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	<title>argumentistas.orgHarold Pinter | argumentistas.org</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
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		<title>The Servant: parasitas da alma</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 16:59:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Harold Pinter]]></category>
		<category><![CDATA[Joseph Losey]]></category>
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		<description><![CDATA["O Criado" ("The Servant") é um clássico que não perdeu intensidade e força com o passar dos anos. Pedro Flores escalpeliza os mecanismos dramáticos que ainda o tornam actual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li>The Servant: parasitas da alma</li></ol></div> <p><i>por Pedro Flores</i></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto1.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-287" title="the-servant-rev1-foto1" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto1.jpg" /></a></p>
<p><b>Parasitas da Alma</b></p>
<p>Sobre &laquo;The Servant&raquo;, de Joseph Losey e <a set="yes" linkindex="95" href="http://www.imdb.com/name/nm0056217/">Harold Pinter</a><br />
<i><br />
</i></p>
<p>Reza a lenda que Joseph Losey foi ver The Caretaker em cena e impressionado com o talento do jovem Harold Pinter lhe escreveu a dar os parab&eacute;ns. Dias mais tarde, o dramaturgo respondeu-lhe a agradecer a gentileza e a pedir trabalho. Foi assim, do acidental encontro entre um g&eacute;nio da palavra e um mestre da realiza&ccedil;&atilde;o que surgiu The Servant, uma das obras-primas do cinema brit&acirc;nico. Adaptada ao grande ecr&atilde; a partir de um conto de Robin Maugham, o filme descreve os labirintos da rela&ccedil;&atilde;o entre um jovem aristocrata ingl&ecirc;s &ndash; Tony (James Fox) e o seu criado Barrett (Dirk Bogarde).</p>
<p>Tony &eacute; um fidalgo do s&eacute;culo vinte que regressa de um pa&iacute;s africano para se estabelecer em Londres. Qual diletante ocioso, ele ocupa os dias a passear com a sua noiva Susan (Wendy Craig) e a projectar construir tr&ecirc;s cidades de raiz no meio da selva amaz&oacute;nica. Para lhe cuidar das tarefas dom&eacute;sticas, Tony contrata Barrett, um criado para todo o servi&ccedil;o, daqueles que espalham classe e antecipam os desejos do seu senhor. Barrett tem boas maneiras e sabe cozinhar, opina sobre a decora&ccedil;&atilde;o da casa, traz o pequeno almo&ccedil;o &agrave; cama, e demolha os p&eacute;s do patr&atilde;o em &aacute;gua quente. Mais do que apenas um criado, Barrett &eacute; uma esp&eacute;cie de m&atilde;e ausente, a ama seca de um adulto ing&eacute;nuo, incapaz e mimado. &Eacute; o nascimento desta rela&ccedil;&atilde;o e o eclodir do tri&acirc;ngulo Barrett &#8211; Tony &#8211; Susan que ocupam o primeiro acto deste filme.</p>
<p>Na verdade, cedo constatamos que Susan n&atilde;o partilha da admira&ccedil;&atilde;o de Tony pelo criado. Porque raz&atilde;o? Porque Barrett, mesmo quando n&atilde;o solicitado, est&aacute; sempre &agrave; espreita, atr&aacute;s de cada porta, de espanador na m&atilde;o pronto a servir. Susan sabe -ou pressente- que Barrett rapidamente adquiriu influ&ecirc;ncia sobre o patr&atilde;o e que ter&aacute; de competir com ele pelo controle sobre Tony. A rivalidade cresce em surdina, Susan faz a vida negra ao criado e acaba por pedir ao noivo que o despe&ccedil;a. Por&eacute;m, com o seu pat&eacute;tico orgulho colonialista Tony defende sempre o seu Barrett: &ldquo;He may be a servant, but he is still an human being.&rdquo;</p>
