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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
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		<title>Estreia de filme &#8220;Duas Mulheres&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 16:10:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema português]]></category>
		<category><![CDATA[estreia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estreou o filme "Duas Mulheres", uma produção da Costa do Castelo Filmes com realização de João Mário Grilo. O argumento é de Rui Cardoso Martins e Tereza Coelho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estreou o filme &quot;Duas Mulheres&quot;, uma produ&ccedil;&atilde;o da Costa do Castelo Filmes com realiza&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o M&aacute;rio Grilo. O argumento &eacute; de&nbsp;Rui Cardoso Martins e Tereza Coelho. <a href="http://www.duasmulheres.costacastelo.pt/">Mais informa&ccedil;&otilde;es no site</a>.</p>
<p><object height="225" width="400"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12112665&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="225" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12112665&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" width="400"></embed></object></p>
<p><a href="http://vimeo.com/12112665">TRAILER &#8211; DUAS MULHERES</a> de&nbsp;<a href="http://vimeo.com/user3576259">Costa Castelo</a> em&nbsp;<a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>Do &quot;Di&aacute;rio de Not&iacute;cias&quot;:</p>
<blockquote>
<p>&quot;Duas mulheres&quot; conta a hist&oacute;ria de Joana (Beatriz Batarda), psiquiatra de 40 anos, casada com Paulo (Virg&iacute;lio Castelo), executivo de uma empresa financeira, que trai o marido com outra mulher, M&oacute;nica (D&eacute;bora Monteiro).</p>
</blockquote>
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		<title>Estreia de &#8220;A bela e o paparazzo&#8221;</title>
		<link>http://argumentistas.org/2010/02/estreia-de-a-bela-e-o-paparazzo/</link>
		<comments>http://argumentistas.org/2010/02/estreia-de-a-bela-e-o-paparazzo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 14:59:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
		<category><![CDATA[APAD]]></category>
		<category><![CDATA[Associados]]></category>
		<category><![CDATA[A Bela e o Paparazzo]]></category>
		<category><![CDATA[António-Pedro Vasconcelos]]></category>
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		<category><![CDATA[filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Tiago R. Santos]]></category>

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		<description><![CDATA[Estreou nos cinemas o novo filme realizado por António-Pedro Vasconcelos, com argumento de Tiago R. Santos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estreou nos cinemas o novo filme realizado por Ant&oacute;nio-Pedro Vasconcelos, com argumento de Tiago R. Santos. &quot;A bela e o paparazzo&quot; &eacute; uma com&eacute;dia rom&acirc;ntica, g&eacute;nero pouco explorado em Portugal.</p>
<p><embed allowfullscreen="true" height="350" src="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/IFz6KFbfhvYd9N13CR61/mov/1" type="application/x-shockwave-flash" width="400"></embed></p>
<p>Refira-se que Tiago R. Santos, o jovem argumentista, &eacute; associado da APAD e faz parte da sua dire&ccedil;&atilde;o atual.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:03:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[António Ferreira]]></category>
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		<description><![CDATA[António Ferreira (realizador, argumentista e/ou produtor de filmes como "Esquece tudo o que te disse" e "Respirar debaixo de água") é um dos novos e promissores autores do cinema português.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><em><a href="http://www.imdb.com/name/nm0274278/">Ant&oacute;nio Ferreira</a> (</em><em>realizador, argumentista e/ou produtor de filmes como &quot;Esquece tudo o que te disse&quot; e &quot;Respirar debaixo de &aacute;gua&quot;) </em><em>&eacute; um dos novos e promissores autores do cinema portugu&ecirc;s. <br />
</em></p>
<p><em><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/underwater-rev1-foto.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-211" title="underwater-rev1-foto" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/underwater-rev1-foto.jpg" /></a></em></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku12"><b>APAD &#8211; Como produtor, como reconheces um bom gui&atilde;o? Que qualidades tem de ter para dizeres: quero comprar com este projecto.</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">Ant&oacute;nio Ferreira &#8211; Procuro sobretudo pegar em projectos com os quais me identifique e que veja que t&ecirc;m possibilidades de chegar &agrave; produ&ccedil;&atilde;o. A ZED tem se caracterizado por produzir filmes narrativos, que abordam quest&otilde;es actuais, sejam elas de car&aacute;cter pol&iacute;tico ou sociais. N&atilde;o h&aacute; formulas para gui&otilde;es ou filmes de sucesso, por isso muitas vezes o que me guia &eacute; a intui&ccedil;&atilde;o relativamente ao gui&atilde;o e a quem est&aacute; por detr&aacute;s dele.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku13"><b>APAD &#8211; Recebes muitos gui&otilde;es? Quantos deles tem o m&iacute;nimo de qualidade? Que erros consideras mais comuns num guionista que est&aacute; a come&ccedil;ar?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Sim recebo bastantes. A grande maioria &eacute; de fraca qualidade. Normalmente o que recebo varia entre a tentativa de com&eacute;dia (que normalmente cai na caricatura desinteressante) e a tentativa de filme po&eacute;tico (com os tiques bem portugueses do suposto filme de autor). Quando recebo alguma coisa com interesse, procuro saber mais da pessoa que escreve, bem como ler outras coisas que tenha escrito. Acho que o maior problema dos gui&otilde;es escritos em Portugal, &eacute; o vazio de ideias por detr&aacute;s das hist&oacute;rias&#8230; ou se perdem em formalismos e ensaios est&eacute;ticos, ou acham que o que vai ter sucesso &eacute; uma hist&oacute;ria tipo &ldquo;malucos do riso&rdquo;. Por isso olho sempre para a ideia que est&aacute; por detr&aacute;s de uma hist&oacute;ria e se essa hist&oacute;ria est&aacute; bem contada e adequada ao meio cinematogr&aacute;fico.&nbsp;</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku20"><b>APAD &#8211; Tu escreves muitas vezes com guionistas ou com outros realizadores. Como &eacute; a vossa rela&ccedil;&atilde;o? Como &eacute; o vosso m&eacute;todo?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Costumo dizer que escrevo mais por necessidade do que por voca&ccedil;&atilde;o, pois a escrita &eacute; uma actividade que envolve muita disponibilidade mental, que eu com as fun&ccedil;&otilde;es de realizador e de produtor vou tendo cada vez menos. Quando me associo a algu&eacute;m na escrita, procuro uma pessoa que ache que tem a sensibilidade e o talento adequados para o projecto em causa. Por vezes escrevemos em conjunto, atrav&eacute;s de reuni&otilde;es e trocando vers&otilde;es por email, noutras circunst&acirc;ncias vou apenas acompanhando o processo de escrita juntamente com o argumentista, sendo que este &eacute; que faz o trabalho de colocar no papel o gui&atilde;o propriamente dito.&nbsp;</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku27"><b>APAD &#8211; Quais s&atilde;o as etapas por que passa a escrita de um gui&atilde;o para ti? Escreves logo em formato de argumento? Recorrer a m&eacute;todos como os cart&otilde;es na parede ou a leitura falada dos di&aacute;logos?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Normalmente esbo&ccedil;o um esqueleto do argumento, divis&atilde;o por cenas ou sequ&ecirc;ncias, e tamb&eacute;m costumo usar o m&eacute;todo dos cart&otilde;es na parede. Depois costumo come&ccedil;ar a &ldquo;p&ocirc;r carne&rdquo; em cima desse esqueleto (di&aacute;logos, desenvolvimento da cena, etc), melhorando-o vers&atilde;o ap&oacute;s vers&atilde;o. Normalmente estou a mexer no argumento at&eacute; muito perto da filmagem. Gosto de trabalhar um pouco com os actores antes de fazer uma vers&atilde;o final do gui&atilde;o.&nbsp;</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku34"><b>APAD &#8211; Em termos de estrutura do gui&atilde;o segues algum modelo, como a estrutura dos tr&ecirc;s actos? Tens algum conselho em termos da estrutura do filme?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Sim, tenho em conta os modelos cl&aacute;ssicos, mas n&atilde;o os sigo cegamente. Quando escrevo tenho muito claro que hist&oacute;ria quero contar e os personagens que tenho. Estes factores s&atilde;o o meu &ldquo;farol&rdquo; na escrita de um argumento e s&atilde;o eles que determinam o ritmo e tom do gui&atilde;o.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku39"><b> APAD &#8211; O que faz uma boa cena e um bom di&aacute;logo? Tens algumas dicas ou conselhos?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Eu n&atilde;o acho muito estimulante um tipo de cinema mais contemplativo, como tal, acho que cada cena deve contribuir para o avan&ccedil;o da narrativa e deve ter uma fun&ccedil;&atilde;o clara no argumento. Se uma cena n&atilde;o acrescenta informa&ccedil;&atilde;o, deve na minha opini&atilde;o desaparecer, at&eacute; porque a minha experi&ecirc;ncia diz-me que s&atilde;o essas cenas que depois desaparecem na montagem. Como tal, para mim uma boa cena &eacute; aquela que faz avan&ccedil;ar a narrativa. Um bom di&aacute;logo &eacute; aquele que caracteriza o meu personagem e nos d&aacute; a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria ao avan&ccedil;o da narrativa, de prefer&ecirc;ncia de uma forma cred&iacute;vel e subtil.