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	<title>argumentistas.orgtécnica | argumentistas.org</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos</description>
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		<title>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:04:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pedro Marta Santos é o guionista do momento: em breve estrearão dois projectos de sua autoria: o muito aguardado biopic sobre Amália Rodrigues (”Amália”) e uma série televisiva dedicada à figura de Salazar (”A Vida Privada de Salazar”). Os dois projectos são ingredientes suficientes para uma conversa interessante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><em><a href="http://www.imdb.com/name/nm1503364/">Pedro Marta Santos </a>&eacute; o guionista do momento: em breve estrear&atilde;o dois projectos de sua autoria. O primeiro &eacute; muito aguardado biopic sobre Am&aacute;lia Rodrigues (&rdquo;Am&aacute;lia&rdquo;) e o segundo &eacute; uma s&eacute;rie televisiva dedicada &agrave; figura de Salazar (&rdquo;A Vida Privada de Salazar&rdquo;). Os dois projectos s&atilde;o uma produ&ccedil;&atilde;o da VC Filmes, uma nova divis&atilde;o da Valentim de Carvalho liderada por Manuel S. Fonseca. Tudo ingredientes suficientes para uma conversa interessante.</em></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/pedro-marta-santos-foto.jpg"><img width="500" height="400" class="size-full wp-image-194" title="pedro-marta-santos-foto" alt="O guionista Pedro Marta Santos" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/pedro-marta-santos-foto.jpg" /></a>&nbsp;</p>
<h2>Sobre &ldquo;Am&aacute;lia&rdquo;</h2>
<p><strong>APAD &#8211; Como surgiu um projecto t&atilde;o marcante como o biopic sobre Am&aacute;lia?</strong></p>
<p>PEDRO MARTA SANTOS &#8211; Na cabe&ccedil;a sempre atenta do Manuel Fonseca, o director da Valentim de Carvalho Filmes. Estando esta empresa associada ao Grupo Valentim de Carvalho, detentor dos direitos musicais de uma vasta discografia amaliana, a pergunta para n&oacute;s foi: como n&atilde;o o fazer?</p>
<p><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Sentiu o peso da responsabilidade ao escrever um gui&atilde;o sobre uma figura nacional?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Senti, provavelmente como um argumentista grego sentiria ao escrever um gui&atilde;o sobre Maria Callas. Como diria o Alvin Sargent ( guionista de seis dos melhores filmes norte-americanos dos &uacute;ltimos 40 anos &ndash; &ldquo;&rdquo;Straight Time&rdquo;, &ldquo;Julia&rdquo;, Bobby Deerfield&rdquo;, &ldquo;Paper Moon&rdquo;, &ldquo;I Walk the Line&rdquo; e &ldquo;Stalking Moon&rdquo; &ndash; e autor dum filmezinho oculto chamado &ldquo;Homem-Aranha 2&rdquo;), &ldquo;com o grande poder vem a grande responsabilidade&rdquo;.<br />
O potencial poder comunicativo de um filme sobre Am&aacute;lia &eacute; imenso, mas a responsabilidade &eacute; ainda maior.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Como foi a organiza&ccedil;&atilde;o narrativa de uma hist&oacute;ria t&atilde;o grande e diversificada? Quais foram os pontos chave para estruturar o gui&atilde;o?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Depois de quatro meses a ler todas as notas de rodap&eacute;, ver todas as imagens e escutar todas as grava&ccedil;&otilde;es actualmente dispon&iacute;veis sobre &ndash; e com &ndash; Am&aacute;lia Rodrigues, surgiram de forma natural duas ou tr&ecirc;s linhas de for&ccedil;a, ideias recorrentes impressas na vida e palavras da Am&aacute;lia: a sua personalidade exterior procurava sempre a alegria, mas encontrava quase sempre a solid&atilde;o; a dimens&atilde;o popular de Am&aacute;lia foi, em grande medida, um sistema de fuga a uma dimens&atilde;o interior marcada pelo isolamento; e, a sintetizar, a Am&aacute;lia-mulher era solar, viva, de resposta sempre pronta, mas acabava por cair num &ldquo;looking for love in all the wrong places&rdquo;.<br />
Encontrada a chave do conceito, o resto tornou-se mais f&aacute;cil.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Como decidiu as personagens da vida de Am&aacute;lia que deviam entrar e as que deviam ficar de fora?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Nalguns casos, atrav&eacute;s da regularidade e intensidade com que a pr&oacute;pria Am&aacute;lia falava delas ao longo dos anos. Noutros casos, pela intui&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a dramat&uacute;rgica que algumas delas poderiam desempenhar em pontos decisivos do conflito.<br />
Nas primeiras vers&otilde;es, havia figuras apaixonantes (Rui Valentim de Carvalho, Alberto Janes, Frederico Val&eacute;rio) que tivemos de reduzir ou, simplesmente, anular pela reduzida potencialidade dram&aacute;tica no quadro da hist&oacute;ria que quer&iacute;amos contar.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que preocupa&ccedil;&otilde;es teve com a escrita dos di&aacute;logos?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Primeiro e sempre: cumprirem a sua fun&ccedil;&atilde;o informativa no desenvolvimento da ac&ccedil;&atilde;o. Em segundo lugar: nunca se substitu&iacute;rem a ela.<br />
Por &uacute;ltimo: encontrar um registo naturalista mas envolvente, que fizesse jus &agrave; intelig&ecirc;ncia espont&acirc;nea e ao registo emocional de Am&aacute;lia.<br />
Tudo adaptado &agrave;s pequenas nuances pr&oacute;prias a cada &eacute;poca do tempo de ac&ccedil;&atilde;o (de 1920 a 1974, com um pre&acirc;mbulo-ep&iacute;logo em 1984).</p>
<p><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Como se documentou (livros, filmes, &aacute;udios, testemunhos reais) sobre a figura?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Com voracidade conscienciosa e a ajuda da Manuela Martins, a excelente jornalista que nos ajudou a fazer o trabalho de pesquisa.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Qual &eacute; o peso da m&uacute;sica no gui&atilde;o? Como se estrutura uma hist&oacute;ria sobre uma cantora?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Como imagina, o peso &eacute; grande. No entanto, n&atilde;o podemos ceder &agrave; pregui&ccedil;a de uma abordagem meramente ilustrativa &ndash; a voz e o g&eacute;nio de Am&aacute;lia s&atilde;o t&atilde;o claros que &eacute; um impulso tentador &ndash; como n&atilde;o podemos fazer depender a estrutura do argumento da evolu&ccedil;&atilde;o na carreira da cantora (suponho que isto servir&aacute; para qualquer &ldquo;biopic&rdquo; musical).<br />
Em &ldquo;Am&aacute;lia&rdquo;, o que nos interessou mais foi o reflexo da vida na m&uacute;sica, n&atilde;o o oposto.</p>
<p><strong>APAD</strong> <strong>- Como foi o processo de escrita? Pode-nos contar um pouco sobre os pequenos dramas di&aacute;rios da escrita do filme? Como &eacute; trabalhar em equipa?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Nem o grande Billy Wilder se considerou auto-suficiente para escrever certos projectos a solo &ndash; os seus melhores filmes como realizador/guionista s&atilde;o os que partilhou na escrita com Charles Brackett, primeiro, e I.A.L. Diamond, depois (tamb&eacute;m &eacute; verdade que acabou por se chatear com ambos).<br />
Eu e o Jo&atilde;o Tordo, conscientes da nossa fraca natureza e importantes limita&ccedil;&otilde;es, adoptamos outra estrat&eacute;gia: depois de eu escrever o tratamento, ele escreveu a primeira vers&atilde;o do gui&atilde;o. Eu escrevi a segunda vers&atilde;o sobre a dele, e ele fez o mesmo para escrever a terceira &#8211; e assim sucessivamente.<br />
