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	<title>argumentistas.orgOpinião | argumentistas.org</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Dec 2011 10:03:09 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[argumentista]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos de Autor]]></category>

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		<description><![CDATA[Os advogados André Guerreira e Marco Alexandre Saias discorrem sobre como fazer valer os direitos de autor de um argumentista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/adriano-luz-sobre-a-casa-da-criacao/' title='Adriano Luz sobre a Casa da Criação'>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
por Andr&eacute; Guerreiro Rodrigues e Marco Alexandre Saias<br />
<em>(Managing Partners </em><a href="http://www.ipsconsultoria.com/"><em>IP Solutions</em></a><em>)</em></p>
<p><strong>&ldquo;O &Uacute;NICO AUTOR DE UM FILME &Eacute; O ARGUMENTISTA, TODOS OS DEMAIS S&Atilde;O INT&Eacute;RPRETES.&rdquo;<br />
</strong>Autor Desconhecido</p>
<p>N&atilde;o &eacute; fic&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; um idealismo. &Eacute; uma premissa tecnicamente verdadeira. O argumentista &eacute; o verdadeiro autor de uma obra audiovisual no sentido mais t&eacute;cnico que a palavra &ldquo;autor&rdquo; pode ter. &Eacute; quem d&aacute; corpo e alma a um texto que posteriormente dar&aacute; origem a uma obra audiovisual. &Eacute; o criador primordial. O alquimista solit&aacute;rio que lan&ccedil;a os dados e decide a sorte e fortuna de todos os intervenientes da sua est&oacute;ria.</p>
<p>Todos os demais s&atilde;o meros int&eacute;rpretes da sua obra porque se limitam a agir sobre algo que j&aacute; existe por base. Sobre a Obra do Argumentista. O Realizador interpreta visualmente aquilo que o Argumentista criou no papel. O Compositor musical interpreta musicalmente as palavras do Argumentista. Os Actores d&atilde;o corpo e movimento ao texto do Argumentista, e por a&iacute; adiante.</p>
<p>N&atilde;o h&aacute; volta a dar. N&atilde;o h&aacute; argumento que contrarie esta premissa: O Argumentista &eacute; o Senhor do Filme. Palavra de Consultor em Propriedade Intelectual.</p>
<p>Pois bem, se a teoria &eacute; esta, a pr&aacute;tica &eacute; uma coisa muito diferente.</p>
<p>O Argumentista &eacute; o parente pobre do filme. Uma esp&eacute;cie de porteiro que abre a porta &agrave; entrada de uma s&eacute;rie de pessoas que ir&atilde;o participar no filme e que muitas vezes passar&atilde;o por cima do seu trabalho, modificando-o at&eacute; que fique praticamente irreconhec&iacute;vel.</p>
<p>O que se passa com o Argumentista de hoje? Porque raz&atilde;o se verifica esta assimetria entre estas duas posi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o d&iacute;spares? Como se passa de senhor de tudo para senhor do nada?</p>
<p>&Eacute; simples. Quem contrata deve saber o que est&aacute; a comprar. E na grande maioria das vezes no neg&oacute;cio do audiovisual as partes ficam-se quase sempre pela metade. O Argumentista vende apenas o servi&ccedil;o de elabora&ccedil;&atilde;o e redac&ccedil;&atilde;o do gui&atilde;o e oferece gratuitamente os Direitos de Autor sobre o mesmo.</p>
<p>O Senhor do nada revela-se.</p>
<p>Um Argumentista pelo mero acto de cria&ccedil;&atilde;o do Gui&atilde;o torna-se automaticamente no titular de todos os Direitos de Autor sobre aquilo que come&ccedil;a por ser uma Obra Liter&aacute;ria. Se o argumento foi encomendado, ent&atilde;o &eacute; nesse momento da negocia&ccedil;&atilde;o que ter&atilde;o de ser acautelados os interesses de ambas as partes envolvidas. O Argumentista quer ser pago pelo trabalho e ao mesmo tempo manter a titularidade dos Direitos sobre o gui&atilde;o. O contratante quer utilizar o gui&atilde;o como bem entender.</p>
