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	<title>argumentistas.orgMorangos com Açúcar | argumentistas.org</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
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		<title>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 23:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Ribas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<description><![CDATA[Adriano Luz é o actual director da Casa da Criação. Motivo mais do que suficiente para um conversa sobre como se organiza, hoje, uma empresa de guionistas que trabalha todos os dias para alguns dos sucessos mais conhecidos da TVI.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#2</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/editorial-revista-apad-2/' title='Editorial &#8211; Dossier APAD 2'>Editorial &#8211; Dossier APAD 2</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-artur-silva-sobre-as-pf/' title='Nuno Artur Silva sobre as PF'>Nuno Artur Silva sobre as PF</a></li><li>Adriano Luz sobre a Casa da Criação</li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/nuno-bernardo-sobre-a-beactive/' title='Nuno Bernardo sobre a beActive'>Nuno Bernardo sobre a beActive</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/empresas-de-guionistas-directorio/' title='Empresas de guionistas &#8211; directório'>Empresas de guionistas &#8211; directório</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/alexandre-valente-e-o-seu-second-life/' title='Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;'>Alexandre Valente e o seu &#8220;Second Life&#8221;</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/relatorio-mckee/' title='Relatório McKee'>Relatório McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/kaufman-vs-mckee/' title='Livros: Kaufman vs. McKee'>Livros: Kaufman vs. McKee</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/sobre-os-direitos-de-autor-do-argumentista/' title='Sobre os Direitos de Autor do Argumentista'>Sobre os Direitos de Autor do Argumentista</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/the-day-the-earth-stood-still-analise-comparativa/' title='The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa'>The Day the Earth Stood Still: Análise Comparativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/italiano-para-principiantes/' title='Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa'>Italiano para Principiantes: uma luminosa lição de simplicidade narrativa</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2009/03/faust/' title='Faust'>Faust</a></li></ol></div> <hr />
<p>
<em>Adriano Luz &eacute; um dos actores mais conhecidos do cinema e televis&atilde;o portuguesas. Contudo, a nossa entrevista tem outro prop&oacute;sito: falar da <a target="_blank" href="http://www.casadacriacao.pt">Casa da Cria&ccedil;&atilde;o</a>, da qual Adriano Luz &eacute; o director. A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; uma empresa de guionistas do grupo Plural Entertainment (ex-NBP) e &eacute; o grupo respons&aacute;vel por grande parte dos sucessos actuais da TVI. O exemplo m&aacute;ximo &eacute; o mega-sucesso &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot;.</em></p>
<p><img width="193" height="175" alt="190111" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/190111.jpg" title="190111" class="alignnone size-full wp-image-432" /></p>
<p><strong>APAD &#8211; Pode explicar-nos como surgiu a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> Adriano Luz &#8211; Quando a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o surgiu eu ainda n&atilde;o estava na NBP &#8211; agora Plural Entertainment. E ela nasceu pela necessidade de o grupo ter um gabinete de escrita que pudesse ser um dos p&oacute;los onde se desenvolvia projectos para televis&atilde;o. De princ&iacute;pio ele era gerido por um autora &#8211; a Maria Jo&atilde;o Mira &#8211; e tinha, fundamentalmente, jovens guionistas. Neste momento a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; isso. &Eacute; dirigido por mim, que n&atilde;o sou autor. Eu tenho, se quiser, um olhar que &eacute; mais da realiza&ccedil;&atilde;o, da dramaturgia. Fa&ccedil;o uma ponte entre os autores &#8211; os jovens guionistas iniciais evolu&iacute;ram para autores. Por isso, neste momento temos alguns autores e muitos guionistas.