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	<title>argumentistas.orgDossier | argumentistas.org</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Dec 2011 10:03:09 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Para acabar de vez com a cultura</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 15:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[políticas]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Rui Neto Pereira, fundador da APAD e presidente do seu concelho fiscal, publica um artigo de opinião sobre o papel da cultura na transformação necessária do país.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><meta charset="utf-8" /><em><strong>Rui Neto Pereira<br />
	</strong>&eacute; Diretor Geral do Bode Expiat&oacute;rio, Fundador e Presidente do Conselho Fiscal da APAD<br />
	</em></p>
<p><span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; font-weight: normal; ">Imaginem a Alemanha em 1944: um pa&iacute;s completamente destru&iacute;do; popula&ccedil;&atilde;o ativa dizimada; sociedade dividida; fam&iacute;lias trucidadas; crian&ccedil;as traumatizadas; vi&uacute;vas desesperadas; sem infraestruturas; sem apoio externo; odiados em todo o mundo; sem cr&eacute;dito; com tr&ecirc;s pot&ecirc;ncias estrangeiras a gerir o seu territ&oacute;rio num clima de vingan&ccedil;as; a economia completamente destru&iacute;da. Se isto n&atilde;o &eacute; o Inferno, anda l&aacute; muito perto.</span><meta charset="utf-8" /></p>
<p>Apenas vinte anos depois, a Alemanha tinha recuperado do duro golpe, reorganizou o pa&iacute;s, recuperou a economia e, melhor ainda, recolocou o PIB a um n&iacute;vel normal como se n&atilde;o tivesse havido o buraco nas contas provocado pela II Guerra Mundial. Com o Jap&atilde;o foi mais ou menos o mesmo. N&oacute;s estamos quase h&aacute; quarenta anos a tentar construir um pa&iacute;s verdadeiramente moderno. Como &eacute; que eles conseguiram?</p>
<p>A resposta &eacute; t&atilde;o simples que se torna desarmante: porque os alem&atilde;es trabalharam para isso; recuperaram o pa&iacute;s; recuperaram o prest&iacute;gio; voltaram a exportar em for&ccedil;a; e s&atilde;o h&aacute; muitos anos o motor da Europa. O segredo da Alemanha &eacute; o povo alem&atilde;o.</p>
<h3>O segredo de Portugal &eacute; o povo portugu&ecirc;s</h3>
<p>Da mesma maneira, o segredo de Portugal &eacute; o povo portugu&ecirc;s. Ali&aacute;s Portugal n&atilde;o tem problemas. Quem tem problemas s&atilde;o os portugueses. Ou seja: eu; voc&ecirc;; a pessoa que est&aacute; sentada ao seu lado; o senhor que est&aacute; na praia a gozar (com) o atestado m&eacute;dico. Se queremos resolver os nossos problemas, temos que mudar os portugueses. J&aacute; tent&aacute;mos mand&aacute;-los para a Alemanha, mas n&atilde;o resultou. &Eacute; preciso tentar algo mais: precisamos de transformar os portugueses em alem&atilde;es.</p>
<p>	Numa altura de semifal&ecirc;ncia do pa&iacute;s, num quadro de quase rotura social, em que somos for&ccedil;ados a pedir ajuda externa porque n&atilde;o fomos capazes de resolver os nossos problemas (a interven&ccedil;&atilde;o do FMI n&atilde;o &eacute; econ&oacute;mica, &eacute; pol&iacute;tica), o que prop&otilde;em os nossos principais partidos?</p>
<p>Apresentam muitas medidas legislativas, o que &eacute; normal, alguma reorganiza&ccedil;&atilde;o do Estado, o que pode ser bom, algum esp&iacute;rito de poupan&ccedil;a, que carece de verifica&ccedil;&atilde;o. E com tudo isto esperamos ter um Estado mais magrinho, mais eficiente, o que &eacute; &oacute;timo. Mas o problema n&atilde;o &eacute; o povo portugu&ecirc;s?</p>
<p>Como &eacute; que se mudam os portugueses? Os nossos governantes gostariam de o fazer por decreto, mas esse expediente tamb&eacute;m j&aacute; foi tentado. H&aacute;-de haver outra maneira de transformar os portugueses em alem&atilde;es.</p>
<p>H&aacute; muitos anos que nos dizem que o segredo est&aacute; na escola. A fazer f&eacute; nisso mandamos os nossos filhos para a escola. Mas ao fim de alguns anos, eles continuam portugueses. Vamos l&aacute; falar com os professores, que por acaso s&atilde;o portugueses, e eles dizem que isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel porque os pais s&atilde;o portugueses. E n&atilde;o &eacute; que t&ecirc;m raz&atilde;o? Ent&atilde;o a quem nos podemos queixar? Ao Governo, claro, afinal eles mandam nos portugueses. Se formos perguntar ao primeiro-ministro porque n&atilde;o somos alem&atilde;es, ele responde-nos de forma muito portuguesa que temos toda a raz&atilde;o e para n&atilde;o nos preocuparmos porque ele est&aacute; a preparar um pacote de medidas que incluem um pedido de ajuda &agrave; Uni&atilde;o.</p>
<p>	Na era dos computadores, qualquer crian&ccedil;a, mesmo portuguesa, sabe que l&aacute; dentro &eacute; o software que faz as coisas acontecerem. E que existe um sistema operativo, que &eacute; como a nossa forma de pensar, e existem as aplica&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o o nosso conhecimento em cada &aacute;rea. Como os alem&atilde;es s&atilde;o bons em tecnologia talvez a inform&aacute;tica nos salve.</p>
<h3>O sistema operativo dos pa&iacute;ses &eacute; a cultura</h3>
<p>Na Sociedade do Conhecimento, o sistema operativo dos pa&iacute;ses &eacute; a cultura. N&atilde;o, n&atilde;o &eacute; essa Cultura, n&atilde;o deixem de ler j&aacute; o texto. Para bem da nossa rela&ccedil;&atilde;o de escriv&atilde;o/leitor conv&eacute;m esclarecer uma pequena grande confus&atilde;o: a Cultura &eacute; tudo o que est&aacute; ligado &agrave; atividade e exist&ecirc;ncia humana. O que n&atilde;o &eacute; Cultura &eacute; Natureza (embora a pr&oacute;pria Natureza tamb&eacute;m tenha a sua cultura). Dentro da Cultura existe um pequeno espa&ccedil;o mas muito importante que s&atilde;o as Artes. Quando falamos em cultura portuguesa estamos a referir-nos &agrave; m&uacute;sica da Am&aacute;lia, aos livros do Saramago, ou aos quadros do Cargaleiro (que na verdade s&atilde;o as Artes), mas tamb&eacute;m ao cozido &agrave; portuguesa, &agrave; moda, &agrave; c&eacute;lebre pontualidade, &agrave;s anedotas dos alentejanos, &agrave; forma como gozamos feriados que n&atilde;o fazemos a m&iacute;nima ideia para que servem ou &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com o trabalho dos portugueses, tamb&eacute;m conhecida por cultura empresarial. Se o acordo ortogr&aacute;fico estivesse atualizado, o nosso Minist&eacute;rio da Cultura deveria chamar-se Minist&eacute;rio das Artes.</p>
<p>No grande ba&uacute; das Artes cabe aquilo que de melhor existe na atividade material e imaterial dos povos. Pode assumir a forma convencional de um livro ou pode ser um poema num blogue banal. A Arte &eacute; muito importante para a Cultura, e ao mesmo tempo para todos n&oacute;s, porque &eacute; &ndash; ou deveria ser &#8211; a componente mais din&acirc;mica da sociedade, &eacute; o farol que aponta novos caminhos, que influencia e ajuda &agrave; mudan&ccedil;a da sociedade.</p>
<p>Porque &eacute; que as pessoas v&atilde;o &agrave; &Oacute;pera? Bem, porque lhes ofereceram os bilhetes ou porque gostam &ndash; e a frui&ccedil;&atilde;o &eacute; muito importante na Arte &ndash;. Mas socialmente as pessoas saem mais enriquecidas quando os espectadores do Teatro S&atilde;o Carlos, do Cinema King ou do Teatro da Comuna experienciam vanguarda, tendo acesso a novas linguagens, novas abordagens ou novas t&eacute;cnicas; ou quando assistem a obras que fazem um retrato de n&oacute;s mesmos enquanto pessoas ou grupos, para nos vermos espelhados no ecr&atilde;, ironizados no palco ou simbolizados na tela. Esta aprendizagem &eacute; extremamente importante para nos alargar a esfera de conhecimento, para nos ajudar a construir mais op&ccedil;&otilde;es, para nos enriquecer com outros pontos de vista, para nos manter despertos para esta fant&aacute;stica aventura que &eacute; a vida. Como nenhuma outra manifesta&ccedil;&atilde;o humana, a Arte prepara-nos para a mudan&ccedil;a, e s&oacute; por isso merece toda a nossa aten&ccedil;&atilde;o. Com a Arte, grosso modo, a vanguarda d&aacute;-nos o futuro e a reflex&atilde;o d&aacute;-nos o passado e o presente.</p>
<p>	E o que prop&otilde;e os nossos principais partidos para mudar a cultura portuguesa, logo os portugueses? Querem comprar submarinos! Querem construir mon&oacute;litos est&aacute;ticos e conservadores, que serve para tudo menos para o que s&atilde;o precisos. O PSD pretende &lsquo;concluir a rede de bibliotecas iniciada em 1986&rsquo;. O mundo est&aacute; a sair do papel, est&aacute; a haver uma revolu&ccedil;&atilde;o digital que permite criar e ter acesso ao conhecimento de forma f&aacute;cil e muito barata, e o pr&oacute;ximo governo quer gastar milh&otilde;es em bibliotecas que poder&atilde;o n&atilde;o ter futuro. O que vai acontecer &agrave; literatura com a banaliza&ccedil;&atilde;o dos tablets? A produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria ser&aacute; a mesma? Ir&aacute; acontecer &agrave; edi&ccedil;&atilde;o livreira o mesmo que aconteceu &agrave; edi&ccedil;&atilde;o musical? E a leitura ser&aacute; a mesma? Ou ser&aacute; que est&atilde;o a pensar transformar as bibliotecas em centros de Conhecimento, espa&ccedil;os din&acirc;micos com conte&uacute;dos atraentes e estrat&eacute;gias bem definidas e s&oacute;lidas para mudar os portugueses? Sobre isso nem uma palavra, pelo que ficamos com as Bibliotecas como dep&oacute;sito de livros. Parece que a ideia &eacute; evitar a heresia de o Cavaco ter uma obra inacabada. O PS vai mais longe. Vai t&atilde;o longe que n&atilde;o sabemos bem onde ir&aacute;. O PS &lsquo;promover&aacute;&rsquo;, &lsquo;apoiar&aacute;&rsquo;, &lsquo;defender&aacute;&rsquo;. Tudo vai ser maior e grandioso. Ou seja, com o dinheiro que temos &lsquo;na mesma tudo ficar&aacute;&rsquo;.</p>
<h3>O problema dos &quot;bons alunos&quot;</h3>
<p>N&atilde;o estamos a falar de alimentar marginais e subs&iacute;dio-dependentes. Estamos a falar de um projeto nacional ambicioso que se destina a converter os portugueses em alem&atilde;es. E isso n&atilde;o vai l&aacute; com Queijo da Serra. Nesta fase do campeonato do nosso desenvolvimento, o pa&iacute;s n&atilde;o se safa mais com a hist&oacute;ria do bom aluno. O &lsquo;bom aluno portugu&ecirc;s&rsquo; fica para a Hist&oacute;ria como o pa&iacute;s que faz tudo o que lhe mandam, mas quando o professor se distrai come&ccedil;a a copiar pelos outros, a inventar atestados m&eacute;dicos, a simular desculpas para ter dispensa de exame. O &lsquo;bom aluno&rsquo; faz o que lhe mandam, revelando toda a ess&ecirc;ncia do seu esp&iacute;rito cat&oacute;lico centen&aacute;rio. O problema &eacute; que quando os professores v&atilde;o embora n&atilde;o fica ningu&eacute;m para lhe dizer o que &eacute; preciso fazer. Que fique claro: Portugal t&ecirc;m um problema financeiro, porque tem um problema econ&oacute;mico, porque tem um problema de produ&ccedil;&atilde;o (econ&oacute;mica, social, familiar, etc), porque tem um problema cultural.</p>
<p>	Esque&ccedil;am as estat&iacute;sticas. O pa&iacute;s vive deprimido com os rankings do nosso descontentamento. O objetivo nacional n&ordm;1 deve ser: acabar com a maledic&ecirc;ncia. Se o fizermos iremos recuperar uma avalia&ccedil;&atilde;o correta da realidade, desenvolveremos a nossa autoestima, pode ser que deixemos de inventar desculpas para nos desresponsabilizarmos, e pode ser que voltemos a acreditar.</p>
<p>Uma vis&atilde;o pol&iacute;tica moderna e inteligente poderia ajudar-nos a subir mais depressa alguns degraus do nosso desenvolvimento. O que poderia come&ccedil;ar com a extin&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Artes e impor o Minist&eacute;rio do Conhecimento, onde ficariam agrupadas as &aacute;reas da Educa&ccedil;&atilde;o, do Ensino Superior, da Ci&ecirc;ncia, da Cultura, do Patrim&oacute;nio e da Comunica&ccedil;&atilde;o Social.</p>
<p>Em Portugal existe a ideia peregrina de que as crian&ccedil;as v&atilde;o para a escola, sacam o canudo e ficam doutores para a vida toda. Essa &eacute; a maior pervers&atilde;o, o mais erro da nossa cultura. O Conhecimento dos profissionais e dos cidad&atilde;os &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o para sempre. A escola d&aacute;-nos uma base mental para continuarmos a aprender. Mas a grande aprendizagem da vida &eacute; feita nas empresas e nas organiza&ccedil;&otilde;es, no contacto direto com a realidade, mas tamb&eacute;m nos media que nos entra pela casa dentro.</p>
<h3>Se eu fosse alem&atilde;o&#8230;</h3>
<p>Se eu fosse alem&atilde;o, come&ccedil;aria por pedir um canal de televis&atilde;o nacional para mudar os portugueses. Ou ser&aacute; que podemos confiar na responsabilidade, no sentido de equil&iacute;brio e de bom senso dos operadores privados? <br />
	Propor a privatiza&ccedil;&atilde;o de um canal da RTP para poupar uns milh&otilde;es no or&ccedil;amento, como faz o PSD, mas &eacute; um erro para o desenvolvimento. Da mesma forma que manter este status quo em que os debates pol&iacute;ticos &ndash; e j&aacute; representam uma grande evolu&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a um passado recente &ndash; s&atilde;o a raz&atilde;o de ser do servi&ccedil;o p&uacute;blico, como parece propor o PS, &eacute; outro erro.<br />