&nbsp;</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku46"><b> APAD &#8211; Quando est&aacute;s a escrever tens algum tipo de preocupa&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Infelizmente sim, pois &eacute; inevit&aacute;vel como produtor abstrair-me completamente dos aspectos da produ&ccedil;&atilde;o enquanto escrevo. Mas sou da opini&atilde;o que no momento da escrita n&atilde;o nos devemos limitar por quest&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. Esses ajustes devem ser feitos mais tarde, quando o processo de produ&ccedil;&atilde;o se inicia.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku53"><b> APAD &#8211; Costumas apresentar os teus projectos? Tens algum conselho para quem faz um pitch?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Infelizmente o modo de financiamento em Portugal n&atilde;o passa por convencermos quem financia da validade do projecto numa sess&atilde;o de pitching (&eacute; tudo feito atrav&eacute;s de dossiers). Todavia acho importante sermos capazes de resumir o nosso filme num par de par&aacute;grafos, ajuda-nos a ter em mente sobre o que &eacute; o nosso filme.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku60"><b>APAD &#8211; Qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre um guiao e a vers&atilde;o final do filme? O que muda de uma etapa para a outra? Como &eacute; o trabalho com os actores?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Muda muito. Costumo dizer que um gui&atilde;o &eacute; como uma lista de compras que levamos para a rodagem. Essa lista cont&eacute;m os ingredientes necess&aacute;rios a cozinhar o meu filme. Depois &eacute; na montagem que os misturo em diferentes propor&ccedil;&otilde;es. Por isso tamb&eacute;m quando filmo n&atilde;o tenho planifica&ccedil;&otilde;es ou storyboards. &Eacute; no set, com o trabalho com os actores e com o director de fotografia que tomo as decis&otilde;es. Do mesmo modo, &eacute; na montagem, olhando para o que consegui adquirir no &ldquo;supermercado&rdquo;, que decido como vou encadear os planos. Por isso, vejo um filme como um longo processo de cria&ccedil;&atilde;o, din&acirc;mico, que se vai adaptando &agrave;s circunst&acirc;ncias do processo de filmagem. Como tal, depende de filme para filme as diferen&ccedil;as entre o que estava escrito e o que depois apareceu no &eacute;cran.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku75"><b>APAD &#8211; O que achas que o digital trouxe de novo ao cinema? Qual &eacute; a tua experi&ecirc;ncia com o formato?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Acho que o digital veio trazer facilidades de produ&ccedil;&atilde;o a quem tem menos recursos financeiros, embora isso n&atilde;o seja propriamente um milagre, pois os custos de produ&ccedil;&atilde;o de um filme n&atilde;o s&atilde;o apenas os da pel&iacute;cula. Eu pessoalmente sou um f&atilde; de novas tecnologias e desejo a morte s&uacute;bita ao 35mm, que &eacute; um suporte dispendioso, dif&iacute;cil de trabalhar, que consome tempo e dinheiro. As novas c&acirc;maras de alta resolu&ccedil;&atilde;o j&aacute; t&ecirc;m uma qualidade suficiente para os meios de exibi&ccedil;&atilde;o que existem e o 35mm s&oacute; sobrevive ainda por falta de uma rede de distribui&ccedil;&atilde;o em alta defini&ccedil;&atilde;o que come&ccedil;a agora a aparecer. Tamb&eacute;m n&atilde;o devemos esquecer que a vida de um filme no grande &eacute;cran &eacute; pouco mais de 1 ano (exibi&ccedil;&atilde;o comercial e festivais) e que o resto da vida de um filme ser&aacute; em DVD e outros formatos digitais. Por isso, &eacute; cada vez mais absurdo utilizar como suporte a pel&iacute;cula.</p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western" id="ahku82"><b> APAD &#8211; Achas poss&iacute;vel falarmos de uma ind&uacute;stria portuguesa de cinema?</b></p>
<p mce_style="margin-bottom: 0in;" style="margin-bottom: 0in;" class="western">AF &#8211; Acho poss&iacute;vel e desej&aacute;vel. S&atilde;o conhecidas as limita&ccedil;&otilde;es de mercado cinematogr&aacute;fico em Portugal, mas isso n&atilde;o significa que os nossos filmes n&atilde;o possam aspirar a uma depend&ecirc;ncia cada vez menor de subs&iacute;dios e a alcan&ccedil;arem uma saud&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico. Se os nossos filmes tivessem mais espectadores, fazer-se-iam com certeza mais filmes e haveria consideravelmente mais financiamento para as produ&ccedil;&otilde;es. &Eacute; assim em outros pa&iacute;ses europeus, at&eacute; de menor dimens&atilde;o do que o nosso. Agora claro que isso s&oacute; se conseguir&aacute; com mais produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica que nos trar&aacute; diversidade e com filmes que sejam menos voltados para o umbigo dos realizadores e que procurem mais uma rela&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico. Na minha opini&atilde;o, os principais respons&aacute;veis pelo estado m&oacute;rbido da cinematografia portuguesa s&atilde;o os criadores (realizadores e argumentistas) e do poder de decis&atilde;o que continua a esbanjar recursos em projectos que nunca deveriam ter sa&iacute;do do papel.</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:02:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jorge Vaz Nande, argumentista do Bode Expiatório e colaborador das Produções Fictícias, partilha oito ideias para um futuro mais promissor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><em>por </em><a target="_blank" href="http://www.jvnande.com/"><em>Jorge Vaz Nande</em></a><em> (argumentista do </em><a target="_blank" href="http://www.bode-expiatorio.com/"><em>Bode Expiat&oacute;rio</em></a><em> e colaborador das </em><a target="_blank" href="http://www.producoesficticias.pt/"><em>Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias)</em></a></p>
<h2>Oito ideias &#8211; t&oacute;picos de reflex&atilde;o</h2>
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: rgb(0, 0, 0);">- Como se sabe qual &eacute; a actriz mais burra num plateau?</span></p>
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: rgb(0, 0, 0);">- &Eacute; a que anda a dormir com o argumentista.</span></p>
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: rgb(0, 0, 0);">Piada americana</span></p>
<p>Estas s&atilde;o algumas impress&otilde;es, pressentimentos e tend&ecirc;ncias que, ao longo do meu pouco tempo de profiss&atilde;o (mais aquele que com ela namorei), fui guardando na carteira mental.</p>
<h3>O registo duma obra cultural &eacute; absurdamente alto</h3>
<p>Come&ccedil;ando pelo vil metal: desde o dia 12 de Mar&ccedil;o de 2005 que o registo de uma obra intelectual ou art&iacute;stica na Inspec&ccedil;&atilde;o-Geral das Actividades Culturais custa &euro;25 de emolumentos, mais &euro; 0,30 de portes. At&eacute; ao dia anterior, a taxa de emolumentos mantinha-se como sempre tinha estado, ou seja, &euro; 0,90. Num dia, a subida foi de 2778 por cento.  O registo da obra cultural n&atilde;o &eacute; constitutivo do direito de autor sobre ela, mas isso n&atilde;o significa que seja um luxo. Se tivermos em conta que este registo &eacute; obrigat&oacute;rio para um argumentista que se quiser candidatar a um apoio estatal, temos um relance da m&aacute;quina governamental a funcionar em toda a sua beleza. A redu&ccedil;&atilde;o deste valor deve ser sumariamente exigida &ndash; isto se queremos assumir que vivemos numa sociedade que realmente valoriza a cria&ccedil;&atilde;o enquanto factor de desenvolvimento.</p>
<h3>O argumentista &eacute; um autor</h3>
<p>Tanto o &eacute; que <a target="_blank" href="http://www.blogdecine.com/2007/03/27-guillermo-arriaga-consigue-convertir-a-los-guionistas-en-escritores-de-cine">Guillermo Arriaga prefere a designa&ccedil;&atilde;o &quot;escritor de cinema&quot; para o vincar ainda mais</a>. Enquanto autor, o argumentista &eacute; a face duma ideia particular de linguagem, de narrativa e de mundo e, enquanto <a target="_blank" href="http://argumentistas.org/?p=71">contador de hist&oacute;rias contempor&acirc;neo por excel&ecirc;ncia</a>, &eacute; o &uacute;ltimo elo numa cadeia que se estende at&eacute; Homero, at&eacute; ao Gilgamesh, at&eacute; ao primeiro homem que pintou a parede duma caverna. Talvez demore tempo at&eacute; que na fic&ccedil;&atilde;o audiovisual nacional haja uma acumula&ccedil;&atilde;o assinal&aacute;vel do mesmo tipo de marcas autorais que nos permitem dizer que um filme &eacute; um Wilder, um Potter, um Mamet, um Sorkin, um Ball, mas o medo &eacute; o pior veneno em Portugal &#8211; n&atilde;o sejamos c&uacute;mplices dele. Um filme &quot;escrito por&#8230;&quot; pode vender um DVD t&atilde;o bem como um filme &quot;realizado&rdquo; ou &ldquo;produzido por&#8230;&quot;. Cultive-se a originalidade das vozes.</p>
<h3>A fic&ccedil;&atilde;o audiovisual &eacute; um neg&oacute;cio</h3>