<p>Este antagonismo entre Susan e Barrett traduz-se visualmente na luta pelo dom&iacute;nio da casa. No cinema, como na vida, a casa &eacute; tradicionalmente caracterizada como um territ&oacute;rio feminino. Por&eacute;m, neste filme ela est&aacute; habitada por dois homens e a entrada a uma mulher parece vedada: &ldquo;The thought of some woman running aroung the house and telling me what to do, rather puts me off!&rdquo;. Susan sabe-o &#8211; ou pressente-o &#8211; e por isso procura chamar a si todas as decis&otilde;es dom&eacute;sticas, contra a vontade de Barrett. Esta &eacute; tamb&eacute;m uma batalha de egos, por isso, quando Susan e Barrett disputam ferozmente o lugar de uma jarra de flores, o que eles decidem &eacute; quem realmente det&eacute;m o poder naquele territ&oacute;rio. De igual forma, ao mesmo tempo que Barrett vai ganhando ascendente sobre Tony os seus dom&iacute;nios na casa v&atilde;o-se expandindo: inicialmente confinado &agrave; cozinha, o criado come&ccedil;a a usar a casa de banho do patr&atilde;o at&eacute; que termina a dormir com outra pessoa na sua cama.</p>
<p>Porque h&aacute; um quarto vago na casa, o que permite a entrada em cena de um novo elemento. Sob o pretexto de precisar de apoio nas lides dom&eacute;sticas, Barret convence Tony a contratar uma criada &#8211; Vera (Sarah Miles) &#8211; apresentada ao patr&atilde;o como sua respeit&aacute;vel irm&atilde; mas na verdade sua namorada. Ao contr&aacute;rio de Barrett, que mostra cultura e usa de gestos educados, Vera &eacute; apenas mais uma parola que chega &agrave; cidade. Por&eacute;m, exibindo uma sensualidade que falta a Susan, o seu aparecimento despoleta o desejo de Tony, e desequilibra ainda mais a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as a favor de Barrett. Deste modo, &agrave; partida para o segundo acto, o filme apresenta uma estrutura em quadril&aacute;tero que inclui v&aacute;rios tri&acirc;ngulos: Barrett &#8211; Tony &#8211; Susan; Tony &ndash; Vera &ndash; Barret; e Vera &ndash; Tony &ndash; Susan. &Eacute; em torno destes tr&ecirc;s tri&acirc;ngulos e das suas din&acirc;micas de amor, ci&uacute;me e poder que a ac&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica se vai desenrolar.</p>
<p>Como vimos, estas quatro personagens pertencem a dois universos sociais antag&oacute;nicos &ndash; a aristocracia e o povo &ndash; que se encontram nesta casa e colidem dramaticamente. O que est&aacute; em causa &eacute; muitas vezes a educa&ccedil;&atilde;o, as virtudes, o sangue: &eacute; portanto ainda uma quest&atilde;o de classe. Nesse sentido, The Servant serve tamb&eacute;m como retrato de uma aristocracia decadente e de uma estrutura social brit&acirc;nica em muta&ccedil;&atilde;o mas ainda extremamente hierarquizada. Poder-se-ia pensar que estamos perante o t&iacute;pico filme brit&acirc;nico de cr&iacute;tica ao establishment e louvor das classes desfavorecidas, na linha de um &ldquo;kitchen sink drama&rdquo; ou do realismo social de Ken Loach. Por&eacute;m, neste filme ambas as personagens do povo surgem com tra&ccedil;os pouco apraz&iacute;veis: Vera &eacute; caracterizada como tonta e vulgar, e Barrett como uma pessoa falsa, grosseira e manipuladora &ndash; os ant&iacute;podas de um working class hero. Quer dizer, The Servant prefere a caracteriza&ccedil;&atilde;o realista do indiv&iacute;duo &agrave; idealiza&ccedil;&atilde;o da luta de classes. Este n&atilde;o &eacute; um tempo para her&oacute;is, nem nas classes mais desfavorecidas.</p>
<p>Na verdade, o que realmente interessa a Pinter &eacute; o estudo da linguagem das rela&ccedil;&otilde;es, dos jogos em que os humanos se envolvem. Em particular, dos jogos de poder, esses que determinam a supremacia de um humano sobre outro e que se escondem em cada gesto ou palavra nossa. Quem fica de p&eacute; e quem fica sentado, quem fala em primeiro ou &uacute;ltimo lugar, quem olha em picado ou em contra-picado, n&atilde;o s&atilde;o quest&otilde;es de pormenor em The Servant: &eacute; a ess&ecirc;ncia do filme. &Eacute; para mostrar o seu poder que Barrett trata a namorada como um cachorro, chama por ela ao assobio e d&aacute;-lhe palmadas no lombo. &Eacute; para usufruir de supremacia que Tony se coloca no topo da escadaria quando joga &agrave; bola com Barrett. &Eacute; para sublinhar o seu dom&iacute;nio que Susan esbofeteia Barrett na cara. Quer dizer, a cada encontro de personagens jogam-se bra&ccedil;os-de-ferro imprevis&iacute;veis, e &eacute; essa indetermina&ccedil;&atilde;o que confere dinamismo &agrave;s cenas e &agrave; hist&oacute;ria.</p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto2.jpg"><img width="500" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-288" title="the-servant-rev1-foto2" alt="" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/the-servant-rev1-foto2.jpg" /></a></p>