Para a vers&atilde;o final, trocamos ideias como adultos e discutimos como adolescentes. Foi divertido, e o ego de ambos sobreviveu.</p>
<p><strong>APAD</strong><strong> &#8211; Como foi a rela&ccedil;&atilde;o com o realizador? Em que momentos concordaram e divergiram?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Foi &oacute;ptima. O Carlos Coelho da Silva tem um instinto forte para as solu&ccedil;&otilde;es visuais, o que facilita a vida ao argumentista. No que divergimos, n&atilde;o houve nada que um bom tinto alentejano n&atilde;o tenha resolvido a contento.</p>
<h2>Sobre &ldquo;A Vida Privada de Salazar&rdquo;</h2>
<p><strong>APAD &#8211; Como surgiu o projecto?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Das piores coisas que um argumentista pode fazer &eacute; repetir-se, mas: Uma vez mais, a ideia surgiu da mente hiper-activa do director da VC Filmes, Manuel Fonseca.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que caracter&iacute;sticas acha mais importantes para a escrita de uma mini-s&eacute;rie televisiva?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Ter a percep&ccedil;&atilde;o da mente humana de Linda La Plante (&ldquo;Prime Suspect&rdquo; 1 a 3), o sentido do espect&aacute;culo de J.J. Abrams (&ldquo;Lost&rdquo;), o &ldquo;timing&rdquo; nas r&eacute;plicas de Aaron Sorkin (&ldquo;West Wing&rdquo;, &ldquo;Studio 60 on the Sunset Strip&rdquo;) e o entendimento da alma de Krzysztof Piesiewicz (&ldquo;Dekalog&rdquo;, a &ldquo;trilogia das cores&rdquo; de Kieslowski). Na aus&ecirc;ncia de tudo isso, &eacute; rezar para descobrir tr&ecirc;s coisas:<br />
- uma premissa &agrave; prova de bala<br />
- uma personagem principal cujos conflitos possam ser traduzidos em ac&ccedil;&atilde;o e sustentem satisfatoriamente a intriga ao longo de 180 minutos<br />
- um olhar, um ponto de vista muito espec&iacute;fico sobre os objectivos e motiva&ccedil;&otilde;es do(s) protagonista(s)</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que ingredientes deve ter uma s&eacute;rie hist&oacute;rica</strong>?</p>
<p>PMS &#8211; O principal &ndash; e mais complexo &ndash; parece-me ser o equil&iacute;brio exacto entre factos e fic&ccedil;&atilde;o. Numa s&eacute;rie hist&oacute;rica, a realidade nunca &eacute; suficiente, mas se os factos nucleares n&atilde;o s&atilde;o respeitados, perde-se o mais importante: a verosimilhan&ccedil;a.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que estrat&eacute;gia usou para estruturar a s&eacute;rie e os seus epis&oacute;dios?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Antes de mais, encontrar o ponto de vista: adoptamos o de Christine Garnier, a mais c&eacute;lebre &ndash; e p&uacute;blica &ndash; amante de Salazar, uma jornalista francesa que conhece o presidente do Conselho no Ver&atilde;o de 1951 e sobre ele escrever&aacute; o eleg&iacute;aco &ldquo;Mes Vacances avec Salazar&rdquo;. Na nossa fic&ccedil;&atilde;o, Christine &eacute; uma narradora omnisciente &ndash; e n&atilde;o necessariamente paneg&iacute;rica &ndash; da vida privada do ditador.<br />
Depois, foi necess&aacute;rio encontrar o tom e o ritmo da progress&atilde;o dram&aacute;tica relativamente a cada uma das figuras cruciais &ndash; mulheres, na sua maioria &ndash; no percurso do cidad&atilde;o Ant&oacute;nio de Oliveira Salazar, tomando op&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; forma como elas se entrecruzam, e quanto &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de &ldquo;espelho&rdquo; (reflexo de uma faceta e tempo precisos do protagonista) que cada uma delas desempenha na intriga global.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Quais s&atilde;o os pontos marcantes do gui&atilde;o? Sobre o que &eacute; a s&eacute;rie?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Os pontos marcantes s&atilde;o os que correspondem, na nossa interpreta&ccedil;&atilde;o, &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es decisivas da vida privada do ditador: o primeiro momento em que rejeita algu&eacute;m; o primeiro momento em que &eacute; rejeitado &ndash; este definidor de todo o seu percurso futuro, inclusive no plano pol&iacute;tico; e o &uacute;nico momento em que arrisca prescindir do poder em benef&iacute;cio de uma vida familiar, mais &ldquo;normalizada&rdquo;.<br />
A s&eacute;rie lan&ccedil;a mais perguntas do que oferece respostas, mas talvez se possa dizer que &ldquo;A Vida Privada de Salazar&rdquo; &eacute; sobre a forma como um homem nega intimamente tudo aquilo que defendeu publicamente.<br />
O Salazar privado &eacute;, em certa medida, o oposto do &ldquo;orgulhosamente s&oacute;s&rdquo;.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como trabalha para ter um leque de personagens diferenciadas?</strong></p>
<p>PMS &#8211; H&aacute; v&aacute;rias t&eacute;cnicas, e cada argumentista tem a sua. Encontrar as fraquezas de car&aacute;cter espec&iacute;ficas a cada personagem parece-me um bom princ&iacute;pio.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Teve algumas restri&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o ou realiza&ccedil;&atilde;o durante a escrita?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Nenhuma, a n&atilde;o ser o sempre desagrad&aacute;vel choque com a realidade que implica n&atilde;o ter dez milh&otilde;es de d&oacute;lares &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para rebentar pontes e p&ocirc;r dez mil figurantes no Terreiro do Pa&ccedil;o com trajes de &eacute;poca.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como se documentou para escrever a hist&oacute;ria?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Novamente atrav&eacute;s de todas as fontes bibliogr&aacute;ficas e videogr&aacute;ficas dispon&iacute;veis em Portugal, al&eacute;m de depoimentos de recolha pr&oacute;pria e uma pesquisa coordenada, uma vez mais, pela expedit&iacute;ssima Manuela Martins.</p>
<p><strong>APAD &#8211; A s&eacute;rie ter&aacute; alguma revela&ccedil;&atilde;o surpresa sobre a personalidade de Salazar?</strong></p>
<p>PMS &#8211; V&aacute;rias. Teremos todo o interesse e prazer em que as descubram numa noite de Novembro pr&oacute;ximo, na SIC.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Que complica&ccedil;&otilde;es surgiram no decorrer destes dois projectos? H&aacute; algum epis&oacute;dio mais caricato ou problem&aacute;tico no processo de escrita destes dois projectos?</strong></p>
<p>PMS &#8211; N&atilde;o houve qualquer complica&ccedil;&atilde;o que exceda os limites naturais de um pa&iacute;s pequeno com alguns problemas em lidar de forma clara e desempoeirada com o seu passado recente. O resto foi o Para&iacute;so.</p>
<h2>Sobre o Of&iacute;cio de ser Guionista</h2>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para escrever uma boa hist&oacute;ria.</strong></p>
<p>PMS &#8211; &Eacute; um lugar-comum, mas as palavras de William Goldman no seminal &ldquo;Adventures in the Screen Trade&rdquo; ainda s&atilde;o o que de mais importante li at&eacute; hoje sobre a escrita de argumento: &ldquo;um argumento &eacute; estrutura&rdquo;.<br />
Acrescentaria: um argumento s&atilde;o tr&ecirc;s coisas &ndash; estrutura, estrutura e estrutura.<br />
Um gui&atilde;o &eacute; como um castelo de cartas. Se alguma carta est&aacute; mal disposta no conjunto, ou colocada no local errado, o castelo desmorona-se.<br />
