hist&oacute;ria. N&atilde;o basta para o espectador que Norah Jones seja uma rapariga de cara laroca que est&aacute; com os &ldquo;blues&rdquo;. &Eacute; preciso que ela acredite, lute, sonhe como ningu&eacute;m antes o fez. Essa &eacute; a mat&eacute;ria de que s&atilde;o feitos os her&oacute;is. Infelizmente, esse n&atilde;o &eacute; o caso de Lizzie, e assim o fim da jornada da protagonista aparece-nos mais como uma ac&ccedil;&atilde;o da ordem do acaso ou do capricho do que uma verdadeira transforma&ccedil;&atilde;o interior.</p>
<p><a mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg" href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg"><img width="400" height="268" alt="" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg" title="My BlueBerry Nights" class="alignleft size-full wp-image-191" /></a></p>
<p>Ali&aacute;s, mesmo os dois subplots que ocupam uma parte significativa da narrativa s&atilde;o pouco originais e n&atilde;o suscitam uma liga&ccedil;&atilde;o afectiva com o espectador. As hist&oacute;rias do ex-marido alco&oacute;lico em Memphis e da jogadora compulsiva de roleta em Las Vegas, confundem-se de tal forma na paisagem de filmes de estrada americanos que quase nos aparecem como personagens-tipo: sem assinatura ou impress&atilde;o digital. Por outras palavras, falta-lhes a diferen&ccedil;a que caracteriza as personagens cativantes e memor&aacute;veis: a especificidade inimit&aacute;vel dos h&aacute;bitos, dos gestos, do guarda-roupa, ou da backstory.</p>
<p>&Eacute; verdade que alguns h&aacute; elementos originais &agrave; hist&oacute;ria &#8211; como a tarte de mirtilo que todos rejeitam, o frasco que guarda chaves de clientes perdidos de amor, os v&iacute;deos de seguran&ccedil;a que funcionam como di&aacute;rio de bordo do gerente. Como tamb&eacute;m existem cenas memor&aacute;veis: o alco&oacute;lico que celebra a &uacute;ltima noite de &aacute;lcool com um copo de whisky, a coincid&ecirc;ncia c&oacute;smica dos dois her&oacute;is que come&ccedil;am a sangrar do nariz no mesmo momento, ou o empregado de mesa que se recorda das pessoas n&atilde;o pelo seu aspecto mas por aquilo que costumam consumir. Ali&aacute;s, em regra, estes elementos s&atilde;o quase sempre bem empregues em estrat&eacute;gias de &ldquo;set-up&rdquo; e &ldquo;pay-off&rdquo; com consequ&ecirc;ncias narrativas para as personagens. Por&eacute;m, ao abandonarmos a sala, o sentimento geral &eacute; de que acab&aacute;mos de assistir a uma hist&oacute;ria algo previs&iacute;vel e auto-indulgente. Como o confirma circularmente Norah Jones, em jeito de coro grego, na &uacute;ltima cena: &ldquo;I guess it&rsquo;s how it goes/ the stories have all been told&rdquo;.</p>
<p>Na realidade, Wong Kar Wai est&aacute; menos interessado no drama ou na hist&oacute;ria do que no Belo. Quando filma a mulher, o cineasta apresenta-a muitas vezes sem rosto, apenas saltos altos e ancas que seduzem, um absoluto de mulher. Quando filma um acidente mortal, estiliza-o, captando os estilha&ccedil;os e reflexos met&aacute;licos do &acirc;ngulo mais fotog&eacute;nico. Quando filma uma cena de pancadaria, mant&eacute;m-se &agrave; distancia para n&atilde;o sujar a tela com sangue ou feridas obscenas. Wong Kar wai tem um fasc&iacute;nio pelo Belo, e por isso, mais do que narrar acontecimentos, o cineasta pretende criar uma atmosfera, um lugar onde o espectador mergulhe para entrar num estado on&iacute;rico de enamoramento pela tela.</p>