<p>O sistema de produ&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s encontrou uma maneira de funcionar com base nas mec&acirc;nicas dos subs&iacute;dios<sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/#footnote_0_202" id="identifier_0_202" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Nem todo: na televis&amp;atilde;o, as telenovelas e as s&amp;eacute;ries c&amp;oacute;micas de grande p&amp;uacute;blico, respons&amp;aacute;veis pela forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um enorme n&amp;uacute;mero de profissionais, contrariam esta afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e antecipam o passo seguinte: o da exist&amp;ecirc;ncia de um sector privado de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o aut&amp;oacute;nomo, que aposta principalmente na originalidade narrativa, e n&amp;atilde;o na seguran&amp;ccedil;a do banal ou do pequeno esc&amp;acirc;ndalo, para conquistar a sua audi&amp;ecirc;ncia. Mas quando?">1</a></sup>&nbsp; e n&atilde;o nas do neg&oacute;cio, sem ter chegado a experimentar<sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/#footnote_1_202" id="identifier_1_202" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="N&amp;atilde;o &amp;eacute; bem verdade &amp;#8211; quem vir os filmes que o Rep&amp;oacute;rter X fez para a Invicta Filmes percebe que, com todos os defeitos que possam ter, h&amp;aacute; neles mais energia e imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que em muitos produtos actuais.">2</a></sup>&nbsp; <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roger_Corman">um sistema de produ&ccedil;&atilde;o e um modelo de neg&oacute;cio semelhantes &agrave;queles com que Roger Corman trabalha h&aacute; 50 anos</a>: um n&uacute;mero enorme de sucessivas produ&ccedil;&otilde;es assentes em micro-or&ccedil;amentos, rodagens extremamente r&aacute;pidas, hist&oacute;rias fortes e sensacionalistas e elencos reduzidos ao m&iacute;nimo. Cada uma destas produ&ccedil;&otilde;es poder&aacute; n&atilde;o ter uma rentabilidade muito grande, mas cobre o investimento inicial com um retorno menor e, como tal, garante o capital indispens&aacute;vel para partir para a seguinte. Isto <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roger_Corman#.22The_Corman_Film_School.22">faz escola</a> e, mais importante, poder&aacute; gerar o impulso necess&aacute;rio para o avi&atilde;o levantar por si s&oacute;.</p>
<h3>O argumento &eacute; um neg&oacute;cio</h3>
<p>A famosa greve americana de 2007-2008 mostrou que o poder dos argumentistas americanos vem, para al&eacute;m de um &oacute;bvio respeito m&uacute;tuo entre as classes profissionais do espect&aacute;culo, de uma assun&ccedil;&atilde;o &oacute;bvia: a de que o produto escrito &eacute; uma mais-valia econ&oacute;mica; &eacute; mais facilmente export&aacute;vel e, como tal, rent&aacute;vel; e &eacute; mais facilmente sindicado e reposto. No fim de contas, o produto escrito &eacute; preferido porque &eacute; mais visto &#8211; o que talvez sirva para explicar porque &eacute; que os reality-shows derivaram rapidamente de uma promessa da &quot;vida real&quot; para um formato que, mais ou menos ficcionado, visivelmente incorpora uma linha narrativa. A for&ccedil;a dos argumentistas vem da sua uni&atilde;o, mas tamb&eacute;m da sua capacidade de gerar dinheiro e de fazer a ind&uacute;stria avan&ccedil;ar.  Aqui residiu a peculiaridade da greve, mal entendida pela Esquerda portuguesa: &eacute; que ningu&eacute;m queria mais interromp&ecirc;-la do que os pr&oacute;prios argumentistas. Se a ind&uacute;stria ficasse prejudicada, eles seriam imediatamente arrastados. Mas o avan&ccedil;o daquela (nos mares da distribui&ccedil;&atilde;o digital) n&atilde;o podia ser feito &agrave; custa deles. A sua autoria d&aacute;-lhes o direito a participar nos lucros feitos com base nos produtos por eles escritos. E, para reger isso, est&atilde;o <a target="_blank" href="http://www.wga.org/subpage_writersresources.aspx?id=1610">as 600 p&aacute;ginas do contrato-base da WGA</a>.  N&oacute;s n&atilde;o temos um contrato-base. Temos uma tabela de refer&ecirc;ncia que sofre por n&atilde;o existirem padr&otilde;es de neg&oacute;cio estabelecidos. O esfor&ccedil;o futuro da APAD deve ser no sentido de alargar a base de s&oacute;cios (talvez pela redu&ccedil;&atilde;o da j&oacute;ia de entrada?), de modo a aumentar o seu poder de representatividade e, como tal, influenciar a defini&ccedil;&atilde;o de modelos de neg&oacute;cio espec&iacute;ficos dentro da ind&uacute;stria de espect&aacute;culo portuguesa.</p>
<h3>O online &eacute; um neg&oacute;cio</h3>
<p>Edward Zwick e Marshall Herskovitz, dois dos maiores produtores de Hollywood (&quot;O &Uacute;ltimo Samurai&quot;, &quot;Traffic&quot;, &quot;I Am Sam&quot;, &quot;Blood Diamond&quot;), tiveram uma ideia para uma s&eacute;rie televisiva que n&atilde;o conseguiram vender. Ent&atilde;o, o passo seguinte foi dizer &quot;Porque n&atilde;o p&ocirc;-lo na Internet?&quot;. E assim nasceu o <a target="_blank" href="http://www.quarterlife.com/">Quarterlife</a>. Meses depois, com comunidade criada e tudo, foi a primeira s&eacute;rie de webis&oacute;dios &quot;exportada&quot; para os tradicionais ecr&atilde;s de televis&atilde;o.  A benesse da distribui&ccedil;&atilde;o online, principalmente se apoiada nos modelos publicit&aacute;rios da <a target="_blank" href="http://slatev.com/">SlateV</a>, do <a target="_blank" href="http://www.hulu.com/">Hulu</a> ou do <a target="_blank" href="http://www.southparkstudios.com/">site do South Park</a>, serve tanto o espectador &mdash; que v&ecirc; quando quer -, como o anunciante &#8211; que s&oacute; paga a publicidade que &eacute; efectivamente vista&mdash;, como o difusor &#8211; que fica sem intermedi&aacute;rios entre si e o seu p&uacute;blico. Para al&eacute;m do mais, o produto est&aacute; sempre dispon&iacute;vel &#8211; portanto, a receita publicit&aacute;ria do primeiro epis&oacute;dio do South Park n&atilde;o se esgota numa transmiss&atilde;o, estendendo-se e multiplicando-se at&eacute; &agrave; eternidade&#8230; juntemos-lhe ferramentas como o <a target="_blank" href="http://www.revver.com/">Revver</a> ou o <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/partners">programa de partilha de lucros publicit&aacute;rios que o YouTube implementou</a> para perceber que este tipo de distribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma mera descarga de consci&ecirc;ncia &#8211; &eacute; uma forma de ganhar dinheiro que sustenta j&aacute; <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/members?s=ms&amp;t=a&amp;g=5">uma s&eacute;rie de autores</a>.</p>
<h3>Olhar para Espanha</h3>
<p>Vivemos ao lado &#8211; mesmo &#8211; de uma cinematografia que vence Oscares, com realizadores, actores e argumentistas que se souberam exportar. Porque &eacute; que n&oacute;s n&atilde;o o conseguimos? Vamos continuar a comparar Salazar com Franco? Ou a queixarmo-nos de que somos um pa&iacute;s muito pequeno? Ent&atilde;o, talvez devamos&hellip;</p>
<h3>Olhar para o outro lado do mundo</h3>
<p>A Film Comission da Nova Zel&acirc;ndia, ant&iacute;poda com metade do nosso tamanho, quis impulsionar a exist&ecirc;ncia de uma cinematografia nacional nos anos 80. Para tal, seleccionou formadores internacionais em diferentes disciplinas (um deles foi Linda Seger, que esteve em Julho a orientar um workshop no Festival de Avanca) para darem aulas a um grupo de neo-zelandeses. Entre estes, estava Peter Jackson. Esse grupo come&ccedil;ou a escrever, a produzir, a filmar e tamb&eacute;m a dar forma&ccedil;&atilde;o &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es posteriores de cineastas neo-zelandeses. Resultado: um cinema bem interessante, com caracter&iacute;sticas muito pr&oacute;prias, alto potencial de exporta&ccedil;&atilde;o e de gera&ccedil;&atilde;o de receitas, promotor tur&iacute;stico do seu pa&iacute;s e, acima de tudo, <a target="_blank" href="http://imagensdemarca.sapo.pt/opinioes/detalhes.php?id=967"><em>cool</em></a>. Sem grandes preocupa&ccedil;&otilde;es de se estar a fazer uma obra-prima e com a simples pretens&atilde;o de fazer um filme interessante, as coisas aconteceram &#8211; e aconteceram at&eacute; a&#8217; &quot;O Senhor dos An&eacute;is&quot;.</p>
<h3>Olhar para a Nig&eacute;ria</h3>
<p><object width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000"><param value="true" name="allowFullScreen" /><param value="http://www.youtube.com/v/X-42NCowBYk&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" name="src" /><embed width="425" height="344" allowfullscreen="true" src="http://www.youtube.com/v/X-42NCowBYk&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object></p>
<p>A Nig&eacute;ria n&atilde;o tem salas de cinema, mas com <a target="_blank" href="http://www.wired.com/entertainment/hollywood/news/2007/07/nollywood">300 realizadores a produzirem uma m&eacute;dia anual de 2400 filmes </a>or&ccedil;amentados entre os 10 mil e os 25 mil d&oacute;lares, consegue gerar receitas na ordem dos 286 milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano. A Nig&eacute;ria pode estar no 158&ordm; lugar do ranking do &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano da ONU, mas tem <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=qpPXgStqjfs">a terceira maior ind&uacute;stria de cinema do mundo</a> depois da &Iacute;ndia e dos EUA.</p>
<p>Devemos sempre olhar para a Nig&eacute;ria. Sempre.</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_202" class="footnote">Nem todo: na televis&atilde;o, as telenovelas e as s&eacute;ries c&oacute;micas de grande p&uacute;blico, respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o de um enorme n&uacute;mero de profissionais, contrariam esta afirma&ccedil;&atilde;o e antecipam o passo seguinte: o da exist&ecirc;ncia de um sector privado de produ&ccedil;&atilde;o aut&oacute;nomo, que aposta principalmente na originalidade narrativa, e n&atilde;o na seguran&ccedil;a do banal ou do pequeno esc&acirc;ndalo, para conquistar a sua audi&ecirc;ncia. Mas quando?</li><li id="footnote_1_202" class="footnote">N&atilde;o &eacute; bem verdade &#8211; quem vir os filmes que o Rep&oacute;rter X fez para a Invicta Filmes percebe que, com todos os defeitos que possam ter, h&aacute; neles mais energia e imagina&ccedil;&atilde;o do que em muitos produtos actuais.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Neil Labute]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://argumentistas.org/?p=236</guid>
		<description><![CDATA[Neil Labute é um dos dramaturgos e cineastas mais relevantes e provocadores da actualidade. Jorge Palinhos traça o seu perfil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Jorge Palinhos</i><sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/#footnote_0_236" id="identifier_0_236" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Al&amp;eacute;m de trabalhar como tradutor e coordenador editorial, Jorge Palinhos publicou tr&amp;ecirc;s pe&amp;ccedil;as de teatro, das quais duas foram premiadas com o Pr&amp;eacute;mio Miguel Rovisco e o Pr&amp;eacute;mio Manuel Deniz-Jacinto. Tem tamb&amp;eacute;m escrito gui&amp;otilde;es para curtas-metragens de cinema de anima&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de imagem real, algumas das quais foram j&amp;aacute; produzidas ou est&amp;atilde;o em fase de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o.">1</a></sup></p>