	O enorme poder comunicacional da televis&atilde;o deve ser usado para influenciar as pessoas, para mudar os comportamentos, para estimular as virtudes e a energia de um povo. As pessoas n&atilde;o s&atilde;o bunkers inexpugn&aacute;veis, elas pensam e reagem em fun&ccedil;&atilde;o do caldo de cultura em que est&atilde;o imersas. Para um Governo que sabe o que quer, a televis&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma amea&ccedil;a, &eacute; uma oportunidade.</p>
<p>Os nossos governantes e os programadores dos canais p&uacute;blicos t&ecirc;m como atenuante o facto de n&atilde;o haver uma discuss&atilde;o profunda a este n&iacute;vel em Portugal. Para al&eacute;m dos f&oacute;runs de circunst&acirc;ncia com as suas propostas redondas, n&atilde;o existe uma doutrina ambiciosa, uma estrat&eacute;gia corajosa ou um pensamento inovador construtivo. &Eacute; muito ir&oacute;nico que na era da internet, ningu&eacute;m sabe o que pensar das tecnologias que dominam as nossas vidas.</p>
<p>&Eacute; um assunto que merece muita discuss&atilde;o que n&atilde;o cabe agora aqui, mas queria deixar algumas ideias: precisamos de um canal de cariz populista com todos os conte&uacute;dos que o povo gosta &ndash; reality show, contest show, telenovelas, etc &ndash; para ter audi&ecirc;ncias, mas com conte&uacute;dos, personagens, situa&ccedil;&otilde;es que direta ou indiretamente ajudam as pessoas a evoluir; por outro precisamos de outro canal que comunique com as elites, com um discurso diferente, mais profundo, que d&ecirc; a informa&ccedil;&atilde;o racional e emocional que os decisores e os respons&aacute;veis precisam. N&atilde;o &eacute; a anarquia com sabor a restos da atual RTP2, &eacute; uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento humano assente em conte&uacute;dos televisivos, por isso necessariamente apelativos.</p>
<h3>Os artistas s&atilde;o os respons&aacute;veis pela arte que se produz em Portugal</h3>
<p>E que pol&iacute;tica para as Artes? A mais importante de todas &eacute; dizer que os artistas s&atilde;o os principais respons&aacute;veis pela Arte que se produz em Portugal. Claro que existem sectores que, pela sua complexidade t&eacute;cnica ou pela escassez de p&uacute;blicos, exigem uma grande presen&ccedil;a do Estado. E quando o Estado sai de cena&#8230; cai o pano. Mas &eacute; importante abandonarmos uma cultura de desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o para evoluirmos para uma cultura de responsabilidade social. E isso quer dizer que ningu&eacute;m deve ter a pretens&atilde;o de dizer a um artista que obra ele deve fazer. Mas temos a obriga&ccedil;&atilde;o de perguntar aos artistas, e sobretudo &agrave;queles que s&atilde;o apoiados pelo Estado, qual &eacute; o seu contributo para a Arte tendo em considera&ccedil;&atilde;o a realidade em que vivemos.</p>
<p>Como &eacute; que valorizamos esse &lsquo;contributo&rsquo;? Aqui chegamos &agrave;s grandes decis&otilde;es. &Eacute; consensual dizer que o valor mais importante da Arte &eacute; a sua diversidade. Um dos grandes problemas da Arte em Portugal &eacute; que andamos muitas vezes a fazer o mesmo filme, a escrever o mesmo livro. Mudam as personagens, mas o olhar &eacute; o mesmo.</p>
<p>Mais complicado, mas mais urgente, &eacute; dizer tamb&eacute;m que as pol&iacute;ticas e at&eacute; o nosso ju&iacute;zo das obras de arte devem privilegiar a vanguarda e a reflex&atilde;o. Devemos reconhecer a busca incessante e incans&aacute;vel de novas est&eacute;ticas e novos conceitos assim como a forma demolidora como descobrimos atrav&eacute;s de uma obra uma parte de n&oacute;s mesmos. Quando um j&uacute;ri analisa centenas de gui&otilde;es ou quando um comiss&aacute;rio aposta num artista para a exposi&ccedil;&atilde;o de Ver&atilde;o, tem que fazer escolhas. Muitas vezes escolhem o mais f&aacute;cil: o nome que vagueia pela imprensa; a obra que colecionou mais pr&eacute;mios. &Eacute; f&aacute;cil justificar a escolha. Mas conv&eacute;m nunca esquecer que desde que Marcel Duchamps exp&ocirc;s um urinol numa galeria, a Arte &eacute; uma ideia. E isso j&aacute; foi em 1919.</p>
<p>As pol&iacute;ticas de cultura devem ter ainda outra dimens&atilde;o. Faz parte da cultura portuguesa que os p&uacute;blicos n&atilde;o gostam dos artistas s&eacute;rios, na mesma propor&ccedil;&atilde;o que os artistas s&eacute;rios n&atilde;o gostam dos p&uacute;blicos. Os jornais est&atilde;o repletos de afirma&ccedil;&otilde;es infelizes neste sentido. Uns n&atilde;o se consideram merecedores da aten&ccedil;&atilde;o dos outros. Esta desaven&ccedil;a civilizacional &eacute; na verdade pobreza cultural.</p>
<p>&Eacute; imperioso que a Arte comunique mais com o Pa&iacute;s. A Arte deve sentir-se desejada (pelos p&uacute;blicos), mas como qualquer mulher inteligentemente bonita sabe tamb&eacute;m precisa de se insinuar (aos p&uacute;blicos). <br />
	&Eacute; para isso que vale a pena meter debaixo do mesmo chap&eacute;u a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura. &Eacute; aqui que vale a pena apostar tudo. &Eacute; este interface que os meios de servi&ccedil;o p&uacute;blico devem liderar, criando pontos de contacto em que a Economia e a Arte se possam cruzar, tra&ccedil;ar caminhos e fazer casamentos de proveito m&uacute;tuo. Na Sociedade do Conhecimento empres&aacute;rios e artistas est&atilde;o condenados a trabalhar em conjunto. S&oacute; um exemplo que faz realmente a diferen&ccedil;a: todos os cientistas e artistas apoiados pelo Estado devem ser obrigados a fazer exposi&ccedil;&otilde;es, palestras ou workshops em todo o tipo de escolas.</p>
<p>Muito mais h&aacute; para dizer. Para j&aacute; esque&ccedil;am a ideia aberrante de querermos ser todos alem&atilde;es. Conv&eacute;m nunca esquecer que a maior parte deles passa o ano a poupar para vir passar f&eacute;rias a Portugal.<b><i><br />
	</i></b></p>
<p><meta charset="utf-8" /><em>Para mais discuss&atilde;o, vai ao meu <a href="http://www.facebook.com/rui.n.pereira">facebook</a> e entra no grupo <a href="http://www.facebook.com/home.php?sk=group_201434239893345">Para acabar de vez com a Cultura</a></em></p>
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		</item>
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		<title>Concurso aberto a argumentistas e realizadores</title>
		<link>http://argumentistas.org/2010/09/concurso-aberto-a-argumentistas-e-realizadores/</link>
		<comments>http://argumentistas.org/2010/09/concurso-aberto-a-argumentistas-e-realizadores/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 21:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Actual]]></category>
		<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Oportunidades]]></category>
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		<category><![CDATA[curtas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fá-las Curtas! é um concurso, produzido pela Valentim de Carvalho Televisão, para a RTP 2, que acompanha equipas, compostas por um argumentista e um realizador, na sua busca pela arte cinematográfica através da produção de curtas-metragens de ficção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Press release:</strong></p>
<p><em><strong>PROCURAMOS DUPLAS CRIATIVAS DE REALIZADOR E GUIONISTA</strong></em></p>
<p><em>Vimos &nbsp;contactar-vos para solicitar a divulga&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel do projecto que estamos a preparar &ndash; F&Aacute;-LAS CURTAS!, junto de profissionais, professores e alunos ligados ao cinema.</em></p>
<p><em>O prazo de inscri&ccedil;&atilde;o para o programa &eacute; at&eacute; dia 15 de Outubro de 2010. A partir desta data j&aacute; est&atilde;o confirmadas as grava&ccedil;&otilde;es.</em></p>
<p>&Eacute; de destacar o papel concedido ao argumentista neste concurso num reconhecimento claro e inequ&iacute;voco da sua import&acirc;ncia na autoria das obras audiovisuais.</p>
<p>No site da empresa encontramos a seguinte descri&ccedil;&atilde;o do concurso:</p>
<blockquote>
<p><strong>F&aacute;-las Curtas! </strong>&eacute; um concurso, produzido pela Valentim de Carvalho Televis&atilde;o, para a RTP 2, que acompanha equipas, compostas por um argumentista e um realizador, na sua busca pela arte cinematogr&aacute;fica atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de curtas-metragens de fic&ccedil;&atilde;o.</p>
</blockquote>
<p>Toda a informa&ccedil;&atilde;o no site: <a href="http://www.valentim.pt">www.valentim.pt</a></p>
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		<title>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</title>
		<link>http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:47:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[empresas]]></category>
		<category><![CDATA[guionistas]]></category>

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		<description><![CDATA[O número 2 da Revista APAD organiza um dossier sobre as empresas de guionismo, elemento chave para as alterações das práticas criativas e para a relevância dos guionistas no processo de trabalho audiovisual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
Os argumentistas nunca foram os mesmos, em Portugal, desde meados da d&eacute;cada de 90, quando um grupo de autores decidiu criar uma empresa que coordenasse e tornasse vi&aacute;vel a produ&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de gui&otilde;es. Nasciam as Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias (PF).  Foi a partir deste ponto de partida que procuramos ouvir alguns protagonistas de uma face mais empresari&aacute;vel dos argumentistas.</p>
<p><img height="294" width="350" alt="Escher hands" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/escher_hands.jpg" /></p>
<p>Esta evolu&ccedil;&atilde;o prova que, com uma organiza&ccedil;&atilde;o profissional, podemos ser mais fortes e mais consistentes.  Contudo, o elo mais importante desta transforma&ccedil;&atilde;o foi o reconhecimento que estes criativos trabalham juntos em regime de colabora&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica. &Eacute; a&iacute;, na nossa opini&atilde;o, que se d&aacute; o salto, porque se prova a exist&ecirc;ncia de uma massa cr&iacute;tica e de um embri&atilde;o de autores com diferentes sensibilidades mas a trabalhar <em>em conjunto</em>.  Nesse sentido, procuramos tamb&eacute;m ir um pouco mais al&eacute;m do que a simples organiza&ccedil;&atilde;o empresarial.</p>
<p>Chegamos &agrave; conclus&atilde;o que hoje em dia, estes &quot;argumentistas-criativos&quot; t&ecirc;m at&eacute; a possibilidade de usufruir, duas vezes por m&ecirc;s, de massagens gratuitas (na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o).  N&atilde;o significa, por&eacute;m, que tudo esteja &oacute;ptimo. Este &eacute; apenas um processo revolucion&aacute;rio em curso que demorar&aacute; o seu tempo, at&eacute; que seja poss&iacute;vel o argumentista ser um valor em si mesmo.</p>
<p>Para este dossier, ouvimos: Nuno Artur Silva (sobre as PF); Adriano Luz (sobre a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, colectivo respons&aacute;vel por muita da fic&ccedil;&atilde;o da TVI); e Nuno Bernardo (sobre a beActive, uma empresa de crescimento exponencial na &aacute;rea dos novos media).  Preenchem esta edi&ccedil;&atilde;o outros artigos: um ponto de vista interior do c&eacute;lebre semin&aacute;rio Story, que Robert McKee ministrou em Lisboa (por Manuel Pureza), assim como uma an&aacute;lise do seu livro (por Jorge Palinhos); uma curiosa compara&ccedil;&atilde;o de duas vers&otilde;es de&nbsp; &quot;The Day the Earth Stood Still&quot; (por Ricardo Oliveira); um texto sobre &quot;Italiano para Principiante&quot; (por Maria Jo&atilde;o Cordeiro); e finalmente, fomos &agrave; &Oacute;pera ver &quot;Faust&quot; (por Ant&oacute;nio Louren&ccedil;o).</p>
<p>Daniel Ribas e Pedro Flores (editores da Revista APAD)</p>
 <div class='series_links'> <a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Nuno Artur Silva sobre as PF</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[produções fictícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Nuno Artur Silva é o director-geral das Produções Fictícias, a mais dinâmica e importante empresa de guionistas portuguesa. Esta é uma entrevista onde se percebe como funciona, por dentro, um colectivo de criadores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li>Nuno Artur Silva sobre as PF</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p><em><br />
Nuno Artur Silva &eacute; um dos rostos mais vis&iacute;veis das <a href="http://www.producoesficticias.pt/" target="_blank">Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias</a>, uma empresa exclusivamente de argumentistas que domina o mercado nacional de fic&ccedil;&atilde;o. Eis um bom pretexto para uma entrevista e para perceber como nasce, cresce e solidifica uma empresa de sucesso.</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-445" style="width: 426px; height: 221px;" title="entrevista_nuno_artur_silva" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/entrevista_nuno_artur_silva.jpg" alt="entrevista_nuno_artur_silva" /></p>
