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	<title>argumentistas.org &#187; Amália</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
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		<title>&#8220;Amália&#8221; chega hoje às salas</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/12/amalia-chega-hoje-as-salas/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 13:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Amália]]></category>
		<category><![CDATA[estreias]]></category>

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		<description><![CDATA[O filme sobre Amália chega às salas de cinema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chega hoje &agrave;s salas de cinema em Portugal, o muito aguardado biopic sobre Am&aacute;lia Rodrigues: &quot;Am&aacute;lia, o Filme&quot;. O projecto &eacute; realizado por Carlos Coelho Silva (&quot;O Crime do Padre Amaro&quot;), numa produ&ccedil;&atilde;o da Valentim de Carvalho Filmes.</p>
<p>Na edi&ccedil;&atilde;o de Outubro da Revista da APAD <a href="http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/">entrevistamos o guionista, Pedro Marta Santos</a>, que nos falou um pouco sobre o projecto. Esta &eacute; uma das suas respostas:</p>
<p><em><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Sentiu o peso da responsabilidade ao escrever um gui&atilde;o sobre uma figura nacional?</strong></em><br />
<em>PMS &#8211; Senti, provavelmente como um argumentista grego sentiria ao escrever um gui&atilde;o sobre Maria Callas. Como diria o Alvin Sargent ( guionista de seis dos melhores filmes norte-americanos dos &uacute;ltimos 40 anos &ndash; &ldquo;&rdquo;Straight Time&rdquo;, &ldquo;Julia&rdquo;, Bobby Deerfield&rdquo;, &ldquo;Paper Moon&rdquo;, &ldquo;I Walk the Line&rdquo; e &ldquo;Stalking Moon&rdquo; &ndash; e autor dum filmezinho oculto chamado &ldquo;Homem-Aranha 2&rdquo;), &ldquo;com o grande poder vem a grande responsabilidade&rdquo;.</em> <em>O potencial poder comunicativo de um filme sobre Am&aacute;lia &eacute; imenso, mas a responsabilidade &eacute; ainda maior.</em></p>
<p>Este &eacute; o site oficial: <a href="http://www.amaliathemovie.com">http://www.amaliathemovie.com/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:04:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Actual]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
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		<category><![CDATA[A vida privada de Salazar]]></category>
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		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Marta Santos]]></category>
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		<description><![CDATA[Pedro Marta Santos é o guionista do momento: em breve estrearão dois projectos de sua autoria: o muito aguardado biopic sobre Amália Rodrigues (”Amália”) e uma série televisiva dedicada à figura de Salazar (”A Vida Privada de Salazar”). Os dois projectos são ingredientes suficientes para uma conversa interessante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><em><a href="http://www.imdb.com/name/nm1503364/">Pedro Marta Santos </a>&eacute; o guionista do momento: em breve estrear&atilde;o dois projectos de sua autoria. O primeiro &eacute; muito aguardado biopic sobre Am&aacute;lia Rodrigues (&rdquo;Am&aacute;lia&rdquo;) e o segundo &eacute; uma s&eacute;rie televisiva dedicada &agrave; figura de Salazar (&rdquo;A Vida Privada de Salazar&rdquo;). Os dois projectos s&atilde;o uma produ&ccedil;&atilde;o da VC Filmes, uma nova divis&atilde;o da Valentim de Carvalho liderada por Manuel S. Fonseca. Tudo ingredientes suficientes para uma conversa interessante.</em></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/pedro-marta-santos-foto.jpg"><img width="500" height="400" class="size-full wp-image-194" title="pedro-marta-santos-foto" alt="O guionista Pedro Marta Santos" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/pedro-marta-santos-foto.jpg" /></a>&nbsp;</p>
<h2>Sobre &ldquo;Am&aacute;lia&rdquo;</h2>
<p><strong>APAD &#8211; Como surgiu um projecto t&atilde;o marcante como o biopic sobre Am&aacute;lia?</strong></p>
<p>PEDRO MARTA SANTOS &#8211; Na cabe&ccedil;a sempre atenta do Manuel Fonseca, o director da Valentim de Carvalho Filmes. Estando esta empresa associada ao Grupo Valentim de Carvalho, detentor dos direitos musicais de uma vasta discografia amaliana, a pergunta para n&oacute;s foi: como n&atilde;o o fazer?</p>