<p>Wong Kar Wai &eacute; pois um m&aacute;gico das imagens e a sua especialidade digamos que &eacute; a da hipnose. S&atilde;o diversas as t&eacute;cnicas usadas neste processo de hipnose. Em primeiro lugar, a repeti&ccedil;&atilde;o: como um p&ecirc;ndulo que se balan&ccedil;a repetem-se falas, momentos, ac&ccedil;&otilde;es. E repetem-se sobretudo can&ccedil;&otilde;es (The Greatest, de Cat Power &eacute; o refr&atilde;o do filme), em especial no final das sequ&ecirc;ncias, como respira&ccedil;&otilde;es narrativas que nos permitem aceder ao registo emocional das personagens. Em segundo lugar, os movimentos de c&acirc;mara: as suas deambula&ccedil;&otilde;es de valsa lenta, atrav&eacute;s de objectos ou vidros embaciados, a descobrir corpos e espa&ccedil;os por momentos, e logo a encobri-los de novo. Depois, a mestria da cor: como numa tela de Rothko, o realizador cria uma atmosfera circundante em que as diferentes tonalidades dos ambientes ecoam os diversos momentos e temperaturas da paix&atilde;o. E, finalmente, &#8211; a imagem de marca do realizador &#8211; a c&acirc;mara lenta: o slow-motion que isola os corpos do espa&ccedil;o circundante, congela o movimento na tela, e capta os tempos mortos da vida das personagens como acontecimentos emocionais irrepet&iacute;veis.</p>
<p>Wong Kar-Wai &eacute; um m&aacute;gico das imagens. Ao longo da sua carreira, o cineasta fez de sua miss&atilde;o trazer &agrave; luz a poesia e sensualidade dos lugares, dos corpos, dos objectos. Por isso, a espa&ccedil;os, o cineasta interrompe o desenrolar da ac&ccedil;&atilde;o com momentos de sil&ecirc;ncio total que nos permitem contemplar a dimens&atilde;o absoluta da imagem. Um gelado a derreter-se lentamente pode ser t&atilde;o comovente quanto um beijo apaixonado. Um descapot&aacute;vel cromado t&atilde;o emocionante quanto uma luta entre rivais. &Eacute; apenas um processo de sedu&ccedil;&atilde;o despertado atrav&eacute;s do olhar. O sil&ecirc;ncio absoluto: apenas a respira&ccedil;&atilde;o de Norah Jones e n&eacute;ons que acendem e apagam como corpos perdidos na noite.</p>
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		<title>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Michael Patrick King]]></category>
		<category><![CDATA[Sex and the City]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Daniel Ribas<sup>1</sup></span></i></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/" class="more-link">Read more on Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica&#8230;</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_276" class="footnote"></i><i><span style="" mce_style="&#8221;font-size:x-small;&#8221;">Daniel Ribas &#233; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&#227;o Canijo. &#201; tamb&#233;m professor do Instituto Polit&#233;cnico de Bragan&#231;a.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>Próximo artigo</a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Daniel Ribas<sup>1</sup></span></i></p>
<p><a href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1.jpg" mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1.jpg"><img width="366" height="274" class="alignleft size-medium wp-image-202" title="Sex and the City" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1-300x225.jpg" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1-300x225.jpg" alt="" /></a></p>
<h2>Teorias e Conspira&ccedil;&otilde;es sobre a Com&eacute;dia Rom&acirc;ntica</h2>