Sem estrutura n&atilde;o h&aacute; drama. Sem drama n&atilde;o h&aacute; conflito. Sem conflito n&atilde;o h&aacute; argumento. Sem argumento n&atilde;o h&aacute; filme, e tenho que voltar ao jornalismo.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para construir uma personagem cativante.</strong></p>
<p>PMS &#8211; Responder &agrave;s seguintes tr&ecirc;s perguntas:<br />
- O que &eacute; que esta personagem quer?<br />
- Do que &eacute; que ela tem mais medo?<br />
- Se estivesse a morrer, qual a &uacute;ltima coisa que diria (obviamente, sem ser &ldquo;Rosebud&rdquo; ou &ldquo;Fredo&hellip;&rdquo;)?</p>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para construir uma cena forte.</strong></p>
<p>PMS &#8211; Entrar na cena o mais tarde poss&iacute;vel.<br />
- Sair da cena o mais cedo poss&iacute;vel.<br />
- Pelo meio, p&ocirc;r as personagens a falar o menos poss&iacute;vel.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Tr&ecirc;s dicas para escrever um bom di&aacute;logo.</strong></p>
<p>PMS &#8211; Escrever pouco (&ldquo;action is character&rdquo;, e o resto &eacute; conversa).<br />
- Como diria o s&aacute;dico Hitchcock, escrever as cenas de amor como cenas de ac&ccedil;&atilde;o e as cenas de ac&ccedil;&atilde;o como cenas de amor.<br />
- Tratar todos os di&aacute;logos como um duelo de vida ou morte (mesmo que se trate de pedir um caf&eacute; e uma torrada).</p>
<p><strong>APAD</strong> &#8211; Como &eacute; ser argumentista em Portugal?</p>
<p>PMS &#8211; &Agrave; excep&ccedil;&atilde;o das pessoas que d&atilde;o todo o seu talento e suor para permitir que existam telenovelas em Portugal prontas &agrave; velocidade da luz, n&atilde;o existem argumentistas em Portugal. Ainda n&atilde;o somos uma profiss&atilde;o, somos uma perturba&ccedil;&atilde;o neur&oacute;tica.<br />
Tento escrever gui&otilde;es de longa-metragem h&aacute; 10 anos, e neste momento tenho o rar&iacute;ssimo privil&eacute;gio de trabalhar numa estrutura onde sou tratado como um guionista. Espero que haja muitos mais rapidamente. Quanto mais houver, mais todos beneficiam do triunfo de cada um.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Como &eacute; a sua rela&ccedil;&atilde;o com produtores e realizadores?</strong></p>
<p>PMS &#8211; A melhor poss&iacute;vel. Tive a sorte de escrever filmes (alguns n&atilde;o se concretizaram por minha culpa ou devido a problemas de financiamento, outros est&atilde;o em fase de montagem financeira) para Alexandre Valente, Leonel Vieira e Ant&oacute;nio-Pedro Vasconcelos, e todos eles t&ecirc;m uma vis&atilde;o particular, mas extremamente v&aacute;lida, do que pode ser uma parte nuclear do futuro cinema portugu&ecirc;s.</p>
<p><strong>APAD &#8211; &Eacute; um guionista que n&atilde;o est&aacute; agrupado em nenhuma empresa de guionismo. Prefere o trabalho independente ou em pequenas equipas?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Em pequenas equipas. N&atilde;o no acto da escrita, que s&oacute; &eacute; funcional se for essencialmente solit&aacute;rio (da&iacute;, p. ex., a op&ccedil;&atilde;o de escrever o &ldquo;Am&aacute;lia&rdquo; a quatro m&atilde;os, mas &agrave; dist&acirc;ncia). Mas o trabalho de equipa &eacute; imprescind&iacute;vel nas v&aacute;rias fases do desenvolvimento do projecto, na pr&eacute;-produ&ccedil;&atilde;o, no acompanhamento da rodagem e nas fascinantes excita&ccedil;&otilde;es sinf&oacute;nicas da p&oacute;s-produ&ccedil;&atilde;o.<br />
&Eacute; outra das &ndash; poucas &ndash; verdades absolutas em cinema: o cinema &eacute; uma arte eminentemente colectiva.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Acha que em Portugal existe uma verdadeira ind&uacute;stria audiovisual (mesmo que pequena)?</strong></p>
<p>PMS &#8211; N&atilde;o. Mas estou convicto de que a VC Filmes lhe poder&aacute; responder de outra maneira daqui a cinco anos.</p>
<p><strong>APAD &#8211; Quais s&atilde;o os seus pr&oacute;ximos projectos?</strong></p>
<p>PMS &#8211; Velar pela sa&uacute;de narrativa de uma com&eacute;dia rom&acirc;ntica.</p>
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		<title>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:04:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nuno Markl dispensa apresentações. Guionista, humorista, bloguista, radiofonista, autor de sucesso e personalidade pública, as suas opiniões, ideias e até preconceitos são sempre provocadores e inspiradores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p lang="pt-BR" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><em><a href="http://www.imdb.com/name/nm1436477/">Nuno Markl</a> dispensa apresenta&ccedil;&otilde;es. Guionista, humorista, bloguista, radiofonista, autor de sucesso e personalidade p&uacute;blica, as suas opini&otilde;es, ideias e at&eacute; preconceitos s&atilde;o sempre provocadores e inspiradores.</em></p>
<p lang="pt-BR" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><em><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/markl-revista1-foto.jpg"><img width="500" height="400" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/markl-revista1-foto.jpg" alt="" title="markl-revista1-foto" class="aligncenter size-full wp-image-223" /></a></em></p>
<p lang="pt-BR" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; <i>O humor aprende-se com os mestres, aprende-se com os livros ou aprende-se fazendo? Que mestres e livros recomendas?</i></b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c12" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NUNO&nbsp;MARKL <b>- </b>Para mim, o humor nasce de uma mistura de todas essas coisas. Talvez n&atilde;o tanto com os livros; sempre me fez alguma confus&atilde;o que se escrevam livros sobre como fazer humor. Acho que uma pessoa que tem a frieza de sistematizar os seus supostos conhecimentos de com&eacute;dia num comp&ecirc;ndio t&eacute;orico &eacute;, &agrave; partida, a menos indicada para explicar a outros como fazer rir! Por alguma raz&atilde;o os tipos que escrevem os livros sobre como escrever com&eacute;dia s&atilde;o desprovidos de qualquer curriculum apreci&aacute;vel na &aacute;rea. Porqu&ecirc;? Porque est&atilde;o a escrever teorias sobre como escrever piadas, em vez de as fazer. Acho que, em parte, o humor nasce de uma predisposi&ccedil;&atilde;o natural que a pessoa tenha para isso; n&atilde;o imagino um tipo sem qualquer pendor nato para o humor a conseguir ter uma carreira bem sucedida nessa &aacute;rea, e penso que n&atilde;o ser&atilde;o &ldquo;os mestres&rdquo; nem livros da especialidade que o conseguir&atilde;o ajudar. Para l&aacute; desse pendor nato &ndash; que, muitas vezes, surge no ser humano como um mecanismo de defesa, como foi o meu caso, dado que era um mi&uacute;do t&iacute;mido, solit&aacute;rio e algo enxovalhado, na escola &ndash; acho que se aprende muito vendo boa com&eacute;dia. Eu sei que h&aacute; colegas meus que se recusam a ver com&eacute;dia de outras pessoas, porque sentem que ficam demasiado formatados e perdem frescura e originalidade, mas eu n&atilde;o concordo com isso. Acho a com&eacute;dia um organismo vivo, um monstro que evolui e que ganha novas formas a partir de formas anteriores. Nenhuma coisa nova de com&eacute;dia surge de gera&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea, do nada; tudo surge a partir de algo que est&aacute; atr&aacute;s. Quando me dizem coisas como, &ldquo;ent&atilde;o e o The Office, do Ricky Gervais, n&atilde;o &eacute; novo e genial?&rdquo;. Confirmo que &eacute; das maiores obras-primas da com&eacute;dia mundial, mas, como o pr&oacute;prio Gervais admite, o The Office nunca teria surgido se ele n&atilde;o tivesse visto e amado o filme This is Spinal Tap, do Rob Reiner, o pai de todos os document&aacute;rios c&oacute;micos forjados. Isto &eacute; uma ilustra&ccedil;&atilde;o fant&aacute;stica do que &eacute; a com&eacute;dia e de como &eacute; uma criatura em constante muta&ccedil;&atilde;o. &Eacute; isso que &eacute; fascinante nela.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c18" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Como reconheces uma boa id&eacute;ia? Que caracter&iacute;sticas deve ter essa ideia? Como &eacute; trabalhada?</b></p>