<p><strong>APAD &#8211; Pode explicar-nos como surgiram as Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias? Em que momento e de que forma se transformam numa empresa?</strong> Nuno Artur Silva &#8211; Eu trabalhava como freelancer, escrevendo textos para publica&ccedil;&otilde;es e teatro, por iniciativa pr&oacute;pria, a maior parte das vezes fazendo eu pr&oacute;prio de ra&iacute;z as edi&ccedil;&otilde;es e as produ&ccedil;&otilde;es. Durante v&aacute;rios anos tentei apresentar projectos &agrave; &uacute;nica esta&ccedil;&atilde;o existente, a RTP, sem &ecirc;xito. Por fim, no in&iacute;cio dos anos 90, consegui ter uma reuni&atilde;o com o Jos&eacute; Nuno Martins, na altura um dos directores da RTP2. Ele passou os meus textos para o Z&eacute; Pedro Gomes e o Miguel Guilherme, que estavam &agrave; procura de um autor para os sketches que iam fazer no programa do Joaquim Letria. Eles convidaram-me para escrever para eles (depois saiu o Miguel e entrou o Ant&oacute;nio Feio) e desde a&iacute; comecei a trabalhar regularmente para televis&atilde;o. O convite seguinte veio do Herman, ainda estava a trabalhar com o Z&eacute; Pedro e o Ant&oacute;nio. O Herman come&ccedil;ou por me convidar para fazer as aberturas de stand up do novo programa dele, o Parab&eacute;ns. Depois desafiou-me para cr&oacute;nicas de r&aacute;dio e entrevistas hist&oacute;ricas. Nesta fase j&aacute; n&atilde;o conseguia fazer tudo sozinho, ainda por cima continuando a dar aulas de Portugu&ecirc;s no liceu, e desafiei os meus amigos dos projectos de teatro e edi&ccedil;&otilde;es. O Miguel Viterbo, o Rui Cardoso Martins e o Jos&eacute; de Pina. Em 1993 come&ccedil;&aacute;mos a assinar com o nome Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias. A ideia inicial era fazer fic&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o s&oacute; humor. Mas os convites que apareciam, e apareciam cada vez mais nesse ano em que abriram os canais privados, eram para programas de humor. Estivemos tr&ecirc;s anos a trabalhar na casa uns dos outros, sem grande organiza&ccedil;&atilde;o. E &eacute;ramos cada vez mais: primeiro veio o Nuno Markl, depois a Patr&iacute;cia Castanheira, a Maria Jo&atilde;o Cruz, o Jo&atilde;o Quadros. Em 1996, eu deixei de dar aulas e decidi formalizar as Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias como empresa.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Qual &eacute; a estrutura em que assentam as PF? Pode-nos explicar o que s&atilde;o os Autores Associados?</strong> NAS &#8211; Em quinze anos as PF foram evoluindo e desenvolveram novas &aacute;reas de actua&ccedil;&atilde;o. Hoje em dia definimo-nos como rede criativa. No essencial &eacute; um modelo que vive da liga&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios departamentos: Original, Ag&ecirc;ncia, New Media, J&uacute;nior, Empresas, Forma&ccedil;&atilde;o e Produ&ccedil;&atilde;o. A marca principal e o centro de actividade s&atilde;o o mesmo de sempre, a cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos originais e a ag&ecirc;ncia de autores e marcas.  Os autores associados s&atilde;o autores representados pelas PF, que se caracterizam por escreverem para v&aacute;rios meios e plataformas, e por terem uma liga&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima e privilegiada com a empresa, n&atilde;o s&oacute; no sentido de poderem participar de diferentes maneiras nos diversos projectos da rede criativa, como tamb&eacute;m no sentido de poderem ver os seus projectos individuais apoiados e desenvolvidos pelas estruturas das PF.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como nascem os projectos? Partem de uma pessoa, de brain-stormings criativos, ou s&atilde;o na sua maioria encomendas? Pode dar-nos exemplos?</strong> NAS &#8211; Nascem de todas as maneiras que podem nascer. Ou por iniciativa da empresa, isto &eacute;, dos directores de departamentos ou da direc&ccedil;&atilde;o geral, que prop&otilde;em ideias e formatos aos autores, ou por iniciativa dos autores, que podem abrir os seus projectos a outros autores ou simplesmente pedir apoio para o desenvolvimento deles; ou ainda por encomenda ou desafio exterior &agrave;s Produ&ccedil;&otilde;es. Exemplos s&atilde;o muitos: O Inimigo P&uacute;blico nasce de uma ideia exterior &agrave;s Produ&ccedil;&otilde;es, o Daniel Deusdado prop&otilde;e-nos fazer um jornal sat&iacute;rico, depois de estudada a hip&oacute;tese, decidimos apresentar o projecto ao P&uacute;blico, quando o P&uacute;blico aprova, convidamos o Lu&iacute;s Pedro Nunes para director e montamos um equipa a partir dos nossos autores e de outros exteriores &agrave;s PF. Os Contempor&acirc;neos partem de uma encomenda da RTP para um programa de humor, de sketches, com um grupo de novos actores, incluindo o Bruno Nogueira. N&oacute;s, PF Original, cri&aacute;mos o conceito, format&aacute;mos e escolhemos as equipas de autores, actores e produ&ccedil;&atilde;o (obviamente, com a aprova&ccedil;&atilde;o da RTP). Terceiro exemplo, Gato Fedorento, o conceito e todo o projecto s&atilde;o dos quatro Gatos, as PF agenciam e produzem. Etc, etc, etc. Cada projecto tem um modelo pr&oacute;prio.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como funciona a escrita em equipa? Que m&eacute;todos s&atilde;o usados para que o trabalho seja simultaneamente criativo e produtivo? </strong> NAS &#8211; H&aacute; sempre um respons&aacute;vel pelo trabalho, normalmente um criativo s&eacute;nior (ou excepcionalmente dois) isto &eacute;, com experi&ecirc;ncia, que deve criar as condi&ccedil;&otilde;es para que os outros autores estejam motivados e d&ecirc;em o seu melhor.</p>
<p><strong>APAD &#8211; As PF s&atilde;o conhecidas pelo humor mas nos &uacute;ltimos anos tem escrito em quase todos os formatos, desde seriados at&eacute; telefilmes. Como &eacute; que escolhe o(s) argumentista(s) certos para cada projecto?</strong> NAS &#8211; Ao escolhermos as equipas temos que conhecer muito bem as caracter&iacute;sticas de todos os autores, associados e agenciados das PF e temos de ter em conta n&atilde;o s&oacute; as caracter&iacute;sticas de escrita como tamb&eacute;m outras mais relacionadas com a capacidade de trabalhar em equipa, de reescrever e alterar as ideias e os gui&otilde;es, em tempo &uacute;til, e tamb&eacute;m de apresentar solu&ccedil;&otilde;es para os inevit&aacute;veis problemas de produ&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m, claro, do fundamental, que &eacute; ir ao encontro do que os autores querem fazer.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Hoje em dia as PF j&aacute; n&atilde;o escrevem apenas gui&otilde;es. Como foi o crescimento das PF? Houve necessidade de evoluir noutras direc&ccedil;&otilde;es? Porque come&ccedil;aram a produzir os vossos textos?</strong> A entrada do autor nos cr&eacute;ditos de produ&ccedil;&atilde;o tem a ver essencialmente com o controlo criativo. Em processos de produ&ccedil;&atilde;o colectiva, normalmente sob press&atilde;o de tempo e dinheiro, como &eacute; a televis&atilde;o ou o cinema &eacute; muito dif&iacute;cil defender as ideias e a hist&oacute;ria original. Essa defesa do nosso trabalho tem mais condi&ccedil;&otilde;es de ser bem sucedida se os autores tiverem uma palavra a dizer no final cut e na direc&ccedil;&atilde;o de todo o processo. O facto de ser co-produtor pode implicar risco financeiro mas tamb&eacute;m pode implicar um ganho financeiro acrescido, para al&eacute;m do ganho como autores.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como funciona a rela&ccedil;&atilde;o de uma produtora de conte&uacute;dos com as esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o? O que acha do presente estado do audiovisual portugu&ecirc;s?</strong> NAS &#8211; Depende de quem est&aacute; &agrave; frente, quer da produtora de conte&uacute;dos, quer da esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o, claro. Funcionamos da simples encomenda &agrave; boa coopera&ccedil;&atilde;o criativa. E &agrave;s vezes &agrave; pura aus&ecirc;ncia de contacto. Sobre o presente estado do audiovisual portugu&ecirc;s, &eacute; dif&iacute;cil sintetizar tudo numa resposta de question&aacute;rio. Vamos tentar por t&oacute;picos: as televis&otilde;es continuam a n&atilde;o investir o suficiente na diversidade dos modelos de fic&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m das telenovelas; os canais cabo n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro para criar s&eacute;ries alternativas; o &uacute;nico g&eacute;nero que vive um momento de criatividade assinal&aacute;vel &eacute; o humor porque consegue existir com or&ccedil;amentos baixos; a televis&atilde;o generalista portuguesa &eacute; genericamente deprimente e tende a piorar; o cinema portugu&ecirc;s procura novos modos de produ&ccedil;&atilde;o e financiamento, mas ainda n&atilde;o &eacute; clara a distin&ccedil;&atilde;o entre o ICA e o FICA, faltam novos produtores, e continua-se a n&atilde;o investir no essencial: hist&oacute;rias, argumentos; o meu optimismo inabal&aacute;vel acredita que a situa&ccedil;&atilde;o h&aacute;-de melhorar.</p>
<p><strong>APAD &#8211; At&eacute; onde podem ir as PF? O que &eacute; que gostariam de fazer? O que &eacute; que n&atilde;o fariam nunca?</strong> NAS &#8211; O que n&oacute;s gost&aacute;vamos era de n&atilde;o estar t&atilde;o dependentes de contratos pontuais avulsos, gost&aacute;vamos de poder desenvolver projectos com um horizonte temporal mais alargado, gost&aacute;vamos de, para al&eacute;m de ter contratos para um programa, ter contratos-programa. Gost&aacute;vamos de n&atilde;o estar t&atilde;o dependentes da decis&atilde;o de apenas dois ou tr&ecirc;s directores de programas para poder colocar as nossas s&eacute;ries no ar, gost&aacute;vamos que houvesse mais canais, mais esta&ccedil;&otilde;es, mais hip&oacute;teses de distribui&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o gostar&iacute;amos de chegar a uma situa&ccedil;&atilde;o em que temos de fazer coisas em que n&atilde;o acreditamos para sobreviver.</p>
<p><strong>APAD &#8211; As PF s&atilde;o a maior empresa portuguesa de argumento. Acha que h&aacute; um humor PF? Ou uma escrita PF?</strong> NAS &#8211; Dentro das PF h&aacute; muitos autores e, portanto, muitos estilos diferentes. O que n&oacute;s queremos, cada vez mais, &eacute; deixar na retaguarda a marca PF e dar a conhecer o trabalho de cada um dos autores. &Eacute; um processo natural, primeiro foi uma batalha para nos impormos como uma equipa de argumentistas, para criar a marca PF. Agora &eacute; a pr&oacute;pria marca que esconde, obviamente de forma involunt&aacute;ria, o nome dos autores que aqui trabalham. O nosso esfor&ccedil;o tem sido, j&aacute; desde h&aacute; algum tempo, promover esses autores e criar condi&ccedil;&otilde;es para eles desenvolverem o seu trabalho e serem reconhecidos. H&aacute; uma marca PF, mas ela &eacute; feita das marcas que &eacute; capaz de gerar e pelos autores independentes que nela trabalham.</p>
<p><strong>APAD &#8211; De que forma as PF se t&ecirc;m adaptado &agrave;s novas tecnologias (Internet, telem&oacute;vel)?</strong> NAS &#8211; Desde logo percebendo que criar um conte&uacute;do hoje &eacute; pensar na sua exist&ecirc;ncia nas diversas plataformas, nomeadamente nas emergentes. E depois criando um departamento pr&oacute;prio, o PF New Media, com uma estrat&eacute;gia pr&oacute;pria, articulada com a rede PF. Um departamento que, num curto espa&ccedil;o de tempo, organizou o primeiro Festival de Microfilmes de Lisboa, fez o primeiro programa para Mobile TV (&ldquo;Quinze&rdquo;) e, com o SAPO V&iacute;deos, montou a primeira televis&atilde;o de entretenimento independente online, em Portugal, o PFtv.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como escritor e criativo o Nuno tem com certeza tamb&eacute;m o seu m&eacute;todo. Escreve todos os dias? Em que lugar ou momento sente que est&aacute; mais inspirado? Como organiza as suas ideias e projectos?</strong> NAS &#8211; Tenho ideias todos os dias e todos os dias tomo notas dessas ideias e das suas possibilidades. Depois procuro encontrar momentos em que possa estar focado na escrita e desenvolvimento dessas ideias. Desde que apresent&aacute;mos a nova estrutura e estrat&eacute;gia das PF, no dia 20 de Janeiro, com a nova distribui&ccedil;&atilde;o de trabalho, ganhei tempo para os meus projectos de autoria mais pessoal. Ao fim de quinze anos, j&aacute; era tempo de delegar fun&ccedil;&otilde;es organizativas e de representa&ccedil;&atilde;o e neg&oacute;cio. E est&atilde;o muito bem delegadas. Mantenho as fun&ccedil;&otilde;es de direc&ccedil;&atilde;o geral e estrat&eacute;gica mas agora posso dedicar-me mais ao meu trabalho como autor associado das PF.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Se algum jovem guionista quiser mostrar o seu trabalho &agrave;s PF, como deve fazer? H&aacute; espa&ccedil;o para novos autores nas PF? Tem algum conselho para quem esteja a come&ccedil;ar?</strong> NAS &#8211; As PF est&atilde;o sempre abertas e interessadas em novas ideias e novos autores. Quem quiser pode apresentar o seu trabalho. Mas &eacute; fundamental perceber que n&atilde;o basta ter uma ideia, &eacute; preciso apresent&aacute;-la e defend&ecirc;-la e depois, claro, saber desenvolv&ecirc;-la. Um bom caminho &eacute; frequentar os nossos workshops.</p>
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		<title>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[adriano luz]]></category>
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		<description><![CDATA[Adriano Luz é o actual director da Casa da Criação. Motivo mais do que suficiente para um conversa sobre como se organiza, hoje, uma empresa de guionistas que trabalha todos os dias para alguns dos sucessos mais conhecidos da TVI.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
<em>Adriano Luz &eacute; um dos actores mais conhecidos do cinema e televis&atilde;o portuguesas. Contudo, a nossa entrevista tem outro prop&oacute;sito: falar da <a target="_blank" href="http://www.casadacriacao.pt">Casa da Cria&ccedil;&atilde;o</a>, da qual Adriano Luz &eacute; o director. A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; uma empresa de guionistas do grupo Plural Entertainment (ex-NBP) e &eacute; o grupo respons&aacute;vel por grande parte dos sucessos actuais da TVI. O exemplo m&aacute;ximo &eacute; o mega-sucesso &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot;.</em></p>