<p>Sobre &laquo;Sex and the City&raquo;, de <a set="yes" linkindex="85" href="http://www.imdb.com/name/nm0455078/">Michael Patrick King</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>Um dos grandes lan&ccedil;amentos do Ver&atilde;o, acompanhando a tend&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o das s&eacute;ries de televis&atilde;o em filmes para cinema, foi a de &laquo;Sexo e a Cidade&raquo;. N&atilde;o &eacute; que esta tend&ecirc;ncia nos tenha trazido muito boas apari&ccedil;&otilde;es: desde &laquo;Get Smart/Olho Vivo&raquo; at&eacute; &laquo;Ficheiros Secretos&raquo;, as adapta&ccedil;&otilde;es apenas nos trouxeram um leve sabor a um epis&oacute;dio mais comprido. Para al&eacute;m disso, os argumentistas de Hollywood confrontaram-se com um problema: em que g&eacute;nero encaixar estes epis&oacute;dios de televis&atilde;o em ponto grande. &Eacute; verdade, apesar das s&eacute;ries terem uma personalidade vincada, o formato cinema obriga a uma nova f&oacute;rmula, que permita, sobretudo, aguentar s&eacute;ries que durar&atilde;o 50 minutos e que passam, desta forma, para o dobro do tempo. &laquo;Sexo e a Cidade&raquo; n&atilde;o foi excep&ccedil;&atilde;o. O g&eacute;nero importado foi o da com&eacute;dia rom&acirc;ntica e o resultado, na nossa opini&atilde;o, n&atilde;o foi o melhor.</p>
<p>A narrativa &#8211; mais uma vez iniciada e contada pela voz de Carrie &#8211; apanha as quatro protagonistas num patamar diferente da vida: todas elas est&atilde;o agora apaixonadas e a viver com os seus respectivos homens. Por um lado, Charlotte e Miranda casaram e tiveram filhos (a de Charlotte &eacute; adoptada); por outro, Samantha vive agora em Los Angeles com um actor de Hollywood (sendo a sua agente). Finalmente, Carrie juntou-se com Mr. Big, o eterno e adiado amor da s&eacute;rie de televis&atilde;o. Na verdade, o filme come&ccedil;a com a decis&atilde;o de ambos em se casar. Contudo, Mr. Big/John acaba por deixar Carrie pendurada no dia de casamento. &Eacute; a oportunidade para o filme dar um longo tempo para a recupera&ccedil;&atilde;o emocional de Carrie e a respectiva reconcilia&ccedil;&atilde;o com Mr. Big. Durante esse tempo, veremos as voltas que as vidas das suas tr&ecirc;s amigas d&atilde;o.</p>
<p>A f&oacute;rmula da com&eacute;dia rom&acirc;ntica est&aacute; de l&aacute; da forma mais clara: um par de apaixonados surgem juntos (outras deriva&ccedil;&otilde;es da f&oacute;rmula mostram dois amigos/conhecidos que ainda n&atilde;o sabem que est&atilde;o apaixonados) e prestes a serem felizes (no caso em aprecia&ccedil;&atilde;o Carrie e Mr. Big est&atilde;o juntos, felizes e v&atilde;o casar-se). Contudo, um obst&aacute;culo surge, obrigatoriamente a partir de um mal-entendido (no caso Mr. Big tem d&uacute;vidas e ao tentar telefonar para Carrie esta n&atilde;o atende). Esse obst&aacute;culo leva a uma ruptura &quot;inconcili&aacute;vel&quot;. Mas, como n&atilde;o h&aacute; bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, o tempo acaba por &quot;reconciliar&quot; os dois pombinhos. No entretanto, o filme tem que se divertir com a &quot;recupera&ccedil;&atilde;o&quot; de ambos e mostrar &#8211; atrav&eacute;s das hist&oacute;rias paralelas &#8211; que eles foram feitos um para o outro (no caso &eacute; a hist&oacute;ria de Miranda e o suposto problema causado por ela &#8211; quando diz a Mr. Big na noite anterior ao casamento que ir&aacute; fazer uma asneira &#8211; que ir&aacute; fazer a revela&ccedil;&atilde;o aos olhos de Carrie).</p>