<p>Ali&aacute;s, estes jogos de poder s&atilde;o magnificamente explorados pela mise-en-sc&eacute;ne. A prefer&ecirc;ncia por planos longos faz com que as cenas surjam cuidadosamente coreografadas, quer em profundidade quer pelo movimento de c&acirc;mara. Assim, usa-se a profundidade de campo de modo a que diferentes personagens tenham diferentes escalas no plano e essas escalas evoluam de acordo com a din&acirc;mica da cena. Quem est&aacute; em primeiro plano e quem est&aacute; em fundo traduz um jogo de poder, e coloca a &ecirc;nfase na rela&ccedil;&atilde;o &#8211; e n&atilde;o no individuo. Do mesmo modo, a profundidade de campo permite tamb&eacute;m inscrever as personagens neste espa&ccedil;o claustrof&oacute;bico e fechado como um palco de onde parece imposs&iacute;vel fugir.</p>
<p>Em Pinter, os jogos de poder ganham-se ou perdem-se atrav&eacute;s da palavra. Invariavelmente, as suas personagens elogiam, obedecem, criticam, seduzem com uma agenda oculta, uma segunda inten&ccedil;&atilde;o. Aqui as cenas come&ccedil;am in media res, com os dados j&aacute; lan&ccedil;ados, e as palavras significam sempre aquilo e outra coisa, um desconhecido que o espectador &#8211; tal como o interlocutor &#8211; tem de descortinar paulatinamente. Assim, em cada cena o que est&aacute; em jogo &ndash; o subtexto &#8211; est&aacute; encoberto por hesita&ccedil;&otilde;es, double-entendres, ou frases inconsequentes que disfar&ccedil;am a verdadeira inten&ccedil;&atilde;o da personagem. Estamos pois no reino do disfarce, da mentira f&aacute;cil e da manipula&ccedil;&atilde;o, e este &eacute; um jogo em que todos participam.</p>
<p>De facto, o decl&iacute;nio deste anti-her&oacute;i aristocrata parte justamente de uma estrat&eacute;gia de manipula&ccedil;&atilde;o. Um plano cuidadosamente urdido por Barrett faz com Tony se encontre &agrave; noite sozinho em casa com Vera. Numa cena de memor&aacute;vel tens&atilde;o, Vera surge de mini-saia e p&eacute;s descal&ccedil;os na cozinha a seduzir o patr&atilde;o, enquanto gotas de &aacute;gua caem na banca e o telefone toca sem parar. A partir deste momento, Tony passa a estar demasiado ocupado para a noiva e a entregar-se a tempo inteiro &agrave; jovem criada (e &agrave;s bebidas alco&oacute;licas). &Eacute; justamente aqui que principia a decad&ecirc;ncia de Tony e se come&ccedil;a a inverter a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre senhor e criado.</p>
<p>Em geral, estes momentos de sedu&ccedil;&atilde;o caracterizam-se pelo engenho e discri&ccedil;&atilde;o com que s&atilde;o apresentados. Durante o cinema cl&aacute;ssico o sexo era imagem tabu pelo que os realizadores e guionistas tinham de recorrer &agrave; met&aacute;fora para comunicarem momentos de intimidade. O champagne que borbulha nos flutes, o fumo insinuante dos cigarros, o calor ardente da lareira, s&atilde;o alguns dos elementos cl&aacute;ssicos de que The Servant se serve com alguma originalidade. Por&eacute;m, o que distingue este filme da generalidade &eacute; justamente a sexualiza&ccedil;&atilde;o de objectos aparentemente in&oacute;cuos, como rel&oacute;gios de parede, espelhos convexos ou torneiras de cozinha. Reprimido ou ausente nas personagens, o desejo insinua-se nas objectos comuns e espalha-se a toda a casa. Do mesmo modo, a paisagem sonora, quer atrav&eacute;s de efeitos em fora de campo, quer atrav&eacute;s do jazz quente da can&ccedil;&atilde;o &ldquo;Now while I love you alone&rdquo;, promove uma atmosfera de v&iacute;cio e sensualidade.</p>