<p><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Sentiu o peso da responsabilidade ao escrever um gui&atilde;o sobre uma figura nacional?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Senti, provavelmente como um argumentista grego sentiria ao escrever um gui&atilde;o sobre Maria Callas. Como diria o Alvin Sargent ( guionista de seis dos melhores filmes norte-americanos dos &uacute;ltimos 40 anos &ndash; &ldquo;&rdquo;Straight Time&rdquo;, &ldquo;Julia&rdquo;, Bobby Deerfield&rdquo;, &ldquo;Paper Moon&rdquo;, &ldquo;I Walk the Line&rdquo; e &ldquo;Stalking Moon&rdquo; &ndash; e autor dum filmezinho oculto chamado &ldquo;Homem-Aranha 2&rdquo;), &ldquo;com o grande poder vem a grande responsabilidade&rdquo;.<br />
O potencial poder comunicativo de um filme sobre Am&aacute;lia &eacute; imenso, mas a responsabilidade &eacute; ainda maior.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Como foi a organiza&ccedil;&atilde;o narrativa de uma hist&oacute;ria t&atilde;o grande e diversificada? Quais foram os pontos chave para estruturar o gui&atilde;o?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Depois de quatro meses a ler todas as notas de rodap&eacute;, ver todas as imagens e escutar todas as grava&ccedil;&otilde;es actualmente dispon&iacute;veis sobre &ndash; e com &ndash; Am&aacute;lia Rodrigues, surgiram de forma natural duas ou tr&ecirc;s linhas de for&ccedil;a, ideias recorrentes impressas na vida e palavras da Am&aacute;lia: a sua personalidade exterior procurava sempre a alegria, mas encontrava quase sempre a solid&atilde;o; a dimens&atilde;o popular de Am&aacute;lia foi, em grande medida, um sistema de fuga a uma dimens&atilde;o interior marcada pelo isolamento; e, a sintetizar, a Am&aacute;lia-mulher era solar, viva, de resposta sempre pronta, mas acabava por cair num &ldquo;looking for love in all the wrong places&rdquo;.<br />
Encontrada a chave do conceito, o resto tornou-se mais f&aacute;cil.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Como decidiu as personagens da vida de Am&aacute;lia que deviam entrar e as que deviam ficar de fora?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Nalguns casos, atrav&eacute;s da regularidade e intensidade com que a pr&oacute;pria Am&aacute;lia falava delas ao longo dos anos. Noutros casos, pela intui&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a dramat&uacute;rgica que algumas delas poderiam desempenhar em pontos decisivos do conflito.<br />
Nas primeiras vers&otilde;es, havia figuras apaixonantes (Rui Valentim de Carvalho, Alberto Janes, Frederico Val&eacute;rio) que tivemos de reduzir ou, simplesmente, anular pela reduzida potencialidade dram&aacute;tica no quadro da hist&oacute;ria que quer&iacute;amos contar.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que preocupa&ccedil;&otilde;es teve com a escrita dos di&aacute;logos?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Primeiro e sempre: cumprirem a sua fun&ccedil;&atilde;o informativa no desenvolvimento da ac&ccedil;&atilde;o. Em segundo lugar: nunca se substitu&iacute;rem a ela.<br />
Por &uacute;ltimo: encontrar um registo naturalista mas envolvente, que fizesse jus &agrave; intelig&ecirc;ncia espont&acirc;nea e ao registo emocional de Am&aacute;lia.<br />
Tudo adaptado &agrave;s pequenas nuances pr&oacute;prias a cada &eacute;poca do tempo de ac&ccedil;&atilde;o (de 1920 a 1974, com um pre&acirc;mbulo-ep&iacute;logo em 1984).</p>
<p><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Como se documentou (livros, filmes, &aacute;udios, testemunhos reais) sobre a figura?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Com voracidade conscienciosa e a ajuda da Manuela Martins, a excelente jornalista que nos ajudou a fazer o trabalho de pesquisa.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Qual &eacute; o peso da m&uacute;sica no gui&atilde;o? Como se estrutura uma hist&oacute;ria sobre uma cantora?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Como imagina, o peso &eacute; grande. No entanto, n&atilde;o podemos ceder &agrave; pregui&ccedil;a de uma abordagem meramente ilustrativa &ndash; a voz e o g&eacute;nio de Am&aacute;lia s&atilde;o t&atilde;o claros que &eacute; um impulso tentador &ndash; como n&atilde;o podemos fazer depender a estrutura do argumento da evolu&ccedil;&atilde;o na carreira da cantora (suponho que isto servir&aacute; para qualquer &ldquo;biopic&rdquo; musical).<br />