<p><a href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4.jpg" mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4.jpg"><img width="340" height="254" class="alignleft size-medium wp-image-205" title="Sex and the City" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4-300x225.jpg" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4-300x225.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Lentamente porque o filme tem que durar mais tempo, l&aacute; caminhamos para o fim, que j&aacute; advinh&aacute;ramos no in&iacute;cio. &laquo;O Sexo e a Cidade&raquo;, enquanto s&eacute;rie, n&atilde;o fugia a um certo romantismo, reconhecemos. Contudo, mesmo sem sermos f&atilde;s, tamb&eacute;m reconhecemos que a s&eacute;rie trazia para a ribalta os little problems das mulheres e uma forma desinibida de os mostrar. Deixando de lado o problema de saber se esses problemas s&atilde;o, de facto, os que interessam, na s&eacute;rie a estrutura usada fazia algum sentido e deixava no ar a pequena tristeza da solid&atilde;o de Carrie. Esse lado nova-iorquino era sedutor&#8230;</p>
<p>Com este epis&oacute;dio grande em forma de com&eacute;dia rom&acirc;ntica, &laquo;O Sexo e a Cidade&raquo; nivelou a sua estrutura pelas menos inspiradas pel&iacute;culas de Hollywood: abriu a audi&ecirc;ncia e afunilou a sedu&ccedil;&atilde;o. Uma pergunta surge, como &eacute; &oacute;bvio: de que forma poderia a s&eacute;rie transportar o seu ar cosmopolita sem se tornar uma com&eacute;dia rom&acirc;ntica ins&iacute;pida? Talvez o grande problema seja mesmo o ponto de partida: todas as quatro amigas est&atilde;o arranjadas e essa normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o que retira a carga de novidade que a s&eacute;rie tinha (at&eacute; Samantha se normalizou&#8230;). N&atilde;o sabemos que outros caminhos poderiam surgir, mas uma piscadela de olho a Woody Allen talvez servisse para repor os n&iacute;veis de inspira&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rios. Assim, como chegou ao cinema, apenas servir&aacute; para rever e olhar as cria&ccedil;&otilde;es estil&iacute;sticas da moda nova-iorquina. &Eacute; pouco, demasiado pouco.</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_276" class="footnote"></i><i><span style="" mce_style="&rdquo;font-size:x-small;&rdquo;">Daniel Ribas &eacute; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&atilde;o Canijo. &Eacute; tamb&eacute;m professor do Instituto Polit&eacute;cnico de Bragan&ccedil;a.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>The Servant: parasitas da alma</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 16:59:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Harold Pinter]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Losey]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[The Servant]]></category>

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		<description><![CDATA["O Criado" ("The Servant") é um clássico que não perdeu intensidade e força com o passar dos anos. Pedro Flores escalpeliza os mecanismos dramáticos que ainda o tornam actual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li>The Servant: parasitas da alma</li></ol></div> <p><i>por Pedro Flores</i></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto1.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-287" title="the-servant-rev1-foto1" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto1.jpg" /></a></p>
<p><b>Parasitas da Alma</b></p>
