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	<title>argumentistas.org &#187; Artigos</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
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		<title>Empresas de guionistas &#8211; directório</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:44:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[argumentistas]]></category>
		<category><![CDATA[guionistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um directório em evolução das principais empresas de produção de conteúdos a actuar no mercado português.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li>Empresas de guionistas &#8211; directório</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p><span style="font-size: x-small;">(O que &eacute; uma empresa de guionistas? O conceito &eacute; difuso e muitas vezes incapaz de agrupar a diversidade que actualmente existe no mercado. Para esta lista, resolvemos ser bastante abrangentes e inclu&iacute;mos empresas que t&ecirc;m, na sua g&eacute;nese, a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos escritos que poder&atilde;o originar diversos produtos audiovisuais. Entendemos esta lista como um <em>work in progress</em> e, por isso, contamos com ajuda de quem conhecer outras empresas.)</span></p>
<ul>
<li>BeActive &#8211; Web: <a href="http://www.beactive.pt">www.beactive.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Di&aacute;rio de Sofia&quot; ou &quot;T2 para 3&quot;.</li>
<li>Bode Expiat&oacute;rio &#8211; Web: <a href="http://www.bode-expiatorio.com/">http://www.bode-expiatorio.com/</a><br />
    Projectos chave: produ&ccedil;&otilde;es interactivas.</li>
<li>Cartas de Amor (colectivo de argumentistas)<br />
    Projectos chave: &quot;Conta-me como Foi&quot;.</li>
<li>Casa da Cria&ccedil;&atilde;o (uma empresa do universo Plural Entertainment) &#8211; Web: <a href="http://www.casadacriacao.pt">www.casadacriacao.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot; e grande parte das telenovelas da TVI.</li>
<li>Monomito Argumentistas &#8211; Web: <a href="http://www.monomito.com">www.monomito.com</a><br />
    Projectos chave: publicidade institucional para o combate &agrave; SIDA.</li>
<li>Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias &#8211; Web: <a href="http://www.producoesficticias.pt">www.producoesficticias.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Herman Enciclop&eacute;dia&quot;, &quot;Gato Fedorento&quot; ou &quot;Os Contempor&acirc;neos&quot;.</li>
<li>Scriptmakers &#8211; Web: <a href="http://www.scriptmakers.pt">www.scriptmakers.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Equador&quot;.</li>
<li>Um Tiro no Porta Avi&otilde;es &#8211; Web: <a href="http://umtironoportavioes.blogs.sapo.pt/">http://umtironoportavioes.blogs.sapo.pt/</a><br />
    Projectos chave: empresa recente criada por Jo&atilde;o Quadros.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Livros: Kaufman vs. McKee</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Robert McKee]]></category>
		<category><![CDATA[Story]]></category>

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		<description><![CDATA[A bibliografia sobre argumento/guião é extensa, mas alguns títulos são demasiado importantes para não serem lidos. Razão para se iniciar uma análise aos mais importantes livros sobre o assunto. Começamos por «Story», de Robert Mckee.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li>Livros: Kaufman vs. McKee</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
por Jorge Palinhos<em><span style="font-size: smaller;"> <br />