<h2><b>Matem o dramaturgo</b></h2>
<p>Um perfil de Neil Labute</p>
<p>Qualquer artigo sobre Neil LaBute sofre da recorr&ecirc;ncia de um campo sem&acirc;ntico espec&iacute;fico. Provocador, mal&eacute;volo, &ldquo;the meanest man in Hollywood&rdquo;, &ldquo;bad boy&rdquo;, irreverente, politicamente incorrecto, etc., s&atilde;o palavras que surgem em quase todos os perfis, biografias, entrevistas ou refer&ecirc;ncias a este dramaturgo, guionista, encenador e realizador norte-americano. Palavras que ter&atilde;o atingido o seu cl&iacute;max justamente na primeira pe&ccedil;a que levou ao palco: Filthy Talk for Troubled Times &#8211; em que um espectador abandonou a sala aos gritos de &ldquo;Matem o dramaturgo&rdquo;.E, contudo, as suas pe&ccedil;as de teatro s&atilde;o encenadas em todo o mundo &ndash; como, recentemente A Gorda (Fat Pig) no Teatro Villaret &ndash; e Labute &eacute; frequentemente convidado para encenar as suas pr&oacute;prias pe&ccedil;as por algumas das mais prestigiadas companhias americanas e inglesas, como a Steppenwolf Theatre Company, o Almeida Theatre, o MCC Theater e o Ambassador Theatre Group.</p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/in-the-company-of-men-rev1-foto.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-243" title="in-the-company-of-men-rev1-foto" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/in-the-company-of-men-rev1-foto.jpg" /></a></p>
<p>Foi como argumentista e realizador que saltou para a ribalta: a sua primeira obra cinematogr&aacute;fica, In the Company of Men, conquistou o galard&atilde;o de melhor realizador do primeiro Festival de Sundance; a sua com&eacute;dia Nurse Betty recebeu o pr&eacute;mio de melhor argumento e foi nomeado para a Palma de Ouro em Cannes, tendo a sua protagonista, Renn&eacute;e Zellweger, recebido o Globo de Ouro de Melhor Interpreta&ccedil;&atilde;o. LaBute foi tamb&eacute;m respons&aacute;vel pela realiza&ccedil;&atilde;o de Possess&atilde;o, uma adapta&ccedil;&atilde;o do romance hom&oacute;nimo de A.S. Byatt, com Aaron Eckhart e Gwyneth Paltrow, entre outros, e um remake algo falhado de The Wicker Man.</p>
<p>Nascido em 1963 em Detroit, no seio de uma fam&iacute;lia oper&aacute;ria, LaBute era o mais novo de tr&ecirc;s irm&atilde;os, tendo a tempestuosa rela&ccedil;&atilde;o dos seus pais inspirado a sua obra In a Dark Dark House. O seu primeiro contacto com o teatro foi ainda no ensino secund&aacute;rio, onde come&ccedil;ou a participar nos grupos de teatro escolar como actor e em que escrevia pe&ccedil;as que depois apresentava aos professores sob pseud&oacute;nimo na esperan&ccedil;a de que estes quisessem encen&aacute;-las.</p>
<p>Uma bolsa de estudo levou-o &agrave; Universidade Brigham Young, no Utah, onde conheceria o seu c&uacute;mplice de longa data, Aaron Eckhart, e se converteria &agrave; Igreja dos Santos dos &Uacute;ltimos Dias, embora, mais tarde, a sua pe&ccedil;a Bash: Latter-Day Plays, onde se apresentam m&oacute;rmones devotos a terem v&aacute;rias atitudes muito duvidosas, tenha levantado pol&eacute;mica no seio da sua igreja e levado ao seu afastamento. Posteriormente estudou Dramaturgia na Universidade de Nova Iorque, mas, mais uma vez, a sua atitude provocadora gerou inimizades e controv&eacute;rsias.</p>
<p>Em 1997, com o dinheiro da indemniza&ccedil;&atilde;o que dois amigos tinham recebido por um acidente, aventura-se no seu primeiro filme. Com 25 000 d&oacute;lares filmou In The Company of Men, sobre dois homens que se vingam das suas frustra&ccedil;&otilde;es amorosas numa mulher surda. Com a pel&iacute;cula mais barata, fazendo a rodagem em locais gratuitos e com actores volunt&aacute;rios consegue filmar todas as sequ&ecirc;ncias antes de ficar sem dinheiro e sem pel&iacute;cula. O filme &eacute; enviado ainda sem montagem para o Festival de Sundance e &eacute; aceite, o que permite a Labute obter financiamento adicional para acabar a montagem e distribuir o filme, que acaba por ser premiado naquele festival, entre aplausos, pol&eacute;micas, acusa&ccedil;&otilde;es de misoginia e elogios de feminismo.</p>
<p>Corpulento, moreno, de &oacute;culos graduados e um ar eternamente cansado, n&atilde;o &eacute; preciso perspic&aacute;cia para ver de onde surgem tantos textos pol&eacute;micos e personagens d&uacute;bias. Cordial e prest&aacute;vel, &eacute; f&aacute;cil detectar o sentido de humor acutilante que atenua uma honestidade e um prazer quase infantil de provocar o interlocutor. Neil Labute escreve hist&oacute;rias sobre pessoas normais que n&atilde;o conseguem esconder os seus piores impulsos, e essas hist&oacute;rias muitas vezes s&atilde;o inspiradas nas suas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias. Como em A Gorda, uma das suas obras mais recentes, onde um homem se envergonha de manter uma rela&ccedil;&atilde;o com uma mulher particularmente volumosa, e que foi escrita ap&oacute;s uma tentativa de dieta falhada por parte do autor.</p>
<p>Agora, a sua obra mais recente, Reasons to be Pretty, est&aacute; em estreia na ultra-comercial Broadway. Neil Labute parece algo preocupado com a reac&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico &agrave; ferocidade da sua escrita e das suas personagens. Mas parece pouco prov&aacute;vel que este novo p&uacute;blico concretize o que o espectador da sua primeira pe&ccedil;a n&atilde;o teve pejo em proclamar.</p>
<p><b>Filmes que escreveu</b><br />
- In the Company of Men (1997)<br />
- Your Friends &amp; Neighbors (1998)<br />
- Tumble (2000)<br />
- The Shape of Things (2003)</p>
<p><b>Pe&ccedil;as de Teatro que escreveu</b><br />
- Filthy Talk For Troubled Times (1992)<br />
- In the Company of Men (1992)<br />
- Bash: Latter-Day Plays (1999)<br />
- The Shape of Things (2001)<br />
- The Distance From Here (2002)<br />
- The Mercy Seat (2002)<br />
- Autobahn (2003)<br />
- Fat Pig (2004)<br />
- This Is How It Goes (2005)<br />
- Some Girl(s) (2005)<br />
- Wrecks (2005)<br />
- In A Dark Dark House (2007)<br />
- Reasons to be pretty (2008)</p>
<p><b>Alguns links recomendados</b><br />
- <a href="http://movies.yahoo.com/movie/contributor/1800022566" mce_href="http://movies.yahoo.com/movie/contributor/1800022566" target="_blank">Perfil no Yahoo Movies</a><br />
- <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001438/" mce_href="http://www.imdb.com/name/nm0001438/" target="_blank">P&aacute;gina no IMDB</a><br />
- <a href="http://www.salon.com/aug97/entertainment/labute970801.html" mce_href="http://www.salon.com/aug97/entertainment/labute970801.html" target="_blank">Entrevista na revista Salon</a><br />
- <a href="http://www.bombsite.com/issues/83/articles/2560" mce_href="http://www.bombsite.com/issues/83/articles/2560" target="_blank">Entrevista na revista Bomb</a><br />
- <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2008/jan/15/usa.theatre" mce_href="http://www.guardian.co.uk/world/2008/jan/15/usa.theatre" target="_blank">Artigo de Neil LaBute sobre o teatro americano</a><br />
- <a href="http://www.guardian.co.uk/stage/2008/may/13/theatre.culture" mce_href="http://www.guardian.co.uk/stage/2008/may/13/theatre.culture">Artigo de Neil LaBute sobre os t&iacute;tulos das suas obras</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_236" class="footnote">Al&eacute;m de trabalhar como tradutor e coordenador editorial, Jorge Palinhos publicou tr&ecirc;s pe&ccedil;as de teatro, das quais duas foram premiadas com o Pr&eacute;mio Miguel Rovisco e o Pr&eacute;mio Manuel Deniz-Jacinto. Tem tamb&eacute;m escrito gui&otilde;es para curtas-metragens de cinema de anima&ccedil;&atilde;o e de imagem real, algumas das quais foram j&aacute; produzidas ou est&atilde;o em fase de produ&ccedil;&atilde;o.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>My Blueberry Nights: o néon da paixão</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Lawrence Block]]></category>
		<category><![CDATA[My Blueberry Nights]]></category>
		<category><![CDATA[Wong Kar Wai]]></category>

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		<description><![CDATA[O filme "My Blueberry Nights", de Wong Kar Wai e Lawrence Block, merece uma análise a Pedro Flores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li>My Blueberry Nights: o néon da paixão</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Pedro Flores</i></p>
<p><a mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02.jpg" href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02.jpg"><img width="300" height="206" alt="" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02-300x206.jpg" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights02-300x206.jpg" title="My Blueberry Nights" class="alignnone size-medium wp-image-190" /></a></p>
<h2>O N&eacute;on da Paix&atilde;o</h2>
<p>Sobre &quot;My Blueberry Nights&quot;, de Wong Kar-wai e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0088747/" linkindex="89" set="yes">Lawrence Block</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>A can&ccedil;&atilde;o de Norah Jones avisa-nos nos momentos iniciais: &ldquo;I don&rsquo;t know how to begin/ &lsquo;cause the story has been told before&rdquo;. E, de facto, desde Chungking Express que com Wong Kar-Wai &eacute; sempre a mesma cantiga: filmes nocturnos que descrevem os encontros e desencontros do amor com um travo a doce melancolia. Se 2046 era o negativo desencantado de In the Mood for Love numa atmosfera futurista, My Blueberry Nights &eacute; agora a transposi&ccedil;&atilde;o desse universo para o territ&oacute;rio da Am&eacute;rica. Ali&aacute;s, a passagem da melodia de In The Mood For Love a meio deste filme &eacute; a prova dessa memoria f&iacute;lmica que aqui retorna e assombra My Blueberry Nights como um fantasma.</p>