<p>Sobre &laquo;The Servant&raquo;, de Joseph Losey e <a set="yes" linkindex="95" href="http://www.imdb.com/name/nm0056217/">Harold Pinter</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>Reza a lenda que Joseph Losey foi ver The Caretaker em cena e impressionado com o talento do jovem Harold Pinter lhe escreveu a dar os parab&eacute;ns. Dias mais tarde, o dramaturgo respondeu-lhe a agradecer a gentileza e a pedir trabalho. Foi assim, do acidental encontro entre um g&eacute;nio da palavra e um mestre da realiza&ccedil;&atilde;o que surgiu The Servant, uma das obras-primas do cinema brit&acirc;nico. Adaptada ao grande ecr&atilde; a partir de um conto de Robin Maugham, o filme descreve os labirintos da rela&ccedil;&atilde;o entre um jovem aristocrata ingl&ecirc;s &ndash; Tony (James Fox) e o seu criado Barrett (Dirk Bogarde).</p>
<p>Tony &eacute; um fidalgo do s&eacute;culo vinte que regressa de um pa&iacute;s africano para se estabelecer em Londres. Qual diletante ocioso, ele ocupa os dias a passear com a sua noiva Susan (Wendy Craig) e a projectar construir tr&ecirc;s cidades de raiz no meio da selva amaz&oacute;nica. Para lhe cuidar das tarefas dom&eacute;sticas, Tony contrata Barrett, um criado para todo o servi&ccedil;o, daqueles que espalham classe e antecipam os desejos do seu senhor. Barrett tem boas maneiras e sabe cozinhar, opina sobre a decora&ccedil;&atilde;o da casa, traz o pequeno almo&ccedil;o &agrave; cama, e demolha os p&eacute;s do patr&atilde;o em &aacute;gua quente. Mais do que apenas um criado, Barrett &eacute; uma esp&eacute;cie de m&atilde;e ausente, a ama seca de um adulto ing&eacute;nuo, incapaz e mimado. &Eacute; o nascimento desta rela&ccedil;&atilde;o e o eclodir do tri&acirc;ngulo Barrett &#8211; Tony &#8211; Susan que ocupam o primeiro acto deste filme.</p>
<p>Na verdade, cedo constatamos que Susan n&atilde;o partilha da admira&ccedil;&atilde;o de Tony pelo criado. Porque raz&atilde;o? Porque Barrett, mesmo quando n&atilde;o solicitado, est&aacute; sempre &agrave; espreita, atr&aacute;s de cada porta, de espanador na m&atilde;o pronto a servir. Susan sabe -ou pressente- que Barrett rapidamente adquiriu influ&ecirc;ncia sobre o patr&atilde;o e que ter&aacute; de competir com ele pelo controle sobre Tony. A rivalidade cresce em surdina, Susan faz a vida negra ao criado e acaba por pedir ao noivo que o despe&ccedil;a. Por&eacute;m, com o seu pat&eacute;tico orgulho colonialista Tony defende sempre o seu Barrett: &ldquo;He may be a servant, but he is still an human being.&rdquo;</p>
<p>Este antagonismo entre Susan e Barrett traduz-se visualmente na luta pelo dom&iacute;nio da casa. No cinema, como na vida, a casa &eacute; tradicionalmente caracterizada como um territ&oacute;rio feminino. Por&eacute;m, neste filme ela est&aacute; habitada por dois homens e a entrada a uma mulher parece vedada: &ldquo;The thought of some woman running aroung the house and telling me what to do, rather puts me off!&rdquo;. Susan sabe-o &#8211; ou pressente-o &#8211; e por isso procura chamar a si todas as decis&otilde;es dom&eacute;sticas, contra a vontade de Barrett. Esta &eacute; tamb&eacute;m uma batalha de egos, por isso, quando Susan e Barrett disputam ferozmente o lugar de uma jarra de flores, o que eles decidem &eacute; quem realmente det&eacute;m o poder naquele territ&oacute;rio. De igual forma, ao mesmo tempo que Barrett vai ganhando ascendente sobre Tony os seus dom&iacute;nios na casa v&atilde;o-se expandindo: inicialmente confinado &agrave; cozinha, o criado come&ccedil;a a usar a casa de banho do patr&atilde;o at&eacute; que termina a dormir com outra pessoa na sua cama.</p>