Em &ldquo;Am&aacute;lia&rdquo;, o que nos interessou mais foi o reflexo da vida na m&uacute;sica, n&atilde;o o oposto.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Como foi o processo de escrita? Pode-nos contar um pouco sobre os pequenos dramas di&aacute;rios da escrita do filme? Como &eacute; trabalhar em equipa?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Nem o grande Billy Wilder se considerou auto-suficiente para escrever certos projectos a solo &ndash; os seus melhores filmes como realizador/guionista s&atilde;o os que partilhou na escrita com Charles Brackett, primeiro, e I.A.L. Diamond, depois (tamb&eacute;m &eacute; verdade que acabou por se chatear com ambos).<br />
Eu e o Jo&atilde;o Tordo, conscientes da nossa fraca natureza e importantes limita&ccedil;&otilde;es, adoptamos outra estrat&eacute;gia: depois de eu escrever o tratamento, ele escreveu a primeira vers&atilde;o do gui&atilde;o. Eu escrevi a segunda vers&atilde;o sobre a dele, e ele fez o mesmo para escrever a terceira &#8211; e assim sucessivamente.<br />
Para a vers&atilde;o final, trocamos ideias como adultos e discutimos como adolescentes. Foi divertido, e o ego de ambos sobreviveu.</p>
<p><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Como foi a rela&ccedil;&atilde;o com o realizador? Em que momentos concordaram e divergiram?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Foi &oacute;ptima. O Carlos Coelho da Silva tem um instinto forte para as solu&ccedil;&otilde;es visuais, o que facilita a vida ao argumentista. No que divergimos, n&atilde;o houve nada que um bom tinto alentejano n&atilde;o tenha resolvido a contento.</p>
<h2>Sobre &ldquo;A Vida Privada de Salazar&rdquo;</h2>
<p><strong>APAD &#8211; Como surgiu o projecto?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Das piores coisas que um argumentista pode fazer &eacute; repetir-se, mas: Uma vez mais, a ideia surgiu da mente hiper-activa do director da VC Filmes, Manuel Fonseca.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que caracter&iacute;sticas acha mais importantes para a escrita de uma mini-s&eacute;rie televisiva?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Ter a percep&ccedil;&atilde;o da mente humana de Linda La Plante (&ldquo;Prime Suspect&rdquo; 1 a 3), o sentido do espect&aacute;culo de J.J. Abrams (&ldquo;Lost&rdquo;), o &ldquo;timing&rdquo; nas r&eacute;plicas de Aaron Sorkin (&ldquo;West Wing&rdquo;, &ldquo;Studio 60 on the Sunset Strip&rdquo;) e o entendimento da alma de Krzysztof Piesiewicz (&ldquo;Dekalog&rdquo;, a &ldquo;trilogia das cores&rdquo; de Kieslowski). Na aus&ecirc;ncia de tudo isso, &eacute; rezar para descobrir tr&ecirc;s coisas:<br />
- uma premissa &agrave; prova de bala<br />
- uma personagem principal cujos conflitos possam ser traduzidos em ac&ccedil;&atilde;o e sustentem satisfatoriamente a intriga ao longo de 180 minutos<br />
- um olhar, um ponto de vista muito espec&iacute;fico sobre os objectivos e motiva&ccedil;&otilde;es do(s) protagonista(s)</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que ingredientes deve ter uma s&eacute;rie hist&oacute;rica</strong>?</p>
<p>PMS &#8211; O principal &ndash; e mais complexo &ndash; parece-me ser o equil&iacute;brio exacto entre factos e fic&ccedil;&atilde;o. Numa s&eacute;rie hist&oacute;rica, a realidade nunca &eacute; suficiente, mas se os factos nucleares n&atilde;o s&atilde;o respeitados, perde-se o mais importante: a verosimilhan&ccedil;a.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que estrat&eacute;gia usou para estruturar a s&eacute;rie e os seus epis&oacute;dios?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Antes de mais, encontrar o ponto de vista: adoptamos o de Christine Garnier, a mais c&eacute;lebre &ndash; e p&uacute;blica &ndash; amante de Salazar, uma jornalista francesa que conhece o presidente do Conselho no Ver&atilde;o de 1951 e sobre ele escrever&aacute; o eleg&iacute;aco &ldquo;Mes Vacances avec Salazar&rdquo;. Na nossa fic&ccedil;&atilde;o, Christine &eacute; uma narradora omnisciente &ndash; e n&atilde;o necessariamente paneg&iacute;rica &ndash; da vida privada do ditador.<br />