<p><img width="193" height="175" alt="190111" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/190111.jpg" title="190111" class="alignnone size-full wp-image-432" /></p>
<p><strong>APAD &#8211; Pode explicar-nos como surgiu a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> Adriano Luz &#8211; Quando a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o surgiu eu ainda n&atilde;o estava na NBP &#8211; agora Plural Entertainment. E ela nasceu pela necessidade de o grupo ter um gabinete de escrita que pudesse ser um dos p&oacute;los onde se desenvolvia projectos para televis&atilde;o. De princ&iacute;pio ele era gerido por um autora &#8211; a Maria Jo&atilde;o Mira &#8211; e tinha, fundamentalmente, jovens guionistas. Neste momento a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; isso. &Eacute; dirigido por mim, que n&atilde;o sou autor. Eu tenho, se quiser, um olhar que &eacute; mais da realiza&ccedil;&atilde;o, da dramaturgia. Fa&ccedil;o uma ponte entre os autores &#8211; os jovens guionistas iniciais evolu&iacute;ram para autores. Por isso, neste momento temos alguns autores e muitos guionistas.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como est&aacute; estruturada a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o funciona assim: temos coordenadores de projecto e, actualmente, tr&ecirc;s equipas a escrever em simult&acirc;neo. Essas tr&ecirc;s equipas s&atilde;o dirigidas por um coordenador, que &eacute;, normalmente, o autor da ideia ou do desenvolvimento da ideia da sinopse inicial. Essa pessoa coordena uma equipa de 5, 6 guionistas e fazemos um entrega semanal, em m&eacute;dia, de cinco ou seis gui&otilde;es. Este coordenador tem como fun&ccedil;&atilde;o principal responder pela qualidade e pelo resultado final das novelas.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; que os projectos nascem? Da NBP? </strong> AL &#8211; Normalmente os projectos n&atilde;o v&ecirc;m da NBP. N&oacute;s desenvolvemos na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o projectos, ideias e sinopses que muitas vezes s&atilde;o afectadas pelo cliente. Por hip&oacute;tese: o cliente pode pedir que o projecto n&atilde;o se passe no local x, mas sim no local y, por uma quest&atilde;o de estrat&eacute;gia, muitas vezes da pr&oacute;pria empresa, neste caso a TVI. A partir de uma ideia nossa (Casa da Cria&ccedil;&atilde;o), ela depois &eacute; afectada por op&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es da realiza&ccedil;&atilde;o do grupo da Plural Entertainment e tamb&eacute;m pela TVI. H&aacute; uma quantidade de pessoas que afectam a sinopse final. Desde o realizador, que &eacute; o director-geral do projecto at&eacute; &agrave; TVI. Vou-lhe dar um exemplo: eu pe&ccedil;o a tr&ecirc;s ou quatro dos nossos autores para me apresentarem projectos de uma pr&oacute;xima novela. Depois apresentamos aqui internamente e avaliamos, tamb&eacute;m, dentro da Plural Entertainment. E depois &eacute; apresentada &agrave; TVI e a TVI decide qual &eacute; a sinopse que mais lhe interessa fazer num determinado momento. Mas tamb&eacute;m pode acontecer o contr&aacute;rio: ser encomendada &agrave; Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, como hip&oacute;tese, uma ideia para ser escrita uma novela que comece, eventualmente, nos A&ccedil;ores ou na Madeia ou em Tr&aacute;s-os-Montes. Isto &eacute;, n&atilde;o &eacute; tanto no conte&uacute;do, mas &agrave;s vezes algumas balizas s&atilde;o atiradas &agrave; Casa da Cria&ccedil;&atilde;o ou pela TVI ou pela pr&oacute;pria Plural.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; mais conhecida pelas telenovelas da TVI. Pode dizer-nos que outro tipo de projectos a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o est&aacute; a escrever?</strong> AL &#8211; A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o escreve para l&aacute; das telenovelas. Os projectos que t&ecirc;m mais visibilidade s&atilde;o, claro, as telenovelas (j&aacute; que s&atilde;o aquelas que t&ecirc;m uma produ&ccedil;&atilde;o continuada). O que n&atilde;o invalida que n&oacute;s tenhamos outro tipo de projectos, ainda que n&atilde;o estejam a ser feitos actualmente. O que n&oacute;s temos em carteira s&atilde;o s&eacute;ries, um projecto para telem&oacute;veis (que chegamos a gravar dois epis&oacute;dios de dois minutos cada), e temos um projecto para uma esp&eacute;cie de foto-novela. N&oacute;s temos estes projectos s&oacute; que, &agrave;s vezes, n&atilde;o encontramos interlocutores, nem clientes. E as telenovelas ocupam-nos muito tempo. Tamb&eacute;m escrevemos na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o alguns &quot;Casos da Vida&quot; (que &eacute; uma s&eacute;rie que se afasta do conceito das novelas). Temos tamb&eacute;m um filme escrito para os &quot;Morangos&quot;, e eu espero que ele venha a ser rodado. Est&aacute; acabado e aprovado pela TVI, s&oacute; falta mesmo encontrarmos o <em>timing</em> certo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Pode-nos dizer qual &eacute; o r&aacute;cio actual entre as telenovelas adaptadas de formatos estrageiros e aquelas que s&atilde;o ideias originais da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; Neste momento s&oacute; temos uma adapta&ccedil;&atilde;o que &eacute; o &quot;Lalola&quot;. De resto, tudo &eacute; original: &quot;A Doce Fugitiva&quot; (j&aacute; acabamos de a escrever, mas ainda n&atilde;o acabou de ser gravada), &quot;A Vida Inteira&quot; (que estamos agora a escrever), os &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot; (j&aacute; com seis anos). J&aacute; agora digo-lhe os autores da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o: a Patr&iacute;cia Muller (&quot;A Vida Inteira&quot;), a Sandra Santos (&quot;A Doce Fugitiva&quot;), o Jos&eacute; Pinto Carneiro (que tem feito os &uacute;ltimos &quot;Morangos&quot;) e o Ant&oacute;nio Barreira (que esteve no &quot;Fasc&iacute;nios&quot;). Estes s&atilde;o os nossos autores que mais projectos desenvolvem.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; o m&eacute;todo de trabalho di&aacute;rio na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; Ainda que n&atilde;o havendo um hor&aacute;rio muito espec&iacute;fico, h&aacute; um consenso entre as 10h e as 18h. Cada equipa de guionistas est&aacute; em salas diferentes, escrevem em mesas comuns onde a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil (os guionistas n&atilde;o est&atilde;o isolados), e onde est&atilde;o todos a olhar uns para os outros, para que possa haver di&aacute;logo. A escrita &eacute; muito uma escrita em grupo. Depois temos uma sala de reuni&otilde;es grande, onde cada equipa faz reuni&otilde;es de plano, onde fazem a planifica&ccedil;&atilde;o de alguns epis&oacute;dios. Depois de fazerem a planifica&ccedil;&atilde;o de 20 epis&oacute;dios (normalmente s&atilde;o 20), fazem o que n&oacute;s chamamos as grelhas de cada epis&oacute;dio. Essa grelha &eacute; depois aprovada pelo coordenador e s&oacute; depois de aprovada a grelha &eacute; que se passa para a parte dos di&aacute;logos e do desenvolvimento das cenas. Esta &eacute; a metodologia da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o que j&aacute; &eacute; anterior a mim, mas pareceu sempre que funciona.</p>
<p><strong>APAD &#8211; H&aacute; uns tempos t&iacute;nhamos a ideia de que a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o tinha um r&aacute;cio de escrever um epis&oacute;dio por dia. Isso ainda &eacute; assim?</strong> AL &#8211; Sim, sim. Tem que ser. Um &eacute; o m&iacute;nimo, que &eacute; para entregar cinco epis&oacute;dios por semana. &Agrave;s vezes ter&aacute; que ser mais um bocadinho, mas menos nunca ser&aacute;.</p>
<p><strong>APAD &#8211; J&aacute; nos falou das vossas salas e gostar&iacute;amos de saber que tipo de preocupa&ccedil;&otilde;es tiveram no espa&ccedil;o, j&aacute; que &eacute; um espa&ccedil;o para criativos.</strong> AL &#8211; &Eacute; essencial ter luz. N&atilde;o conhece o espa&ccedil;o?</p>
<p><strong>APAD &#8211; Voc&ecirc;s tinham antes um espa&ccedil;o no Estoril.</strong> AL &#8211; Sim, esse no Estoril era numa vivenda. Os autores preferem estar no centro de Lisboa, mesmo que n&atilde;o vivam em Lisboa (&eacute; uma quest&atilde;o de estar mais perto do mundo). As nossas salas s&atilde;o amplas, s&atilde;o mesas &uacute;nicas grandes, cada um no seu computador e todos virados uns para os outros. E todas estas salas d&atilde;o para a rua (&eacute; na Rua do Alecrim) e portanto t&ecirc;m imensa luz. Temos tamb&eacute;m uma cozinha para alguns que mandam vir comida (os nossos guionistas para al&eacute;m do sal&aacute;rio, t&ecirc;m um subs&iacute;dio de refei&ccedil;&atilde;o). E a cozinha tamb&eacute;m serve de sala de fumo. Depois temos o gabinete da L&uacute;cia Feitosa, que &eacute; a pessoa que trabalha comigo na direc&ccedil;&atilde;o da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o e temos o meu gabinete para quando l&aacute; vou. Temos tamb&eacute;m uma sala de massagens, para uma massagista que l&aacute; vai duas vezes por m&ecirc;s (duas vezes por m&ecirc;s sem encargo nenhum para os autores). Eu intervenho mais no in&iacute;cio das telenovelas do que quando elas j&aacute; est&atilde;o em velocidade cruzeiro. Ou intervenho quando h&aacute; algum &quot;problema&quot; entre a produ&ccedil;&atilde;o e a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Acha que j&aacute; h&aacute; algum tipo de linguagem Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; Eu acho que sim. Se me perguntar se eu sei definir, eu n&atilde;o sei. N&oacute;s j&aacute; tivemos alturas em que as novelas que estavam a dar desde as 19h at&eacute; &agrave; noite eram da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o. E com &ecirc;xito. Neste momento &eacute; &quot;A Doce Fugitiva&quot; e os &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot; (a&iacute; sim, j&aacute; acho que h&aacute; uma marca Morangos). Quando a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, h&aacute; anos a esta parte, tem pelo menos uma telenovela antes do prime-time e, pelo menos, outro no prime-time deve haver (e h&aacute;, seguramente) uma marca Casa da Cria&ccedil;&atilde;o. Se h&aacute; uma linguagem eu n&atilde;o sei, porque todos os autores s&atilde;o diferentes e &eacute; natural e saud&aacute;vel que haja mudan&ccedil;as. Provavelmente quando a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o era dirigida pela Maria Jo&atilde;o Mira era mais prov&aacute;vel que essa marca fosse n&iacute;tida, j&aacute; que tudo era filtrado pela sensibilidade da Maria Jo&atilde;o Mira. Como agora n&atilde;o &eacute; filtrado pela sensibilidade de uma s&oacute; pessoa &#8211; &eacute; filtrado por cada autor &#8211; &eacute; prov&aacute;vel que haja mais diversidade.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como falou que tem uma vis&atilde;o um pouco exterior do mundo dos guionistas, acha que actualmente, no panorama do audiovisual portugu&ecirc;s, os guionistas passaram a ser uma parte importante do processo?</strong> AL &#8211; Eu acho que os argumentistas ganharam import&acirc;ncia. Ainda n&atilde;o &eacute; como no Brasil onde os guionistas s&atilde;o verdadeiras vedetas. Mas, no guionismo para televis&atilde;o, os guionistas t&ecirc;m import&acirc;ncia. H&aacute; uns anos atr&aacute;s, quando eu entrei para a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &#8211; e n&atilde;o tenho qualquer m&eacute;rito no que vou dizer, porque foi para a&iacute; que as coisas caminharam &#8211; qualquer um dos guionistas que l&aacute; estava &#8211; e eles sabem &#8211; eram descart&aacute;veis. Neste momento h&aacute; guionistas na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m uma import&acirc;ncia para a empresa e para a TVI que jamais tiveram h&aacute; tr&ecirc;s anos atr&aacute;s. Neste momento j&aacute; s&atilde;o pessoas quase imprescind&iacute;veis para o grupo e para a TVI. Mas temos mais guionistas para al&eacute;m da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o (falando do ponto de vista do cliente TVI): o Rui Vilhena, a Maria Jo&atilde;o Mira, Toz&eacute; Martinho, t&ecirc;m uma import&acirc;ncia capital para a TVI. O que me agrada &eacute; que, para al&eacute;m destes que s&atilde;o os mais velhos, os nossos jovens guionistas (digo jovens porque andam na gera&ccedil;&atilde;o dos 30) tamb&eacute;m t&ecirc;m uma import&acirc;ncia para a TVI. J&aacute; n&atilde;o s&atilde;o os mi&uacute;dos da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o guionistas respeitados e considerados e imprescind&iacute;veis para a TVI.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Do ponto de vista mais geral &#8211; televis&atilde;o e cinema &#8211; como acha que est&aacute; o actual panorama?