<p>Incomport&aacute;veis desejos? Nem por isso. Existem plataformas de entendimento ao alcance de ambos.</p>
<p>Um bom argumentista dever&aacute; ser bem remunerado por aquilo que produziu: Pela presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. Esse dever&aacute; ser o primeiro ponto da negocia&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>O segundo ponto, &eacute; a negocia&ccedil;&atilde;o dos Direitos de Autor. Um argumentista bem informado e bem aconselhado saber&aacute; que pode partir para uma negocia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; munido do gui&atilde;o que acabou de escrever mas tamb&eacute;m de um activo invis&iacute;vel t&atilde;o ou mais valioso que o pr&oacute;prio gui&atilde;o: os Direitos de Autor. Dar este activo gratuitamente, &eacute; o mesmo que plantar uma &aacute;rvore no quintal e oferecer continuamente todos os frutos aos vizinhos.</p>
<p>A plataforma de entendimento entre argumentista e contratante dever&aacute; consistir numa reparti&ccedil;&atilde;o dos Direitos de Autor consoante as necessidades de cada um. Quem contrata deve perceber que o pagamento feito inicialmente ao argumentista foi t&atilde;o s&oacute; pela presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o consistente na elabora&ccedil;&atilde;o de um gui&atilde;o para uma obra audiovisual. E tal pagamento n&atilde;o inclui necessariamente a remunera&ccedil;&atilde;o pelos Direitos, nem o seu licenciamento.</p>
<p>Imaginemos o contratante como uma produtora de cinema.</p>
<p>De que Direitos sobre o gui&atilde;o necessita para o aplicar ao seu filme?</p>
<p>Asseguramos-vos de que n&atilde;o precisa de todos. Precisar&aacute; apenas dos necess&aacute;rios para poder explorar a Obra Audiovisual nas plataformas usuais de mercado. Todos os outros Direitos de que a produtora na pr&aacute;tica n&atilde;o necessita poder&atilde;o manter-se na titularidade do Argumentista. E ser&aacute; esta reparti&ccedil;&atilde;o de Direitos que permitir&aacute; ao Argumentista manter o controlo sobre o seu gui&atilde;o e continuar a retirar mais-valias econ&oacute;micas do mesmo, n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s de outras formas de explora&ccedil;&atilde;o comercial, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s do recebimento de royalties sobre as diferentes utiliza&ccedil;&otilde;es que sejam feitas do gui&atilde;o original.</p>
<p>Resumindo: O Argumentista tem todas as condi&ccedil;&otilde;es para voltar a ser Senhor da sua Obra. N&atilde;o se trata de abrir uma guerra com quem contrata, mas t&atilde;o s&oacute;, informar e andar informado sobre os Direitos de cada um, e saber que numa negocia&ccedil;&atilde;o, o extremar de posi&ccedil;&otilde;es e a intransig&ecirc;ncia apenas ocorrem quando o desconhecimento se alia ao medo.</p>
<p>Sigam o nosso conselho: Ousem cobrar pelos vossos Direitos!</p>
<p><a target="_blank" href="http://www.ipsconsultoria.com/"><img width="257" height="68" alt="ipsolutions" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/ipsolutions.jpg" title="ipsolutions" class="alignnone size-full wp-image-475" /></a></p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:03:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Call Girl]]></category>
		<category><![CDATA[conselhos]]></category>
		<category><![CDATA[Tiago Santos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tiago R. Santos, argumentista, autor de «Call Girl», «Atrás das Nuves» e «Star Crossed», e também membro da direcção da APAD, fala sobre a vida de guionista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><em>por Tiago R. Santos<br />