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como est&aacute; estruturada a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o funciona assim: temos coordenadores de projecto e, actualmente, tr&ecirc;s equipas a escrever em simult&acirc;neo. Essas tr&ecirc;s equipas s&atilde;o dirigidas por um coordenador, que &eacute;, normalmente, o autor da ideia ou do desenvolvimento da ideia da sinopse inicial. Essa pessoa coordena uma equipa de 5, 6 guionistas e fazemos um entrega semanal, em m&eacute;dia, de cinco ou seis gui&otilde;es. Este coordenador tem como fun&ccedil;&atilde;o principal responder pela qualidade e pelo resultado final das novelas.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; que os projectos nascem? Da NBP? </strong> AL &#8211; Normalmente os projectos n&atilde;o v&ecirc;m da NBP. N&oacute;s desenvolvemos na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o projectos, ideias e sinopses que muitas vezes s&atilde;o afectadas pelo cliente. Por hip&oacute;tese: o cliente pode pedir que o projecto n&atilde;o se passe no local x, mas sim no local y, por uma quest&atilde;o de estrat&eacute;gia, muitas vezes da pr&oacute;pria empresa, neste caso a TVI. A partir de uma ideia nossa (Casa da Cria&ccedil;&atilde;o), ela depois &eacute; afectada por op&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es da realiza&ccedil;&atilde;o do grupo da Plural Entertainment e tamb&eacute;m pela TVI. H&aacute; uma quantidade de pessoas que afectam a sinopse final. Desde o realizador, que &eacute; o director-geral do projecto at&eacute; &agrave; TVI. Vou-lhe dar um exemplo: eu pe&ccedil;o a tr&ecirc;s ou quatro dos nossos autores para me apresentarem projectos de uma pr&oacute;xima novela. Depois apresentamos aqui internamente e avaliamos, tamb&eacute;m, dentro da Plural Entertainment. E depois &eacute; apresentada &agrave; TVI e a TVI decide qual &eacute; a sinopse que mais lhe interessa fazer num determinado momento. Mas tamb&eacute;m pode acontecer o contr&aacute;rio: ser encomendada &agrave; Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, como hip&oacute;tese, uma ideia para ser escrita uma novela que comece, eventualmente, nos A&ccedil;ores ou na Madeia ou em Tr&aacute;s-os-Montes. Isto &eacute;, n&atilde;o &eacute; tanto no conte&uacute;do, mas &agrave;s vezes algumas balizas s&atilde;o atiradas &agrave; Casa da Cria&ccedil;&atilde;o ou pela TVI ou pela pr&oacute;pria Plural.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; mais conhecida pelas telenovelas da TVI. Pode dizer-nos que outro tipo de projectos a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o est&aacute; a escrever?</strong> AL &#8211; A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o escreve para l&aacute; das telenovelas. Os projectos que t&ecirc;m mais visibilidade s&atilde;o, claro, as telenovelas (j&aacute; que s&atilde;o aquelas que t&ecirc;m uma produ&ccedil;&atilde;o continuada). O que n&atilde;o invalida que n&oacute;s tenhamos outro tipo de projectos, ainda que n&atilde;o estejam a ser feitos actualmente. O que n&oacute;s temos em carteira s&atilde;o s&eacute;ries, um projecto para telem&oacute;veis (que chegamos a gravar dois epis&oacute;dios de dois minutos cada), e temos um projecto para uma esp&eacute;cie de foto-novela. N&oacute;s temos estes projectos s&oacute; que, &agrave;s vezes, n&atilde;o encontramos interlocutores, nem clientes. E as telenovelas ocupam-nos muito tempo. Tamb&eacute;m escrevemos na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o alguns &quot;Casos da Vida&quot; (que &eacute; uma s&eacute;rie que se afasta do conceito das novelas). Temos tamb&eacute;m um filme escrito para os &quot;Morangos&quot;, e eu espero que ele venha a ser rodado. Est&aacute; acabado e aprovado pela TVI, s&oacute; falta mesmo encontrarmos o <em>timing</em> certo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Pode-nos dizer qual &eacute; o r&aacute;cio actual entre as telenovelas adaptadas de formatos estrageiros e aquelas que s&atilde;o ideias originais da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; Neste momento s&oacute; temos uma adapta&ccedil;&atilde;o que &eacute; o &quot;Lalola&quot;. De resto, tudo &eacute; original: &quot;A Doce Fugitiva&quot; (j&aacute; acabamos de a escrever, mas ainda n&atilde;o acabou de ser gravada), &quot;A Vida Inteira&quot; (que estamos agora a escrever), os &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot; (j&aacute; com seis anos). J&aacute; agora digo-lhe os autores da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o: a Patr&iacute;cia Muller (&quot;A Vida Inteira&quot;), a Sandra Santos (&quot;A Doce Fugitiva&quot;), o Jos&eacute; Pinto Carneiro (que tem feito os &uacute;ltimos &quot;Morangos&quot;) e o Ant&oacute;nio Barreira (que esteve no &quot;Fasc&iacute;nios&quot;). Estes s&atilde;o os nossos autores que mais projectos desenvolvem.