<p>A hist&oacute;ria &eacute; linear: Lizzie (Norah Jones), uma rapariga simples a quem acabaram de quebrar o cora&ccedil;&atilde;o, afoga as m&aacute;goas no caf&eacute; gerido por Jeremy (Jude Law). Para esquecer o amor de sua vida, resolve fazer uma viagem pela Am&eacute;rica &ndash; Nova Iorque, Memphis, Las Vegas &#8211; onde trabalha como empregada de mesa. A&iacute;, conhece Arnie (David Strathairn) &ndash; um policia que procura no &aacute;lcool esquecer a ex-mulher (Rachel Weisz) e Leslie (Natalie Portman), uma jogadora compulsiva que tem uma rela&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica com o pai. Ao mesmo tempo, come&ccedil;a a corresponder-se com Jeremy, a quem confidencia as suas aventuras e estados de alma.</p>
<p>&Agrave; superf&iacute;cie, estamos portanto no dom&iacute;nio do filme de g&eacute;nero, especificamente do road-movie. H&aacute; algo que falta ao her&oacute;i e &eacute; isso que o faz partir. Ao longo da viagem, ele tem encontros fortuitos e envolve-se em perip&eacute;cias que reflectem a sua demanda e funcionam como caixa de resson&acirc;ncia do seu conflito interior. Deste modo, a viagem geogr&aacute;fica tem paralelo numa viagem emocional, de crescimento ou perdi&ccedil;&atilde;o, que culmina na transforma&ccedil;&atilde;o do her&oacute;i. Em tra&ccedil;os gerais, esta &eacute; a f&oacute;rmula que consagrou filmes como Easy Rider ou Thelma and Louise.</p>
<p>Por&eacute;m, este &eacute; um &ldquo;road movie&rdquo; de paisagens interiores. Se tem certamente elementos que caracterizam o g&eacute;nero, a sua ac&ccedil;&atilde;o acontece no &iacute;ntimo dos caf&eacute;s em torno de conflitos privados. Al&eacute;m disso, ao contr&aacute;rio do que costuma suceder nos filmes de estrada, aqui as personagens vivem isoladas do seu momento hist&oacute;rico-cultural, sem liga&ccedil;&atilde;o ao real, sem exist&ecirc;ncia para l&aacute; destes &ldquo;coffee-shops&rdquo;. E se &eacute; verdade que a maior parte do filme foi filmado &ldquo;in location&rdquo;, esta &eacute; na sua ess&ecirc;ncia uma Am&eacute;rica de est&uacute;dio, colorida por luzes artificiais e encerrada em si mesma, sem fora de campo. Tal como a Paris de O Fabuloso Destino de Am&eacute;lie Poulain, o territ&oacute;rio deste filme &eacute; menos a Am&eacute;rica real do que a da tela, nas suas conven&ccedil;&otilde;es, lugares-comuns, e imagin&aacute;rio pop. Uma Am&eacute;rica feita de juke-boxes e descapot&aacute;veis, sonhada apenas pela s&eacute;tima arte, fic&ccedil;&atilde;o inspirada em outras fic&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>De facto, nesta viagem de Wong Kar Wai de Hong Kong para a Am&eacute;rica, h&aacute; algo que se perdeu na tradu&ccedil;&atilde;o. Onde antes predominava a ambival&ecirc;ncia do gesto e do n&atilde;o-dito proliferam agora di&aacute;logos melodram&aacute;ticos e banais. Onde antes havia o exotismo de Tony Leung ou Maggie Cheung h&aacute; agora a inverosimilhan&ccedil;a de Jude Law como empregado de caf&eacute;. Onde antes ponteava uma narra&ccedil;&atilde;o que servia de contraponto &agrave; imagem, surge agora uma &#8211; ali&aacute;s duas &#8211; voz-offs que apenas transmitem informa&ccedil;&atilde;o e explicam de modo redundante e redutor o que o espectador est&aacute; a ver. Ao menos para o olhar de um ocidental, o que se perdeu foi a cren&ccedil;a naquele universo feito de quartos de hotel e vestidos de cetim que nos transportava cegamente para a Hong Kong dos anos 60 ou a noite de Buenos Aires &#8211; mesmo que as suas anteriores recrea&ccedil;&otilde;es fossem j&aacute; historicamente irrealistas.</p>
<p>Esta hist&oacute;ria come&ccedil;a em Nova Iorque com uma premissa curiosa: uma jovem lan&ccedil;a-se em viagem pela Am&eacute;rica para esquecer as contrariedades do amor. Periodicamente, uma legenda avisa-nos que Lizzie est&aacute; cada vez mais distante do ponto de partida, e portanto, mais perto da reabilita&ccedil;&atilde;o &ndash; segundo a f&oacute;rmula &ldquo;longe da vista, longe do cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Por&eacute;m, de facto, o seu &uacute;nico objectivo declarado &eacute; amealhar dinheiro para comprar um carro. &Eacute; certo que Lizzie tamb&eacute;m se relaciona com os dramas de um par de outras personagens, mas permanece emocionalmente &agrave; dist&acirc;ncia como uma testemunha ou um frouxo adjuvante. Ou seja, Lizzie &eacute; uma protagonista passiva, de cora&ccedil;&atilde;o generoso &eacute; verdade, mas que pouco deseja e a nada se entrega.</p>
<p>Por isso, porque lhe faltam as expectativas de Lizzie para poder chorar e sorrir com ela, h&aacute; uma natural dificuldade do espectador em identificar-se com a hist&oacute;ria. N&atilde;o basta para o espectador que Norah Jones seja uma rapariga de cara laroca que est&aacute; com os &ldquo;blues&rdquo;. &Eacute; preciso que ela acredite, lute, sonhe como ningu&eacute;m antes o fez. Essa &eacute; a mat&eacute;ria de que s&atilde;o feitos os her&oacute;is. Infelizmente, esse n&atilde;o &eacute; o caso de Lizzie, e assim o fim da jornada da protagonista aparece-nos mais como uma ac&ccedil;&atilde;o da ordem do acaso ou do capricho do que uma verdadeira transforma&ccedil;&atilde;o interior.</p>
<p><a mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg" href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg"><img width="400" height="268" alt="" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/my_blueberry_nights_05.jpg" title="My BlueBerry Nights" class="alignleft size-full wp-image-191" /></a></p>
<p>Ali&aacute;s, mesmo os dois subplots que ocupam uma parte significativa da narrativa s&atilde;o pouco originais e n&atilde;o suscitam uma liga&ccedil;&atilde;o afectiva com o espectador. As hist&oacute;rias do ex-marido alco&oacute;lico em Memphis e da jogadora compulsiva de roleta em Las Vegas, confundem-se de tal forma na paisagem de filmes de estrada americanos que quase nos aparecem como personagens-tipo: sem assinatura ou impress&atilde;o digital. Por outras palavras, falta-lhes a diferen&ccedil;a que caracteriza as personagens cativantes e memor&aacute;veis: a especificidade inimit&aacute;vel dos h&aacute;bitos, dos gestos, do guarda-roupa, ou da backstory.</p>
<p>&Eacute; verdade que alguns h&aacute; elementos originais &agrave; hist&oacute;ria &#8211; como a tarte de mirtilo que todos rejeitam, o frasco que guarda chaves de clientes perdidos de amor, os v&iacute;deos de seguran&ccedil;a que funcionam como di&aacute;rio de bordo do gerente. Como tamb&eacute;m existem cenas memor&aacute;veis: o alco&oacute;lico que celebra a &uacute;ltima noite de &aacute;lcool com um copo de whisky, a coincid&ecirc;ncia c&oacute;smica dos dois her&oacute;is que come&ccedil;am a sangrar do nariz no mesmo momento, ou o empregado de mesa que se recorda das pessoas n&atilde;o pelo seu aspecto mas por aquilo que costumam consumir. Ali&aacute;s, em regra, estes elementos s&atilde;o quase sempre bem empregues em estrat&eacute;gias de &ldquo;set-up&rdquo; e &ldquo;pay-off&rdquo; com consequ&ecirc;ncias narrativas para as personagens. Por&eacute;m, ao abandonarmos a sala, o sentimento geral &eacute; de que acab&aacute;mos de assistir a uma hist&oacute;ria algo previs&iacute;vel e auto-indulgente. Como o confirma circularmente Norah Jones, em jeito de coro grego, na &uacute;ltima cena: &ldquo;I guess it&rsquo;s how it goes/ the stories have all been told&rdquo;.</p>
<p>Na realidade, Wong Kar Wai est&aacute; menos interessado no drama ou na hist&oacute;ria do que no Belo. Quando filma a mulher, o cineasta apresenta-a muitas vezes sem rosto, apenas saltos altos e ancas que seduzem, um absoluto de mulher. Quando filma um acidente mortal, estiliza-o, captando os estilha&ccedil;os e reflexos met&aacute;licos do &acirc;ngulo mais fotog&eacute;nico. Quando filma uma cena de pancadaria, mant&eacute;m-se &agrave; distancia para n&atilde;o sujar a tela com sangue ou feridas obscenas. Wong Kar wai tem um fasc&iacute;nio pelo Belo, e por isso, mais do que narrar acontecimentos, o cineasta pretende criar uma atmosfera, um lugar onde o espectador mergulhe para entrar num estado on&iacute;rico de enamoramento pela tela.</p>
<p>Wong Kar Wai &eacute; pois um m&aacute;gico das imagens e a sua especialidade digamos que &eacute; a da hipnose. S&atilde;o diversas as t&eacute;cnicas usadas neste processo de hipnose. Em primeiro lugar, a repeti&ccedil;&atilde;o: como um p&ecirc;ndulo que se balan&ccedil;a repetem-se falas, momentos, ac&ccedil;&otilde;es. E repetem-se sobretudo can&ccedil;&otilde;es (The Greatest, de Cat Power &eacute; o refr&atilde;o do filme), em especial no final das sequ&ecirc;ncias, como respira&ccedil;&otilde;es narrativas que nos permitem aceder ao registo emocional das personagens. Em segundo lugar, os movimentos de c&acirc;mara: as suas deambula&ccedil;&otilde;es de valsa lenta, atrav&eacute;s de objectos ou vidros embaciados, a descobrir corpos e espa&ccedil;os por momentos, e logo a encobri-los de novo. Depois, a mestria da cor: como numa tela de Rothko, o realizador cria uma atmosfera circundante em que as diferentes tonalidades dos ambientes ecoam os diversos momentos e temperaturas da paix&atilde;o. E, finalmente, &#8211; a imagem de marca do realizador &#8211; a c&acirc;mara lenta: o slow-motion que isola os corpos do espa&ccedil;o circundante, congela o movimento na tela, e capta os tempos mortos da vida das personagens como acontecimentos emocionais irrepet&iacute;veis.</p>