(argumentista, autor de &laquo;Call Girl&raquo;, &laquo;Atr&aacute;s das Nuves&raquo; e &laquo;Star Crossed&raquo;. &Eacute; tamb&eacute;m membro da direc&ccedil;&atilde;o da APAD.)</em></p>
<p>H&aacute; um epis&oacute;dio que representa, na perfei&ccedil;&atilde;o, o que significa ser guionista em Portugal. H&aacute; pouco mais de um m&ecirc;s, o Call Girl foi editado em DVD. A Anabela, uma senhora muito simp&aacute;tica que tem um caf&eacute; na minha rua, comprou uma c&oacute;pia. Ela sabe que fui eu que escrevi o filme. O di&aacute;logo foi o seguinte:</p>
<p>&ldquo;Ol&aacute; Tiago, olha, comprei o &lsquo;Call Girl&rsquo;.&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Porreiro. Obrigado.&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Sabes o que &eacute; que era giro? Se pedisses aos actores para me assinarem a capa&rdquo;</p>
<p>&ldquo;N&atilde;o sei, acho que &eacute; um bocado estranho. N&atilde;o falo com eles h&aacute; algum tempo&hellip; N&atilde;o sei se me apetece fazer isso. Ter que lhes telefonar e tal&hellip;&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Ok, pronto, t&aacute; bem, paci&ecirc;ncia&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Mas, se quiseres, eu posso assinar&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Porque &eacute; que quero a tua assinatura?&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Porque fui eu que escrevi o filme?&rdquo;</p>
<p>(momento de pausa, sil&ecirc;ncio algo desconfort&aacute;vel)</p>
<p>&ldquo;N&atilde;, deixa estar&rdquo;</p>
<p>&ldquo;J&aacute; agora, gostaste?&rdquo;</p>
<p>&ldquo;Ainda n&atilde;o acabei de o ver. Adormeci a meio. Mas tem muitos palavr&otilde;es, n&atilde;o tem?&rdquo;.</p>
<p>O que &eacute; perfeitamente normal. Ser guionista n&atilde;o &eacute; para quem ser famoso. Para isso existem os &lsquo;reality shows&rsquo; e a pr&aacute;tica de futebol. S&oacute; deve haver uma motiva&ccedil;&atilde;o para quem deseja escrever para o cinema e televis&atilde;o: uma vontade irresist&iacute;vel de contar est&oacute;rias. Nada mais. Porque s&oacute; assim se justifica a vida inst&aacute;vel e solit&aacute;ria que se segue, horas e horas sozinhos num quarto, ao cansa&ccedil;o de escrever e ao al&iacute;vio de terminar um projecto segue-se rapidamente o desespero de n&atilde;o ter nenhum trabalho em m&atilde;os, aquele sentimento que nunca se vai trabalhar outra vez, que &eacute; desta, &eacute; desta que v&atilde;o descobrir que eu nem sequer sei escrever e que todas as minhas ideias s&atilde;o no fundo c&oacute;pias de coisas melhores que vi e ouvi.</p>
<p>&Eacute; realmente muito divertido.</p>
<p>E como &eacute; que tudo come&ccedil;ou? Simples. Fui jornalista durante alguns anos (os media portugueses s&atilde;o uma &oacute;ptima escola de escrita criativa), depois andei por Nova Iorque, escrevi dois gui&otilde;es em ingl&ecirc;s, voltei, o Ant&oacute;nio-Pedro Vasconcelos leu o segundo, gostou, convidou-me para trabalhar no Call Girl.</p>
<p>E depois fui trabalhando e continuo a trabalhar, sempre &agrave; espera de n&atilde;o ser apanhado. E, quando algu&eacute;m me pede conselhos, digo para n&atilde;o me chatearem. E quando insistem e percebo que tenho que dizer alguma coisa para me deixarem beber em paz, acho que a &uacute;nica coisa de que me lembro &eacute; &lsquo;escreve sempre aquilo que gostarias de ver. Tu &eacute;s a tua primeira audi&ecirc;ncia.&rsquo;</p>
<p>O que, para um jovem guionista Portugu&ecirc;s, &eacute; a receita perfeita para uma vida de probreza e desemprego, porque a grande maioria da fic&ccedil;&atilde;o televisiva nacional tem um formato de cento e setenta e tr&ecirc;s epis&oacute;dios e eu n&atilde;o consigo ver novelas. Tentei, mas acabo sempre a gritar com a televis&atilde;o e j&aacute; tenho problemas que cheguem com os vizinhos. E isso &eacute; outra coisa: os vizinhos nunca gostam de guionistas. Como s&atilde;o pessoas que passam o dia em casa, est&atilde;o convencidos que n&atilde;o trabalhamos ou que vendemos droga.</p>