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; o m&eacute;todo de trabalho di&aacute;rio na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; Ainda que n&atilde;o havendo um hor&aacute;rio muito espec&iacute;fico, h&aacute; um consenso entre as 10h e as 18h. Cada equipa de guionistas est&aacute; em salas diferentes, escrevem em mesas comuns onde a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil (os guionistas n&atilde;o est&atilde;o isolados), e onde est&atilde;o todos a olhar uns para os outros, para que possa haver di&aacute;logo. A escrita &eacute; muito uma escrita em grupo. Depois temos uma sala de reuni&otilde;es grande, onde cada equipa faz reuni&otilde;es de plano, onde fazem a planifica&ccedil;&atilde;o de alguns epis&oacute;dios. Depois de fazerem a planifica&ccedil;&atilde;o de 20 epis&oacute;dios (normalmente s&atilde;o 20), fazem o que n&oacute;s chamamos as grelhas de cada epis&oacute;dio. Essa grelha &eacute; depois aprovada pelo coordenador e s&oacute; depois de aprovada a grelha &eacute; que se passa para a parte dos di&aacute;logos e do desenvolvimento das cenas. Esta &eacute; a metodologia da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o que j&aacute; &eacute; anterior a mim, mas pareceu sempre que funciona.</p>
<p><strong>APAD &#8211; H&aacute; uns tempos t&iacute;nhamos a ideia de que a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o tinha um r&aacute;cio de escrever um epis&oacute;dio por dia. Isso ainda &eacute; assim?</strong> AL &#8211; Sim, sim. Tem que ser. Um &eacute; o m&iacute;nimo, que &eacute; para entregar cinco epis&oacute;dios por semana. &Agrave;s vezes ter&aacute; que ser mais um bocadinho, mas menos nunca ser&aacute;.</p>
<p><strong>APAD &#8211; J&aacute; nos falou das vossas salas e gostar&iacute;amos de saber que tipo de preocupa&ccedil;&otilde;es tiveram no espa&ccedil;o, j&aacute; que &eacute; um espa&ccedil;o para criativos.</strong> AL &#8211; &Eacute; essencial ter luz. N&atilde;o conhece o espa&ccedil;o?</p>
<p><strong>APAD &#8211; Voc&ecirc;s tinham antes um espa&ccedil;o no Estoril.</strong> AL &#8211; Sim, esse no Estoril era numa vivenda. Os autores preferem estar no centro de Lisboa, mesmo que n&atilde;o vivam em Lisboa (&eacute; uma quest&atilde;o de estar mais perto do mundo). As nossas salas s&atilde;o amplas, s&atilde;o mesas &uacute;nicas grandes, cada um no seu computador e todos virados uns para os outros. E todas estas salas d&atilde;o para a rua (&eacute; na Rua do Alecrim) e portanto t&ecirc;m imensa luz. Temos tamb&eacute;m uma cozinha para alguns que mandam vir comida (os nossos guionistas para al&eacute;m do sal&aacute;rio, t&ecirc;m um subs&iacute;dio de refei&ccedil;&atilde;o). E a cozinha tamb&eacute;m serve de sala de fumo. Depois temos o gabinete da L&uacute;cia Feitosa, que &eacute; a pessoa que trabalha comigo na direc&ccedil;&atilde;o da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o e temos o meu gabinete para quando l&aacute; vou. Temos tamb&eacute;m uma sala de massagens, para uma massagista que l&aacute; vai duas vezes por m&ecirc;s (duas vezes por m&ecirc;s sem encargo nenhum para os autores). Eu intervenho mais no in&iacute;cio das telenovelas do que quando elas j&aacute; est&atilde;o em velocidade cruzeiro. Ou intervenho quando h&aacute; algum &quot;problema&quot; entre a produ&ccedil;&atilde;o e a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Acha que j&aacute; h&aacute; algum tipo de linguagem Casa da Cria&ccedil;&atilde;o?