<p lang="pt-BR" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; N&atilde;o h&aacute; nada mais relativo do que aquilo a que chamamos uma boa ideia, porque depois entram todas as vari&aacute;veis e nuances. Para come&ccedil;ar, aquilo que &eacute; uma boa ideia c&oacute;mica para mim, pode n&atilde;o ter gra&ccedil;a nenhuma para o meu vizinho do lado. &Eacute; por isso que a com&eacute;dia acaba por ser a arte de tentar agradar n&atilde;o a toda a gente, mas &ndash; de prefer&ecirc;ncia &ndash; ao maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de pessoas! Depois, mesmo que tenhamos algo que consideramos &ldquo;uma boa ideia&rdquo;, e que os nossos colegas de trabalho considerem tamb&eacute;m &ldquo;uma boa ideia&rdquo;, assim que ela se transforma num sketch ou num epis&oacute;dio de sitcom, ou num filme c&oacute;mico, ou seja no que for, quando damos por n&oacute;s a olhar para o texto completo, pode dar-se o caso de come&ccedil;armos a pensar: &ldquo;Ora bolas, quando era s&oacute; uma ideia, tinha muito mais piada do que agora que &eacute; um gui&atilde;o&rdquo;. E h&aacute; ainda mais uma vari&aacute;vel poss&iacute;vel: mesmo que a nossa &ldquo;boa ideia&rdquo; tenha sido transformada num &ldquo;bom gui&atilde;o&rdquo;, uma coisa &eacute; ela funcionar no papel; a outra &eacute; quando as c&acirc;maras come&ccedil;am a filmar e os actores a interpret&aacute;-la. Esse pode ser o momento tr&aacute;gico em que nos apercebemos que a nossa &ldquo;boa ideia&rdquo;, em teoria, podia parecer magn&iacute;fica no papel, mas, na pr&aacute;tica, n&atilde;o resulta. Nunca sabemos no que vai resultar aquilo que nos parece uma boa ideia. Se achamos mesmo que &eacute; uma boa ideia, n&atilde;o temos outro rem&eacute;dio sen&atilde;o acompanh&aacute;-la e trabalh&aacute;-la com um cuidado de ourives desde que a transformamos num texto e no momento em que ela &eacute; transformada em algo de concreto, seja um sketch, um epis&oacute;dio, um filme. Ter aquilo que consideramos uma &ldquo;boa ideia&rdquo; &eacute; um desafio tremendo, porque t&ecirc;-la &eacute; mesmo s&oacute; o come&ccedil;o. A hora da verdade sobre a qualidade da nossa ideia s&oacute; acontece mais tarde. E tanto pode ser um momento encantador, como pode ser um momento terrivelmente frustrante. Curiosamente, n&atilde;o sei se tenho uma veia masoquista, mas uma das coisas que mais adoro na minha profiss&atilde;o &eacute; a incerteza sobre se a ideia &ldquo;brilhante&rdquo; que nos surgiu vai acabar transformada numa coisa capaz de nos orgulhar a vida toda ou em algo totalmente falhado. Se resultar em algo de falhado, conv&eacute;m n&atilde;o entrar logo em depress&atilde;o: &agrave;s vezes basta que realizadores e actores n&atilde;o estejam exactamente no mesmo comprimento de onda que n&oacute;s, quando a escrevemos, para que falhe. O que n&atilde;o quer dizer, portanto, que a ideia seja m&aacute;. Mas n&atilde;o sacudo a &aacute;gua do capote: muitas vezes n&oacute;s, argumentistas de humor, ficamos iludidos com a categoria de uma ideia a que s&oacute; n&oacute;s &eacute; que achamos gra&ccedil;a. H&aacute; que ter a humildade de ouvir quem nos rodeia e de admitir que h&aacute; coisas que s&oacute; resultam para n&oacute;s. E se assim for, mais vale ter outra ideia&#8230;</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c22" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Que diferen&ccedil;a h&aacute; entre o humor de sketch, o humor de sitcom, e o humor de filme? Quais s&atilde;o essas diferen&ccedil;as especificas?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c25" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; A maneira mais f&aacute;cil de explicar isso acaba por ser com os tr&ecirc;s n&iacute;veis de rapidez, efic&aacute;cia e poder de s&iacute;ntese que cada uma dessas linguagens pede. Como &eacute; &oacute;bvio, o humor de sketch conv&eacute;m que seja curto, concentrado, uma verdadeira flecha a acertar em cheio no &ldquo;funny bone&rdquo; do espectador. A sitcom j&aacute; permite mais tempo de desenvolvimento e o filme ainda mais que a sitcom. No entanto, que isso n&atilde;o sirva de desculpa para se engonhar em qualquer um destes dois formatos. Eu acho sempre que quer a sitcom, quer o cinema c&oacute;mico s&oacute; t&ecirc;m a ganhar se forem buscar alguma da rapidez e concis&atilde;o &agrave; linguagem do sketch. Mas isto &eacute; uma teoria muito grosseira, porque dentro dos sketches, das sitcoms e dos filmes h&aacute; um n&atilde;o mais acabar de estilos de humor. Eu adoro os filmes do Wes Anderson, por exemplo; acho-os comoventes mas tamb&eacute;m hilariantes, e no entanto levam o seu tempo, n&atilde;o procuram desesperadamente &ldquo;punchlines&rdquo; nem vivem obcecados com o poder de s&iacute;ntese. E &eacute; por isso que s&atilde;o geniais.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c28" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b><i>APAD &#8211; Como constr&oacute;is uma personagem c&ocirc;mica? Inspiras-te no real ou inspiras-te noutras personagens? Como sabes se uma personagem tem pernas para andar?</i></b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c31" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Pela minha experi&ecirc;ncia, acho que n&atilde;o h&aacute; mais nada contraproducente do que uma pessoa sentar-se em frente ao computador, concentrad&iacute;ssima, com a miss&atilde;o &ldquo;n&atilde;o saio daqui hoje enquanto n&atilde;o criar uma personagem&rdquo;. As melhores personagens que criei n&atilde;o surgiram dessa forma, surgiram de observa&ccedil;&atilde;o e, &agrave;s vezes, por acidente. Um exemplo: a personagem do chato, que o Nuno Lopes faz n&rsquo; Os Contempor&acirc;neos. Nasceu de um misto entre a minha inten&ccedil;&atilde;o de pegar nessa caracter&iacute;stica t&atilde;o portuguesa de dizer mal de tudo e de dizer &agrave;s pessoas para trabalharem (quando muitas das pessoas que dizem isso n&atilde;o fazem nada) e de uma conversa absolutamente descontra&iacute;da entre mim e a minha namorada. Por alguma raz&atilde;o, come&ccedil;&aacute;mos a dizer um ao outro coisas disparatadas como &ldquo;vai mas &eacute; trabalhar&rdquo; e a criarmos situa&ccedil;&otilde;es em que fantasi&aacute;vamos dizer isso &agrave;s pessoas que menos mereceriam ouvir tal coisa. E tudo isto ainda sem sequer imaginar que isso poderia resultar num sketch. E foi no carro, com ela, enquanto troc&aacute;vamos essas frases s&oacute; pelo gozo, que eu de repente pensei que isto podia dar um sketch recorrente interessante: uma personagem que n&atilde;o faz nada e cuja