</strong> AL &#8211; Eu tenho uma opini&atilde;o da voca&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o que n&atilde;o &eacute; exactamente a mesma no cinema. Algum do cinema que anda a ser feito preocupa-me um bocado. Eu chamo-lhe televis&atilde;o em ecr&atilde; grande. &Eacute; um cinema em que eu, como actor, n&atilde;o me revejo de forma alguma. E estou a falar de filmes como &quot;Second Life&quot;, eventualmente o &quot;Contrato&quot;, &quot;Corrup&ccedil;&atilde;o&quot; e outro que tais. Se &eacute; por aqui que n&oacute;s criamos a ind&uacute;stria de cinema, tenho as minhas d&uacute;vidas. Se calhar aqui em Portugal conseguimos fazer ind&uacute;strias de alheiras de Mirandela, mas se tentarmos fazer salsichas iguais &agrave;s alem&atilde;s n&atilde;o vamos conseguir fazer. O que est&aacute; a acontecer com o cinema &eacute; que n&atilde;o &eacute; nada espec&iacute;fico portugu&ecirc;s. &Eacute; um cinema igual ao que vemos ali ao lado, mas o outro &eacute; melhor. &Eacute; um cinema que n&atilde;o me interessa a mim. Mas mais importante do que isso: n&atilde;o sei se &eacute; por ali que se faz uma ind&uacute;stria de cinema. N&atilde;o foi assim que os espanh&oacute;is fizeram a ind&uacute;stria de cinema. E agora j&aacute; se est&aacute; a fazer filmes em ingl&ecirc;s, que eu acho at&eacute; um bocadinho parolo.  Mas, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; televis&atilde;o, j&aacute; acho diferente, porque a nossa fic&ccedil;&atilde;o para televis&atilde;o s&atilde;o as telenovelas e, muito provavelmente, para o ano que vem, depois deste tempo de crise, acho que nos podemos dar por satisfeitos de como est&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o. Fez-se o &quot;Equador&quot;, o que &eacute; um grande m&eacute;rito da TVI e da Plural, mas n&atilde;o sei se t&atilde;o cedo h&aacute; vontade financeira para gerar um projecto t&atilde;o caro como o &quot;Equador&quot; foi. Duvido que as televis&otilde;es em geral v&atilde;o gastar dinheiro em fic&ccedil;&atilde;o. O mercado publicit&aacute;rio est&aacute; a retrair-se e quando a publicidade se retrai tudo o resto se retrai.  No caso do cinema acho que, neste momento, h&aacute; um n&oacute; com a vinda destes novos produtores, que eu conhe&ccedil;o (por exemplo, o Alexandre Valente quando ele trabalhava para o Paulo Branco). H&aacute; um nova vontade de fazer filmes como &quot;O Crime do Padre Amaro&quot; ou &quot;Am&aacute;lia&quot;. Contudo, enquanto eu percebo o &quot;Am&aacute;lia&quot; j&aacute; n&atilde;o consigo perceber o &quot;Second Life&quot;, nem o novo filme do Leonel Vieira (de quem eu gosto imenso) falado em ingl&ecirc;s. Isso &eacute; que me confunde um bocado, ao n&atilde;o perceber bem o que se quer fazer com o cinema. A televis&atilde;o, neste aspecto, &eacute; mais clara, tem objectivos mais claros: criar audi&ecirc;ncia, e est&aacute; a faz&ecirc;-lo. Pode dizer-me que o cinema tamb&eacute;m est&aacute; a tentar faz&ecirc;-lo, mas o problema &eacute; que aquele modelo se vai esgotar. E as audi&ecirc;ncias que o cinema tem? Por exemplo, o &quot;Corrup&ccedil;&atilde;o&quot; estava a pensar fazer muito mais do que o que fez.  Claro que os &quot;Morangos&quot; tamb&eacute;m &eacute; um bocadinho desse cinema e eu n&atilde;o duvido que v&aacute; ser um &ecirc;xito, j&aacute; que &eacute; uma marca que est&aacute; feita. Ah! A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m j&aacute; escreveu alguns textos de teatro quer para os &quot;Morangos&quot; quer para outras coisas mais pioneiras, como, por exemplo, para uma pe&ccedil;a de teatro que eu encenei. Quanto mais a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o brincar nestes dom&iacute;nios (que n&atilde;o s&atilde;o a sua praia) melhor ser&aacute;, mais coisas aprendem. Ent&atilde;o se n&oacute;s falarmos de teatro, h&aacute; muito poucos a escreverem teatro em Portugal. E com a carpintaria pr&oacute;pria do teatro, provavelmente s&oacute; a Lu&iacute;sa Costa Gomes e mais ningu&eacute;m.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Se algum jovem guionista quiser mostrar o seu trabalho &agrave; Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, como deve fazer? H&aacute; espa&ccedil;o para novos autores na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o? Tem algum conselho para quem esteja a come&ccedil;ar? </strong> AL &#8211; O nosso modelo de gest&atilde;o n&atilde;o &eacute; exactamente como o das Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias. As pessoas que entram para a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o s&atilde;o contratadas, h&aacute; um ordenado. A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; uma empresa que tem todos os dias telenovelas no ar. O trabalho na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; por objectivos, embora haja pr&eacute;mios quando as novelas s&atilde;o aumentadas. O que eu quero dizer com isto &eacute; que, neste momento, eu n&atilde;o posso meter ningu&eacute;m. Eu fa&ccedil;o um esfor&ccedil;o tremendo para n&atilde;o ter que dispensar ningu&eacute;m. E sentimos que o que a&iacute; vem n&atilde;o vai ser melhor. A ser, &eacute; pior. Neste momento n&oacute;s temos que fazer uma gin&aacute;stica para nos mantermos todos. N&atilde;o estou a dizer que &eacute; uma gin&aacute;stica imposs&iacute;vel, porque vai ser poss&iacute;vel, seguramente. Normalmente, o que n&oacute;s fazemos quando precisamos de algu&eacute;m, &eacute; abrir um concurso. Tem sido assim que as pessoas t&ecirc;m entrado. N&atilde;o quer dizer que n&atilde;o o voltemos a fazer. Vamos voltar a faz&ecirc;-lo assim que sintamos necessidade. Mas t&atilde;o cedo, confesso que n&atilde;o estou &agrave; espera de meter pessoas.</p>
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		<title>Nuno Bernardo sobre a beActive</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:44:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[beActive]]></category>
		<category><![CDATA[diário de sofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Nuno Bernardo é o principal responsável pela beActive uma produtora que tem conquistado o mundo com novos conteúdos televisivos para os novos media: telemóvel e internet. Pretexto para perceber como funciona a empresa e de que forma são escritos os seus guiões.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li>Nuno Bernardo sobre a beActive</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
<em>Nuno Bernardo &eacute; o principal respons&aacute;vel pela beActive uma produtora que tem conquistado o mundo com novos conte&uacute;dos televisivos para os novos media: telem&oacute;vel e internet. Pretexto para perceber como funciona a empresa e de que forma s&atilde;o escritos os seus gui&otilde;es.</em></p>
<p><img width="368" height="243" alt="nunobernardo" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/nunobernardo.jpg" title="nunobernardo" class="alignnone size-full wp-image-465" /></p>
<p><strong>APAD &#8211; Pode explicar-nos o que &eacute; a beActive? Que projectos e produtos t&ecirc;m? O que &eacute; que a diferencia das demais produtoras?</strong> Nuno Bernardo: A beActive &eacute; uma empresa especializada na produ&ccedil;&atilde;o de entretenimento com uma filosofia multiplataforma. Nascida em 2002, a empresa desde sempre se focou em cruzar medias tradicionais &ndash; TV, R&aacute;dio, Imprensa &ndash; com os novos medias, nomeadamente a Internet e os Telem&oacute;veis. Al&eacute;m deste foco numa produ&ccedil;&atilde;o para diversos medias, a empresa aposta muito na internacionaliza&ccedil;&atilde;o como forma de expans&atilde;o da sua actividade comercial. Foi a primeira produtora nacional a vender um formato &ldquo;made in Portugal&rdquo; a n&iacute;vel internacional, assinando um contrato de co-produ&ccedil;&atilde;o com um dos maiores est&uacute;dios de Hollywood, a Sony Pictures Television.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como nascem os projectos da beActive? Quem os cria? Como se decide em que projecto apostar?</strong> NB: Os produtos desenvolvidos pela beActive nascem dentro da empresa, a partir do trabalho dos guionistas permanentes da empresa (em staff ou em regime de colabora&ccedil;&atilde;o). O trabalho de desenvolvimento foca-se em criar projectos com viabilidade comercial (a partir da nossa presen&ccedil;a nos principais mercados internacionais), com uma vertente multiplataforma e que acima de tudo conte uma hist&oacute;ria universal, capaz de atrair audi&ecirc;ncias nos quatro cantos do mundo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como desenvolvem uma ideia de forma a poder ser um projecto vend&aacute;vel? A que elementos d&atilde;o mais import&acirc;ncia?</strong> NB: O processo que leva uma ideia at&eacute; ao produto final pode ser um caminho algo tortuoso, que nos ocupa v&aacute;rios anos, ou algo que se desenvolve em dois ou tr&ecirc;s meses, como foi o caso do T2 para 3. O projecto vend&aacute;vel em &uacute;ltima an&aacute;lise definido pelo mercado: normalmente levamos as ideias &agrave;s feiras e mercados internacionais e &eacute; a partir da interac&ccedil;&atilde;o com distribuidores e canais de TV internacionais que percebemos quais s&atilde;o as ideias mais vi&aacute;veis, aquelas que vale a pena apostar e aquelas que talvez devam voltar &agrave; gaveta!</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; o processo de escrita de cada projecto? Por quantas m&atilde;os passa at&eacute; &agrave; vers&atilde;o final do gui&atilde;o?</strong> NB: N&oacute;s tentamos que o Gui&atilde;o passe pelo maior n&uacute;mero de m&atilde;os poss&iacute;veis. Por exemplo, terminamos agora a escrita de 22 epis&oacute;dios da nova temporada da s&eacute;rie T2 para 3, que contou com 6 guionistas, em diferentes partes do processo criativo. Por exemplo, tivemos um guionista s&oacute; a escrever os di&aacute;logos de duas personagens. O nosso objectivo &eacute; reunir as melhores pessoas &agrave; volta das nossas hist&oacute;rias, isto porque n&atilde;o existem dois guionistas iguais: uns s&atilde;o melhores a estruturar hist&oacute;rias, outros a escrever di&aacute;logos, outros em drama e outros em com&eacute;dia. Por isso achamos que reunir todos estes talentos complementares, adicionando muito script editing, ir&aacute;, certamente fortalecer os gui&otilde;es.</p>
<p><strong>APAD &#8211; O Di&aacute;rio de Sofia distingue-se pela sua interactividade, isto &eacute;, pela participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico na constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria. Acha que futuro passa pelo envolvimento cada vez maior do espectador? </strong>NB: Acho que a interactividade &eacute; uma forma de envolver mais o espectador, mas existem outras. Actualmente vivemos numa cultura de &ldquo;excesso&rdquo; de hist&oacute;rias, em que tudo j&aacute; foi feito, tudo j&aacute; foi visto. Por isso cada vez &eacute; mais dif&iacute;cil captar o espectador. Por exemplo, Hollywood aposta cada vez mais na tecnologia para envolver o espectador, para o colocar no meio da hist&oacute;ria: no 3D, no som surround, nos efeitos especiais, etc. N&oacute;s, por outro lado, apostamos em usar os novos &ldquo;media&rdquo; para tornar as nossas personagens mais reais, mais imersivas na vida do nosso espectador.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Com &quot;O Di&aacute;rio de Sofia&quot; e o &quot;T2 para 3&quot; a beActive criou uma fic&ccedil;&atilde;o de curta dura&ccedil;&atilde;o &#8211; em que alguns epis&oacute;dios t&ecirc;m apenas 2 a 5 minutos. Que especificidades t&ecirc;m de ter as hist&oacute;rias com esta dura&ccedil;&atilde;o?</strong> NB: Para a a cria&ccedil;&atilde;o destes pequenos epis&oacute;dios vamos buscar muitos conceitos ao mundo das curta-metragens, da publicidade e dos v&iacute;deo-clips. Manter o espectador atento, especialmente na Internet, com tanta oferta, tantos &ldquo;pop-ups&rdquo; &eacute; quase uma arte, e por isso necessitamos de &ldquo;clifhangers&rdquo;, de &ldquo;punch lines&rdquo;, de todos aqueles truques que nos ensinam quando come&ccedil;amos a aprender a escrever um gui&atilde;o. Precisamos &eacute; de os atirar todos ao mesmo tempo &ndash; mas de uma forma org&acirc;nica &ndash; para manter o espectador interessado. Al&eacute;m disso apostamos em criar personagens fortes, os verdadeiros &ldquo;amigos&rdquo; da audi&ecirc;ncia, personagens com as quais o espectador se relacione, ou seja algo que o &ldquo;obrigue&rdquo; a ver o epis&oacute;dio at&eacute; ao final e o conven&ccedil;a a voltar no dia seguinte.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A beActive aposta tamb&eacute;m nos novos meios como a fic&ccedil;&atilde;o para internet ou telem&oacute;veis. Que diferen&ccedil;as encontra em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de difus&atilde;o tradicionais, sobretudo ao n&iacute;vel do gui&atilde;o?</strong> NB: Escrever para a Internet e telem&oacute;veis obriga a um grande poder de s&iacute;ntese. De contar a hist&oacute;ria de uma forma que &eacute; quase oposta a forma de escrever para cinema (que &eacute; mais pausada, mais orientada para os grande ambientes).</p>
<p><strong>APAD &#8211; A beActive produz sobretudo em s&eacute;ries para jovens ou para crian&ccedil;as. Porqu&ecirc; esta op&ccedil;&atilde;o? </strong>NB: Por dois motivos. Primeiro porque acredito que s&oacute; podemos escrever (honestamente) sobre aquilo que j&aacute; vivemos, que j&aacute; sentimos. Sendo a equipa da beActive uma equipa Sub-35, apenas escrevemos para p&uacute;blicos at&eacute; essa idade. Por outro lado, como focamos nos novos media, os jovens e os adolescentes s&atilde;o os p&uacute;blicos ideiais para as nossas produ&ccedil;&otilde;es. Mas sentimos que o mercado est&aacute; a mudar, por isso em breve vamos alargar os nossos p&uacute;blicos alvo (isto porque, infelizmente, estamos tamb&eacute;m a ficar mais velhos).</p>