</strong> AL &#8211; Eu acho que sim. Se me perguntar se eu sei definir, eu n&atilde;o sei. N&oacute;s j&aacute; tivemos alturas em que as novelas que estavam a dar desde as 19h at&eacute; &agrave; noite eram da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o. E com &ecirc;xito. Neste momento &eacute; &quot;A Doce Fugitiva&quot; e os &quot;Morangos com A&ccedil;&uacute;car&quot; (a&iacute; sim, j&aacute; acho que h&aacute; uma marca Morangos). Quando a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, h&aacute; anos a esta parte, tem pelo menos uma telenovela antes do prime-time e, pelo menos, outro no prime-time deve haver (e h&aacute;, seguramente) uma marca Casa da Cria&ccedil;&atilde;o. Se h&aacute; uma linguagem eu n&atilde;o sei, porque todos os autores s&atilde;o diferentes e &eacute; natural e saud&aacute;vel que haja mudan&ccedil;as. Provavelmente quando a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o era dirigida pela Maria Jo&atilde;o Mira era mais prov&aacute;vel que essa marca fosse n&iacute;tida, j&aacute; que tudo era filtrado pela sensibilidade da Maria Jo&atilde;o Mira. Como agora n&atilde;o &eacute; filtrado pela sensibilidade de uma s&oacute; pessoa &#8211; &eacute; filtrado por cada autor &#8211; &eacute; prov&aacute;vel que haja mais diversidade.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como falou que tem uma vis&atilde;o um pouco exterior do mundo dos guionistas, acha que actualmente, no panorama do audiovisual portugu&ecirc;s, os guionistas passaram a ser uma parte importante do processo?</strong> AL &#8211; Eu acho que os argumentistas ganharam import&acirc;ncia. Ainda n&atilde;o &eacute; como no Brasil onde os guionistas s&atilde;o verdadeiras vedetas. Mas, no guionismo para televis&atilde;o, os guionistas t&ecirc;m import&acirc;ncia. H&aacute; uns anos atr&aacute;s, quando eu entrei para a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &#8211; e n&atilde;o tenho qualquer m&eacute;rito no que vou dizer, porque foi para a&iacute; que as coisas caminharam &#8211; qualquer um dos guionistas que l&aacute; estava &#8211; e eles sabem &#8211; eram descart&aacute;veis. Neste momento h&aacute; guionistas na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m uma import&acirc;ncia para a empresa e para a TVI que jamais tiveram h&aacute; tr&ecirc;s anos atr&aacute;s. Neste momento j&aacute; s&atilde;o pessoas quase imprescind&iacute;veis para o grupo e para a TVI. Mas temos mais guionistas para al&eacute;m da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o (falando do ponto de vista do cliente TVI): o Rui Vilhena, a Maria Jo&atilde;o Mira, Toz&eacute; Martinho, t&ecirc;m uma import&acirc;ncia capital para a TVI. O que me agrada &eacute; que, para al&eacute;m destes que s&atilde;o os mais velhos, os nossos jovens guionistas (digo jovens porque andam na gera&ccedil;&atilde;o dos 30) tamb&eacute;m t&ecirc;m uma import&acirc;ncia para a TVI. J&aacute; n&atilde;o s&atilde;o os mi&uacute;dos da Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o guionistas respeitados e considerados e imprescind&iacute;veis para a TVI.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Do ponto de vista mais geral &#8211; televis&atilde;o e cinema &#8211; como acha que est&aacute; o actual panorama?</strong> AL &#8211; Eu tenho uma opini&atilde;o da voca&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o que n&atilde;o &eacute; exactamente a mesma no cinema. Algum do cinema que anda a ser feito preocupa-me um bocado. Eu chamo-lhe televis&atilde;o em ecr&atilde; grande. &Eacute; um cinema em que eu, como actor, n&atilde;o me revejo de forma alguma. E estou a falar de filmes como &quot;Second Life&quot;, eventualmente o &quot;Contrato&quot;, &quot;Corrup&ccedil;&atilde;o&quot; e outro que tais. Se &eacute; por aqui que n&oacute;s criamos a ind&uacute;stria de cinema, tenho as minhas d&uacute;vidas. Se calhar aqui em Portugal conseguimos fazer ind&uacute;strias de alheiras de Mirandela, mas se tentarmos fazer salsichas iguais &agrave;s alem&atilde;s n&atilde;o vamos conseguir fazer. O que est&aacute; a acontecer com o cinema &eacute; que n&atilde;o &eacute; nada espec&iacute;fico portugu&ecirc;s. &Eacute; um cinema igual ao que vemos ali ao lado, mas o outro &eacute; melhor. &Eacute; um cinema que n&atilde;o me interessa a mim. Mas mais importante do que isso: n&atilde;o sei se &eacute; por ali que se faz uma ind&uacute;stria de cinema. N&atilde;o foi assim que os espanh&oacute;is fizeram a ind&uacute;stria de cinema. E agora j&aacute; se est&aacute; a fazer filmes em ingl&ecirc;s, que eu acho at&eacute; um bocadinho parolo.  