vida &eacute; dizer aos outros para irem trabalhar e a insult&aacute;-los pelas raz&otilde;es mais inesperadas. Tomei logo nota no &ldquo;bloco de notas&rdquo; do telem&oacute;vel (tenho um polegar extremamente desenvolvido!) e depois, com o meu parceiro de escrita, o Francisco Martiniano Palma, come&ccedil;&aacute;mos a desenvolver a personagem e a coloc&aacute;-la numa s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es. O resto da equipa adorou o boneco e ele foi atribu&iacute;do ao Nuno Lopes, que tomou a decis&atilde;o de o caracterizar daquela maneira. E eu acho hilariante. H&aacute; muita gente que adora a personagem, mas h&aacute; tamb&eacute;m aqueles que dizem que estamos a gozar com os deficientes. Mas n&atilde;o, eu n&atilde;o vejo aquela personagem como um deficiente. Vejo-o como um tipo cuja &uacute;nica defici&ecirc;ncia, e, no fundo, aquilo que o fez ficar daquela forma retorcida e estranha, &eacute; o facto de passar toda a sua vida a queixar-se. Ele ficou como que feito de c&acirc;imbras, provocadas pela tens&atilde;o em que anda. &Eacute; um grand&iacute;ssimo trabalho do Nuno Lopes, e &eacute; um processo org&acirc;nico incr&iacute;vel, a maneira como vamos afinando o boneco em constante comunica&ccedil;&atilde;o com ele. N&oacute;s escrevemos um texto, o Nuno recebe-o e de vez em quando telefona-nos a expor-nos ideias ou sobre a caracteriza&ccedil;&atilde;o dele, ou de insultos extra que ele inventa e que s&atilde;o sempre hilariantes. O Nuno &eacute; um actor de sonho para um argumentista, porque n&atilde;o s&oacute; faz brilhantemente aquilo que escrevemos, como d&aacute; um input criativo espantoso.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c34" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Costumas tamb&eacute;m escrever com outras pessoas. Como funciona essa escrita a v&aacute;rias m&atilde;os? Que diferen&ccedil;a encontras em rela&ccedil;&atilde;o aos textos que escreves a solo?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c37" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Encontrar um parceiro ideal de escrita &eacute; das coisas mais dif&iacute;ceis que existem. E &eacute; quase t&atilde;o importante como ter perfeita empatia sexual com a mulher que se ama! Eu tenho a sorte de ter trabalhado, ao longo da minha carreira, com pessoas com quem tinha uma empatia humor&iacute;stica perfeita, como o Ricardo Ara&uacute;jo Pereira, o Jo&atilde;o Quadros, o Filipe Homem Fonseca, o Eduardo Madeira, entre outros, e isso torna o trabalho muito mais divertido e prof&iacute;cuo. Actualmente, custa-me sequer considerar a hip&oacute;tese de emparelhar com outra pessoa que n&atilde;o o Francisco Palma, porque chegamos a um ponto em que percebemos exactamente a mente um do outro, em que estamos em sintonia numas coisas e em que, nas coisas em que n&atilde;o estamos em sintonia, as nossas diferen&ccedil;as servem para afinarmos as ideias um do outro. Tamb&eacute;m gosto de escrever a solo, e acho que toda a gente deve escrever coisas a solo, de vez em quando, porque ser&atilde;o sempre, obviamente, mais pessoais. Mas h&aacute; projectos em que s&oacute; faz bem trabalharmos em conjunto com outras pessoas, porque nos apercebemos muito mais depressa do que poder&aacute; ou n&atilde;o funcionar.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c40" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Escreves todos os dias? Guardas um bloco com id&eacute;ias? Que h&aacute;bitos de escrita mant&eacute;ns?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c43" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Todos os dias. Mesmo quando estou de f&eacute;rias, tenho tend&ecirc;ncia a tomar nota de ideias. As ideias s&atilde;o bens demasiado preciosos para pensarmos que se mant&ecirc;m na nossa cabe&ccedil;a quando voltamos &ldquo;&agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. J&aacute; perdi imensas ideias que me pareciam boas, porque achei que n&atilde;o me ia esquecer delas. Por isso tomo nota delas ou num peda&ccedil;o de papel, ou no tal &ldquo;bloco de notas&rdquo; do telem&oacute;vel ou ent&atilde;o, se tiver o computador por perto, abro logo um documento de Word e escrevo-as. N&atilde;o tenho propriamente um bloco com ideias, mas tenho uma pasta no meu computador cheia de id&eacute;ias e esbo&ccedil;os. Para sketches, para sitcoms, para filmes. Sei que boa parte delas nunca ser&atilde;o concretizadas, mas paci&ecirc;ncia!</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c46" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b><i>APAD &#8211; H&aacute; f&oacute;rmulas ou estruturas para escrever uma piada? Quais s&atilde;o os teus segredos?</i></b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c49" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Conv&eacute;m ter uma no&ccedil;&atilde;o do &ldquo;timing&rdquo; das coisas. O &ldquo;timing&rdquo; &eacute; tudo, em com&eacute;dia. Falar em f&oacute;rmulas ou estruturas &eacute;, uma vez mais, estar a tornar um processo que deve ter muito de org&acirc;nico e instintivo, numa coisa maquinal e r&iacute;gida. Quando dou &ldquo;workshops&rdquo; nas Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias, o ponto em que insisto mais &eacute; na quest&atilde;o da palha. Escrevam tudo o que vos vem &agrave; cabe&ccedil;a. Releiam. E depois sejam implac&aacute;veis a cortar o que est&aacute; a mais. E no humor, o que est&aacute; a mais &eacute; o que n&atilde;o tem qualquer utilidade para essa coisa simples e elementar que &eacute; fazer rir e contar uma hist&oacute;ria. Porque tudo &eacute; uma hist&oacute;ria &ndash; at&eacute; o mais curto sketch. &Agrave;s vezes, no come&ccedil;o, &eacute; complicado a uma pessoa perceber exactamente o que &eacute; a palha, porque tudo lhe parece bom. Mas com o tempo vamos aprendendo a ser implac&aacute;veis com o nosso pr&oacute;prio trabalho e a perceber que &agrave;s vezes aquela conversa toda que achamos do melhor que j&aacute; escrevemos na nossa vida&#8230; &eacute; palha.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c52" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Quando sabes que um texto est&aacute; pronto? Dedicas muito tempo &agrave; reescrita?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c55" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Algum tempo. Depende do projecto &ndash; h&aacute; projectos, sobretudo os mais comerciais e que imp&otilde;em um ritmo de produ&ccedil;&atilde;o e de trabalho mais veloz, em que &agrave;s vezes n&atilde;o dedicamos tanto tempo &agrave; reescrita como gostar&iacute;amos. Mas &eacute; sempre essencial reler e reescrever, e tentarmos ao m&aacute;ximo, na medida do poss&iacute;vel, afinar um texto at&eacute; termos a certeza de que n&atilde;o vamos enviar para os actores uma coisa na qual tenhamos qualquer tipo de d&uacute;vida.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c58" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Para alem do talento e do trabalho &aacute;rduo, que caracter&iacute;sticas tem de ter um humorista? Que conselhos d&aacute;s para se gerir uma carreira em Portugal?