(Al&eacute;m de trabalhar como tradutor e coordenador editorial, Jorge Palinhos publicou tr&ecirc;s pe&ccedil;as de teatro, das quais duas foram premiadas com o Pr&eacute;mio Miguel Rovisco e o Pr&eacute;mio Manuel Deniz-Jacinto. Tem tamb&eacute;m escrito gui&otilde;es para curtas-metragens de cinema de anima&ccedil;&atilde;o e de imagem real, algumas das quais foram j&aacute; produzidas ou est&atilde;o em fase de produ&ccedil;&atilde;o.)</span></em></p>
<p><img width="189" height="285" alt="story" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/story.jpg" title="story" class="alignnone size-full wp-image-470" /></p>
<p><strong>Story &ndash; Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting</strong> Robert McKee Regan Books Nova Iorque 1997  <em>Adaptation</em>, ou <em>Inadaptado</em>, em portugu&ecirc;s, escrito por Charlie Kaufman, &eacute; provavelmente um dos filmes mais vistos pelos guionistas do cinema ocidental. Nele retrata-se Charlie Kaufman, um guionista conceituado em busca um sentido pessoal para a adapta&ccedil;&atilde;o de um livro de n&atilde;o-fic&ccedil;&atilde;o sobre orqu&iacute;deas. Charlie tem um irm&atilde;o, Donald Kaufman, que, decidido a enveredar por uma carreira de sucesso como argumentista de Hollywood, frequenta alguns cursos de escrita de argumento, escreve um thriller e consegue de imediato contratos milion&aacute;rios, enquanto Charlie continua a marcar passo no seu esfor&ccedil;o por um hist&oacute;ria original e com significado.  Donald, e Charlie mais tarde, recorrem ao livro e semin&aacute;rio Story, de Robert McKee, interpretado no filme por Brian Cox, e os conselhos deste acabam por garantir o sucesso profissional de Donald e a resolu&ccedil;&atilde;o, mesmo que a contragosto, dos problemas de Charlie.</p>
<p>Se o livro e semin&aacute;rio de Robert McKee eram j&aacute; afamados em Hollywood, a sua cita&ccedil;&atilde;o ficcional em Inadaptado tornou-o culto mundial, sendo hoje McKee o mais influente guru da escrita para audiovisual e Story a obra de refer&ecirc;ncia de muitos guionistas.  Story &eacute; um tomo de mais de 400 p&aacute;ginas preenchidas por uma linguagem l&iacute;mpida e opinativa, que cobre praticamente todos os aspectos da escrita para cinema. Partindo de Arist&oacute;teles, figura tutelar deste g&eacute;nero de livros, McKee defende que a import&acirc;ncia das hist&oacute;rias se deve &agrave; sua capacidade de nos interpelarem eticamente e revelarem caminhos de vida, numa altura em que outras formas de conhecimento, como a filosofia, a ci&ecirc;ncia e a religi&atilde;o se tornaram demasiado esot&eacute;ricas ou vazias para o grande p&uacute;blico. Da&iacute;, entende autor, se explica o enorme incremento da arte narrativa em todo o lado: livros, filmes, teatro, televis&atilde;o, jogos, Internet, etc.  S&oacute; que, insiste McKee, apesar da quantidade, esta arte est&aacute; em decl&iacute;nio devido &agrave; perda de valores sociais comuns e &agrave; perda do craft &ndash; a oficina de contar hist&oacute;rias.</p>
<p>Se nos EUA proliferam cursos de escrita criativa e guionismo, McKee acusa estes cursos de encarem a narrativa do lado de fora, focando aspectos como a linguagem e os c&oacute;digos e esquecendo os princ&iacute;pios intr&iacute;nsecos da narrativa. A narrativa &eacute; 75% de estrutura e 25% do resto, diz o autor, por isso o seu livro assenta baterias na quest&atilde;o estrutural, come&ccedil;ando por apresentar alguma terminologia b&aacute;sica da estrutura narrativa como: estrutura, evento, valores da hist&oacute;ria, cena, beat, sequ&ecirc;ncia e acto; e debru&ccedil;ando-se depois sobre aquilo que McKee designa por tri&acirc;ngulo de enredos.  Este tri&acirc;ngulo tem como v&eacute;rtices tr&ecirc;s concep&ccedil;&otilde;es narrativas: a concep&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica ou arqui-enredo, a concep&ccedil;&atilde;o minimalista ou mini-enredo e a anti-estrutura ou anti-enredo. A primeira concep&ccedil;&atilde;o, o arqui-enredo, &eacute; descrita como uma hist&oacute;ria de uma personagem que luta contra for&ccedil;as de antagonismo exteriores para conseguir o seu desejo profundo, at&eacute; um final fechado de mudan&ccedil;a absoluta e irrevers&iacute;vel.</p>