Mas, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; televis&atilde;o, j&aacute; acho diferente, porque a nossa fic&ccedil;&atilde;o para televis&atilde;o s&atilde;o as telenovelas e, muito provavelmente, para o ano que vem, depois deste tempo de crise, acho que nos podemos dar por satisfeitos de como est&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o. Fez-se o &quot;Equador&quot;, o que &eacute; um grande m&eacute;rito da TVI e da Plural, mas n&atilde;o sei se t&atilde;o cedo h&aacute; vontade financeira para gerar um projecto t&atilde;o caro como o &quot;Equador&quot; foi. Duvido que as televis&otilde;es em geral v&atilde;o gastar dinheiro em fic&ccedil;&atilde;o. O mercado publicit&aacute;rio est&aacute; a retrair-se e quando a publicidade se retrai tudo o resto se retrai.  No caso do cinema acho que, neste momento, h&aacute; um n&oacute; com a vinda destes novos produtores, que eu conhe&ccedil;o (por exemplo, o Alexandre Valente quando ele trabalhava para o Paulo Branco). H&aacute; um nova vontade de fazer filmes como &quot;O Crime do Padre Amaro&quot; ou &quot;Am&aacute;lia&quot;. Contudo, enquanto eu percebo o &quot;Am&aacute;lia&quot; j&aacute; n&atilde;o consigo perceber o &quot;Second Life&quot;, nem o novo filme do Leonel Vieira (de quem eu gosto imenso) falado em ingl&ecirc;s. Isso &eacute; que me confunde um bocado, ao n&atilde;o perceber bem o que se quer fazer com o cinema. A televis&atilde;o, neste aspecto, &eacute; mais clara, tem objectivos mais claros: criar audi&ecirc;ncia, e est&aacute; a faz&ecirc;-lo. Pode dizer-me que o cinema tamb&eacute;m est&aacute; a tentar faz&ecirc;-lo, mas o problema &eacute; que aquele modelo se vai esgotar. E as audi&ecirc;ncias que o cinema tem? Por exemplo, o &quot;Corrup&ccedil;&atilde;o&quot; estava a pensar fazer muito mais do que o que fez.  Claro que os &quot;Morangos&quot; tamb&eacute;m &eacute; um bocadinho desse cinema e eu n&atilde;o duvido que v&aacute; ser um &ecirc;xito, j&aacute; que &eacute; uma marca que est&aacute; feita. Ah! A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m j&aacute; escreveu alguns textos de teatro quer para os &quot;Morangos&quot; quer para outras coisas mais pioneiras, como, por exemplo, para uma pe&ccedil;a de teatro que eu encenei. Quanto mais a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o brincar nestes dom&iacute;nios (que n&atilde;o s&atilde;o a sua praia) melhor ser&aacute;, mais coisas aprendem. Ent&atilde;o se n&oacute;s falarmos de teatro, h&aacute; muito poucos a escreverem teatro em Portugal. E com a carpintaria pr&oacute;pria do teatro, provavelmente s&oacute; a Lu&iacute;sa Costa Gomes e mais ningu&eacute;m.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Se algum jovem guionista quiser mostrar o seu trabalho &agrave; Casa da Cria&ccedil;&atilde;o, como deve fazer? H&aacute; espa&ccedil;o para novos autores na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o? Tem algum conselho para quem esteja a come&ccedil;ar? </strong> AL &#8211; O nosso modelo de gest&atilde;o n&atilde;o &eacute; exactamente como o das Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias. As pessoas que entram para a Casa da Cria&ccedil;&atilde;o s&atilde;o contratadas, h&aacute; um ordenado. A Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; uma empresa que tem todos os dias telenovelas no ar. O trabalho na Casa da Cria&ccedil;&atilde;o &eacute; por objectivos, embora haja pr&eacute;mios quando as novelas s&atilde;o aumentadas. O que eu quero dizer com isto &eacute; que, neste momento, eu n&atilde;o posso meter ningu&eacute;m. Eu fa&ccedil;o um esfor&ccedil;o tremendo para n&atilde;o ter que dispensar ningu&eacute;m. E sentimos que o que a&iacute; vem n&atilde;o vai ser melhor. A ser, &eacute; pior. Neste momento n&oacute;s temos que fazer uma gin&aacute;stica para nos mantermos todos. N&atilde;o estou a dizer que &eacute; uma gin&aacute;stica imposs&iacute;vel, porque vai ser poss&iacute;vel, seguramente. Normalmente, o que n&oacute;s fazemos quando precisamos de algu&eacute;m, &eacute; abrir um concurso. Tem sido assim que as pessoas t&ecirc;m entrado. N&atilde;o quer dizer que n&atilde;o o voltemos a fazer. Vamos voltar a faz&ecirc;-lo assim que sintamos necessidade. Mas t&atilde;o cedo, confesso que n&atilde;o estou &agrave; espera de meter pessoas.</p>
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