<p>Porque h&aacute; um quarto vago na casa, o que permite a entrada em cena de um novo elemento. Sob o pretexto de precisar de apoio nas lides dom&eacute;sticas, Barret convence Tony a contratar uma criada &#8211; Vera (Sarah Miles) &#8211; apresentada ao patr&atilde;o como sua respeit&aacute;vel irm&atilde; mas na verdade sua namorada. Ao contr&aacute;rio de Barrett, que mostra cultura e usa de gestos educados, Vera &eacute; apenas mais uma parola que chega &agrave; cidade. Por&eacute;m, exibindo uma sensualidade que falta a Susan, o seu aparecimento despoleta o desejo de Tony, e desequilibra ainda mais a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as a favor de Barrett. Deste modo, &agrave; partida para o segundo acto, o filme apresenta uma estrutura em quadril&aacute;tero que inclui v&aacute;rios tri&acirc;ngulos: Barrett &#8211; Tony &#8211; Susan; Tony &ndash; Vera &ndash; Barret; e Vera &ndash; Tony &ndash; Susan. &Eacute; em torno destes tr&ecirc;s tri&acirc;ngulos e das suas din&acirc;micas de amor, ci&uacute;me e poder que a ac&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica se vai desenrolar.</p>
<p>Como vimos, estas quatro personagens pertencem a dois universos sociais antag&oacute;nicos &ndash; a aristocracia e o povo &ndash; que se encontram nesta casa e colidem dramaticamente. O que est&aacute; em causa &eacute; muitas vezes a educa&ccedil;&atilde;o, as virtudes, o sangue: &eacute; portanto ainda uma quest&atilde;o de classe. Nesse sentido, The Servant serve tamb&eacute;m como retrato de uma aristocracia decadente e de uma estrutura social brit&acirc;nica em muta&ccedil;&atilde;o mas ainda extremamente hierarquizada. Poder-se-ia pensar que estamos perante o t&iacute;pico filme brit&acirc;nico de cr&iacute;tica ao establishment e louvor das classes desfavorecidas, na linha de um &ldquo;kitchen sink drama&rdquo; ou do realismo social de Ken Loach. Por&eacute;m, neste filme ambas as personagens do povo surgem com tra&ccedil;os pouco apraz&iacute;veis: Vera &eacute; caracterizada como tonta e vulgar, e Barrett como uma pessoa falsa, grosseira e manipuladora &ndash; os ant&iacute;podas de um working class hero. Quer dizer, The Servant prefere a caracteriza&ccedil;&atilde;o realista do indiv&iacute;duo &agrave; idealiza&ccedil;&atilde;o da luta de classes. Este n&atilde;o &eacute; um tempo para her&oacute;is, nem nas classes mais desfavorecidas.</p>
<p>Na verdade, o que realmente interessa a Pinter &eacute; o estudo da linguagem das rela&ccedil;&otilde;es, dos jogos em que os humanos se envolvem. Em particular, dos jogos de poder, esses que determinam a supremacia de um humano sobre outro e que se escondem em cada gesto ou palavra nossa. Quem fica de p&eacute; e quem fica sentado, quem fala em primeiro ou &uacute;ltimo lugar, quem olha em picado ou em contra-picado, n&atilde;o s&atilde;o quest&otilde;es de pormenor em The Servant: &eacute; a ess&ecirc;ncia do filme. &Eacute; para mostrar o seu poder que Barrett trata a namorada como um cachorro, chama por ela ao assobio e d&aacute;-lhe palmadas no lombo. &Eacute; para usufruir de supremacia que Tony se coloca no topo da escadaria quando joga &agrave; bola com Barrett. &Eacute; para sublinhar o seu dom&iacute;nio que Susan esbofeteia Barrett na cara. Quer dizer, a cada encontro de personagens jogam-se bra&ccedil;os-de-ferro imprevis&iacute;veis, e &eacute; essa indetermina&ccedil;&atilde;o que confere dinamismo &agrave;s cenas e &agrave; hist&oacute;ria.</p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto2.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-288" title="the-servant-rev1-foto2" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto2.jpg" /></a></p>