<p>A segunda concep&ccedil;&atilde;o, o mini-enredo, consiste numa redu&ccedil;&atilde;o destes princ&iacute;pios &agrave; sua ess&ecirc;ncia, enquanto o anti-enredo, a terceira concep&ccedil;&atilde;o, tenta inverter os princ&iacute;pios cl&aacute;ssicos da narrativa. Se &agrave; partida a tese parece clara, logo adiante, McKee reconhece a exist&ecirc;ncia de mais dois tipos de enredo: o n&atilde;o-enredo (hist&oacute;rias sem progress&atilde;o narrativa ou estudos de personagem) e o multi-enredo (em que a narrativa &eacute; fragmentada em v&aacute;rias narrativas de v&aacute;rias personagens). Para evitar transformar o seu tri&acirc;ngulo num pent&aacute;gono, o autor coloca o n&atilde;o-enredo fora do tri&acirc;ngulo e arruma o multi-enredo num lado entre os v&eacute;rtices arqui-enredo e mini-enredo.  O objectivo desta constru&ccedil;&atilde;o algo artificial &eacute; a defesa da superioridade do enredo cl&aacute;ssico, ou arqui-enredo, sobre os outros. Tal superioridade assentar&aacute; em aspectos mentais &#8211; o arqui-enredo &eacute; o que melhor reproduz a forma como analisamos a nossa pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia &#8211; e pragm&aacute;ticos &#8211; est&aacute; subjacente &agrave;s hist&oacute;rias com mais sucesso comercial.</p>
<p>No in&iacute;cio de Inadaptado, o protagonista busca o sentido da adapta&ccedil;&atilde;o do livro The Orchid Thief, mas ap&oacute;s o semin&aacute;rio de McKee, a explora&ccedil;&atilde;o das personagens passa para segundo plano e assistimos ao desenrolar da constru&ccedil;&atilde;o narrativa. Ser&aacute; que passamos de um mini-enredo ou de um n&atilde;o-enredo para um arqui-enredo? N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil aplicar na pr&aacute;tica as diferen&ccedil;as entre estas classifica&ccedil;&otilde;es: a partir de que momento &eacute; que um arqui-enredo passa a ser um mini-enredo? E como distinguir um n&atilde;o-enredo de um mini-enredo? Quantas personagens s&atilde;o precisas para fazer um multi-enredo?  A quest&atilde;o de o arqui-enredo ser o enredo cl&aacute;ssico, sendo os outros inven&ccedil;&otilde;es recentes, parece-me d&uacute;bia. Eur&iacute;pides j&aacute; havia no seu tempo virado de pernas para o ar as no&ccedil;&otilde;es de trag&eacute;dia e com&eacute;dia, D. Quixote, considerado o primeiro romance moderno, j&aacute; tinha subvertido as regras do romance e em Hamlet temos o pr&oacute;prio protagonista a protelar ao m&aacute;ximo o conflito dram&aacute;tico que o afecta.</p>
<p>McKee aborda em seguida a quest&atilde;o dos g&eacute;neros. Num cap&iacute;tulo curto, onde consegue abranger nada menos que 25 g&eacute;neros diferentes, com breves caracteriza&ccedil;&otilde;es e exemplos, o autor limita-se a juntar os g&eacute;neros de enredos cl&aacute;ssicos (Policial, Terror, Com&eacute;dia), com varia&ccedil;&otilde;es temporais (Drama Hist&oacute;rico), quest&otilde;es de verosimilhan&ccedil;a (Biografia, Docudrama) e t&eacute;cnica (Anima&ccedil;&atilde;o, Musical), chegando a classificar (de modo pouco abonat&oacute;rio) o Art Film como g&eacute;nero, e admitindo que todos estes g&eacute;neros se misturam e ramificam uns nos outros. Para McKee, o g&eacute;nero tem interesse enquanto quadro de expectativas da audi&ecirc;ncia e estrutura para os guionistas, qual rima e m&eacute;trica da narrativa. Contudo, ao longo do livro o autor d&aacute; poucas pistas sobre o uso do g&eacute;nero para a constru&ccedil;&atilde;o do gui&atilde;o.  Inadaptado come&ccedil;a como um filme sem g&eacute;nero, ou talvez art film, e, ap&oacute;s o semin&aacute;rio de McKee, transforma-se num thriller, seguindo escrupulosamente todas as regras deste g&eacute;nero, tornando-se, por&eacute;m, indistinto de outros filmes similares.</p>