<p>Wong Kar-Wai &eacute; um m&aacute;gico das imagens. Ao longo da sua carreira, o cineasta fez de sua miss&atilde;o trazer &agrave; luz a poesia e sensualidade dos lugares, dos corpos, dos objectos. Por isso, a espa&ccedil;os, o cineasta interrompe o desenrolar da ac&ccedil;&atilde;o com momentos de sil&ecirc;ncio total que nos permitem contemplar a dimens&atilde;o absoluta da imagem. Um gelado a derreter-se lentamente pode ser t&atilde;o comovente quanto um beijo apaixonado. Um descapot&aacute;vel cromado t&atilde;o emocionante quanto uma luta entre rivais. &Eacute; apenas um processo de sedu&ccedil;&atilde;o despertado atrav&eacute;s do olhar. O sil&ecirc;ncio absoluto: apenas a respira&ccedil;&atilde;o de Norah Jones e n&eacute;ons que acendem e apagam como corpos perdidos na noite.</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Patrick King]]></category>
		<category><![CDATA[Sex and the City]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Daniel Ribas<sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/#footnote_0_276" id="identifier_0_276" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Daniel Ribas &#38;eacute; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&#38;atilde;o Canijo. &#38;Eacute; tamb&#38;eacute;m professor do Instituto Polit&#38;eacute;cnico de Bragan&#38;ccedil;a.">1</a></sup></span></i></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/" class="more-link">Read more on Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica&#8230;</a></p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_276" class="footnote"></i><i><span style="" mce_style="&#8221;font-size:x-small;&#8221;">Daniel Ribas &#233; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&#227;o Canijo. &#201; tamb&#233;m professor do Instituto Polit&#233;cnico de Bragan&#231;a.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>Próximo artigo</a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><i>por Daniel Ribas<sup><a href="http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/#footnote_0_276" id="identifier_0_276" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Daniel Ribas &amp;eacute; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&amp;atilde;o Canijo. &amp;Eacute; tamb&amp;eacute;m professor do Instituto Polit&amp;eacute;cnico de Bragan&amp;ccedil;a.">1</a></sup></span></i></p>
<p><a href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1.jpg" mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1.jpg"><img width="366" height="274" class="alignleft size-medium wp-image-202" title="Sex and the City" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1-300x225.jpg" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_1-300x225.jpg" alt="" /></a></p>
<h2>Teorias e Conspira&ccedil;&otilde;es sobre a Com&eacute;dia Rom&acirc;ntica</h2>
<p>Sobre &laquo;Sex and the City&raquo;, de <a set="yes" linkindex="85" href="http://www.imdb.com/name/nm0455078/">Michael Patrick King</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>Um dos grandes lan&ccedil;amentos do Ver&atilde;o, acompanhando a tend&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o das s&eacute;ries de televis&atilde;o em filmes para cinema, foi a de &laquo;Sexo e a Cidade&raquo;. N&atilde;o &eacute; que esta tend&ecirc;ncia nos tenha trazido muito boas apari&ccedil;&otilde;es: desde &laquo;Get Smart/Olho Vivo&raquo; at&eacute; &laquo;Ficheiros Secretos&raquo;, as adapta&ccedil;&otilde;es apenas nos trouxeram um leve sabor a um epis&oacute;dio mais comprido. Para al&eacute;m disso, os argumentistas de Hollywood confrontaram-se com um problema: em que g&eacute;nero encaixar estes epis&oacute;dios de televis&atilde;o em ponto grande. &Eacute; verdade, apesar das s&eacute;ries terem uma personalidade vincada, o formato cinema obriga a uma nova f&oacute;rmula, que permita, sobretudo, aguentar s&eacute;ries que durar&atilde;o 50 minutos e que passam, desta forma, para o dobro do tempo. &laquo;Sexo e a Cidade&raquo; n&atilde;o foi excep&ccedil;&atilde;o. O g&eacute;nero importado foi o da com&eacute;dia rom&acirc;ntica e o resultado, na nossa opini&atilde;o, n&atilde;o foi o melhor.</p>
<p>A narrativa &#8211; mais uma vez iniciada e contada pela voz de Carrie &#8211; apanha as quatro protagonistas num patamar diferente da vida: todas elas est&atilde;o agora apaixonadas e a viver com os seus respectivos homens. Por um lado, Charlotte e Miranda casaram e tiveram filhos (a de Charlotte &eacute; adoptada); por outro, Samantha vive agora em Los Angeles com um actor de Hollywood (sendo a sua agente). Finalmente, Carrie juntou-se com Mr. Big, o eterno e adiado amor da s&eacute;rie de televis&atilde;o. Na verdade, o filme come&ccedil;a com a decis&atilde;o de ambos em se casar. Contudo, Mr. Big/John acaba por deixar Carrie pendurada no dia de casamento. &Eacute; a oportunidade para o filme dar um longo tempo para a recupera&ccedil;&atilde;o emocional de Carrie e a respectiva reconcilia&ccedil;&atilde;o com Mr. Big. Durante esse tempo, veremos as voltas que as vidas das suas tr&ecirc;s amigas d&atilde;o.</p>
<p>A f&oacute;rmula da com&eacute;dia rom&acirc;ntica est&aacute; de l&aacute; da forma mais clara: um par de apaixonados surgem juntos (outras deriva&ccedil;&otilde;es da f&oacute;rmula mostram dois amigos/conhecidos que ainda n&atilde;o sabem que est&atilde;o apaixonados) e prestes a serem felizes (no caso em aprecia&ccedil;&atilde;o Carrie e Mr. Big est&atilde;o juntos, felizes e v&atilde;o casar-se). Contudo, um obst&aacute;culo surge, obrigatoriamente a partir de um mal-entendido (no caso Mr. Big tem d&uacute;vidas e ao tentar telefonar para Carrie esta n&atilde;o atende). Esse obst&aacute;culo leva a uma ruptura &quot;inconcili&aacute;vel&quot;. Mas, como n&atilde;o h&aacute; bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, o tempo acaba por &quot;reconciliar&quot; os dois pombinhos. No entretanto, o filme tem que se divertir com a &quot;recupera&ccedil;&atilde;o&quot; de ambos e mostrar &#8211; atrav&eacute;s das hist&oacute;rias paralelas &#8211; que eles foram feitos um para o outro (no caso &eacute; a hist&oacute;ria de Miranda e o suposto problema causado por ela &#8211; quando diz a Mr. Big na noite anterior ao casamento que ir&aacute; fazer uma asneira &#8211; que ir&aacute; fazer a revela&ccedil;&atilde;o aos olhos de Carrie).</p>
<p><a href="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4.jpg" mce_href="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4.jpg"><img width="340" height="254" class="alignleft size-medium wp-image-205" title="Sex and the City" src="../../../../../beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4-300x225.jpg" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-content/themes/mimbo2.2/images/1024x768_satc_4-300x225.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Lentamente porque o filme tem que durar mais tempo, l&aacute; caminhamos para o fim, que j&aacute; advinh&aacute;ramos no in&iacute;cio. &laquo;O Sexo e a Cidade&raquo;, enquanto s&eacute;rie, n&atilde;o fugia a um certo romantismo, reconhecemos. Contudo, mesmo sem sermos f&atilde;s, tamb&eacute;m reconhecemos que a s&eacute;rie trazia para a ribalta os little problems das mulheres e uma forma desinibida de os mostrar. Deixando de lado o problema de saber se esses problemas s&atilde;o, de facto, os que interessam, na s&eacute;rie a estrutura usada fazia algum sentido e deixava no ar a pequena tristeza da solid&atilde;o de Carrie. Esse lado nova-iorquino era sedutor&#8230;</p>
<p>Com este epis&oacute;dio grande em forma de com&eacute;dia rom&acirc;ntica, &laquo;O Sexo e a Cidade&raquo; nivelou a sua estrutura pelas menos inspiradas pel&iacute;culas de Hollywood: abriu a audi&ecirc;ncia e afunilou a sedu&ccedil;&atilde;o. Uma pergunta surge, como &eacute; &oacute;bvio: de que forma poderia a s&eacute;rie transportar o seu ar cosmopolita sem se tornar uma com&eacute;dia rom&acirc;ntica ins&iacute;pida? Talvez o grande problema seja mesmo o ponto de partida: todas as quatro amigas est&atilde;o arranjadas e essa normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o que retira a carga de novidade que a s&eacute;rie tinha (at&eacute; Samantha se normalizou&#8230;). N&atilde;o sabemos que outros caminhos poderiam surgir, mas uma piscadela de olho a Woody Allen talvez servisse para repor os n&iacute;veis de inspira&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rios. Assim, como chegou ao cinema, apenas servir&aacute; para rever e olhar as cria&ccedil;&otilde;es estil&iacute;sticas da moda nova-iorquina. &Eacute; pouco, demasiado pouco.</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_276" class="footnote"></i><i><span style="" mce_style="&rdquo;font-size:x-small;&rdquo;">Daniel Ribas &eacute; argumentista e investigador da Universidade de Aveiro. Prepara uma tese de doutoramento sobre os filmes de Jo&atilde;o Canijo. &Eacute; tamb&eacute;m professor do Instituto Polit&eacute;cnico de Bragan&ccedil;a.</li></ol> <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>The Servant: parasitas da alma</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 16:59:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Harold Pinter]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Losey]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[The Servant]]></category>

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		<description><![CDATA["O Criado" ("The Servant") é um clássico que não perdeu intensidade e força com o passar dos anos. Pedro Flores escalpeliza os mecanismos dramáticos que ainda o tornam actual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li>The Servant: parasitas da alma</li></ol></div> <p><i>por Pedro Flores</i></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto1.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-287" title="the-servant-rev1-foto1" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto1.jpg" /></a></p>
<p><b>Parasitas da Alma</b></p>
<p>Sobre &laquo;The Servant&raquo;, de Joseph Losey e <a set="yes" linkindex="95" href="http://www.imdb.com/name/nm0056217/">Harold Pinter</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>Reza a lenda que Joseph Losey foi ver The Caretaker em cena e impressionado com o talento do jovem Harold Pinter lhe escreveu a dar os parab&eacute;ns. Dias mais tarde, o dramaturgo respondeu-lhe a agradecer a gentileza e a pedir trabalho. Foi assim, do acidental encontro entre um g&eacute;nio da palavra e um mestre da realiza&ccedil;&atilde;o que surgiu The Servant, uma das obras-primas do cinema brit&acirc;nico. Adaptada ao grande ecr&atilde; a partir de um conto de Robin Maugham, o filme descreve os labirintos da rela&ccedil;&atilde;o entre um jovem aristocrata ingl&ecirc;s &ndash; Tony (James Fox) e o seu criado Barrett (Dirk Bogarde).</p>