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c61" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Acima de tudo, estarem preparados para fazer muito pouco trabalho realmente pessoal. Pelo menos nos primeiros anos de trabalho, tem de se aceitar fazer muita coisa com a qual n&atilde;o nos identificamos, mas aprende-se imenso com isso. Eu n&atilde;o me identificava minimamente com o programa Ai os Homens, e, no entanto, uma das primeiras coisas que escrevi quando cheguei &agrave;s Produ&ccedil;&otilde;es Fict&iacute;cias, foi o sketch humor&iacute;stico desse programa, o J&oacute;ni Bigode, interpretado pelo Ant&oacute;nio Feio. F&atilde; que sou do Ant&oacute;nio Feio, tive depois a felicidade de trabalhar com ele num registo onde ambos est&aacute;vamos muito mais contentes &ndash; a s&eacute;rie Para&iacute;so Filmes ou a tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o dos textos dos Monty Python que fiz para a pe&ccedil;a que ele encenou, recentemente &ndash; mas o Ai os Homens foi a coisa mais distante do meu universo em que trabalhei. Mas n&atilde;o me arrependo nada, aprendi muito. &Eacute; melhor afinarmos a nossa escrita num tipo de programa que n&atilde;o nos diga muito, do que come&ccedil;ar logo a escrever, cheio de expectativas, para um programa que est&aacute; mais pr&oacute;ximo do que achamos que &eacute; o nosso humor e falharmos nele. Outro conselho &eacute; resistir &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de aceitar muitos projectos. Eu aqui h&aacute; tempos era assim, tudo me parecia um desafio aliciante, e o humor pede concentra&ccedil;&atilde;o e dedica&ccedil;&atilde;o, e &eacute; imposs&iacute;vel emprestar a nossa concentra&ccedil;&atilde;o e a nossa dedica&ccedil;&atilde;o a uma quantidade imensa de coisas. Infelizmente, os argumentistas portugueses s&atilde;o, de uma forma geral, t&atilde;o escandalosamente mal pagos, que, para viver, por vezes n&atilde;o t&ecirc;m outro rem&eacute;dio sen&atilde;o aceitarem mais projectos do que deveriam estar a fazer.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c64" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; O que achas que os novos formatos &#8211; no telem&oacute;vel ou internet &ndash; est&atilde;o mudar na escrita de humor? Achas que esse &eacute; o futuro?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c67" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Aqui h&aacute; tempos teria respondido que n&atilde;o, que a televis&atilde;o continua a ser quem dita as regras. Agora, felizmente, j&aacute; n&atilde;o estou assim t&atilde;o certo disso. Um exemplo concreto e nacional &eacute; o programa onde estou a trabalhar, Os Contempor&acirc;neos. A quantidade de pessoas que me diz que espera que os sketches sejam postos no You Tube ou no site da RTP para os ver, &eacute; tremenda. H&aacute; toda uma gera&ccedil;&atilde;o que perdeu a paci&ecirc;ncia para estar sentada num sof&aacute; &agrave; espera que comece o seu programa favorito. As pessoas sabem que, no dia seguinte, v&atilde;o poder, na Internet, construir a sua grelha e ver tudo quando e onde lhes apetecer. Isto come&ccedil;a a acontecer um pouco por todo o lado. Na Am&eacute;rica, as grandes esta&ccedil;&otilde;es est&atilde;o a disponibilizar os epis&oacute;dios das suas maiores s&eacute;ries on-line, minutos ap&oacute;s elas acabarem de ser transmitidas na televis&atilde;o. Mais incr&iacute;vel ainda: h&aacute; s&eacute;ries que estreiam exclusivamente na net, o que permite &agrave;s esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o testar o seu impacto junto do p&uacute;blico antes de as estrearem na TV. E, &eacute; claro, h&aacute; cada vez mais gente a criar conte&uacute;dos exclusivos para Internet, coisas que nunca ser&atilde;o vistas na televis&atilde;o e que est&atilde;o j&aacute; formatadas para serem vistas nestes formatos &ndash; net, telem&oacute;veis, consolas port&aacute;teis, iPods. E j&aacute; n&atilde;o falamos s&oacute; de amadores, que v&ecirc;m a Internet como uma op&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e barata onde podem disponibilizar o seu trabalho; vemos profissionais a criarem conte&uacute;dos de muita qualidade para estes novos suportes. Um dos casos mais falados nos &uacute;ltimos tempos &eacute; o do Joss Whedon, criador da s&eacute;rie Buffy Ca&ccedil;adora de Vampiros, que desenvolveu uma mini-s&eacute;rie hilariante, muit&iacute;ssimo bem escrita e produzida, em tr&ecirc;s actos, apresentada sob a forma de um v&iacute;deo-blog, o Dr. Horrible. Outro dia subscrevi tamb&eacute;m o videopodcast do The Onion, o famoso jornal c&oacute;mico americano, que todos os dias oferece no seu site um notici&aacute;rio falso hilariante, em v&iacute;deo. E estava a ver isso no meu iPhone, com uma qualidade de imagem e som espantosas e estava a pensar como, de facto, o mundo mudou&#8230; E n&atilde;o &eacute; preciso olhar para o estrangeiro para ver experi&ecirc;ncias interessantes e bem sucedidas na Internet. Por exemplo, &eacute; muito interessante o percurso da equipa portuguesa da BeActive, que anda a vender os seus conceitos de fic&ccedil;&atilde;o interactiva &ndash; como o Di&aacute;rio de Sofia ou o T2 Para 3 &ndash; a grandes produtoras internacionais.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c70" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Como achas que est&aacute; o mercado de televis&atilde;o em Portugal para os argumentistas?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c73" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; N&atilde;o est&aacute; grande coisa, como sempre. Os argumentistas portugueses s&atilde;o mal pagos e parcamente respeitados. Lembro-me sempre da hist&oacute;ria real que me contaram de um produtor da televis&atilde;o portuguesa que se referiu aos argumentistas como &ldquo;a pior corja que h&aacute; no meio&rdquo;. Quando, na verdade, somos os mais inofensivos e achincalhados! Uma pessoa habitua-se, porque o amor pela arte de contar hist&oacute;rias sobrep&otilde;e-se a esse tipo de coisa, mas sinto que ainda se respeita muito pouco a pessoa que tem as id&eacute;ias e as escreve. Foi interessante, de repente, que o mundo percebesse, &agrave; conta da greve dos argumentistas americanos, que existem uns tipos que, se por algum motivo param de trabalhar, as pessoas deixam de ver as s&eacute;ries que gostam. A greve deles foi inspiradora, de certa maneira, embora duvide que uma mobiliza&ccedil;&atilde;o daquelas funcionasse, em Portugal. L&aacute;, eles s&atilde;o a ind&uacute;stria que se sabe; c&aacute; n&oacute;s continuamos muito no &ldquo;cada um por si&rdquo;.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c76" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Que tend&ecirc;ncias consideras mais interessantes no actual panorama global?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c79" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Agrada-me muito a melancolia que, de repente, entrou no humor. E que foi trazida, recentemente, pelo Ricky Gervais. N&atilde;o s&oacute; a melancolia, mas o embara&ccedil;o &ndash; coisas que, &agrave; partida, n&atilde;o parecem material pass&iacute;vel de provocar ataques de riso. Uma das coisas que gosto tanto no epis&oacute;dio especial final do The Office ingl&ecirc;s, como no epis&oacute;dio especial final do Extras &eacute; que, a dada altura de ambos, o Gervais e o Merchant entram por caminhos melodram&aacute;ticos sem que o espectador se aperceba como raio &eacute; que de repente deixou de se rir para ficar comovido. Acho isso extraordin&aacute;rio, acho que abre enormes horizontes para a com&eacute;dia, essa capacidade de, sem deixar de ser com&eacute;dia, poder, de vez em quando, ser uma coisa triste e po&eacute;tica. De certa maneira isso n&atilde;o &eacute; novo &ndash; se virmos bem, o Chaplin j&aacute; fazia isso. Mas hoje, sobretudo a escola brit&acirc;nica faz isso com uma sofistica&ccedil;&atilde;o e uma fluidez que s&atilde;o de deixar uma pessoa boquiaberta.