<p>Se depois de lerem isto tudo, ainda quiserem ser guionistas, &oacute;ptimo. Parab&eacute;ns, bem vindo ao clube, vais gostar disto aqui, o c&eacute;u por vezes est&aacute; azul e n&atilde;o h&aacute; nada como ver o que escreveste no ecr&atilde;, seja ele grande ou pequeno. Se nunca sequer pensaste em escrever e s&oacute; leste este texto porque pensavas que era sobre outra coisa qualquer, espero que olhes para os pobres escritores de outra forma. Quando vires um, e eles s&atilde;o reconhec&iacute;veis pela barba de cinco dias e os olhos cansados, d&aacute;-lhe uma palavra de alento, um cigarro e, pelo amor de Deus, n&atilde;o lhe digas que adormeceste a meio do epis&oacute;dio.</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:02:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Vaz Nande]]></category>

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		<description><![CDATA[Jorge Vaz Nande, argumentista do Bode Expiatório e colaborador das Produções Fictícias, partilha oito ideias para um futuro mais promissor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><em>por </em><a target="_blank" href="http://www.jvnande.com/"><em>Jorge Vaz Nande</em></a><em> (argumentista do </em><a target="_blank" href="http://www.bode-expiatorio.com/"><em>Bode Expiat&oacute;rio</em></a><em> e colaborador das </em><a target="_blank" href="http://www.producoesficticias.pt/"><em>Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias)</em></a></p>
<h2>Oito ideias &#8211; t&oacute;picos de reflex&atilde;o</h2>
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: rgb(0, 0, 0);">- Como se sabe qual &eacute; a actriz mais burra num plateau?</span></p>
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: rgb(0, 0, 0);">- &Eacute; a que anda a dormir com o argumentista.</span></p>
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: rgb(0, 0, 0);">Piada americana</span></p>
<p>Estas s&atilde;o algumas impress&otilde;es, pressentimentos e tend&ecirc;ncias que, ao longo do meu pouco tempo de profiss&atilde;o (mais aquele que com ela namorei), fui guardando na carteira mental.</p>
<h3>O registo duma obra cultural &eacute; absurdamente alto</h3>
<p>Come&ccedil;ando pelo vil metal: desde o dia 12 de Mar&ccedil;o de 2005 que o registo de uma obra intelectual ou art&iacute;stica na Inspec&ccedil;&atilde;o-Geral das Actividades Culturais custa &euro;25 de emolumentos, mais &euro; 0,30 de portes. At&eacute; ao dia anterior, a taxa de emolumentos mantinha-se como sempre tinha estado, ou seja, &euro; 0,90. Num dia, a subida foi de 2778 por cento.  O registo da obra cultural n&atilde;o &eacute; constitutivo do direito de autor sobre ela, mas isso n&atilde;o significa que seja um luxo. Se tivermos em conta que este registo &eacute; obrigat&oacute;rio para um argumentista que se quiser candidatar a um apoio estatal, temos um relance da m&aacute;quina governamental a funcionar em toda a sua beleza. A redu&ccedil;&atilde;o deste valor deve ser sumariamente exigida &ndash; isto se queremos assumir que vivemos numa sociedade que realmente valoriza a cria&ccedil;&atilde;o enquanto factor de desenvolvimento.</p>
<h3>O argumentista &eacute; um autor</h3>