<p>Tony &eacute; um fidalgo do s&eacute;culo vinte que regressa de um pa&iacute;s africano para se estabelecer em Londres. Qual diletante ocioso, ele ocupa os dias a passear com a sua noiva Susan (Wendy Craig) e a projectar construir tr&ecirc;s cidades de raiz no meio da selva amaz&oacute;nica. Para lhe cuidar das tarefas dom&eacute;sticas, Tony contrata Barrett, um criado para todo o servi&ccedil;o, daqueles que espalham classe e antecipam os desejos do seu senhor. Barrett tem boas maneiras e sabe cozinhar, opina sobre a decora&ccedil;&atilde;o da casa, traz o pequeno almo&ccedil;o &agrave; cama, e demolha os p&eacute;s do patr&atilde;o em &aacute;gua quente. Mais do que apenas um criado, Barrett &eacute; uma esp&eacute;cie de m&atilde;e ausente, a ama seca de um adulto ing&eacute;nuo, incapaz e mimado. &Eacute; o nascimento desta rela&ccedil;&atilde;o e o eclodir do tri&acirc;ngulo Barrett &#8211; Tony &#8211; Susan que ocupam o primeiro acto deste filme.</p>
<p>Na verdade, cedo constatamos que Susan n&atilde;o partilha da admira&ccedil;&atilde;o de Tony pelo criado. Porque raz&atilde;o? Porque Barrett, mesmo quando n&atilde;o solicitado, est&aacute; sempre &agrave; espreita, atr&aacute;s de cada porta, de espanador na m&atilde;o pronto a servir. Susan sabe -ou pressente- que Barrett rapidamente adquiriu influ&ecirc;ncia sobre o patr&atilde;o e que ter&aacute; de competir com ele pelo controle sobre Tony. A rivalidade cresce em surdina, Susan faz a vida negra ao criado e acaba por pedir ao noivo que o despe&ccedil;a. Por&eacute;m, com o seu pat&eacute;tico orgulho colonialista Tony defende sempre o seu Barrett: &ldquo;He may be a servant, but he is still an human being.&rdquo;</p>
<p>Este antagonismo entre Susan e Barrett traduz-se visualmente na luta pelo dom&iacute;nio da casa. No cinema, como na vida, a casa &eacute; tradicionalmente caracterizada como um territ&oacute;rio feminino. Por&eacute;m, neste filme ela est&aacute; habitada por dois homens e a entrada a uma mulher parece vedada: &ldquo;The thought of some woman running aroung the house and telling me what to do, rather puts me off!&rdquo;. Susan sabe-o &#8211; ou pressente-o &#8211; e por isso procura chamar a si todas as decis&otilde;es dom&eacute;sticas, contra a vontade de Barrett. Esta &eacute; tamb&eacute;m uma batalha de egos, por isso, quando Susan e Barrett disputam ferozmente o lugar de uma jarra de flores, o que eles decidem &eacute; quem realmente det&eacute;m o poder naquele territ&oacute;rio. De igual forma, ao mesmo tempo que Barrett vai ganhando ascendente sobre Tony os seus dom&iacute;nios na casa v&atilde;o-se expandindo: inicialmente confinado &agrave; cozinha, o criado come&ccedil;a a usar a casa de banho do patr&atilde;o at&eacute; que termina a dormir com outra pessoa na sua cama.</p>
<p>Porque h&aacute; um quarto vago na casa, o que permite a entrada em cena de um novo elemento. Sob o pretexto de precisar de apoio nas lides dom&eacute;sticas, Barret convence Tony a contratar uma criada &#8211; Vera (Sarah Miles) &#8211; apresentada ao patr&atilde;o como sua respeit&aacute;vel irm&atilde; mas na verdade sua namorada. Ao contr&aacute;rio de Barrett, que mostra cultura e usa de gestos educados, Vera &eacute; apenas mais uma parola que chega &agrave; cidade. Por&eacute;m, exibindo uma sensualidade que falta a Susan, o seu aparecimento despoleta o desejo de Tony, e desequilibra ainda mais a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as a favor de Barrett. Deste modo, &agrave; partida para o segundo acto, o filme apresenta uma estrutura em quadril&aacute;tero que inclui v&aacute;rios tri&acirc;ngulos: Barrett &#8211; Tony &#8211; Susan; Tony &ndash; Vera &ndash; Barret; e Vera &ndash; Tony &ndash; Susan. &Eacute; em torno destes tr&ecirc;s tri&acirc;ngulos e das suas din&acirc;micas de amor, ci&uacute;me e poder que a ac&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica se vai desenrolar.</p>
<p>Como vimos, estas quatro personagens pertencem a dois universos sociais antag&oacute;nicos &ndash; a aristocracia e o povo &ndash; que se encontram nesta casa e colidem dramaticamente. O que est&aacute; em causa &eacute; muitas vezes a educa&ccedil;&atilde;o, as virtudes, o sangue: &eacute; portanto ainda uma quest&atilde;o de classe. Nesse sentido, The Servant serve tamb&eacute;m como retrato de uma aristocracia decadente e de uma estrutura social brit&acirc;nica em muta&ccedil;&atilde;o mas ainda extremamente hierarquizada. Poder-se-ia pensar que estamos perante o t&iacute;pico filme brit&acirc;nico de cr&iacute;tica ao establishment e louvor das classes desfavorecidas, na linha de um &ldquo;kitchen sink drama&rdquo; ou do realismo social de Ken Loach. Por&eacute;m, neste filme ambas as personagens do povo surgem com tra&ccedil;os pouco apraz&iacute;veis: Vera &eacute; caracterizada como tonta e vulgar, e Barrett como uma pessoa falsa, grosseira e manipuladora &ndash; os ant&iacute;podas de um working class hero. Quer dizer, The Servant prefere a caracteriza&ccedil;&atilde;o realista do indiv&iacute;duo &agrave; idealiza&ccedil;&atilde;o da luta de classes. Este n&atilde;o &eacute; um tempo para her&oacute;is, nem nas classes mais desfavorecidas.</p>
<p>Na verdade, o que realmente interessa a Pinter &eacute; o estudo da linguagem das rela&ccedil;&otilde;es, dos jogos em que os humanos se envolvem. Em particular, dos jogos de poder, esses que determinam a supremacia de um humano sobre outro e que se escondem em cada gesto ou palavra nossa. Quem fica de p&eacute; e quem fica sentado, quem fala em primeiro ou &uacute;ltimo lugar, quem olha em picado ou em contra-picado, n&atilde;o s&atilde;o quest&otilde;es de pormenor em The Servant: &eacute; a ess&ecirc;ncia do filme. &Eacute; para mostrar o seu poder que Barrett trata a namorada como um cachorro, chama por ela ao assobio e d&aacute;-lhe palmadas no lombo. &Eacute; para usufruir de supremacia que Tony se coloca no topo da escadaria quando joga &agrave; bola com Barrett. &Eacute; para sublinhar o seu dom&iacute;nio que Susan esbofeteia Barrett na cara. Quer dizer, a cada encontro de personagens jogam-se bra&ccedil;os-de-ferro imprevis&iacute;veis, e &eacute; essa indetermina&ccedil;&atilde;o que confere dinamismo &agrave;s cenas e &agrave; hist&oacute;ria.</p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto2.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-288" title="the-servant-rev1-foto2" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto2.jpg" /></a></p>
<p>Ali&aacute;s, estes jogos de poder s&atilde;o magnificamente explorados pela mise-en-sc&eacute;ne. A prefer&ecirc;ncia por planos longos faz com que as cenas surjam cuidadosamente coreografadas, quer em profundidade quer pelo movimento de c&acirc;mara. Assim, usa-se a profundidade de campo de modo a que diferentes personagens tenham diferentes escalas no plano e essas escalas evoluam de acordo com a din&acirc;mica da cena. Quem est&aacute; em primeiro plano e quem est&aacute; em fundo traduz um jogo de poder, e coloca a &ecirc;nfase na rela&ccedil;&atilde;o &#8211; e n&atilde;o no individuo. Do mesmo modo, a profundidade de campo permite tamb&eacute;m inscrever as personagens neste espa&ccedil;o claustrof&oacute;bico e fechado como um palco de onde parece imposs&iacute;vel fugir.</p>
<p>Em Pinter, os jogos de poder ganham-se ou perdem-se atrav&eacute;s da palavra. Invariavelmente, as suas personagens elogiam, obedecem, criticam, seduzem com uma agenda oculta, uma segunda inten&ccedil;&atilde;o. Aqui as cenas come&ccedil;am in media res, com os dados j&aacute; lan&ccedil;ados, e as palavras significam sempre aquilo e outra coisa, um desconhecido que o espectador &#8211; tal como o interlocutor &#8211; tem de descortinar paulatinamente. Assim, em cada cena o que est&aacute; em jogo &ndash; o subtexto &#8211; est&aacute; encoberto por hesita&ccedil;&otilde;es, double-entendres, ou frases inconsequentes que disfar&ccedil;am a verdadeira inten&ccedil;&atilde;o da personagem. Estamos pois no reino do disfarce, da mentira f&aacute;cil e da manipula&ccedil;&atilde;o, e este &eacute; um jogo em que todos participam.</p>
<p>De facto, o decl&iacute;nio deste anti-her&oacute;i aristocrata parte justamente de uma estrat&eacute;gia de manipula&ccedil;&atilde;o. Um plano cuidadosamente urdido por Barrett faz com Tony se encontre &agrave; noite sozinho em casa com Vera. Numa cena de memor&aacute;vel tens&atilde;o, Vera surge de mini-saia e p&eacute;s descal&ccedil;os na cozinha a seduzir o patr&atilde;o, enquanto gotas de &aacute;gua caem na banca e o telefone toca sem parar. A partir deste momento, Tony passa a estar demasiado ocupado para a noiva e a entregar-se a tempo inteiro &agrave; jovem criada (e &agrave;s bebidas alco&oacute;licas). &Eacute; justamente aqui que principia a decad&ecirc;ncia de Tony e se come&ccedil;a a inverter a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre senhor e criado.</p>
<p>Em geral, estes momentos de sedu&ccedil;&atilde;o caracterizam-se pelo engenho e discri&ccedil;&atilde;o com que s&atilde;o apresentados. Durante o cinema cl&aacute;ssico o sexo era imagem tabu pelo que os realizadores e guionistas tinham de recorrer &agrave; met&aacute;fora para comunicarem momentos de intimidade. O champagne que borbulha nos flutes, o fumo insinuante dos cigarros, o calor ardente da lareira, s&atilde;o alguns dos elementos cl&aacute;ssicos de que The Servant se serve com alguma originalidade. Por&eacute;m, o que distingue este filme da generalidade &eacute; justamente a sexualiza&ccedil;&atilde;o de objectos aparentemente in&oacute;cuos, como rel&oacute;gios de parede, espelhos convexos ou torneiras de cozinha. Reprimido ou ausente nas personagens, o desejo insinua-se nas objectos comuns e espalha-se a toda a casa. Do mesmo modo, a paisagem sonora, quer atrav&eacute;s de efeitos em fora de campo, quer atrav&eacute;s do jazz quente da can&ccedil;&atilde;o &ldquo;Now while I love you alone&rdquo;, promove uma atmosfera de v&iacute;cio e sensualidade.</p>