<p>Ali&aacute;s, estes jogos de poder s&atilde;o magnificamente explorados pela mise-en-sc&eacute;ne. A prefer&ecirc;ncia por planos longos faz com que as cenas surjam cuidadosamente coreografadas, quer em profundidade quer pelo movimento de c&acirc;mara. Assim, usa-se a profundidade de campo de modo a que diferentes personagens tenham diferentes escalas no plano e essas escalas evoluam de acordo com a din&acirc;mica da cena. Quem est&aacute; em primeiro plano e quem est&aacute; em fundo traduz um jogo de poder, e coloca a &ecirc;nfase na rela&ccedil;&atilde;o &#8211; e n&atilde;o no individuo. Do mesmo modo, a profundidade de campo permite tamb&eacute;m inscrever as personagens neste espa&ccedil;o claustrof&oacute;bico e fechado como um palco de onde parece imposs&iacute;vel fugir.</p>
<p>Em Pinter, os jogos de poder ganham-se ou perdem-se atrav&eacute;s da palavra. Invariavelmente, as suas personagens elogiam, obedecem, criticam, seduzem com uma agenda oculta, uma segunda inten&ccedil;&atilde;o. Aqui as cenas come&ccedil;am in media res, com os dados j&aacute; lan&ccedil;ados, e as palavras significam sempre aquilo e outra coisa, um desconhecido que o espectador &#8211; tal como o interlocutor &#8211; tem de descortinar paulatinamente. Assim, em cada cena o que est&aacute; em jogo &ndash; o subtexto &#8211; est&aacute; encoberto por hesita&ccedil;&otilde;es, double-entendres, ou frases inconsequentes que disfar&ccedil;am a verdadeira inten&ccedil;&atilde;o da personagem. Estamos pois no reino do disfarce, da mentira f&aacute;cil e da manipula&ccedil;&atilde;o, e este &eacute; um jogo em que todos participam.</p>
<p>De facto, o decl&iacute;nio deste anti-her&oacute;i aristocrata parte justamente de uma estrat&eacute;gia de manipula&ccedil;&atilde;o. Um plano cuidadosamente urdido por Barrett faz com Tony se encontre &agrave; noite sozinho em casa com Vera. Numa cena de memor&aacute;vel tens&atilde;o, Vera surge de mini-saia e p&eacute;s descal&ccedil;os na cozinha a seduzir o patr&atilde;o, enquanto gotas de &aacute;gua caem na banca e o telefone toca sem parar. A partir deste momento, Tony passa a estar demasiado ocupado para a noiva e a entregar-se a tempo inteiro &agrave; jovem criada (e &agrave;s bebidas alco&oacute;licas). &Eacute; justamente aqui que principia a decad&ecirc;ncia de Tony e se come&ccedil;a a inverter a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre senhor e criado.</p>
<p>Em geral, estes momentos de sedu&ccedil;&atilde;o caracterizam-se pelo engenho e discri&ccedil;&atilde;o com que s&atilde;o apresentados. Durante o cinema cl&aacute;ssico o sexo era imagem tabu pelo que os realizadores e guionistas tinham de recorrer &agrave; met&aacute;fora para comunicarem momentos de intimidade. O champagne que borbulha nos flutes, o fumo insinuante dos cigarros, o calor ardente da lareira, s&atilde;o alguns dos elementos cl&aacute;ssicos de que The Servant se serve com alguma originalidade. Por&eacute;m, o que distingue este filme da generalidade &eacute; justamente a sexualiza&ccedil;&atilde;o de objectos aparentemente in&oacute;cuos, como rel&oacute;gios de parede, espelhos convexos ou torneiras de cozinha. Reprimido ou ausente nas personagens, o desejo insinua-se nas objectos comuns e espalha-se a toda a casa. Do mesmo modo, a paisagem sonora, quer atrav&eacute;s de efeitos em fora de campo, quer atrav&eacute;s do jazz quente da can&ccedil;&atilde;o &ldquo;Now while I love you alone&rdquo;, promove uma atmosfera de v&iacute;cio e sensualidade.</p>