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c82" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; O que dirias a um jovem guionista que quer fazer carreira na com&eacute;dia?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c85" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Que se mantenha fiel ao que acredita, sem deixar de considerar a tal hip&oacute;tese de ter de escrever coisas para programas que, &agrave; partida, est&atilde;o longe daquilo em que acredita. Porque uma pessoa tem de ganhar a vida, e &eacute; raro que se comece logo a escrever aquilo que se quer. Que ainda assim, escrevendo esses programas, tente manter-se fiel ao m&aacute;ximo &agrave;quilo em que acredita e ao seu humor. Que n&atilde;o tenha medo de experimentar e que tenha sempre em mente a ideia de que &eacute; melhor um falhan&ccedil;o interessante do que um sucesso banal. Que use essa ferramenta extraordin&aacute;ria que estava longe de ser o que &eacute; hoje quando eu comecei, e que &eacute; a Internet: que mostre ao mundo alguns textos num blog, que ouse pegar numa c&acirc;mara de telem&oacute;vel e num programa rudimentar de edi&ccedil;&atilde;o de imagem e que, basicamente, fa&ccedil;a coisas. Quando as coisas s&atilde;o boas, acabam por ser notadas, mais cedo ou mais tarde. E que n&atilde;o desista&#8230; e que tenha paci&ecirc;ncia, que &agrave;s vezes, neste of&iacute;cio, as coisas demoram a concretizar-se ou a ter o resultado que esper&aacute;vamos.</p>
<p lang="pt-BR" id="io:c88" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;"><b>APAD &#8211; Achas que as empresas de guionismo t&ecirc;m futuro?</b></p>
<p lang="pt-BR" id="io:c91" class="western" style="margin-bottom: 0in;" mce_style="margin-bottom: 0in;">NM &#8211; Acho que sim, precisamente por causa do mundo c&atilde;o que est&aacute; l&aacute; fora para os argumentistas. Tudo o que possa ser uma uni&atilde;o que fa&ccedil;a a for&ccedil;a, &eacute; de ter em conta.</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/rui-vilhena-e-preciso-criar-historias-com-que-as-pessoas-possam-se-identificar/' title='Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 17:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossier]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
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		<description><![CDATA[Rui Vilhena é um dos mais destacados guionistas nacionais, responsável por muitas telenovelas de sucesso e pela aguardada mini-série "Equador".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='series_toc'><h3>Índice: Revista#1</h3><ol><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/pedro-marta-santos-ainda-nao-somos-uma-profissao-somos-uma-perturbacao-neurotica/' title='Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica'>Pedro Marta Santos: ainda não somos uma profissão, somos uma perturbação neurótica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo</a></li><li>Rui Vilhena: é preciso criar histórias com que as pessoas possam se identificar</li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>António Ferreira: um guião é como uma lista de compras</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/tiago-santos-como-ganhar-a-vida-numa-profissao-que-nao-existe/' title='Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe'>Tiago Santos: como ganhar a vida numa profissão que não existe</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/jorge-vaz-nande-devemos-sempre-olhar-para-a-nigeria/' title='Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria'>Jorge Vaz Nande: devemos sempre olhar para a Nigéria</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/perfil-neil-labute-matem-o-dramaturgo/' title='Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo'>Perfil: Neil Labute &#8211; matem o dramaturgo</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/dexter-o-mundo-ao-contrario/' title='Dexter: o mundo ao contrário'>Dexter: o mundo ao contrário</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/my-blueberry-nights-o-neon-da-paixao/' title='My Blueberry Nights: o néon da paixão'>My Blueberry Nights: o néon da paixão</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/sex-and-the-city-teorias-e-conspiracoes-sobre-a-comedia-romantica/' title='Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica'>Sex and the City: teorias e conspirações sobre a comédia romântica</a></li><li><a href='http://argumentistas.org/2008/10/the-servant-parasitas-da-alma/' title='The Servant: parasitas da alma'>The Servant: parasitas da alma</a></li></ol></div> <p><a href="http://www.imdb.com/name/nm2000096/"><em>Rui Vilhena</em></a><em> &eacute; um dos mais destacados guionistas nacionais, respons&aacute;vel por muitas telenovelas de sucesso e pela aguardada mini-s&eacute;rie &quot;Equador&quot;.</em></p>
<p><a href="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/rui-vilhena-rev1-foto.jpg"><img width="500" height="400" src="http://argumentistas.org/wp-content/uploads/rui-vilhena-rev1-foto.jpg" alt="" title="rui-vilhena-rev1-foto" class="aligncenter size-full wp-image-215" /></a></p>
<h2>Ser guionista</h2>
<p><b>APAD &#8211; Quando e porque come&ccedil;ou a escrever? O que o fascina na profiss&atilde;o? </b></p>
<p>Rui Vilhena &#8211; Sempre gostei muito de contar hist&oacute;rias. Quando fui para a Calif&oacute;rnia come&ccedil;ei a tirar alguns cursos ligados ao audiovisual e foi ent&atilde;o que passei a levar a s&eacute;rio, o que na &eacute;poca percebi, ser a minha voca&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><b>APAD &#8211; Como &eacute; que elabora a estrutura de uma telenovela? Como mant&eacute;m o registro de tantas personagens e de tantos mini-plots? </b></p>
<p>RV &#8211; Penso que quase todos os autores de telenovelas utilizem o mesmo m&eacute;todo de trabalho. H&aacute; uma grelha contendo todas as cenas do epis&oacute;dio que &eacute; distribuida entre os demais autores. Uma vez escritas as cenas, estas s&atilde;o montadas, relidas e reescritas at&eacute; estarem de acordo com o perfil que se pretende dar a hist&oacute;ria. Como s&atilde;o muitas personagens, a concentra&ccedil;&atilde;o e a mem&oacute;ria s&atilde;o fundamentais para n&atilde;o perder o fio a meada.</p>
<p><b>APAD &#8211; Que segredos (que possam ser partilhados) utiliza na concep&ccedil;&atilde;o das suas hist&oacute;rias? Para al&eacute;m do trabalho &aacute;rduo h&aacute; alguma formula do sucesso para conquistar os p&uacute;blicos portugueses? H&aacute; personagens ou tramas a que os portugueses nutrem mais simpatia? </b></p>
<p>RV &#8211; A novela &eacute; o espelho da vida real. &Eacute; preciso criar hist&oacute;rias com que as pessoas possam se identificar &ndash; que pare&ccedil;am crediveis. No meu caso, gosto que o p&uacute;blico pense que &ldquo;isso podia estar a acontecer comigo&rdquo;, ou que conhe&ccedil;am algu&eacute;m que j&aacute; tenha passado por uma situa&ccedil;&atilde;o semelhante. Acredito que o p&uacute;blico de telenovela em geral, seja no M&eacute;xico, no Brasil ou em Portugal, tem gostos semelhantes &ndash; a paix&atilde;o pelo folhetim.</p>