<p>Tendo aberto o caminho para o destino onde queria chegar, McKee lan&ccedil;a-se finalmente naquilo que lhe interessa: a constru&ccedil;&atilde;o do suposto enredo cl&aacute;ssico ou arqui-enredo. Este &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o e alma do livro. McKee analisa com profundidade e abrang&ecirc;ncia a estrutura f&iacute;lmica cl&aacute;ssica de Hollywood. Fala da necessidade de ter uma ideia controladora da hist&oacute;ria, da constru&ccedil;&atilde;o do enredo como constru&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica de uma demonstra&ccedil;&atilde;o argumentativa &#8211; ideia proposta por Lajos Egri, mas que McKee n&atilde;o cita -, da aprecia&ccedil;&atilde;o de valores, da progress&atilde;o de argumentos e contra-argumentos at&eacute; &agrave; demonstra&ccedil;&atilde;o final (positiva, negativa ou ir&oacute;nica), do desejo do protagonista como motor da hist&oacute;ria, da empatia entre protagonista e p&uacute;blico, da constru&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de risco emocionalmente significativas, da constru&ccedil;&atilde;o do incidente inicial, do incremento das complica&ccedil;&otilde;es, da arquitectura dos actos, do ritmo, dos subenredos, da constru&ccedil;&atilde;o das cenas, do texto e subtexto, do cl&iacute;max, dos turning points, da composi&ccedil;&atilde;o, da progress&atilde;o, da ascens&atilde;o, da crise, da resolu&ccedil;&atilde;o, etc., etc.</p>
<p>S&atilde;o cap&iacute;tulos repletos de observa&ccedil;&otilde;es perspicazes sobre constru&ccedil;&atilde;o &#8211; por exemplo: a utiliza&ccedil;&atilde;o de subenredos para retardar o incidente inicial, a necessidade de restringir o n&uacute;mero de cl&iacute;maxes, o cl&iacute;max como imagem-chave de todo o enredo, a distin&ccedil;&atilde;o entre sistemas de imagens internas e externas &ndash; que constituem um dos mais incontorn&aacute;veis estudos recentes sobre estrutura narrativa do cinema cl&aacute;ssico americano. Do cinema cl&aacute;ssico americano, pois Story ignora quase por completo quase todas as experi&ecirc;ncias narrativas recentes, como os pr&oacute;prios filmes de Charlie Kaufman, de Quentin Tarantino, de Christopher Nolan, dos irm&atilde;os Coen, e outras cinematografias, por vezes de tanto sucesso como a americana, como o cinema asi&aacute;tico, o cinema indiano e at&eacute; o cinema europeu.</p>
<p>Em Inadaptado, ap&oacute;s o semin&aacute;rio de McKee, a hist&oacute;ria torna-se num thriller previs&iacute;vel, engenhoso, bem feito, mas sem alma, sem interesse emocional ou personagens cativantes. E &eacute; isso que falta em Story. Fort&iacute;ssimo em estrutura, o livro desleixa claramente a constru&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es e das personagens, que no meu entender s&atilde;o a carne e o sangue das hist&oacute;rias. E por isso Inadaptado, sendo o filme que fez disparar a popularidade do livro e do seu autor, &eacute; tamb&eacute;m a sua principal cr&iacute;tica, ao demonstrar que a estrutura narrativa, a que McKee atribui toda a import&acirc;ncia, pode originar filmes e hist&oacute;rias competentes, mas s&oacute; por si n&atilde;o faz bons filmes e boas hist&oacute;rias.</p>