<p>Tanto o &eacute; que <a target="_blank" href="http://www.blogdecine.com/2007/03/27-guillermo-arriaga-consigue-convertir-a-los-guionistas-en-escritores-de-cine">Guillermo Arriaga prefere a designa&ccedil;&atilde;o &quot;escritor de cinema&quot; para o vincar ainda mais</a>. Enquanto autor, o argumentista &eacute; a face duma ideia particular de linguagem, de narrativa e de mundo e, enquanto <a target="_blank" href="http://argumentistas.org/?p=71">contador de hist&oacute;rias contempor&acirc;neo por excel&ecirc;ncia</a>, &eacute; o &uacute;ltimo elo numa cadeia que se estende at&eacute; Homero, at&eacute; ao Gilgamesh, at&eacute; ao primeiro homem que pintou a parede duma caverna. Talvez demore tempo at&eacute; que na fic&ccedil;&atilde;o audiovisual nacional haja uma acumula&ccedil;&atilde;o assinal&aacute;vel do mesmo tipo de marcas autorais que nos permitem dizer que um filme &eacute; um Wilder, um Potter, um Mamet, um Sorkin, um Ball, mas o medo &eacute; o pior veneno em Portugal &#8211; n&atilde;o sejamos c&uacute;mplices dele. Um filme &quot;escrito por&#8230;&quot; pode vender um DVD t&atilde;o bem como um filme &quot;realizado&rdquo; ou &ldquo;produzido por&#8230;&quot;. Cultive-se a originalidade das vozes.</p>
<h3>A fic&ccedil;&atilde;o audiovisual &eacute; um neg&oacute;cio</h3>
<p>O sistema de produ&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s encontrou uma maneira de funcionar com base nas mec&acirc;nicas dos subs&iacute;dios<sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/#footnote_0_202" id="identifier_0_202" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Nem todo: na televis&amp;atilde;o, as telenovelas e as s&amp;eacute;ries c&amp;oacute;micas de grande p&amp;uacute;blico, respons&amp;aacute;veis pela forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um enorme n&amp;uacute;mero de profissionais, contrariam esta afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e antecipam o passo seguinte: o da exist&amp;ecirc;ncia de um sector privado de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o aut&amp;oacute;nomo, que aposta principalmente na originalidade narrativa, e n&amp;atilde;o na seguran&amp;ccedil;a do banal ou do pequeno esc&amp;acirc;ndalo, para conquistar a sua audi&amp;ecirc;ncia. Mas quando?">1</a></sup>&nbsp; e n&atilde;o nas do neg&oacute;cio, sem ter chegado a experimentar<sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/#footnote_1_202" id="identifier_1_202" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="N&amp;atilde;o &amp;eacute; bem verdade &amp;#8211; quem vir os filmes que o Rep&amp;oacute;rter X fez para a Invicta Filmes percebe que, com todos os defeitos que possam ter, h&amp;aacute; neles mais energia e imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que em muitos produtos actuais.">2</a></sup>&nbsp; <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roger_Corman">um sistema de produ&ccedil;&atilde;o e um modelo de neg&oacute;cio semelhantes &agrave;queles com que Roger Corman trabalha h&aacute; 50 anos</a>: um n&uacute;mero enorme de sucessivas produ&ccedil;&otilde;es assentes em micro-or&ccedil;amentos, rodagens extremamente r&aacute;pidas, hist&oacute;rias fortes e sensacionalistas e elencos reduzidos ao m&iacute;nimo. Cada uma destas produ&ccedil;&otilde;es poder&aacute; n&atilde;o ter uma rentabilidade muito grande, mas cobre o investimento inicial com um retorno menor e, como tal, garante o capital indispens&aacute;vel para partir para a seguinte. Isto <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roger_Corman#.22The_Corman_Film_School.22">faz escola</a> e, mais importante, poder&aacute; gerar o impulso necess&aacute;rio para o avi&atilde;o levantar por si s&oacute;.</p>
<h3>O argumento &eacute; um neg&oacute;cio</h3>