<p><strong>APAD &#8211; A beActive exporta formatos originais para diversos pa&iacute;ses. Como conseguiram entrar em mercados t&atilde;o competitivos como o ingl&ecirc;s ou o americano?</strong> <strong>At&eacute; que ponto acompanham o processo de adapta&ccedil;&atilde;o desses formatos?</strong> NB: A decis&atilde;o de apostar no mercado internacional est&aacute; na g&eacute;nese da empresa. Sendo uma produtora vocacionada para um nicho de mercado: produ&ccedil;&otilde;es interactivas para jovens e adolescentes, seria quase imposs&iacute;vel sobreviver em Portugal, se pensarmos que apenas os canais generalistas tem capacidade de produzir conte&uacute;dos pr&oacute;prios, e mesmo esses focam as suas apostas em produtos de mass market, em programas de entretenimento e telenovelas ou s&eacute;ries para &ldquo;toda a fam&iacute;lia&rdquo;. Logo, sendo a beActive uma produtora focada em algo que est&aacute; fora do &ldquo;prime time&rdquo; dos canais de TV nacionais, n&atilde;o conseguiria sobreviver se n&atilde;o apostasse na internacionaliza&ccedil;&atilde;o. E isto s&oacute; se conseguiu com muita perseveran&ccedil;a, numa aposta em sermos diferentes e por tentarmos criar hist&oacute;rias universais que possam captar audi&ecirc;ncias em Portugal, no Reino Unido, na China ou no Brasil.  Sempre que poss&iacute;vel, e sempre que estamos a tratar de mercados com grande dimens&atilde;o, como s&atilde;o o Reino Unido, os E.U.A., a Am&eacute;rica Latina, tentarmos estar sempre envolvidos, quer na re-escrita dos gui&otilde;es, quer na supervis&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. Por um lado garantimos que o produto &eacute; executado da forma que achamos mais correcta, mas por outro serve muito como processo de aprendizagem para os membros da beActive porque podem assim contactar com realidades (e muitas vezes escalas e valores de produ&ccedil;&atilde;o) diferentes da Portuguesa.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A beActive tem uma imagem sofisticada e inovadora. Que preocupa&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m a n&iacute;vel da &quot;embalagem&quot; nos vossos produtos? </strong>NB: A imagem &eacute; tudo, n&atilde;o estiv&eacute;ssemos n&oacute;s na ind&uacute;stria da criatividade. Se n&atilde;o consegues criar uma boa imagem, uma boa apresenta&ccedil;&atilde;o, um logo cativante, materiais de promo&ccedil;&atilde;o apelativos, que garantias vais dar aos teus clientes que &eacute;s capaz de transformar 100 p&aacute;ginas de texto num programa ou filme visualmente cativante?</p>
<p><strong>APAD &#8211; Na sua opini&atilde;o quais s&atilde;o os ingredientes para uma s&eacute;rie de sucesso? Os ingredientes s&atilde;o diferentes em Portugal dos de outros pa&iacute;ses do mundo? </strong>NB: Cada mercado tem as suas especificidades, o que faz com quase sempre, uma produ&ccedil;&atilde;o local, com actores locais, focando realidades locais, tenham sempre mais sucesso do que produtos importados. No entanto, existem muitas hist&oacute;rias universais que cativam audi&ecirc;ncias em qualquer parte do mundo. Hist&oacute;rias em que os espectadores se revejam nelas.</p>
<p><strong>APAD&nbsp; &#8211; Se algum jovem guionista quiser mostrar o seu trabalho &agrave; beActive, como deve fazer? H&aacute; espa&ccedil;o para novos guionistas na beActive? Tem algum conselho para quem esteja a come&ccedil;ar? </strong>NB: A beActive recebe v&aacute;rias propostas de novos guionistas todas as semanas. Infelizmente, s&atilde;o poucos os casos em que aproveitamos estes contactos. A principal raz&atilde;o tem a ver com o pouco &ldquo;trabalho de casa&rdquo; que estes candidatos fazem. Ou seja, n&atilde;o verificam se aquilo que escrevem &eacute; adequado &agrave; actividade da empresa. Se a beActive produz s&eacute;rie juvenis, n&atilde;o faz sentido enviar-nos um gui&atilde;o para um filme &ldquo;art-house&rdquo;, porque apesar de ser escrito por um guionista muito talentoso, de nada nos serve, porque n&atilde;o produzimos cinema art&iacute;stico. O que quero dizer &eacute; que interessa-nos bastante encontrar novo talento, mas talento que queira escrever produtos similares ao que criamos. A melhor forma, e temos sugerido a quem nos contacta, &eacute; escrever um epis&oacute;dio de uma das s&eacute;ries que temos em Produ&ccedil;&atilde;o (Ex: T2 para 3 Remodelado) e enviar-nos. S&oacute; desta forma vamos perceber se o candidato enquadra-se no modelo e no estilo de trabalho da beActive.</p>
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		<title>Empresas de guionistas &#8211; directório</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:44:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
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		<category><![CDATA[guionistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um directório em evolução das principais empresas de produção de conteúdos a actuar no mercado português.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li>Empresas de guionistas &#8211; directório</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p><span style="font-size: x-small;">(O que &eacute; uma empresa de guionistas? O conceito &eacute; difuso e muitas vezes incapaz de agrupar a diversidade que actualmente existe no mercado. Para esta lista, resolvemos ser bastante abrangentes e inclu&iacute;mos empresas que t&ecirc;m, na sua g&eacute;nese, a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos escritos que poder&atilde;o originar diversos produtos audiovisuais. Entendemos esta lista como um <em>work in progress</em> e, por isso, contamos com ajuda de quem conhecer outras empresas.)</span></p>
<ul>
<li>BeActive &#8211; Web: <a href="http://www.beactive.pt">www.beactive.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Di&aacute;rio de Sofia&quot; ou &quot;T2 para 3&quot;.</li>
<li>Bode Expiat&oacute;rio &#8211; Web: <a href="http://www.bode-expiatorio.com/">http://www.bode-expiatorio.com/</a><br />
    Projectos chave: produ&ccedil;&otilde;es interactivas.</li>
<li>Cartas de Amor (colectivo de argumentistas)<br />
    Projectos chave: &quot;Conta-me como Foi&quot;.</li>
<li>Casa da Cria&ccedil;&atilde;o (uma empresa do universo Plural Entertainment) &#8211; Web: <a href="http://www.casadacriacao.pt">www.casadacriacao.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot; e grande parte das telenovelas da TVI.</li>
<li>Monomito Argumentistas &#8211; Web: <a href="http://www.monomito.com">www.monomito.com</a><br />
    Projectos chave: publicidade institucional para o combate &agrave; SIDA.</li>
<li>Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias &#8211; Web: <a href="http://www.producoesficticias.pt">www.producoesficticias.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Herman Enciclop&eacute;dia&quot;, &quot;Gato Fedorento&quot; ou &quot;Os Contempor&acirc;neos&quot;.</li>
<li>Scriptmakers &#8211; Web: <a href="http://www.scriptmakers.pt">www.scriptmakers.pt</a><br />
    Projectos chave: &quot;Equador&quot;.</li>
<li>Um Tiro no Porta Avi&otilde;es &#8211; Web: <a href="http://umtironoportavioes.blogs.sapo.pt/">http://umtironoportavioes.blogs.sapo.pt/</a><br />
    Projectos chave: empresa recente criada por Jo&atilde;o Quadros.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:43:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[alexandre valente]]></category>
		<category><![CDATA[cinema português]]></category>
		<category><![CDATA[second life]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista com Alexandre Valente, realizador de «Second Life» a pretexto da estreia comercial do filme. Uma conversa sobre o cinema da Utopia Filmes e do seu modelo para o cinema português.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
<em>No final de Janeiro, esteou nas salas &laquo;Second Life&raquo;, um projecto da Utopia Filmes e do produtor Alexandre Valente. Depois de &laquo;Corrup&ccedil;&atilde;o&raquo; e de &laquo;O Crime de Padre Amaro&raquo;, Alexandre Valente resolveu assumir o comando da realiza&ccedil;&atilde;o. Pretexto suficiente para uma entrevista onde se fala dos ingredientes mais significativos do filme.</em></p>
<p><img width="363" height="243" alt="alexandrevalente" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/alexandrevalente.jpg" title="alexandrevalente" class="alignnone size-full wp-image-452" /></p>
<p><strong>APAD &#8211; De que trata o filme?</strong> Alexandre Valente &#8211; O filme &eacute; uma reflex&atilde;o de vida, trata sobre a consci&ecirc;ncia das nossas decis&otilde;es sobre o nosso destino nesta viagem de vida que deve ser vivida com felicidade.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Quando surgiu a id&eacute;ia? Em que medida este &eacute; um projeto autobiogr&aacute;fico?</strong> AV &#8211; A ideia surgiu em 14 de Dezembro de 2007 e foi escrita uma scaletta por mim em apenas uma noite, resultado de 40 anos em espera. Autobiogr&aacute;fico sim, espero que abrangente a todos n&oacute;s.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Apesar de ser um projeto pessoal esta hist&oacute;ria tem alguns dos ingredientes que fizeram os anteriores sucessos da Utopia Filmes. Quais s&atilde;o esses ingredientes para se conseguir bons n&uacute;meros de bilheteira?</strong> AV &#8211; Os ingredientes nos filmes s&atilde;o t&atilde;o necess&aacute;rios quanto os actores, os t&eacute;cnicos, as c&acirc;maras, o som. N&atilde;o se podem nunca separar da ambi&ccedil;&atilde;o de um projecto. Quanto a mim os ingredientes &eacute; estar atento &agrave;quilo que o p&uacute;blico quer&#8230; O p&uacute;blico tem!</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como foi o processo de escrita? Houve v&aacute;rias vers&otilde;es e v&aacute;rias reescritas? Em que medida a hist&oacute;ria inicial se transformou numa hist&oacute;ria diferente, e porqu&ecirc;?</strong> AV &#8211; O processo de escrita foi muito saud&aacute;vel: todo motorizado por mim e aberto a todos os meus colaboradores e amigos que quiseram apreciar, participar, dentro da estrutura que eu tinha idealizado. A hist&oacute;ria &eacute; diferente logo pela estrutura que eu tinha pensado no inicio.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Em que medida &eacute; que os actores e a rodagem mudaram a vers&atilde;o final do gui&atilde;o? Respeitaram escrupulosamente o texto ou foram introduzindo mudan&ccedil;as de acordo com as oportunidades? Em que medida &eacute; que o final cut &eacute; diferente da ultima vers&atilde;o do gui&atilde;o?</strong> AV &#8211; Como &eacute; sabido o argumento &eacute; sempre alvo de um processo de destrui&ccedil;&atilde;o desde o momento em que passa do papel para o processo industrial de fazer um filme, seja em que fase se considerar, desde a prepara&ccedil;&atilde;o onde os d&eacute;cores e os actores apresentados e ou disponiveis, mudam desde logo o script; depois na rodagem onde cada um dos actores interpreta o personagem que construiu, a ilumina&ccedil;&atilde;o e as condicionantes de toda uma rodagem nos obrigam a tomar decis&otilde;es de improviso sobre o mesmo script, at&eacute; ao momento em que nos deparamos com todo o script subdividido em cenas v&aacute;rias na mesa de montagem, que nos convida a testar possibilidades e a tomar decis&otilde;es que por vezes nem por sombra, se aproximam do argumento inicial. Tudo isto fruto de uma liberdade criativa que qualquer ser inteligente deve experimentar. O caso particular do Second Life &eacute; um exemplo vivo dessa destrui&ccedil;&atilde;o do argumento original, pois mudei, troquei, fiz e refiz tudo em todas as fases para chegar ao actual alinhamento final onde tudo faz sentido hoje e nem por sombras estava espelhado no argumento incial nem t&atilde;o pouco no de inicio de filmagens.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como foi para o produtor Alexandre Valente estar do outro lado da barricada, a escrever e a realizar? Foi dif&iacute;cil conciliar os diferentes papeis?</strong> AV &#8211; Sempre me considerei um realizador, autor, em todos os projectos que fiz, mas na sombra. A produ&ccedil;&atilde;o por ser o sector mais abrangente e de maior responsabilidade de um filme, sempre me fez sentir realizado por poder contribuir com as exig&ecirc;ncias t&eacute;cnicas bem como artisticas que um filme carece, pelo que o sabor provado nesta experi&ecirc;ncia n&atilde;o foi diferente nem novidade. Tive apenas de cuidar muito bem da separa&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es no que ao aspecto financeiro se obriga num filme onde se mistura as fun&ccedil;&otilde;es. Por isso sempre respeitei o or&ccedil;amento que a gest&atilde;o financeira me disponibilizou e dentro do qual criei as melhores solu&ccedil;&otilde;es sem nunca ultrapassar o mesmo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; O Second Life teve v&aacute;rios realizadores com diferentes experi&ecirc;ncias. Como foi o processo da realiza&ccedil;&atilde;o? Cada um estava focado em diferentes aspectos do filme? Como foi a gest&atilde;o desta equipa?</strong> AV &#8211; N&atilde;o teve v&aacute;rios, teve um consultor sem o qual o filme n&atilde;o seria o que &eacute;, e deve muito a esse mesmo consultor experiente sem o qual n&atilde;o ter&iacute;amos este filme que d&aacute; pelo nome de Nicolau Breyner. Teve um realizador t&eacute;cnico que com ele desenhei a rodagem e a decoupage do filme em termos de cobertura de ac&ccedil;&atilde;o de nome Miguel Gaud&ecirc;ncio, e teve a d&aacute;diva celestial de ter o melhor realizador de todos a quem se deve o grande m&eacute;rito deste filme, chamado de Bernardo Sassetti pois sem d&uacute;vida alguma foi com a sua contribui&ccedil;&atilde;o que o filme &eacute; o filme que &eacute; hoje. Por &uacute;ltimo teve-me a mim seja nos d&eacute;cores, na direc&ccedil;&atilde;o dos actores, da pl&aacute;stica e da montagem final conjuntamente com a acumula&ccedil;&atilde;o de todos os outros trabalhos necess&aacute;rios a um filme, atr&aacute;s referidos.