<p>Esta decad&ecirc;ncia agudiza-se sobremaneira depois de Tony despedir Barrett e ficar isolado na mans&atilde;o. Numa cena de antologia &#8211; em que o espectador apenas v&ecirc; a sombra de Barrett e ouve di&aacute;logos em off &#8211; o patr&atilde;o encontra o criado na sua cama com a sua suposta &ldquo;irm&atilde;&rdquo; e confronta-o com o crime de lesa-majestade. &Eacute; a partir deste momento que compreendemos a real import&acirc;ncia de Barrett na casa. A lou&ccedil;a imunda na banca, a correspond&ecirc;ncia por abrir, as flores que murcham na jarra sinalizam a sua aus&ecirc;ncia e o vazio que deixou. Sem Barrett, Tony n&atilde;o tem capacidades para cuidar de si e &eacute; confrontado com essa mesma depend&ecirc;ncia. Um vinculo que era exclusivamente laboral, rapidamente se tornou numa necessidade e num la&ccedil;o afectivo vital. Esta rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia &eacute; magnificamente ilustrada pela cena em que Tony entra no quarto de Vera e se agarra aos seus len&ccedil;&oacute;is, desesperadamente s&oacute;.</p>
<p>Dias mais tarde, Barrett encontra Tony num pub e consegue convencer o patr&atilde;o a aceit&aacute;-lo de volta. Por&eacute;m, depois do que ambos disseram e presenciaram, a sua rela&ccedil;&atilde;o s&oacute; podia estar diferente. Por vezes h&aacute; uma intimidade mais pronunciada, quase de casal, em que se conversa sobre a elabora&ccedil;&atilde;o do jantar ou se discute a arruma&ccedil;&atilde;o da casa. Outras vezes estabelecem-se brincadeiras de adolescentes, em que os dois jogam &agrave;s escondidas a amea&ccedil;ar: &ldquo;You&rsquo;ve got a guilty secret!&rdquo; Outras ainda, h&aacute; comportamentos sado-masoquistas como o patr&atilde;o a obrigar o criado a limpar o ch&atilde;o enquanto lhe chama parolo. Assim, fomentados pelo seu isolamento do mundo, cria-se aos poucos um ambiente de tens&atilde;o sexual entre os dois, em que o que excita &eacute; a tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o de poder. Nesta atmosfera homoer&oacute;tica, o desespero sexual de Tony revela-se pat&eacute;tico e comovente, e Barrett, mais uma vez, explora esse facto em favor do seu dom&iacute;nio sobre o outro.</p>
<p>Este &eacute; pois um filme sobre a queda de um jovem aristocrata na ru&iacute;na moral. Sobre uma descida aos infernos em que o cicerone vai corrompendo as almas no caminho. Sobre a invers&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o de poder at&eacute; ao dom&iacute;nio absoluto do criado sobre o patr&atilde;o. Na &uacute;ltima cena, Barrett organiza uma orgia para oferecer a Tony, com mulheres de riso felliniano, c&acirc;maras fotogr&aacute;ficas que disparam flashes e m&uacute;sica embriagante. Depois da entrega a uma devassid&atilde;o sem regras, a festa termina simbolicamente com o criado a subir ao primeiro andar e o senhor a arrastar-se pelo soalho como um bicho. Quer dizer, o jovem aristocrata v&ecirc;-se agora reduzido a uma criatura in&uacute;til, viciada no &aacute;lcool e impotente face aos desafios da vida. Como num filme de terror, o monstro &eacute; tamb&eacute;m o melhor amigo e a vitima &eacute; t&atilde;o culpada quanto o carrasco. Como num document&aacute;rio de natureza, o humano &eacute; aqui retratado como um ser dependente do outro, dominado pela agress&atilde;o e pelo desejo, como um parasita da alma.</p>
<p>Trailer:</p>
<p><img width="425" height="344" alt="" title="&quot;allowFullScreen&quot;:&quot;true&quot;,&quot;src&quot;:&quot;http://www.youtube.com/v/aZ_GUH3i9z8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&quot;" class="mceItemFlash" src="../../../../../beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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