<p>A famosa greve americana de 2007-2008 mostrou que o poder dos argumentistas americanos vem, para al&eacute;m de um &oacute;bvio respeito m&uacute;tuo entre as classes profissionais do espect&aacute;culo, de uma assun&ccedil;&atilde;o &oacute;bvia: a de que o produto escrito &eacute; uma mais-valia econ&oacute;mica; &eacute; mais facilmente export&aacute;vel e, como tal, rent&aacute;vel; e &eacute; mais facilmente sindicado e reposto. No fim de contas, o produto escrito &eacute; preferido porque &eacute; mais visto &#8211; o que talvez sirva para explicar porque &eacute; que os reality-shows derivaram rapidamente de uma promessa da &quot;vida real&quot; para um formato que, mais ou menos ficcionado, visivelmente incorpora uma linha narrativa. A for&ccedil;a dos argumentistas vem da sua uni&atilde;o, mas tamb&eacute;m da sua capacidade de gerar dinheiro e de fazer a ind&uacute;stria avan&ccedil;ar.  Aqui residiu a peculiaridade da greve, mal entendida pela Esquerda portuguesa: &eacute; que ningu&eacute;m queria mais interromp&ecirc;-la do que os pr&oacute;prios argumentistas. Se a ind&uacute;stria ficasse prejudicada, eles seriam imediatamente arrastados. Mas o avan&ccedil;o daquela (nos mares da distribui&ccedil;&atilde;o digital) n&atilde;o podia ser feito &agrave; custa deles. A sua autoria d&aacute;-lhes o direito a participar nos lucros feitos com base nos produtos por eles escritos. E, para reger isso, est&atilde;o <a target="_blank" href="http://www.wga.org/subpage_writersresources.aspx?id=1610">as 600 p&aacute;ginas do contrato-base da WGA</a>.  N&oacute;s n&atilde;o temos um contrato-base. Temos uma tabela de refer&ecirc;ncia que sofre por n&atilde;o existirem padr&otilde;es de neg&oacute;cio estabelecidos. O esfor&ccedil;o futuro da APAD deve ser no sentido de alargar a base de s&oacute;cios (talvez pela redu&ccedil;&atilde;o da j&oacute;ia de entrada?), de modo a aumentar o seu poder de representatividade e, como tal, influenciar a defini&ccedil;&atilde;o de modelos de neg&oacute;cio espec&iacute;ficos dentro da ind&uacute;stria de espect&aacute;culo portuguesa.</p>
<h3>O online &eacute; um neg&oacute;cio</h3>
<p>Edward Zwick e Marshall Herskovitz, dois dos maiores produtores de Hollywood (&quot;O &Uacute;ltimo Samurai&quot;, &quot;Traffic&quot;, &quot;I Am Sam&quot;, &quot;Blood Diamond&quot;), tiveram uma ideia para uma s&eacute;rie televisiva que n&atilde;o conseguiram vender. Ent&atilde;o, o passo seguinte foi dizer &quot;Porque n&atilde;o p&ocirc;-lo na Internet?&quot;. E assim nasceu o <a target="_blank" href="http://www.quarterlife.com/">Quarterlife</a>. Meses depois, com comunidade criada e tudo, foi a primeira s&eacute;rie de webis&oacute;dios &quot;exportada&quot; para os tradicionais ecr&atilde;s de televis&atilde;o.  A benesse da distribui&ccedil;&atilde;o online, principalmente se apoiada nos modelos publicit&aacute;rios da <a target="_blank" href="http://slatev.com/">SlateV</a>, do <a target="_blank" href="http://www.hulu.com/">Hulu</a> ou do <a target="_blank" href="http://www.southparkstudios.com/">site do South Park</a>, serve tanto o espectador &mdash; que v&ecirc; quando quer -, como o anunciante &#8211; que s&oacute; paga a publicidade que &eacute; efectivamente vista&mdash;, como o difusor &#8211; que fica sem intermedi&aacute;rios entre si e o seu p&uacute;blico. Para al&eacute;m do mais, o produto est&aacute; sempre dispon&iacute;vel &#8211; portanto, a receita publicit&aacute;ria do primeiro epis&oacute;dio do South Park n&atilde;o se esgota numa transmiss&atilde;o, estendendo-se e multiplicando-se at&eacute; &agrave; eternidade&#8230; juntemos-lhe ferramentas como o <a target="_blank" href="http://www.revver.com/">Revver</a> ou o <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/partners">programa de partilha de lucros publicit&aacute;rios que o YouTube implementou</a> para perceber que este tipo de distribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma mera descarga de consci&ecirc;ncia &#8211; &eacute; uma forma de ganhar dinheiro que sustenta j&aacute; <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/members?s=ms&amp;t=a&amp;g=5">uma s&eacute;rie de autores</a>.</p>
<h3>Olhar para Espanha</h3>