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Alguns actores como Luis Figo e Jos&eacute; Carlos Malato s&atilde;o figuras publicas mas t&ecirc;m pouca experi&ecirc;ncia de representa&ccedil;&atilde;o. Como foi trabalhar com eles num outro papel? </strong>AV &#8211; Foi genial e o filme fala por si nesse campo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como surgiu a id&eacute;ia de ter um protagonista estrangeiro como?</strong> AV &#8211; Sendo que a Utopia &eacute; uma empresa afirmada e reconhecida em Portugal, &eacute; chegada a hora de alcan&ccedil;ar novos mercados pelo que s&oacute; com ingredientes como este se poder&aacute; desenhar o caminho para os alcan&ccedil;ar.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como conseguiram conciliar personagens a falarem portugu&ecirc;s e ingl&ecirc;s na hist&oacute;ria?</strong> AV &#8211; E tamb&eacute;m Italiano&#8230; Tudo isso foi conciliado desde a escrita do argumento ao acompanhemento di&aacute;rio de coach com os actores.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Este &eacute; um dos primeiros projectos a ser financiado pelo FICA. Como foi o processo de atribui&ccedil;&atilde;o do fundo? Quais as virtudes que um filme ou uma produtora tem de ter para concorrer a este fundo? </strong> AV &#8211; No caso da Utopia onde o investimento do FICA &eacute; indirecto, ou seja n&atilde;o &eacute; atribuido aos projectos mas sim &agrave;s decis&otilde;es da produtora, a grande vantagem &eacute; a de alavancar projectos que sem esta mais valia n&atilde;o poderiam ser realizados em tempo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A Utopia Filmes caracteriza-se cada vez mais pela realiza&ccedil;&atilde;o de filmes de produtor, na melhor tradi&ccedil;&atilde;o americana.</strong> AV &#8211; N&atilde;o sei se isso &eacute; um elogio mas seja como seja, acho o modelo Americano &eacute; j&aacute; bastante experimentado em sucesso pelo que n&atilde;o perco tempo a desenhar nenhum outro quando este tem provas dadas. Apenas adapto &agrave; minha realidade.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Achas que esta &eacute; uma forma de trabalhar que faltava em Portugal?</strong> AV &#8211; Portugal est&aacute; cilindrado em tabus e f&oacute;rmulas que deve obrigatoriamente acompanhar as novas tend&ecirc;ncias e formas de trabalhar.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Qual achas que deve ser o teu papel enquanto produtor?</strong> AV &#8211; Aquele que me fizer sentir bem com a vida e com os projectos que eu decidir produzir.</p>
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		<title>Relatório McKee</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:41:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Robert McKee]]></category>
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		<description><![CDATA[O Seminário «Story» de Robert Mckee passou por Portugal em Novembro último. Manuel Pureza esteve lá e conta-nos os bastidores de o mais célebre programa de formação em guionismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li>Relatório McKee</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>por Manuel Pureza <br />
<span style="font-size: smaller;"><em>(Manuel Pureza &eacute; assistente de realiza&ccedil;&atilde;o e realizador, tendo vencido o Primeiro Pr&eacute;mio de Cinema Universit&aacute;rio no Festival Castelo em Imagens em 2006, presidido por Lauro Ant&oacute;nio, com a curta &quot;Os Conquistadores&quot; e tendo estado presente na primeira edi&ccedil;&atilde;o do MoteLX com a curta &quot;Room/Mate&quot;. &Eacute; actualmente presidente da Uzi Filmes &#8211; associa&ccedil;&atilde;o juvenil de cinema.)</em></span></p>
<p align="justify" style="margin-bottom: 0.14in;" class="western"><img width="339" height="239" alt="mckee" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/mckee.jpg" title="mckee" class="alignnone size-full wp-image-456" /></p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Em Novembro do ano que passou, Robert McKee esteve em Lisboa com o seu famoso semin&aacute;rio <em>Story</em>. Organizado em Portugal pela MixReel, o semin&aacute;rio teve lugar na Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social de Lisboa, tendo sido precedido por uma curta sess&atilde;o na Fnac.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Foi, creio, mais do que o mero interesse de profissionais do meio que comp&ocirc;s o audit&oacute;rio onde as sess&otilde;es se realizaram. A fama de Robert McKee e do seu livro s&atilde;o transversais a muitas &aacute;reas e chega aos interessados sob diversas formas (quem n&atilde;o se lembra de Brian Cox a interpret&aacute;-lo em <em>Adaptation</em>?) e isso ficou claro no p&uacute;blico que esteve presente.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">A leitura (ou n&atilde;o) de <em>Story</em> <em>a prior</em>i, teve, por certo, efeitos diferentes entre quem assistiu ao semin&aacute;rio. As reac&ccedil;&otilde;es finais n&atilde;o foram consensuais precisamente por isso. H&aacute; quem tenha visto no semin&aacute;rio uma esp&eacute;cie de &ldquo;encena&ccedil;&atilde;o<em>&rdquo; ipsis verbis </em>das palavras escritas no livro; h&aacute; quem tenha visto nisso um complemento &agrave; medida. De uma maneira ou de outra, Robert McKee &eacute; uma figura incontorn&aacute;vel da escrita de argumento e o seu livro uma boa reflex&atilde;o sobre os modelos aristot&eacute;licos.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Deixando claro que n&atilde;o apresenta uma f&oacute;rmula com essa sua reflex&atilde;o, mas que antes faz uma esp&eacute;cie de levantamento das formas intr&iacute;nsecas aos v&aacute;rios tipos de narrativas, o autor divide este seu semin&aacute;rio em tr&ecirc;s dias, sendo o primeiro centrado na ideia do &ldquo;escritor e a arte da hist&oacute;ria&rdquo;, come&ccedil;ando com um <em>breakdown</em> do conceito de estrutura, e da maneira como ela varia e responde a circunst&acirc;ncias, personagens, g&eacute;neros e sentidos. A tabela de conte&uacute;dos para este dia oferecia outros pontos de interesse mais abstractos que n&atilde;o foram de todo inclu&iacute;dos na apresenta&ccedil;&atilde;o, ou que de certa maneira ficaram demasiado dilu&iacute;dos num discurso j&aacute; quase mec&acirc;nico e autom&aacute;tico (recorde-se que <em>Story</em> come&ccedil;ou por ser apresentado sobre a forma de semin&aacute;rio em 1983). O segundo dia de semin&aacute;rio aprofundava a no&ccedil;&atilde;o dos elementos da estrutura, como &ldquo;os princ&iacute;pios da constru&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria&rdquo;, sendo salientadas as no&ccedil;&otilde;es: dos tr&ecirc;s actos e sua constru&ccedil;&atilde;o, das cenas, de composi&ccedil;&atilde;o, crise, cl&iacute;max e resolu&ccedil;&atilde;o, e antagonismos. O terceiro dia fechava as no&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas &agrave; estrutura, refor&ccedil;ando a ideia de constru&ccedil;&atilde;o da personagem, que vagueia por um mundo de for&ccedil;as em oposi&ccedil;&atilde;o que geram problemas e uma procura de solu&ccedil;&otilde;es. O semin&aacute;rio fechou com a an&aacute;lise cena a cena do filme <em>Casablanca</em>, considerado por McKee como o mais brilhante script alguma vez escrito para a tela, sendo sabido, no entanto, que muitos cr&iacute;ticos apontam o filme como n&atilde;o tendo tido nunca um script pr&eacute;-definido e que tudo era feito numa base de trabalho di&aacute;rio de altera&ccedil;&otilde;es substanciais, como se pode comprovar na sec&ccedil;&atilde;o de <em>trivia</em> do <em>Internet Movie Database</em> (IMDB).</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Estruturado desta forma, o semin&aacute;rio &eacute;, sobretudo, uma oportunidade de reflex&atilde;o conjunta com quem se dedicou, de facto, a uma vida de an&aacute;lise e cogita&ccedil;&atilde;o sobre escrita de argumento. Por um lado essa reflex&atilde;o conjunta sai, para alguns, posta em causa a partir do momento em que se nota um &ldquo;piloto autom&aacute;tico&rdquo; por detr&aacute;s de toda a apresenta&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos. A adaptabilidade dos conceitos a exemplos de novos filmes ou a novas reflex&otilde;es sobre a verdadeira contemporaneidade da crise narrativa mundial trariam, por certo, novas reac&ccedil;&otilde;es e conclus&otilde;es a quem faz este semin&aacute;rio. Por outro lado, a oportunidade de ultrapassar a mera leitura destas &ldquo;ideias sobre escrever&rdquo; para uma discuss&atilde;o pr&aacute;tica com algu&eacute;m que &eacute;, sobretudo, inspirador no seu <em>approach</em> &eacute; algo que n&atilde;o s&oacute; se acrescenta ao curriculum e tem o valor que tem, como deixa em quem se contagia com estas coisas, a vontade de escrever.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Robert McKee, n&atilde;o sendo de todo o g&eacute;nero de pedagogo que aproveita o di&aacute;logo com o aluno ou a interactividade, porque de facto ele &eacute; tal e qual a sua interpreta&ccedil;&atilde;o no filme de Charlie Kaufman (a palavra <em>fuck</em> entrou no discurso variad&iacute;ssimas vezes e os berros autorit&aacute;rios calaram quem tecia coment&aacute;rios), &eacute; um sistematizador nato. O trabalho de restauro e reciclagem feito por ele aos princ&iacute;pios aristot&eacute;licos centra-se na compartimenta&ccedil;&atilde;o de conceitos em linhas orientadoras poss&iacute;veis e n&atilde;o numa matem&aacute;tica estanque, pr&oacute;pria de, por exemplo, Syd Field ou noutra perspectiva Lew Hunter. &Eacute; nesse cen&aacute;rio de possibilidade, de hip&oacute;tese destas formas constru&iacute;do por McKee que toda a sua teoria se desenrola.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">A import&acirc;ncia deste semin&aacute;rio, no meu entender vai muito ao encontro da ideia de <em>empowerment,</em> na perspectiva de contacto directo com um perito e suas teorias. Num cen&aacute;rio em que a n&iacute;vel mundial, as narrativas, segundo consta, est&atilde;o em crise, creio n&atilde;o poder dizer-se que o cinema portugu&ecirc;s, ou as suas hist&oacute;rias, estejam inclu&iacute;dos neste enorme lugar comum. Toda a generaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; perigosa, sobretudo numa altura em que &agrave; dicotomia entre o cinema europeu e o americano, come&ccedil;a a acrescentar-se uma enorme e valorosa produ&ccedil;&atilde;o asi&aacute;tica, cada vez mais reconhecida. Enquadramos tamb&eacute;m essa produ&ccedil;&atilde;o em crescendo num cen&aacute;rio de crise? Ou haver&aacute; no Oriente novas hist&oacute;rias? Ou n&atilde;o ser&atilde;o as hist&oacute;rias do Oriente hiper humanas nas sensa&ccedil;&otilde;es que perpassam nas personagens, mas ao mesmo tempo carregadas de elementos visuais novos e ind&iacute;genas? N&atilde;o creio que em Portugal se esteja a um n&iacute;vel de crise. Se um homem n&atilde;o tiver dinheiro e n&atilde;o precisar dele, a crise econ&oacute;mica afecta-o? Mais que pensarmos de antem&atilde;o que nos enquadramos num cen&aacute;rio de decad&ecirc;ncia dos her&oacute;is, ou das hist&oacute;rias, do panorama/cen&aacute;rio em que j&aacute; tudo foi contado, devemos aprender a contar hist&oacute;rias, um dos h&aacute;bitos mais ancestrais da exist&ecirc;ncia humana, mas igualmente um dos mais dif&iacute;ceis. Essa aprendizagem deve ser feita nunca esquecendo que &eacute; na circunst&acirc;ncia em que vivemos, Portugal, s&eacute;culo XXI, que se encontra a novidade para quem n&atilde;o &eacute; de c&aacute;, mas tamb&eacute;m o denominador comum das emo&ccedil;&otilde;es humanas que faz com que quem v&ecirc;, l&ecirc; ou ouve a hist&oacute;ria, possa ter ao mesmo tempo surpresa nos elementos portugueses e identifica&ccedil;&atilde;o com o factor humano que est&aacute; na tela.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Em Portugal temos, segundo penso, de estar mais pr&oacute;ximos de todas as teorias que, de uma maneira ou de outra, libertaram criadores, deram suporte a escritores, realizadores ou at&eacute; mesmo produtores. A especificidade da escrita para o cinema requer de quem o fa&ccedil;a um conhecimento actual de todo um processo evolutivo do pensar as hist&oacute;rias, partindo de Arist&oacute;teles, passando por Campbell e o seu <em>The Hero With a Thousand Faces</em>, at&eacute; Vogler com <em>The Writer&rsquo;s Journey</em> (de resto sendo este uma reflex&atilde;o sobre o trabalho de Campbell), passando por Mamet, Field e Mckee com <em>Story</em>.</p>
<p style="margin-bottom: 0.14in; text-align: left;" class="western">Conclus&otilde;es &agrave; parte, este semin&aacute;rio, para o bem da consci&ecirc;ncia art&iacute;stica e de <em>craft</em> de cada interessado, devia tomar posi&ccedil;&atilde;o como o primeiro de muitos outros dos mais diversos quadrantes de cria&ccedil;&atilde;o para cinema e n&atilde;o s&oacute;. N&atilde;o podemos ter medo de assumir que &agrave;s vezes, livros como <em>Story</em> s&atilde;o, de facto, bons &ldquo;comprimidos de adrenalina&rdquo;, como o comprova a pr&oacute;pria propaganda de McKee ao enunciar a quantidade de alunos seus (de Kirk Douglas a John Cleese) que vingaram como <em>screenwriters</em>.</p>