<p>Story &eacute; um livro altamente recomendado a todos os argumentistas. &Eacute; de tal modo abrangente e perspicaz que &eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o retirar dele dicas e ideias preciosas, que ajudar&atilde;o a melhorar bons gui&otilde;es. &Eacute;, no entanto, necess&aacute;rio ter em mente os princ&iacute;pios de que o livro parte, e que estes princ&iacute;pios s&atilde;o, por vezes, question&aacute;veis. Conv&eacute;m ter em aten&ccedil;&atilde;o que o autor incide principalmente no estudo de alguns gui&otilde;es que, independentemente dos seus m&eacute;ritos, nem sempre se podem considerar obras-primas cinematogr&aacute;ficas (Rocky, O Fugitivo, Chinatown, Casablanca). E que os conselhos constantes do livro, podendo ajudar o argumentista no trabalho de constru&ccedil;&atilde;o do enredo, n&atilde;o garantem por si uma boa hist&oacute;ria, continuando a recair nos ombros do guionista a fatia do le&atilde;o de fazer a hist&oacute;ria ser habitada por ideias com sentido, personagens vivas e emo&ccedil;&otilde;es verdadeiras.</p>
<p>Uma &uacute;ltima nota: a curta bibliografia final do livro omite quase todos os estudos recentes sobre guionismo e narrativa, ainda que seja duvidoso que McKee tenha elaborado a sua obra sem consultar trabalhos como os de Lajos Egri, Syd Field, Linda Seger, Christopher Vogler, Yves Lavandier, entre outros. Mesmo que Story supere a bibliografia de muitos destes autores, um pouco de transpar&ecirc;ncia intelectual n&atilde;o teria ficado nada mal.</p>
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		<title>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[argumentista]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos de Autor]]></category>

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		<description><![CDATA[Os advogados André Guerreira e Marco Alexandre Saias discorrem sobre como fazer valer os direitos de autor de um argumentista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
por Andr&eacute; Guerreiro Rodrigues e Marco Alexandre Saias<br />
<em>(Managing Partners </em><a href="http://www.ipsconsultoria.com/"><em>IP Solutions</em></a><em>)</em></p>
<p><strong>&ldquo;O &Uacute;NICO AUTOR DE UM FILME &Eacute; O ARGUMENTISTA, TODOS OS DEMAIS S&Atilde;O INT&Eacute;RPRETES.&rdquo;<br />
</strong>Autor Desconhecido</p>
<p>N&atilde;o &eacute; fic&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; um idealismo. &Eacute; uma premissa tecnicamente verdadeira. O argumentista &eacute; o verdadeiro autor de uma obra audiovisual no sentido mais t&eacute;cnico que a palavra &ldquo;autor&rdquo; pode ter. &Eacute; quem d&aacute; corpo e alma a um texto que posteriormente dar&aacute; origem a uma obra audiovisual. &Eacute; o criador primordial. O alquimista solit&aacute;rio que lan&ccedil;a os dados e decide a sorte e fortuna de todos os intervenientes da sua est&oacute;ria.</p>
<p>Todos os demais s&atilde;o meros int&eacute;rpretes da sua obra porque se limitam a agir sobre algo que j&aacute; existe por base. Sobre a Obra do Argumentista. O Realizador interpreta visualmente aquilo que o Argumentista criou no papel. O Compositor musical interpreta musicalmente as palavras do Argumentista. Os Actores d&atilde;o corpo e movimento ao texto do Argumentista, e por a&iacute; adiante.</p>
<p>N&atilde;o h&aacute; volta a dar. N&atilde;o h&aacute; argumento que contrarie esta premissa: O Argumentista &eacute; o Senhor do Filme. Palavra de Consultor em Propriedade Intelectual.</p>
<p>Pois bem, se a teoria &eacute; esta, a pr&aacute;tica &eacute; uma coisa muito diferente.</p>
<p>O Argumentista &eacute; o parente pobre do filme. Uma esp&eacute;cie de porteiro que abre a porta &agrave; entrada de uma s&eacute;rie de pessoas que ir&atilde;o participar no filme e que muitas vezes passar&atilde;o por cima do seu trabalho, modificando-o at&eacute; que fique praticamente irreconhec&iacute;vel.</p>
<p>O que se passa com o Argumentista de hoje? Porque raz&atilde;o se verifica esta assimetria entre estas duas posi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o d&iacute;spares? Como se passa de senhor de tudo para senhor do nada?</p>