<p>Esta decad&ecirc;ncia agudiza-se sobremaneira depois de Tony despedir Barrett e ficar isolado na mans&atilde;o. Numa cena de antologia &#8211; em que o espectador apenas v&ecirc; a sombra de Barrett e ouve di&aacute;logos em off &#8211; o patr&atilde;o encontra o criado na sua cama com a sua suposta &ldquo;irm&atilde;&rdquo; e confronta-o com o crime de lesa-majestade. &Eacute; a partir deste momento que compreendemos a real import&acirc;ncia de Barrett na casa. A lou&ccedil;a imunda na banca, a correspond&ecirc;ncia por abrir, as flores que murcham na jarra sinalizam a sua aus&ecirc;ncia e o vazio que deixou. Sem Barrett, Tony n&atilde;o tem capacidades para cuidar de si e &eacute; confrontado com essa mesma depend&ecirc;ncia. Um vinculo que era exclusivamente laboral, rapidamente se tornou numa necessidade e num la&ccedil;o afectivo vital. Esta rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia &eacute; magnificamente ilustrada pela cena em que Tony entra no quarto de Vera e se agarra aos seus len&ccedil;&oacute;is, desesperadamente s&oacute;.</p>
<p>Dias mais tarde, Barrett encontra Tony num pub e consegue convencer o patr&atilde;o a aceit&aacute;-lo de volta. Por&eacute;m, depois do que ambos disseram e presenciaram, a sua rela&ccedil;&atilde;o s&oacute; podia estar diferente. Por vezes h&aacute; uma intimidade mais pronunciada, quase de casal, em que se conversa sobre a elabora&ccedil;&atilde;o do jantar ou se discute a arruma&ccedil;&atilde;o da casa. Outras vezes estabelecem-se brincadeiras de adolescentes, em que os dois jogam &agrave;s escondidas a amea&ccedil;ar: &ldquo;You&rsquo;ve got a guilty secret!&rdquo; Outras ainda, h&aacute; comportamentos sado-masoquistas como o patr&atilde;o a obrigar o criado a limpar o ch&atilde;o enquanto lhe chama parolo. Assim, fomentados pelo seu isolamento do mundo, cria-se aos poucos um ambiente de tens&atilde;o sexual entre os dois, em que o que excita &eacute; a tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o de poder. Nesta atmosfera homoer&oacute;tica, o desespero sexual de Tony revela-se pat&eacute;tico e comovente, e Barrett, mais uma vez, explora esse facto em favor do seu dom&iacute;nio sobre o outro.</p>
<p>Este &eacute; pois um filme sobre a queda de um jovem aristocrata na ru&iacute;na moral. Sobre uma descida aos infernos em que o cicerone vai corrompendo as almas no caminho. Sobre a invers&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o de poder at&eacute; ao dom&iacute;nio absoluto do criado sobre o patr&atilde;o. Na &uacute;ltima cena, Barrett organiza uma orgia para oferecer a Tony, com mulheres de riso felliniano, c&acirc;maras fotogr&aacute;ficas que disparam flashes e m&uacute;sica embriagante. Depois da entrega a uma devassid&atilde;o sem regras, a festa termina simbolicamente com o criado a subir ao primeiro andar e o senhor a arrastar-se pelo soalho como um bicho. Quer dizer, o jovem aristocrata v&ecirc;-se agora reduzido a uma criatura in&uacute;til, viciada no &aacute;lcool e impotente face aos desafios da vida. Como num filme de terror, o monstro &eacute; tamb&eacute;m o melhor amigo e a vitima &eacute; t&atilde;o culpada quanto o carrasco. Como num document&aacute;rio de natureza, o humano &eacute; aqui retratado como um ser dependente do outro, dominado pela agress&atilde;o e pelo desejo, como um parasita da alma.</p>
<p>Trailer:</p>
<p><img width="425" height="344" alt="" title="&quot;allowFullScreen&quot;:&quot;true&quot;,&quot;src&quot;:&quot;http://www.youtube.com/v/aZ_GUH3i9z8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&quot;" class="mceItemFlash" src="../../../../../beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" /></p>
<p>&nbsp;</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Artigo anterior</a> </div>]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Mal Nascida&#8221;, o novo filme de João Canijo</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 15:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Celine Pouillon]]></category>
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		<category><![CDATA[João Canijo]]></category>
		<category><![CDATA[Mal Nascida]]></category>
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		<description><![CDATA[O novo filme de João Canijo, com argumento do realizador e de Celine Pouillon, «Mal Nascida", acaba de estrear nas salas de cinema portuguesas. O filme chega a Portugal com mais de um ano de atraso, depois da presença no festival de Veneza em 2007.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="208" alt="" src="http://mostra.uol.com.br/31/images/filmes/120.jpg" title="Mal Nascida" class="alignleft" /></p>
<p>O novo filme de Jo&atilde;o Canijo, com argumento do realizador e de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0693553/" linkindex="82" set="yes">Celine Pouillon</a>, &laquo;Mal Nascida&quot;, acaba de estrear nas salas de cinema portuguesas. O filme chega a Portugal com mais de um ano de atraso, depois da presen&ccedil;a no festival de Veneza em 2007.</p>
<p>A sinopse do filme dispon&iacute;vel no <a target="_blank" href="http://www.clapfilmes.pt/malnascida/">site oficial</a> &eacute;:</p>
<p>&quot;L&uacute;cia &eacute; uma mal nascida, uma mal amada &eacute; a eterna vi&uacute;va do seu pai. Um grito antes de ser um corpo, enlouquecida, maltratada e humilhada, sobrevive enlutada com a lembran&ccedil;a do crime e da trai&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e, grita a sua dor inconsol&aacute;vel para n&atilde;o dar descanso nem paz aos assassinos do pai. Vive na esperan&ccedil;a desesperada do regresso do irm&atilde;o para cumprir a promessa de vingar o sangue do pai.&quot;  O filme adapta o Mito de Electra a uma aldeia do Portugal profundo e &eacute; o segundo filme de uma trilogia inacabada (o primeiro fora &laquo;Noite Escura&raquo;). Mas a melhor forma de entender este projecto &eacute; ler as palavras do pr&oacute;prio realizador na sua nota de inten&ccedil;&otilde;es:<em> &laquo;A grosseria resulta do esfor&ccedil;o e da impossibilidade de dar forma a um fundo visceral sem forma.&raquo; &laquo;O pior na grosseria, n&atilde;o &eacute; a ru&iacute;na da forma, mas a arrog&acirc;ncia em julgar-se forma : viol&ecirc;ncia caracter&iacute;stica do burgesso.&raquo; Jos&eacute; Gil</em>  <em>&laquo;Portugal &eacute; um pa&iacute;s de brandos costumes.&raquo; Afirma&ccedil;&atilde;o falsa, porque n&atilde;o h&aacute; nada de brando nos costumes da prov&iacute;ncia profunda dos crimes mesquinhos. Nesse mundo distante e dissimulado reina o s&oacute;rdido e a viol&ecirc;ncia bo&ccedil;al. E &eacute; nesse mundo escondido de viol&ecirc;ncia e situa&ccedil;&otilde;es limite que &eacute; revisitado o mito de Electra, o confronto de uma filha com a m&atilde;e que foi incapaz de a amar.</em>  <em>Uma m&atilde;e que d&aacute; a vida devia dar ao mesmo tempo o amor incondicional, uma m&atilde;e devia dar a ilus&atilde;o do amor absoluto. Se &eacute; a m&atilde;e a trair a confian&ccedil;a no amor o ressentimento torna-se desmedido, s&oacute; resta o rancor que cresce na espera da vingan&ccedil;a, o rancor e o desejo de vingan&ccedil;a tornam-se necessidades de sobreviv&ecirc;ncia. Jo&atilde;o Canijo</em></p>
<p>O trailer est&aacute; dispon&iacute;vel <a target="_blank" href="http://videos.sapo.pt/ggiyYYpAZDQIJDOnmFBZ">aqui</a>, bem como uma <a target="_blank" href="http://videos.sapo.pt/YyufqqeBQEIOSA3V37zu">entrevista</a> ao realizador.</p>
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		<title>&#8220;Terra Sonâmbula&#8221; em estreia</title>
		<link>http://argumentistas.org/2008/05/filmes-portugueses-em-estreia-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 09:16:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Teresa Prata]]></category>
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		<description><![CDATA[Terra Sonâmbula, um filme de Teresa Prata, estreia em 2 salas em Lisboa. O argumento é da realizadora a partir do romance homónimo de Mia Couto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Terra Son&acirc;mbula</strong>, um filme de Teresa Prata, estreia em 2 salas em Lisboa. O argumento &eacute; da realizadora a partir do romance hom&oacute;nimo de Mia Couto.</p>
<p>Sinopse <a href="http://cinecartaz.publico.pt/filme.asp?id=198883">P&uacute;blico</a>: Adapta&ccedil;&atilde;o do livro hom&oacute;nimo de Mia Couto e estreia na realiza&ccedil;&atilde;o de Teresa Prata, &eacute; a hist&oacute;ria de Muidinga, no in&Atilde;&iacute;cio da d&eacute;cada de 90, em que os efeitos da Guerra Civil ainda se fazem sentir, mesmo tendo ela chegado ao fim. Muidinga n&atilde;o se lembra do passado e foi encontrado pelo velho Tahir, que &eacute; um po&ccedil;oo de hist&oacute;rias e que o trata como um filho. Um dia, Muidinga encontra ao lado de um cad&aacute;ver um di&aacute;rio. No manuscrito, l&ecirc; a hist&oacute;ria de uma mulher que procura o filho e &agrave;  medida que continua a ler a hist&oacute;ria do filho daquela mulher come&ccedil;a a cruzar-se com a sua pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia. &Eacute; a&iacute;&shy; que Muidinga decide procur&aacute;-la, numa viagem marcada pelo imagin&aacute;rio fant&aacute;stico de Mia Couto.</p>
<p><embed width="400" height="322" src="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/WUunNJvf4Vk1yQlczyMt/mov/1" type="application/x-shockwave-flash"></embed></p>
<p>&nbsp;</p>
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