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		<title>Livros: Kaufman vs. McKee</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Robert McKee]]></category>
		<category><![CDATA[Story]]></category>

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		<description><![CDATA[A bibliografia sobre argumento/guião é extensa, mas alguns títulos são demasiado importantes para não serem lidos. Razão para se iniciar uma análise aos mais importantes livros sobre o assunto. Começamos por «Story», de Robert Mckee.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li>Livros: Kaufman vs. McKee</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
por Jorge Palinhos<em><span style="font-size: smaller;"> <br />
(Al&eacute;m de trabalhar como tradutor e coordenador editorial, Jorge Palinhos publicou tr&ecirc;s pe&ccedil;as de teatro, das quais duas foram premiadas com o Pr&eacute;mio Miguel Rovisco e o Pr&eacute;mio Manuel Deniz-Jacinto. Tem tamb&eacute;m escrito gui&otilde;es para curtas-metragens de cinema de anima&ccedil;&atilde;o e de imagem real, algumas das quais foram j&aacute; produzidas ou est&atilde;o em fase de produ&ccedil;&atilde;o.)</span></em></p>
<p><img width="189" height="285" alt="story" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/story.jpg" title="story" class="alignnone size-full wp-image-470" /></p>
<p><strong>Story &ndash; Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting</strong> Robert McKee Regan Books Nova Iorque 1997  <em>Adaptation</em>, ou <em>Inadaptado</em>, em portugu&ecirc;s, escrito por Charlie Kaufman, &eacute; provavelmente um dos filmes mais vistos pelos guionistas do cinema ocidental. Nele retrata-se Charlie Kaufman, um guionista conceituado em busca um sentido pessoal para a adapta&ccedil;&atilde;o de um livro de n&atilde;o-fic&ccedil;&atilde;o sobre orqu&iacute;deas. Charlie tem um irm&atilde;o, Donald Kaufman, que, decidido a enveredar por uma carreira de sucesso como argumentista de Hollywood, frequenta alguns cursos de escrita de argumento, escreve um thriller e consegue de imediato contratos milion&aacute;rios, enquanto Charlie continua a marcar passo no seu esfor&ccedil;o por um hist&oacute;ria original e com significado.  Donald, e Charlie mais tarde, recorrem ao livro e semin&aacute;rio Story, de Robert McKee, interpretado no filme por Brian Cox, e os conselhos deste acabam por garantir o sucesso profissional de Donald e a resolu&ccedil;&atilde;o, mesmo que a contragosto, dos problemas de Charlie.</p>
<p>Se o livro e semin&aacute;rio de Robert McKee eram j&aacute; afamados em Hollywood, a sua cita&ccedil;&atilde;o ficcional em Inadaptado tornou-o culto mundial, sendo hoje McKee o mais influente guru da escrita para audiovisual e Story a obra de refer&ecirc;ncia de muitos guionistas.  Story &eacute; um tomo de mais de 400 p&aacute;ginas preenchidas por uma linguagem l&iacute;mpida e opinativa, que cobre praticamente todos os aspectos da escrita para cinema. Partindo de Arist&oacute;teles, figura tutelar deste g&eacute;nero de livros, McKee defende que a import&acirc;ncia das hist&oacute;rias se deve &agrave; sua capacidade de nos interpelarem eticamente e revelarem caminhos de vida, numa altura em que outras formas de conhecimento, como a filosofia, a ci&ecirc;ncia e a religi&atilde;o se tornaram demasiado esot&eacute;ricas ou vazias para o grande p&uacute;blico. Da&iacute;, entende autor, se explica o enorme incremento da arte narrativa em todo o lado: livros, filmes, teatro, televis&atilde;o, jogos, Internet, etc.  S&oacute; que, insiste McKee, apesar da quantidade, esta arte est&aacute; em decl&iacute;nio devido &agrave; perda de valores sociais comuns e &agrave; perda do craft &ndash; a oficina de contar hist&oacute;rias.</p>
<p>Se nos EUA proliferam cursos de escrita criativa e guionismo, McKee acusa estes cursos de encarem a narrativa do lado de fora, focando aspectos como a linguagem e os c&oacute;digos e esquecendo os princ&iacute;pios intr&iacute;nsecos da narrativa. A narrativa &eacute; 75% de estrutura e 25% do resto, diz o autor, por isso o seu livro assenta baterias na quest&atilde;o estrutural, come&ccedil;ando por apresentar alguma terminologia b&aacute;sica da estrutura narrativa como: estrutura, evento, valores da hist&oacute;ria, cena, beat, sequ&ecirc;ncia e acto; e debru&ccedil;ando-se depois sobre aquilo que McKee designa por tri&acirc;ngulo de enredos.  Este tri&acirc;ngulo tem como v&eacute;rtices tr&ecirc;s concep&ccedil;&otilde;es narrativas: a concep&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica ou arqui-enredo, a concep&ccedil;&atilde;o minimalista ou mini-enredo e a anti-estrutura ou anti-enredo. A primeira concep&ccedil;&atilde;o, o arqui-enredo, &eacute; descrita como uma hist&oacute;ria de uma personagem que luta contra for&ccedil;as de antagonismo exteriores para conseguir o seu desejo profundo, at&eacute; um final fechado de mudan&ccedil;a absoluta e irrevers&iacute;vel.</p>
<p>A segunda concep&ccedil;&atilde;o, o mini-enredo, consiste numa redu&ccedil;&atilde;o destes princ&iacute;pios &agrave; sua ess&ecirc;ncia, enquanto o anti-enredo, a terceira concep&ccedil;&atilde;o, tenta inverter os princ&iacute;pios cl&aacute;ssicos da narrativa. Se &agrave; partida a tese parece clara, logo adiante, McKee reconhece a exist&ecirc;ncia de mais dois tipos de enredo: o n&atilde;o-enredo (hist&oacute;rias sem progress&atilde;o narrativa ou estudos de personagem) e o multi-enredo (em que a narrativa &eacute; fragmentada em v&aacute;rias narrativas de v&aacute;rias personagens). Para evitar transformar o seu tri&acirc;ngulo num pent&aacute;gono, o autor coloca o n&atilde;o-enredo fora do tri&acirc;ngulo e arruma o multi-enredo num lado entre os v&eacute;rtices arqui-enredo e mini-enredo.  O objectivo desta constru&ccedil;&atilde;o algo artificial &eacute; a defesa da superioridade do enredo cl&aacute;ssico, ou arqui-enredo, sobre os outros. Tal superioridade assentar&aacute; em aspectos mentais &#8211; o arqui-enredo &eacute; o que melhor reproduz a forma como analisamos a nossa pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia &#8211; e pragm&aacute;ticos &#8211; est&aacute; subjacente &agrave;s hist&oacute;rias com mais sucesso comercial.</p>
<p>No in&iacute;cio de Inadaptado, o protagonista busca o sentido da adapta&ccedil;&atilde;o do livro The Orchid Thief, mas ap&oacute;s o semin&aacute;rio de McKee, a explora&ccedil;&atilde;o das personagens passa para segundo plano e assistimos ao desenrolar da constru&ccedil;&atilde;o narrativa. Ser&aacute; que passamos de um mini-enredo ou de um n&atilde;o-enredo para um arqui-enredo? N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil aplicar na pr&aacute;tica as diferen&ccedil;as entre estas classifica&ccedil;&otilde;es: a partir de que momento &eacute; que um arqui-enredo passa a ser um mini-enredo? E como distinguir um n&atilde;o-enredo de um mini-enredo? Quantas personagens s&atilde;o precisas para fazer um multi-enredo?  A quest&atilde;o de o arqui-enredo ser o enredo cl&aacute;ssico, sendo os outros inven&ccedil;&otilde;es recentes, parece-me d&uacute;bia. Eur&iacute;pides j&aacute; havia no seu tempo virado de pernas para o ar as no&ccedil;&otilde;es de trag&eacute;dia e com&eacute;dia, D. Quixote, considerado o primeiro romance moderno, j&aacute; tinha subvertido as regras do romance e em Hamlet temos o pr&oacute;prio protagonista a protelar ao m&aacute;ximo o conflito dram&aacute;tico que o afecta.</p>
<p>McKee aborda em seguida a quest&atilde;o dos g&eacute;neros. Num cap&iacute;tulo curto, onde consegue abranger nada menos que 25 g&eacute;neros diferentes, com breves caracteriza&ccedil;&otilde;es e exemplos, o autor limita-se a juntar os g&eacute;neros de enredos cl&aacute;ssicos (Policial, Terror, Com&eacute;dia), com varia&ccedil;&otilde;es temporais (Drama Hist&oacute;rico), quest&otilde;es de verosimilhan&ccedil;a (Biografia, Docudrama) e t&eacute;cnica (Anima&ccedil;&atilde;o, Musical), chegando a classificar (de modo pouco abonat&oacute;rio) o Art Film como g&eacute;nero, e admitindo que todos estes g&eacute;neros se misturam e ramificam uns nos outros. Para McKee, o g&eacute;nero tem interesse enquanto quadro de expectativas da audi&ecirc;ncia e estrutura para os guionistas, qual rima e m&eacute;trica da narrativa. Contudo, ao longo do livro o autor d&aacute; poucas pistas sobre o uso do g&eacute;nero para a constru&ccedil;&atilde;o do gui&atilde;o.  Inadaptado come&ccedil;a como um filme sem g&eacute;nero, ou talvez art film, e, ap&oacute;s o semin&aacute;rio de McKee, transforma-se num thriller, seguindo escrupulosamente todas as regras deste g&eacute;nero, tornando-se, por&eacute;m, indistinto de outros filmes similares.</p>
<p>Tendo aberto o caminho para o destino onde queria chegar, McKee lan&ccedil;a-se finalmente naquilo que lhe interessa: a constru&ccedil;&atilde;o do suposto enredo cl&aacute;ssico ou arqui-enredo. Este &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o e alma do livro. McKee analisa com profundidade e abrang&ecirc;ncia a estrutura f&iacute;lmica cl&aacute;ssica de Hollywood. Fala da necessidade de ter uma ideia controladora da hist&oacute;ria, da constru&ccedil;&atilde;o do enredo como constru&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica de uma demonstra&ccedil;&atilde;o argumentativa &#8211; ideia proposta por Lajos Egri, mas que McKee n&atilde;o cita -, da aprecia&ccedil;&atilde;o de valores, da progress&atilde;o de argumentos e contra-argumentos at&eacute; &agrave; demonstra&ccedil;&atilde;o final (positiva, negativa ou ir&oacute;nica), do desejo do protagonista como motor da hist&oacute;ria, da empatia entre protagonista e p&uacute;blico, da constru&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de risco emocionalmente significativas, da constru&ccedil;&atilde;o do incidente inicial, do incremento das complica&ccedil;&otilde;es, da arquitectura dos actos, do ritmo, dos subenredos, da constru&ccedil;&atilde;o das cenas, do texto e subtexto, do cl&iacute;max, dos turning points, da composi&ccedil;&atilde;o, da progress&atilde;o, da ascens&atilde;o, da crise, da resolu&ccedil;&atilde;o, etc., etc.</p>
<p>S&atilde;o cap&iacute;tulos repletos de observa&ccedil;&otilde;es perspicazes sobre constru&ccedil;&atilde;o &#8211; por exemplo: a utiliza&ccedil;&atilde;o de subenredos para retardar o incidente inicial, a necessidade de restringir o n&uacute;mero de cl&iacute;maxes, o cl&iacute;max como imagem-chave de todo o enredo, a distin&ccedil;&atilde;o entre sistemas de imagens internas e externas &ndash; que constituem um dos mais incontorn&aacute;veis estudos recentes sobre estrutura narrativa do cinema cl&aacute;ssico americano. Do cinema cl&aacute;ssico americano, pois Story ignora quase por completo quase todas as experi&ecirc;ncias narrativas recentes, como os pr&oacute;prios filmes de Charlie Kaufman, de Quentin Tarantino, de Christopher Nolan, dos irm&atilde;os Coen, e outras cinematografias, por vezes de tanto sucesso como a americana, como o cinema asi&aacute;tico, o cinema indiano e at&eacute; o cinema europeu.</p>
<p>Em Inadaptado, ap&oacute;s o semin&aacute;rio de McKee, a hist&oacute;ria torna-se num thriller previs&iacute;vel, engenhoso, bem feito, mas sem alma, sem interesse emocional ou personagens cativantes. E &eacute; isso que falta em Story. Fort&iacute;ssimo em estrutura, o livro desleixa claramente a constru&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es e das personagens, que no meu entender s&atilde;o a carne e o sangue das hist&oacute;rias. E por isso Inadaptado, sendo o filme que fez disparar a popularidade do livro e do seu autor, &eacute; tamb&eacute;m a sua principal cr&iacute;tica, ao demonstrar que a estrutura narrativa, a que McKee atribui toda a import&acirc;ncia, pode originar filmes e hist&oacute;rias competentes, mas s&oacute; por si n&atilde;o faz bons filmes e boas hist&oacute;rias.</p>
<p>Story &eacute; um livro altamente recomendado a todos os argumentistas. &Eacute; de tal modo abrangente e perspicaz que &eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o retirar dele dicas e ideias preciosas, que ajudar&atilde;o a melhorar bons gui&otilde;es. &Eacute;, no entanto, necess&aacute;rio ter em mente os princ&iacute;pios de que o livro parte, e que estes princ&iacute;pios s&atilde;o, por vezes, question&aacute;veis. Conv&eacute;m ter em aten&ccedil;&atilde;o que o autor incide principalmente no estudo de alguns gui&otilde;es que, independentemente dos seus m&eacute;ritos, nem sempre se podem considerar obras-primas cinematogr&aacute;ficas (Rocky, O Fugitivo, Chinatown, Casablanca). E que os conselhos constantes do livro, podendo ajudar o argumentista no trabalho de constru&ccedil;&atilde;o do enredo, n&atilde;o garantem por si uma boa hist&oacute;ria, continuando a recair nos ombros do guionista a fatia do le&atilde;o de fazer a hist&oacute;ria ser habitada por ideias com sentido, personagens vivas e emo&ccedil;&otilde;es verdadeiras.</p>
<p>Uma &uacute;ltima nota: a curta bibliografia final do livro omite quase todos os estudos recentes sobre guionismo e narrativa, ainda que seja duvidoso que McKee tenha elaborado a sua obra sem consultar trabalhos como os de Lajos Egri, Syd Field, Linda Seger, Christopher Vogler, Yves Lavandier, entre outros. Mesmo que Story supere a bibliografia de muitos destes autores, um pouco de transpar&ecirc;ncia intelectual n&atilde;o teria ficado nada mal.</p>
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