<p>&Eacute; simples. Quem contrata deve saber o que est&aacute; a comprar. E na grande maioria das vezes no neg&oacute;cio do audiovisual as partes ficam-se quase sempre pela metade. O Argumentista vende apenas o servi&ccedil;o de elabora&ccedil;&atilde;o e redac&ccedil;&atilde;o do gui&atilde;o e oferece gratuitamente os Direitos de Autor sobre o mesmo.</p>
<p>O Senhor do nada revela-se.</p>
<p>Um Argumentista pelo mero acto de cria&ccedil;&atilde;o do Gui&atilde;o torna-se automaticamente no titular de todos os Direitos de Autor sobre aquilo que come&ccedil;a por ser uma Obra Liter&aacute;ria. Se o argumento foi encomendado, ent&atilde;o &eacute; nesse momento da negocia&ccedil;&atilde;o que ter&atilde;o de ser acautelados os interesses de ambas as partes envolvidas. O Argumentista quer ser pago pelo trabalho e ao mesmo tempo manter a titularidade dos Direitos sobre o gui&atilde;o. O contratante quer utilizar o gui&atilde;o como bem entender.</p>
<p>Incomport&aacute;veis desejos? Nem por isso. Existem plataformas de entendimento ao alcance de ambos.</p>
<p>Um bom argumentista dever&aacute; ser bem remunerado por aquilo que produziu: Pela presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. Esse dever&aacute; ser o primeiro ponto da negocia&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>O segundo ponto, &eacute; a negocia&ccedil;&atilde;o dos Direitos de Autor. Um argumentista bem informado e bem aconselhado saber&aacute; que pode partir para uma negocia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; munido do gui&atilde;o que acabou de escrever mas tamb&eacute;m de um activo invis&iacute;vel t&atilde;o ou mais valioso que o pr&oacute;prio gui&atilde;o: os Direitos de Autor. Dar este activo gratuitamente, &eacute; o mesmo que plantar uma &aacute;rvore no quintal e oferecer continuamente todos os frutos aos vizinhos.</p>
<p>A plataforma de entendimento entre argumentista e contratante dever&aacute; consistir numa reparti&ccedil;&atilde;o dos Direitos de Autor consoante as necessidades de cada um. Quem contrata deve perceber que o pagamento feito inicialmente ao argumentista foi t&atilde;o s&oacute; pela presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o consistente na elabora&ccedil;&atilde;o de um gui&atilde;o para uma obra audiovisual. E tal pagamento n&atilde;o inclui necessariamente a remunera&ccedil;&atilde;o pelos Direitos, nem o seu licenciamento.</p>
<p>Imaginemos o contratante como uma produtora de cinema.</p>
<p>De que Direitos sobre o gui&atilde;o necessita para o aplicar ao seu filme?</p>
<p>Asseguramos-vos de que n&atilde;o precisa de todos. Precisar&aacute; apenas dos necess&aacute;rios para poder explorar a Obra Audiovisual nas plataformas usuais de mercado. Todos os outros Direitos de que a produtora na pr&aacute;tica n&atilde;o necessita poder&atilde;o manter-se na titularidade do Argumentista. E ser&aacute; esta reparti&ccedil;&atilde;o de Direitos que permitir&aacute; ao Argumentista manter o controlo sobre o seu gui&atilde;o e continuar a retirar mais-valias econ&oacute;micas do mesmo, n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s de outras formas de explora&ccedil;&atilde;o comercial, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s do recebimento de royalties sobre as diferentes utiliza&ccedil;&otilde;es que sejam feitas do gui&atilde;o original.</p>
<p>Resumindo: O Argumentista tem todas as condi&ccedil;&otilde;es para voltar a ser Senhor da sua Obra. N&atilde;o se trata de abrir uma guerra com quem contrata, mas t&atilde;o s&oacute;, informar e andar informado sobre os Direitos de cada um, e saber que numa negocia&ccedil;&atilde;o, o extremar de posi&ccedil;&otilde;es e a intransig&ecirc;ncia apenas ocorrem quando o desconhecimento se alia ao medo.</p>
<p>Sigam o nosso conselho: Ousem cobrar pelos vossos Direitos!</p>
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