<p>Vivemos ao lado &#8211; mesmo &#8211; de uma cinematografia que vence Oscares, com realizadores, actores e argumentistas que se souberam exportar. Porque &eacute; que n&oacute;s n&atilde;o o conseguimos? Vamos continuar a comparar Salazar com Franco? Ou a queixarmo-nos de que somos um pa&iacute;s muito pequeno? Ent&atilde;o, talvez devamos&hellip;</p>
<h3>Olhar para o outro lado do mundo</h3>
<p>A Film Comission da Nova Zel&acirc;ndia, ant&iacute;poda com metade do nosso tamanho, quis impulsionar a exist&ecirc;ncia de uma cinematografia nacional nos anos 80. Para tal, seleccionou formadores internacionais em diferentes disciplinas (um deles foi Linda Seger, que esteve em Julho a orientar um workshop no Festival de Avanca) para darem aulas a um grupo de neo-zelandeses. Entre estes, estava Peter Jackson. Esse grupo come&ccedil;ou a escrever, a produzir, a filmar e tamb&eacute;m a dar forma&ccedil;&atilde;o &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es posteriores de cineastas neo-zelandeses. Resultado: um cinema bem interessante, com caracter&iacute;sticas muito pr&oacute;prias, alto potencial de exporta&ccedil;&atilde;o e de gera&ccedil;&atilde;o de receitas, promotor tur&iacute;stico do seu pa&iacute;s e, acima de tudo, <a target="_blank" href="http://imagensdemarca.sapo.pt/opinioes/detalhes.php?id=967"><em>cool</em></a>. Sem grandes preocupa&ccedil;&otilde;es de se estar a fazer uma obra-prima e com a simples pretens&atilde;o de fazer um filme interessante, as coisas aconteceram &#8211; e aconteceram at&eacute; a&#8217; &quot;O Senhor dos An&eacute;is&quot;.</p>
<h3>Olhar para a Nig&eacute;ria</h3>
<p><object width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000"><param value="true" name="allowFullScreen" /><param value="http://www.youtube.com/v/X-42NCowBYk&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" name="src" /><embed width="425" height="344" allowfullscreen="true" src="http://www.youtube.com/v/X-42NCowBYk&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object></p>
<p>A Nig&eacute;ria n&atilde;o tem salas de cinema, mas com <a target="_blank" href="http://www.wired.com/entertainment/hollywood/news/2007/07/nollywood">300 realizadores a produzirem uma m&eacute;dia anual de 2400 filmes </a>or&ccedil;amentados entre os 10 mil e os 25 mil d&oacute;lares, consegue gerar receitas na ordem dos 286 milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano. A Nig&eacute;ria pode estar no 158&ordm; lugar do ranking do &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano da ONU, mas tem <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=qpPXgStqjfs">a terceira maior ind&uacute;stria de cinema do mundo</a> depois da &Iacute;ndia e dos EUA.</p>
<p>Devemos sempre olhar para a Nig&eacute;ria. Sempre.</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_202" class="footnote">Nem todo: na televis&atilde;o, as telenovelas e as s&eacute;ries c&oacute;micas de grande p&uacute;blico, respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o de um enorme n&uacute;mero de profissionais, contrariam esta afirma&ccedil;&atilde;o e antecipam o passo seguinte: o da exist&ecirc;ncia de um sector privado de produ&ccedil;&atilde;o aut&oacute;nomo, que aposta principalmente na originalidade narrativa, e n&atilde;o na seguran&ccedil;a do banal ou do pequeno esc&acirc;ndalo, para conquistar a sua audi&ecirc;ncia. Mas quando?</li><li id="footnote_1_202" class="footnote">N&atilde;o &eacute; bem verdade &#8211; quem vir os filmes que o Rep&oacute;rter X fez para a Invicta Filmes percebe que, com todos os defeitos que possam ter, h&aacute; neles mais energia e imagina&ccedil;&atilde;o do que em muitos produtos actuais.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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