Depois, foi necess&aacute;rio encontrar o tom e o ritmo da progress&atilde;o dram&aacute;tica relativamente a cada uma das figuras cruciais &ndash; mulheres, na sua maioria &ndash; no percurso do cidad&atilde;o Ant&oacute;nio de Oliveira Salazar, tomando op&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; forma como elas se entrecruzam, e quanto &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de &ldquo;espelho&rdquo; (reflexo de uma faceta e tempo precisos do protagonista) que cada uma delas desempenha na intriga global.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Quais s&atilde;o os pontos marcantes do gui&atilde;o? Sobre o que &eacute; a s&eacute;rie?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Os pontos marcantes s&atilde;o os que correspondem, na nossa interpreta&ccedil;&atilde;o, &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es decisivas da vida privada do ditador: o primeiro momento em que rejeita algu&eacute;m; o primeiro momento em que &eacute; rejeitado &ndash; este definidor de todo o seu percurso futuro, inclusive no plano pol&iacute;tico; e o &uacute;nico momento em que arrisca prescindir do poder em benef&iacute;cio de uma vida familiar, mais &ldquo;normalizada&rdquo;.<br />
A s&eacute;rie lan&ccedil;a mais perguntas do que oferece respostas, mas talvez se possa dizer que &ldquo;A Vida Privada de Salazar&rdquo; &eacute; sobre a forma como um homem nega intimamente tudo aquilo que defendeu publicamente.<br />
O Salazar privado &eacute;, em certa medida, o oposto do &ldquo;orgulhosamente s&oacute;s&rdquo;.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como trabalha para ter um leque de personagens diferenciadas?</strong></p>
<p>PMS &#8211; H&aacute; v&aacute;rias t&eacute;cnicas, e cada argumentista tem a sua. Encontrar as fraquezas de car&aacute;cter espec&iacute;ficas a cada personagem parece-me um bom princ&iacute;pio.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Teve algumas restri&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o ou realiza&ccedil;&atilde;o durante a escrita?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Nenhuma, a n&atilde;o ser o sempre desagrad&aacute;vel choque com a realidade que implica n&atilde;o ter dez milh&otilde;es de d&oacute;lares &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para rebentar pontes e p&ocirc;r dez mil figurantes no Terreiro do Pa&ccedil;o com trajes de &eacute;poca.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como se documentou para escrever a hist&oacute;ria?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Novamente atrav&eacute;s de todas as fontes bibliogr&aacute;ficas e videogr&aacute;ficas dispon&iacute;veis em Portugal, al&eacute;m de depoimentos de recolha pr&oacute;pria e uma pesquisa coordenada, uma vez mais, pela expedit&iacute;ssima Manuela Martins.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A s&eacute;rie ter&aacute; alguma revela&ccedil;&atilde;o surpresa sobre a personalidade de Salazar?</strong></p>
<p>PMS &#8211; V&aacute;rias. Teremos todo o interesse e prazer em que as descubram numa noite de Novembro pr&oacute;ximo, na SIC.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que complica&ccedil;&otilde;es surgiram no decorrer destes dois projectos? H&aacute; algum epis&oacute;dio mais caricato ou problem&aacute;tico no processo de escrita destes dois projectos?</strong></p>
<p>PMS &#8211; N&atilde;o houve qualquer complica&ccedil;&atilde;o que exceda os limites naturais de um pa&iacute;s pequeno com alguns problemas em lidar de forma clara e desempoeirada com o seu passado recente. O resto foi o Para&iacute;so.</p>
<h2>Sobre o Of&iacute;cio de ser Guionista</h2>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para escrever uma boa hist&oacute;ria.</strong></p>
<p>PMS &#8211; &Eacute; um lugar-comum, mas as palavras de William Goldman no seminal &ldquo;Adventures in the Screen Trade&rdquo; ainda s&atilde;o o que de mais importante li at&eacute; hoje sobre a escrita de argumento: &ldquo;um argumento &eacute; estrutura&rdquo;.<br />
Acrescentaria: um argumento s&atilde;o tr&ecirc;s coisas &ndash; estrutura, estrutura e estrutura.<br />