<p><b>APAD &#8211; Que regras utiliza na concep&ccedil;&atilde;o das personagens? Como atinge o equil&iacute;brio entre as diversas personagens e hist&oacute;rias? Em que sentido tem preocupa&ccedil;&otilde;es de audi&ecirc;ncia e dos diversos p&uacute;blicos? </b></p>
<p>RV &#8211; A audi&ecirc;ncia &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante, assim como os diversos p&uacute;blicos. Regra geral, nas minhas novelas h&aacute; plots para todos: terceira idade, infanto-juvenil, adolescentes&hellip; Como a novela n&atilde;o &eacute; escrita para mim e para os meus amigos, &eacute; preciso estar atento a evolu&ccedil;&atilde;o da teledramaturgia, para que a novela acompanhe as novas tendencias dramaturgicas. Parece que estamos a falar de moda, mas a escrita &eacute; uma arte como outra qualquer, vive em constante muta&ccedil;&atilde;o. Hoje o p&uacute;blico de telenovelas &eacute; mais impaciente. Espera resolu&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas. Ningu&eacute;m quer esperar 200 cap&iacute;tulos para saber que Maria, afinal, n&atilde;o era filha de Pedro. &Eacute; fundamental que cada personagem tenha um conflito pr&oacute;prio. A fun&ccedil;&atilde;o de uma personagem n&atilde;o pode ser apenas &ldquo;ser irm&atilde; da protagonista&rdquo;. Sim, ela &eacute; irm&atilde;, mas &eacute; cleptomaniaca, ninfoman&iacute;aca &hellip; uma personagem sem conflito interior, &eacute; uma personagem sem alma. Depois de elaboradas cria-se a teia de aranha que ir&aacute; compor a evolu&ccedil;&atilde;o do relacionamento entre elas ao longo da trama.</p>
<p><b>APAD &#8211;  Que regras utiliza na concep&ccedil;&atilde;o de cenas? Tem alguma dicas ou sugest&otilde;es que possam ser &uacute;teis a jovens guionistas? </b></p>
<p>RV &#8211; Regra de ouro: uma boa cena tem ritmo, originalidade e alma. Para quem est&aacute; a come&ccedil;ar vejam tudo. Principalmente as s&eacute;ries americanas que hoje &eacute; o que se faz de melhor na televis&atilde;o.</p>
<p><b>APAD &#8211; O que &eacute; para si um bom di&aacute;logo? Que truques usa para escrever um di&aacute;logo memor&aacute;vel? </b></p>
<p>RV &#8211; Um bom di&aacute;logo &eacute; aquele que n&atilde;o ma&ccedil;e, que n&atilde;o esteja recheado de clich&eacute;s, que me fa&ccedil;a reflectir, que de alguma forma altere a minha maneira de pensar. A t&eacute;cnica &eacute; fundamental na elabora&ccedil;&atilde;o de um di&aacute;logo. Os meus chegam a ser matem&aacute;ticos (tamanho das falas, da cena, etc&hellip;)</p>
<p><b>APAD &#8211; Costuma trabalhar em equipa. Com quantas pessoas trabalha numa novela? Como &eacute; dividido o trabalho? Como consegue manter a coer&ecirc;ncia numa escrita a tantas m&atilde;os? </b></p>
<p>RV &#8211; Actualmente &ldquo;A Face do Mal&rdquo; conta com uma equipa de sete autores. &Eacute; fundamental que todos escrevam como se de um autor se tratasse, uma vez que o perfil das personagens n&atilde;o pode ser alterado. Se cada autor imprimisse o seu tom, as personagens seriam, de certeza, no m&iacute;nimo esquizofr&eacute;nicas.</p>
<h2>Produto e Marketing</h2>
<p><b>APAD &#8211; Em que medida a publicidade e o marketing s&atilde;o essenciais para o sucesso da novela nas audi&ecirc;ncias? Que outras formas de publicitar o produto s&atilde;o hoje comuns? </b></p>
<p>RV &#8211; Uma novela &eacute; um produto como outro qualquer. Precisa de uma excelente divulga&ccedil;&atilde;o. A internet parece ser a nova fronteira nesta &aacute;era. Eu mesmo j&aacute; tenho um video no YouTube a promover &ldquo;A Face do Mal&rdquo;.</p>
<p><b>APAD &#8211; Para si quais s&atilde;o os factores que mais influenciam o sucesso ou insucesso de um projecto para televis&atilde;o? </b></p>
<p>RV &#8211; Uma boa hist&oacute;ria &eacute; a pe&ccedil;a chave.</p>
<p><b>APAD &#8211; O que &eacute; necess&aacute;rio para um guionista criar uma boa rela&ccedil;&atilde;o com o produtor ou com o realizador? Como &eacute; a natureza deste trabalho em conjunto? </b></p>
<p>RV &#8211; Costumo dizer que o autor e o realizador s&atilde;o como marido e mulher. Se o casamento funciona, a novela tamb&eacute;m. &Eacute; preciso haver respeito, confian&ccedil;a e di&aacute;logo. A falta de comunica&ccedil;&atilde;o numa equipa pode levar o projecto &agrave; fal&ecirc;ncia.</p>
<p><b>APAD &#8211; Que diferen&ccedil;as costuma encontrar entre o gui&atilde;o e o produto final? </b></p>
<p>RV &#8211; H&aacute; sempre diferen&ccedil;as. Nunca &eacute; aquilo que imaginamos&hellip; pode estar pr&oacute;ximo, pior ou melhor&hellip; mas igual, &eacute; raro.</p>
<h2>O mercado</h2>
<p><b>APAD &#8211; Qual deve ser a expectativa para um jovem guionista no mercado portugu&ecirc;s (TV e Cinema)? </b></p>
<p>RV &#8211; A &aacute;rea &eacute; bastante promissora. O mercado est&aacute; faminto por novos profissionais. Mas lembrem-se: &eacute; importante ter conhecimento da t&eacute;cnica.</p>
<p><b>APAD &#8211; Acha que j&aacute; se pode falar numa verdadeira ind&uacute;stria televisiva em Portugal? </b></p>
<p>RV &#8211; Sem d&uacute;vida. Uma ind&uacute;stria que j&aacute; n&atilde;o fica nada a dever ao que se faz em outros pa&iacute;ses, nomeadamente no Brasil.</p>
<p><b>APAD &#8211; O guionista &eacute; algu&eacute;m que &eacute; valorizado na cadeia de valor destes produtos? </b></p>
<p>RV &#8211; O guionista come&ccedil;a a ser uma pe&ccedil;a cada vez mais importante. O texto &eacute; a base de tudo. Uma novela pode ter grandes cen&aacute;rios, excelentes actores, figurinos lind&iacute;ssimos, mas se a hist&oacute;ria n&atilde;o for boa, n&atilde;o tiver alma e n&atilde;o surpreender, o resto de nada vale.</p>
<p><b>APAD &#8211; Teve uma empresa de guionistas. Acha que uma organiza&ccedil;&atilde;o deste g&eacute;nero &eacute; uma boa solu&ccedil;&atilde;o? Haver&aacute; espa&ccedil;o para o surgimento de v&aacute;rias empresas do g&eacute;nero? </b></p>
<p>RV &#8211; Acho que &eacute; fundamental. Na Script tivemos a oportunidade de realizar diversos projectos na &aacute;era da forma&ccedil;&atilde;o e dar oportunidade a estagi&aacute;rios.</p>
<p><b>APAD &#8211; Que diferen&ccedil;as encontra entre a ind&uacute;stria em Portugal e a ind&uacute;stria noutros paises, como Brasil e Estados Unidos? </b></p>
<p>RV &#8211; Em Portugal ainda estamos muito voltados para a telenovela. Penso que o Equador ir&aacute; alterar um pouco este cen&aacute;rio pela qualidade da s&eacute;rie &ndash; e o interesse que certamente ir&aacute; despertar. Os Estados Unidos, depois de um grande investimento da ind&uacute;stria televisiva &#8211; foram buscar os grandes talentos do cinema (guionistas, realizadores, iluminadores) &#8211; est&atilde;o a produzir o que se faz de melhor na televis&atilde;o a n&iacute;vel mundial. Principamente no que se refere &agrave; qualidade dos di&aacute;logos. O importante &eacute; estarmos sempre atentos ao que est&aacute; a ser feito, &eacute; tentar perceber porque as s&eacute;ries x e y fazem sucesso, qual &eacute; o segredo&hellip; um guionista tem de estar sempre actualizado.</p>
 <div class='series_links'><a href='http://argumentistas.org/2008/10/nuno-markl-a-comedia-e-um-organismo-vivo/' title='Nuno Markl: a comédia é um organismo vivo'>Artigo anterior</a> <a href='http://argumentistas.org/2008/10/antonio-ferreira-um-guiao-e-como-uma-lista-de-compras/' title='António Ferreira: um guião é como uma lista de compras'>Próximo artigo</a></div>]]></content:encoded>
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