<p>Esta decad&ecirc;ncia agudiza-se sobremaneira depois de Tony despedir Barrett e ficar isolado na mans&atilde;o. Numa cena de antologia &#8211; em que o espectador apenas v&ecirc; a sombra de Barrett e ouve di&aacute;logos em off &#8211; o patr&atilde;o encontra o criado na sua cama com a sua suposta &ldquo;irm&atilde;&rdquo; e confronta-o com o crime de lesa-majestade. &Eacute; a partir deste momento que compreendemos a real import&acirc;ncia de Barrett na casa. A lou&ccedil;a imunda na banca, a correspond&ecirc;ncia por abrir, as flores que murcham na jarra sinalizam a sua aus&ecirc;ncia e o vazio que deixou. Sem Barrett, Tony n&atilde;o tem capacidades para cuidar de si e &eacute; confrontado com essa mesma depend&ecirc;ncia. Um vinculo que era exclusivamente laboral, rapidamente se tornou numa necessidade e num la&ccedil;o afectivo vital. Esta rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia &eacute; magnificamente ilustrada pela cena em que Tony entra no quarto de Vera e se agarra aos seus len&ccedil;&oacute;is, desesperadamente s&oacute;.</p>
<p>Dias mais tarde, Barrett encontra Tony num pub e consegue convencer o patr&atilde;o a aceit&aacute;-lo de volta. Por&eacute;m, depois do que ambos disseram e presenciaram, a sua rela&ccedil;&atilde;o s&oacute; podia estar diferente. Por vezes h&aacute; uma intimidade mais pronunciada, quase de casal, em que se conversa sobre a elabora&ccedil;&atilde;o do jantar ou se discute a arruma&ccedil;&atilde;o da casa. Outras vezes estabelecem-se brincadeiras de adolescentes, em que os dois jogam &agrave;s escondidas a amea&ccedil;ar: &ldquo;You&rsquo;ve got a guilty secret!&rdquo; Outras ainda, h&aacute; comportamentos sado-masoquistas como o patr&atilde;o a obrigar o criado a limpar o ch&atilde;o enquanto lhe chama parolo. Assim, fomentados pelo seu isolamento do mundo, cria-se aos poucos um ambiente de tens&atilde;o sexual entre os dois, em que o que excita &eacute; a tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o de poder. Nesta atmosfera homoer&oacute;tica, o desespero sexual de Tony revela-se pat&eacute;tico e comovente, e Barrett, mais uma vez, explora esse facto em favor do seu dom&iacute;nio sobre o outro.</p>
<p>Este &eacute; pois um filme sobre a queda de um jovem aristocrata na ru&iacute;na moral. Sobre uma descida aos infernos em que o cicerone vai corrompendo as almas no caminho. Sobre a invers&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o de poder at&eacute; ao dom&iacute;nio absoluto do criado sobre o patr&atilde;o. Na &uacute;ltima cena, Barrett organiza uma orgia para oferecer a Tony, com mulheres de riso felliniano, c&acirc;maras fotogr&aacute;ficas que disparam flashes e m&uacute;sica embriagante. Depois da entrega a uma devassid&atilde;o sem regras, a festa termina simbolicamente com o criado a subir ao primeiro andar e o senhor a arrastar-se pelo soalho como um bicho. Quer dizer, o jovem aristocrata v&ecirc;-se agora reduzido a uma criatura in&uacute;til, viciada no &aacute;lcool e impotente face aos desafios da vida. Como num filme de terror, o monstro &eacute; tamb&eacute;m o melhor amigo e a vitima &eacute; t&atilde;o culpada quanto o carrasco. Como num document&aacute;rio de natureza, o humano &eacute; aqui retratado como um ser dependente do outro, dominado pela agress&atilde;o e pelo desejo, como um parasita da alma.</p>
<p>Trailer:</p>
<p><img width="425" height="344" alt="" title="&quot;allowFullScreen&quot;:&quot;true&quot;,&quot;src&quot;:&quot;http://www.youtube.com/v/aZ_GUH3i9z8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&quot;" class="mceItemFlash" src="../../../../../beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" mce_src="http://argumentistas.org/beta1/wp-includes/js/tinymce/plugins/media/img/trans.gif" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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