Um gui&atilde;o &eacute; como um castelo de cartas. Se alguma carta est&aacute; mal disposta no conjunto, ou colocada no local errado, o castelo desmorona-se.<br />
Sem estrutura n&atilde;o h&aacute; drama. Sem drama n&atilde;o h&aacute; conflito. Sem conflito n&atilde;o h&aacute; argumento. Sem argumento n&atilde;o h&aacute; filme, e tenho que voltar ao jornalismo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para construir uma personagem cativante.</strong></p>
<p>PMS &#8211; Responder &agrave;s seguintes tr&ecirc;s perguntas:<br />
- O que &eacute; que esta personagem quer?<br />
- Do que &eacute; que ela tem mais medo?<br />
- Se estivesse a morrer, qual a &uacute;ltima coisa que diria (obviamente, sem ser &ldquo;Rosebud&rdquo; ou &ldquo;Fredo&hellip;&rdquo;)?</p>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para construir uma cena forte.</strong></p>
<p>PMS &#8211; Entrar na cena o mais tarde poss&iacute;vel.<br />
- Sair da cena o mais cedo poss&iacute;vel.<br />
- Pelo meio, p&ocirc;r as personagens a falar o menos poss&iacute;vel.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para escrever um bom di&aacute;logo.</strong></p>
<p>PMS &#8211; Escrever pouco (&ldquo;action is character&rdquo;, e o resto &eacute; conversa).<br />
- Como diria o s&aacute;dico Hitchcock, escrever as cenas de amor como cenas de ac&ccedil;&atilde;o e as cenas de ac&ccedil;&atilde;o como cenas de amor.<br />
- Tratar todos os di&aacute;logos como um duelo de vida ou morte (mesmo que se trate de pedir um caf&eacute; e uma torrada).</p>
<p><strong>APAD</strong> &#8211; Como &eacute; ser argumentista em Portugal?</p>
<p>PMS &#8211; &Agrave; excep&ccedil;&atilde;o das pessoas que d&atilde;o todo o seu talento e suor para permitir que existam telenovelas em Portugal prontas &agrave; velocidade da luz, n&atilde;o existem argumentistas em Portugal. Ainda n&atilde;o somos uma profiss&atilde;o, somos uma perturba&ccedil;&atilde;o neur&oacute;tica.<br />
Tento escrever gui&otilde;es de longa-metragem h&aacute; 10 anos, e neste momento tenho o rar&iacute;ssimo privil&eacute;gio de trabalhar numa estrutura onde sou tratado como um guionista. Espero que haja muitos mais rapidamente. Quanto mais houver, mais todos beneficiam do triunfo de cada um.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; a sua rela&ccedil;&atilde;o com produtores e realizadores?</strong></p>
<p>PMS &#8211; A melhor poss&iacute;vel. Tive a sorte de escrever filmes (alguns n&atilde;o se concretizaram por minha culpa ou devido a problemas de financiamento, outros est&atilde;o em fase de montagem financeira) para Alexandre Valente, Leonel Vieira e Ant&oacute;nio-Pedro Vasconcelos, e todos eles t&ecirc;m uma vis&atilde;o particular, mas extremamente v&aacute;lida, do que pode ser uma parte nuclear do futuro cinema portugu&ecirc;s.</p>
<p><strong>APAD &#8211; &Eacute; um guionista que n&atilde;o est&aacute; agrupado em nenhuma empresa de guionismo. Prefere o trabalho independente ou em pequenas equipas?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Em pequenas equipas. N&atilde;o no acto da escrita, que s&oacute; &eacute; funcional se for essencialmente solit&aacute;rio (da&iacute;, p. ex., a op&ccedil;&atilde;o de escrever o &ldquo;Am&aacute;lia&rdquo; a quatro m&atilde;os, mas &agrave; dist&acirc;ncia). Mas o trabalho de equipa &eacute; imprescind&iacute;vel nas v&aacute;rias fases do desenvolvimento do projecto, na pr&eacute;-produ&ccedil;&atilde;o, no acompanhamento da rodagem e nas fascinantes excita&ccedil;&otilde;es sinf&oacute;nicas da p&oacute;s-produ&ccedil;&atilde;o.<br />
&Eacute; outra das &ndash; poucas &ndash; verdades absolutas em cinema: o cinema &eacute; uma arte eminentemente colectiva.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Acha que em Portugal existe uma verdadeira ind&uacute;stria audiovisual (mesmo que pequena)?</strong></p>
<p>PMS &#8211; N&atilde;o. Mas estou convicto de que a VC Filmes lhe poder&aacute; responder de outra maneira daqui a cinco anos.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Quais s&atilde;o os seus pr&oacute;ximos projectos?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Velar pela sa&uacute;de narrativa de uma com&eacute;dia rom&acirc;ntica.</p>
 <div class='series_links'> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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